CAPÍTULO 16

CAPÍTULO 16

Dias depois, Laura procurou a mae para contar-lhe que Eduardo continuava indiferente e apresentando um comportamento cada vez mais evasivo.

— Pega esclarecimento ao seu mentor espiri¬tual — sugeriu Alzira, achando que a filha ja deveria ter feito isso.

— Eu ja pensei em fazer isso, mae. Entretanto, uma vez, durante uma conversa, o Alaor me falou que nao e porque eu trabalho como medium que serei poupada dos desafios da vida. Ele foi taxativo quando me disse que mediunidade nao serve como atalho para nos desviar dos aprendizados de nosso desconhecido caminho. Ele explicou que a espiritualidade nao pode interferir em certas situagdes para livrar alguem de coisas desagradaveis, porque os acontecimentos que atraimos fazem parte do nosso crescimento e desenvolvimento.

— Entao, se e assim que a vida funciona, nao adianta a gente sofrer se preocupando com coisas que nao temos poder para mudar — concluiu Alzira.

Sem argumento para contestar, Laura suspirou fundo e ficou calada.

— E o que voce sente que esta acontecendo? — tornou a falar a mae.

— Sinto que ha uma interferencia muito ruim nos distanciando.

— Ele tern procurado voce como mulher, mantendo a intimidade de casal?

— Isso sim, mae. Mas nao com aquela mesma intensidade do inicio. A sensagao que eu tenho quando estamos em nossa intimidade de casal e de que ele esta apenas cumprindo a sua obrigagao de marido. Isso faz eu me sentir pessima — desabafou Laura, com voz chorosa.

— Filha, o casamento e feito de fases boas e de outras desafiadoras. E normal que o apetite sexual do casal diminua com o passar do tempo. E, para que uma uniao seja duradoura, e preciso que haja entre o casal muita compreensao, tolerancia e, principalmente, paciencia.

— A senhora ja me ensinou esses segredos, mas e muito dificil colocar em pratica qualidades que nds ainda nao desenvolvemos.

— Nao fique assim, filha. Isso e mais uma fase de adaptagao do casamento. Eu, que ja vivi momentos quase insuportaveis com o seu pai, posso Ihe garantir que logo essa nuvem escura vai passar e tudo ficara bem entre voces. Esse tipo de turbulencia faz a relagao se fortalecer.

— Como pode uma pessoa espiritualizada como eu, que vive orientando os outros, estar nessa condi¬gao, igual a uma menininha indefesa, chorando pelos cantos e pedindo consolo da mamae? — questionou--se Laura, aflita.

— Filha, voce nao pode misturar as coisas desse jeito. Na convivencia com o seu esposo, voce precisa se esquecer de que e uma famosa medium e ter a cons¬ciencia de que, para ele, voce e apenas a esposa.

Reconhega as suas limitagdes. Voce nao e capaz de salvar o mundo. Lembre-se de que, antes de ser uma lider espiritual, voce e um ser humano como qualquer outro, vivendo nas mesmas condigdes de aprendizado. Problemas, ate o papa os tern...

— tornou Alzira, enfatica.

— Eu tenho consciencia disso, mae.

— Laura, eu sei que voce e uma pessoa espiritual-mente esclarecida. E longe de mim querer Ihe ensinar alguma coisa. Mas quero Ihe dizer algo muito importante, minha filha: precisamos confiar as coisas que nao conse-guimos resolver aos benfeitores espirituais, porque eles estao no mundo como guias para nos ajudar, orientar.

— Concordo com a senhora. E exatamente isso que eu recomendo as pessoas que me procuram. Falar e uma coisa, colocar em pratica e outra.

Laura, muito angustiada e chorando, abragou a mae e pressupds:

— Sera que o Eduardo esta gostando de outra mulher?

— Calma, filha! Deixe de ser dramatica. Confesso que conviver com a duvida e uma tortura, mas tambem nao vamos baixar a autoestima com pensamentos negativos. Vamos procurar manter sentimentos elevados — propds Alzira.

Laura, consumida pela inseguranga com o que estava por vir, disse:

— Uma traigao seria o meu fim.

— O que a leva a crer que seu marido a esta train-do? Ele Ihe deu motivos claros de que realmente esta se envolvendo com outra pessoa?

— Nao, mae. Isso nao. Ja fiz de tudo para descobrir um deslize dele e nada. A senhora sabe que a coisa mais comum, principalmente em nossa terra, e encontrar homem que nao tern condigdes nem para bancar uma mulher e, por fantasia, arruma um harem para se divertir, enquanto a honrada esposa se mata de trabalhar cui-dando dos filhos e da casa.

— Infelizmente, essa e a realidade de muitos homens, so que nao podemos ser radicals julgando que todos sao assim, e muito menos o seu marido — devolveu Alzira, numa tentativa de acalmar a filha. — Ha os que se contentam com o que e familiar, mas tambem ha os machistas, que querem uma boa esposa e mae, mas necessitam de mulheres faceis para satisfazer suas fantasias.

As duas nao notaram que, enquanto conversavam, Olivia, como sempre, estava com o ouvido colado atras da porta, escutando tudo. Ela ficou muito contente ao descobrir que o cunhado estava se comportando de maneira diferente nos ultimos dias.

A crise no casamento da irma significava que Eduardo tinha caido em seu jogo de sedugao e que con-quista-lo era so uma questao de tempo. Olivia foi para o quarto. Ficou se olhando diante do espelho e imagi-nando como seria o seu primeiro momento intimo com o cunhado. Embalada pelas cenas que surgiam em sua mente, cometendo as mais quentes fantasias com Eduardo, sentia tanto desejo em se entregar para ele que mordiscava os labios enquanto se divertia com a propria loucura.

— Me aguarde, bonitao. Vou presentea-lo com algo inesquecivel, para que voce nunca mais diga que o seu coragao esta compromissado para sempre com atonta da Laura. Ufa! Nem quero pensar na loucura que sera — disse ela, abanando-se como se tivesse apa-gando o fogo que subia pelo corpo inteiro.

Ainda se olhando diante do espelho, exaltando-se, disse a imagem refletida:

— Voce e muito mais linda que a sua concorrente. A Laura so se casou com o seu homem porque voce nao agiu rapido. Mas quando seu cunhadinho metido a homem fiel tiver a oportunidade de sentir o calor de seu lindo corpo nu nos bragos dele, o coitado vai ate perder o fdlego de paixao e, de maneira selvagem, ira Ihe possuir, tirando sua virgindade.

De repente, ela teve a sensagao de que alguem tinha entrado no quarto e a flagrado falando sozinha. Trazida de volta a realidade, girou rapidamente para tras e suspirou aliviada por ter sido apenas uma impressao.

— Ainda bem que foi so um susto — sussurrou e continuou: — Preciso tomar mais cuidado para nao revelar os meus segredos e intengdes com o meu cunhadinho, porque, se o meu pai descobrir que eu e o Eduardo estamos tendo um caso, mesmo antes do fato ser consumado, nossas vidas serao aniquiladas.

Apos o seu dialogo solitario, Olivia deixou o quarto e, sentindo-se seguida por alguem, foi ate a cozinha, pegou uma bacia, uma faca, e foi para o quintal, onde colheu algumas laranjas e as cortou ao meio, consu-mindo os frutos com bagago e tudo.

Alzira, com muito esforgo, conseguiu amparar e reanimar Laura.

— Vamos dar tempo ao tempo e, se o seu marido estiver traindo voce, quern vai perder o moral e ele, por nao honrar a promessa que Ihe fez quando se casaram. Voce e uma mulher decente. Se a sua descon-fianga vier a se confirmar, uma coisa eu Ihe digo: uma pessoa qualificada e honrada como voce nao deve se rebaixar, ficando deprimida por causa de um homem que nao a respeita.

As palavras de Alzira fortaleceram e levantaram a autoestima de Laura. Muito emocionada, abragou a mae e, cheia de coragem, levantou o astral.

— Nem sei o que seria de mim se eu nao tivesse a senhora ao meu lado. Acho que as mulheres seriam muito mais fortes e felizes se tivessem uma mae tao maravilhosa como eu tenho — declarou ela, secando as lagrimas.

— Laura, eu acredito que cada um de nds tern aquilo que cultiva.

Depois da conversa, as duas seguiram para seus afazeres.

Laura recebeu o chamado de uma familia que morava na cidade para atender uma moga que vivia sendo assediada por um espirito em desequilibrio, que incorporava na jovem nos momentos mais inusitados, gerando muito constrangimento em sua vida.

Sem desconfiar de que a irma estava armando para seduzir o seu marido, Laura pediu que Olivia ficasse cuidando de sua casa e de seus filhos.

Olivia, fingindo-se de prestativa, prontamente acei-tou o convite e, em pensamento, agradeceu pela opor¬tunidade de colocar o seu piano em agao: "Ate que enfim o meu grande dia chegou".

Antes de seguir viagem, Laura recomendou que os filhos se comportassem bem durante sua ausencia, agradeceu a irma pela ajuda, pegou as suas coisas e partiu rumo a cidade, informando que so voltaria para casa no outro dia.

Quando comegou a anoitecer, Olivia preparou o jantar e, antes que o cunhado chegasse do trabalho,
serviu as criangas para se livrar logo deles. Depois foi com os sobrinhos para a casa dos avds maternos, onde dormiriam naquela noite.

Eduardo chegou, jantou, foi ate a casa dos sogros, deu um beijo nos filhos, agradeceu a cunhada pela ajuda, desejou boa noite aos sogros e saiu para se distrair um pouco, conversando com os amigos da vizinhanga. Uma coisa chamou a atengao de Eduardo quando ele se despediu: de maneira discreta, Olivia expressou sen-sualidade, encarando-o como quern queria devora-lo com os olhos.

Atordoado com a investida da cunhada, Eduardo murmurou:

— Preciso manter distancia dessa menina. Ela e um perigo.

Alguns minutos apos da saida do cunhado, Olivia inventou que estava sentindo uma forte dor de cabega, e Alzira, preocupada, perguntou:

— Voce quer que eu pegue um remedinho para afastar esse mal-estar, filha?

— Nao precisa se preocupar nao, mae. Nao e nada de mais.

— Entao va descansar e deixe que eu termino de arrumar a cozinha.

Olivia foi para o quarto, trancou a porta e, em seguida, saltou pela janela, correndo em diregao a casa da irma com um unico objetivo: seduzir o cunhado.

— E hoje que Eduardo sera meu. So meu! — dizia Olivia para si mesma.

Ja era tarde da noite quando Eduardo retomou para casa e, ao se deitar, levou um susto ao tocar o corpo de uma mulher completamente nua em sua cama.

Imediatamente Ihe veio a mente a imagem de Olivia encarando-o de maneira sensual e provocativa quando ele esteve na casa dos sogros horas antes.

"Essa louca so pode ser a Olivia", pensou. Ainda as-sustado, e ao mesmo tempo curioso, perguntou no escuro:

— Olivia, e voce?

Ela, de maneira silenciosa, pegou as maos do cunhado e as levou a seus seios. Quando ele tocou aqueles mamilos durinhos, foi dominado pelo calor do momento e deslizou as maos sobre o corpo dela, tocan-do intimamente as suas curvas pecadoras. E assim como Olivia imaginava que seria a reagao de Eduardo, por um instante ele pareceu ter perdido o fdlego, tamanha fora a emogao que sentiu ao encontra-la completamente nua em sua cama, no lugar que ate entao so fora de sua amada esposa.

Olivia, certa de que o peixe havia mordido a isca, nao perdeu mais tempo. Rolou na cama jogando o corpo nu sobre o cunhado, sussurrando palavras erdticas no ouvido dele e, fatalmente, enlouquecendo-o de desejo.

Eduardo, que ja andava distante de Deus, ficou ainda mais longe dEle. Deixou-se envolver pelos encantos da cunhada e beijaram-se ardorosamente.

As suas maos atrevidas estavam incontrolaveis naquele momento e, movido por uma chama intensa, tocou as intimidades da cunhada como nunca tocara a propria esposa, acariciando-a loucamente sem o menor pudor.

Olivia, completamente entregue aquela gostosa sensagao de estar vivendo um romance proibido, sentiu um prazer indescritivel tomando conta de todo o seu ser.

Eduardo, tornado pela vontade de possui-la, perdeu o medo da morte, colocou seu casamento em risco e, no fogo do momento, se entregou a paixao que o consumia.

Olivia o agarrou pela cintura e o puxou para cima dela, permitindo que ele tirasse a sua virgindade de uma vez por todas e libertasse a sua alma daquela vontade avassaladora que tinha de senti-lo invadindo a sua intimidade de maneira selvagem, possuindo-a e transformando-a em sua mulher, como ela desejava fervorosamente desde a adolescencia.

Agora, na mente de Olivia, ela finalmente ocupava o lugar da irma.

Enquanto isso, na cidade, Laura estava dormindo e, por ser uma pessoa extremamente sensivel, naquele exato momento em que o marido e a irma cometiam a traigao, ela despertou sentindo uma forte tontura e uma pontada no peito, como se tivesse levado uma punha-lada no coragao. Sentou-se na cama, fechou os olhos e comegou a rezar pedindo ajuda ao piano espiritual. Logo o seu mentor apareceu ao seu lado e Ihe disse:

— Filha, conte comigo, pois eu estarei sempre presente nas travessias dificeis que tera que superar durante a experiencia desta encarnagao.

Emocionada, Laura agradeceu ao amigo espiritual pelo apoio.

Alaor despediu-se e Laura novamente se deitou, mas nao conseguiu se desligar daquela estranha sen¬sagao que Ihe sufocava a garganta e ardia o peito.

Eduardo e Olivia, dominados pelo desejo ardente, viveram intensamente as mais loucas fantasias ate altas horas da madrugada.

Ja satisfeita com a noitada, Olivia deixou o cunhado dormindo e foi embora para a casa dos pais, pisando leve para que ninguem percebesse a sua chegada.

No dia seguinte, quando Laura chegou em casa, o marido ja havia saido para trabalhar e os filhos perma-neciam na casa dos avds.

No entanto, assim que ela entrou no quarto do casal, sentiu uma energia muito densa vibrando no ambiente. De repente foi acometida pela mesma sensagao de an-gustia que havia Ihe interrompido o sono durante a noite.

Laura se trocou, abriu as janelas da casa para afastar aquele ar pesado, foi ate a cozinha, tornou um copo de agua, retomou ao quarto, sentou-se na cama, fechou os olhos e fez uma sentida prece, pedindo o amparo dos amigos espirituais. Em seguida, fez uma limpeza energetica na casa, com oragao e defumagao, afastando a companhia indesejada que ali se manifes-tava. Depois foi buscar os filhos.

Quando se aproximou da casa de seus pais e viu Augusto e Agucena brincando, sentiu um alivio recon-fortante no peito.

— Mamaezinha! — gritou Agucena, correndo em sua diregao para abraga-la.

— Oi, querida! — respondeu ela amorosamente, apressando o passo, indo ao encontro da filha.

Com a garotinha nos bragos, Laura apertou-a com forga e beijou o seu lindo rostinho varias vezes, matando a saudade, enquanto Augusto se aproximava para abraga-la tambem. Laura colocou delicadamente Agucena no chao e repetiu o mesmo gesto de carinho com o filho mais novo.

— Que saudade de voces, meus amores — disse ela, emocionada.

— A gente tambem estava morrendo de saudade da senhora, mamaezinha — retribuiu a menina, com meiguice no seu jeitinho de falar.

— Comportaram-se bem? — perguntou ela, de maos dadas com os filhos.

— Sim — responderam os dois de uma vez so.

— Entao vao ganhar mais beijos da mamae — devolveu ela, dando mais um beijo estalado no rostinho de cada um dos filhos.

— A vovd contou as nossas histdrias preferidas antes de dormirmos — contou Agucena, demonstrando o seu prazer em ouvir suas irresistiveis histdrias.

— Assim voce vai deixar a mamae com ciume e com inveja da vovd — tornou Laura, novamente beijando o rostinho corado de sua pequena e amada Agucena.

Augusto, com a autoestima elevada por ter ouvido elogios da avd, falou:

— O vovd disse que me ama do tamanho de todo o universe

Ao escutar o filho comentando com orgulho que o avd havia Ihe feito uma declaragao de amor, Laura aproveitou a oportunidade para reforgar aquela ima-gem positiva na mente do filho de que ele realmente era muito amado:

— Nao so o vovd, mas todos nds da familia amamos muito voces dois — disse ela, abrindo os bragos como se estivesse mensurando o tamanho do amor.

Contentes, Augusto e Agucena entreolharam-se, olhos brilhando de alegria por saberem que eram queridos pelos membros de sua familia. Com isso, Laura notou que aquela declaração de amor lançada no coração das crianças tinha alcançado o mais profundo da alma dos pequenos, deixando internalizada a certeza de que eram pessoas importantes e muito queridas.

Alzira estava colocando a casa em ordem quando escutou a voz da filha conversando com as crianças. Imediatamente deixou os seus afazeres e foi ter com Laura. Assim como fez com os filhos, Laura deu um afetuoso abraço na mãe e perguntou por Olivia. Ela queria agradecer a irmã por ter cuidado das crianças, mas foi informada de que Olivia tinha ido ate' a casa de uma amiga que ficava distante dali. Mãe e filha conversaram um pouco e Laura voltou para casa levando os filhos.

Enquanto Laura preparava o almoço, as crianças foram brincar. Aparentemente, as energias no interior da residência ja' estavam melhores. Contudo, ela tinha a nitida certeza de que acontecera algo muito grave e que gerara desarmonia em seu lar.

Eduardo chegou do serviço com a aparência abatida. Não conseguia encarar a esposa, pois um sentimento de culpa destruidor corroia sua alma. Laura, notando seu olhar aflito, perguntou:

— Aconteceu algo estranho aqui em casa durante a minha ausência?

— Nem comece com as suas investigações, porque não aconteceu nada durante a sua ausência — respondeu ele, dando as costas para a esposa.

— E por que voce esta' com essa cara?

— Estou com essa cara porque e' a única que eu tenho — rebateu Eduardo, demonstrando-se muito irritado com a segunda pergunta.

— Qual e' o real motivo de voce estar me tratando com esse desprezo?

— Eu so' falei desse jeito porque voce, 'as vezes, me tira do sério com essas suas perguntas chatas que so' enchem o meu saco.

— Tem certeza de que voce não esta' me escondendo nada? — insistiu ela.

Completamente descontrolado, Eduardo esbravejou:

— Não sei onde eu estava com a cabeça quando decidi me casar. Troquei a minha liberdade de solteiro por uma prisão. Jesus amado, o que eu fiz com a minha liberdade? Não posso sequer pensar na vida que logo ja' vem a chata da mulher me torrar a paciência com perguntas investigativas, meu pai do céu!

Laura aproximou-se dele e quis saber:

— Por que esta' arrependido de ter se casado? Encontrou outra mulher mais interessante que eu?

Rangendo os dentes de raiva, Eduardo novamente bradou:

— Olha, Laura, vou falar uma coisa... Voce parece uma investigadora de policia que fica perguntando a mesma coisa várias vezes, tentando colocar a pessoa acusada em contradição para arrancar dela algum segredo.

Laura cobrou, com firmeza na voz:

— Não sei se voce se lembra do compromisso que assumiu comigo. Eu sou sua mulher e tenho o direito de saber o que esta' se passando com voce.

Eduardo, mais uma vez, deixou a esposa falando sozinha. Foi ate' o quarto, pegou uma toalha e saiu rumo ao riacho. Precisava tomar um banho para esfriar a cabeça.

Angustiada, Laura chamou os filhos, que brincavam no quintal, e Ihes serviu o almoço. Enquanto eles comiam, ela foi ate' o quarto. Precisava rezar.

Eduardo retornou do riacho, almoçou e, em seguida, saiu de casa sem dizer para onde ia, postura tipica de um cabra-macho do sertão naquele tempo.

EVALDO RIBEIRO