CAPÍTULO 25

CAPÍTULO 25

Algum tempo depois, a poeira ja' tinha baixado e Cecilia demonstrava ser uma garota meiga, amorosa e afetuosa, cativando a atenção e o amor de todos da familia, principalmente de Laura.

Olivia conheceu Gilberto, um rapaz que vivia em outra região, era muito trabalhador e de boa familia. Apaixonado por ela, em pouco tempo de namoro pediu-a em casamento. Contudo, ele não quis assumir Cecilia como enteada.

Olivia, decidida a livrar-se do incômodo de carregar a imagem de mãe solteira, quis saber se Laura aceitaria adotar e criar Cecilia como sua filha, ja' que amava tanto a menina.

Laura levou a proposta na brincadeira e disse:

— Olivia, se eu tiver que criar a sua filha para que voce fique longe do meu marido, a minha resposta e' sim. Aliás, a Cecilia e' mais minha filha do que sua!

— Isso e' verdade, Laura. Eu nem sei o que seria de mim se voce não tivesse me ajudado quando fiquei sem leite para amamentar a minha filha.

Naquele instante, Laura percebeu a fisionomia triste da irmã relembrando os momentos dificeis que atravessou com a chegada de Cecilia. Contornando a situação, a mais velha mudou de assunto.

Olivia deixou a filha para que Laura a criasse, se casou com o rapaz que morava em outra região e foi embora com ele.

Cecilia nem sentiu a separação da mãe biológica. Adaptou-se facilmente a familia, ainda que não soubesse que os seus primos, na verdade, eram seus irmãos. Morando em um lar simples no meio do mato, comendo frutas colhidas na hora, tomando banho de chuva, nas cachoeiras e nos rios, recebendo amor e carinho, a garota foi crescendo e se sentindo a criança mais rica e feliz do mundo.

O dia começava a clarear. De repente, Laura, dormindo ao lado do marido, gritou desesperadamente repetidas vezes:

— Não, não, não! Meu Deus, socorro, socorro. Para seu alivio, acordou com o volume da própria voz, saindo de um terrivel pesadelo.

Eduardo acordou assustado ao ouvir os gritos da esposa. Ele levantou-se imediatamente e sentou-se na cama. Preocupado, correu a mão sobre a cadeira procurando o fósforo, acendeu a lamparina e perguntou:

— O que houve, Laura? Por que voce acordou gritando?

Ainda em estado de choque, com a respiração ofegante, Laura pôs as mãos no peito, apaziguando o coração aflito, e disse:

— Não me pergunte nada agora. Apenas me abrace forte.

Eduardo acolheu a esposa nos braços e disse:

— Esta tudo bem com a nossa familia.

Ele pegou um copo de 'agua para a esposa. Laura, após beber, ainda evitou relatar os detalhes do assombroso pesadelo que tivera, mas não conseguiu controlar--se. Sentou-se na cama, passou as mãos no rosto e, ainda com as mãos trêmulas, disse:

— Eu tive um pesadelo horrivel.

Eduardo sentou-se ao lado da esposa e segurou as suas mãos, demonstrando interesse em ouvi-la. Com este gesto de carinho do companheiro, Laura se deitou e colocou a cabeça no colo do esposo, tentando se livrar das imagens negativas que não paravam de se repetir em sua mente e Ihe provocavam um aperto no peito, dando-lhe a nitida sensação de que algo muito ruim iria acontecer.

Eduardo amorosamente continuou afagando os cabelos da esposa. Sentindo-se amparada pelo afeto do marido, Laura relaxou um pouco. Como ja' era quase dia, ela decidiu se levantar e vagarosamente foi ate' o quarto das crianças verificar se estava tudo em ordem com os filhos. Para sua alegria, todos dormiam profundamente o sono dos justos.

Laura saiu do quarto dos filhos calmamente para não acordá-los e foi preparar o cafe' da manhã para o esposo, que ainda cedo sairia para o trabalho. Ela acendeu o fogão a lenha e pôs a 'agua para ferver. Enquanto aguardava, se aproximou de Eduardo com um olhar temeroso e perguntou:

— Voce percebeu a agitação dos cavalos correndo a noite toda?

— Percebi sim, amor.

— Eu acho que novamente tivemos uma visita espiritual indesejada aqui em casa, mas não vamos ter medo de nada porque somos pessoas do bem e não devemos nada a ninguém.

Laura queria muito acreditar que nada de ruim iria acontecer, mas intimamente algo Ihe dizia que alguma coisa estranha se aproximava.

Eduardo terminou de tomar o cafe', pegou a marmita, foi ate' o quarto dos filhos e, amorosamente, beijou o rosto de cada um deles, que ainda dormiam tranquilamente. Porém, quando se aproximou de Noam, sentiu uma comoção fora do normal ao tocar o rosto do garoto com os lábios. A sensação era de uma despedida entre eles. Nesse momento, o pai sentiu um forte aperto no peito, mas encorajou-se e mentalmente pediu que aquela sensação angustiante fosse embora. Depois se aproximou da esposa esforçando-se para não demonstrar a sua insegurança, abraçou-a, beijou-lhe a face docemente e desejou-lhe um bom-dia.

Laura, percebendo a indisposição do marido, perguntou:

— Esta' tudo bem com voce, amor?

— Não, minha flor. Sinto um aperto no peito. Mas não se preocupe, porque essa sensação horrorosa vai passar quando eu ocupar a cabeça com o serviço — aventou Eduardo.

— Fique bem, meu rei — pediu Laura, abraçando o marido.

— Eu vou ficar bem, minha rainha.

— Nós ja' atravessamos tantos desafios juntos, não sera desta vez que vamos esmorecer — disse ela, querendo acreditar nas próprias palavras.

— Isso e' verdade, meu amor — concordou Eduardo.

— Voce e' um vencedor e ao seu lado eu tambem me sinto uma pessoa vencedora — declarou Laura, tentando levantar o astral do marido.

As palavras de incentivo da esposa calaram fundo na alma de Eduardo, que baixou a cabeça para que a mulher não notasse a sua emoção. Assim como muitos homens daquela região, Eduardo também fora educado por conceitos machistas que desaprovavam que o homem expressasse suas emoções, afinal, um macho demonstrar-se emotivo significava fraqueza.

Laura atravessou a frente do esposo e, enfaticamente, reafirmou:

— Eduardo, voce e' um vencedor e ao seu lado eu também me sinto uma pessoa vencedora.

Ele novamente baixou a cabeça, tentando engolir aquele no' na garganta que traz a vontade de chorar.

— Meu bem, eu sinto a mesma coisa ao seu lado — devolveu Eduardo, sentindo-se encabulado com o carinho que estava recebendo da esposa.

Sabendo como os homens nordestinos eram educados naquela 'epoca, Laura deixou o esposo 'a vontade. Eduardo colocou a roupa de serviço, porém, antes de sair, foi mais uma vez ate' o quarto dos filhos, mas, curiosamente, se dirigiu apenas a rede onde dormia Noam, o filho caçula.

Eduardo não sabia por que estava dedicando mais carinho aquele filho, mas se aproximou da rede vagarosamente para não acordar o menino e suavemente beijou o rosto do pequeno Noam. Sua sensação era de que fosse mesmo uma despedida para sempre.

Sentindo-se muito angustiado, Eduardo retornou a sala com passos temerosos, pegou do cabide o seu inseparável chapéu, seguiu ate' a cozinha, onde encontrou a esposa pensativa, deu-lhe mais um beijo e disse:

— Fique com Deus, querida.

— Amém — falou a esposa ainda com o pensamento distante.

Ao sair, Eduardo nem precisou chamar os cachorros, pois, habituados a rotina da casa, logo cedo ficavam inquietos, aguardando ele colocar o pe' no batente para sairem correndo rumo ao trabalho.

Laura foi ate' o altar que mantinha no quarto e, ajoelhada, clamou a presença de Deus e pediu inspiração por meio dos amigos espirituais.

Alaor, o seu mentor espiritual, aproximou-se dela e disse:

— Filha, tudo que esta' por vir tern a permissão divina. Acredite, voce nao esta' sozinha.

Emocionada, Laura falou:

— Eu sei, Alaor, que voce e os meus amigos espirituais estão do meu lado. Mas estou sentindo muito medo da premonição que tive esta noite. Ainda e' muito dificil para mim aceitar que nasci com esta sensibilidade. As vezes me sinto impotente, sabendo que posso pressentir algo ruim horas antes de sua consumação e nada posso fazer para evitar o sofrimento de suas vitimas — lastimou-se Laura.

O mentor esclareceu:

— Perante a espiritualidade, ninguém e' vitima das coisas que Ihe acontecem. Por mais que as situações pareçam obras do acaso, tudo acontece conforme o que cada espirito atrai com suas atitudes. Ninguém passa por uma experiência se ela não for útil para o seu aprimoramento espiritual.

Laura acalmou-se e agradeceu ao mentor a orientação.

As crianças acordaram, tomaram o cafe' da manhã e sairam para a escola, como era rotina no periodo da manhã.

Laura colocou comida para os porcos, debulhou milho para as galinhas, arrumou a casa, depois foi ate' o quarto, ajoelhou-se novamente e rezou.

As horas se passaram, Laura preparou o almoço, os filhos chegaram da escola e ela serviu as crianças que, bem alimentadas, foram brincar no quintal.

Laura resolveu ocupar a cabeça, separou as roupas sujas para lavar, trancou as portas da casa, dirigiu-se a janela que dava para o quintal onde as crianças brincavam e chamou os filhos para acompanhá-la.

Quando Noam viu a mãe aparecer na janela com a bacia de roupa na cabeça, ficou pulando de alegria. Com um brilho diferente nos olhos, o garoto gritou, feliz da vida, avisando aos irmãos:

— A mamãe vai lavar roupa, pessoal. Empolgados, todos rapidamente sairam correndo na frente da mãe em direção ao riacho, onde, enquanto as donas de casa cuidavam do serviço, a molecada se divertia mergulhando e correndo na beira do afluente.

Mãe e filhos chegaram a margem do riacho e encontraram Margarida, amiga e confidente de Laura, que ela considerava como irmã.

— Boa tarde, Margarida.

— Boa tarde, minha amiga.

— Como vão as coisas? — perguntou Laura.

— Ah, esta tudo lindo! — respondeu Margarida, puxando o seu sotaque.

— Voces não vão falar com a tia Margarida? — reclamou Laura com os filhos.

— Ola', criançada. Tudo bem? — adiantou-se Margarida.

— Tudo — responderam os pequenos de uma vez so', ja' saindo na direção dos filhos de Margarida que brincavam de se esconder.

— O sol esta' maravilhoso hoje — comentou Laura.

— E' verdade — concordou Margarida.

— Além de estar fazendo este calor gostoso, também esta' ventando muito. As roupas vão secar rapidinho — considerou Laura.

— Ainda bem que o clima esta' favorável para nds hoje. Também... ninguém merece ter um trabalhão desses e depois, por falta de sol, toda a roupa ficar mofando dentro de casa — disse Margarida.

Pensativa, Laura pareceu nem ter ouvido o comentário da amiga.

— Esta' tudo bem com voce? — perguntou Margarida.

— Sim — respondeu Laura, fingindo que estava tudo em ordem.

— E por que voce ficou pensativa? — tornou a falar Margarida.

— Prefiro não estragar o seu dia com minhas preocupações.

— Voce se esqueceu de que somos amigas?

— Voce também... capta as coisas no ar.

— Não se acanhe, não, minha amiga. Vamos, se abra comigo! — insistiu Margarida.

— Estou assim porque esta noite não dormi muito bem. Mas vamos falar de coisas alegres — propôs Laura.

Margarida notou no semblante da amiga que ela estava escondendo, atrás do sorriso forçado, algum incômodo. Ja' sem o ânimo de antes, indagou:

— Laura, nós somos amigas para todas as horas. Ou voce considera que a nossa amizade so serve para dividir momentos alegres?

— Deixa de ser boba, Margarida. Além de muitas outras coisas boas que me aconteceram desde que cheguei aqui, a sua amizade foi uma das mais valiosas graças que eu recebi. Voce e' mais minha irmã que a minha própria irmã! Aliás, se a gente pudesse escolher os parentes antes de nascer, com certeza eu teria escolhido voce como a minha terceira irmã— aventou Laura.

Enquanto conversavam, as amigas foram colocando as peças mais sujas de molho no sabão para amolecer a sujeira, para enxaguarem com menos sacrificio.

Naquela 'epoca, o crescimento começava a chegar a região e o governo tinha acabado de construir uma estrada ligando a cidade ao setor rural. Naquele trecho onde as mulheres lavavam roupa fora levantada uma ponte de madeira sobre o riacho, abrindo caminho para o isolado municipio. Ate' então, a produção agricola dos moradores era transportada por meio de animais de carga ou embarcações, únicos meios de transporte viáveis ao escoamento das riquezas geradas na região.

A estrutura de madeira foi construida a uma altura próxima da 'agua, e aparentemente não oferecia nenhum risco se alguma criança levada resolvesse saltar dela para dentro da 'agua.

Laura e Margarida terminaram de lavar as roupas, colocaram as peças de volta na bacia e se dirigiram a uma cachoeira próxima dali, onde sempre tomavam um relaxante banho após o trabalho de lavagem das roupas. Enquanto apreciavam o irresistivel toque da queda d'agua nas costas, Laura ficou observando a alegria estampada no rosto das crianças, que se divertiam correndo a beira do riacho. Ela comentou com Margarida, expressando um sentimento de gratidão pela sua existência:

— Sabe, Margarida, nós, mulheres do campo, não temos as coisas que as mulheres da cidade possuem, mas, observando tanta beleza ao nosso redor, cheguei a conclusão de que elas também não tem a sua disposição a riqueza que nós temos aqui, morando em meio a natureza.

— Eu concordo plenamente com voce, Laura. Muitas dessas mulheres independentes da cidade são vencedoras e perdedoras ao mesmo tempo. Porque com muito esforço conseguiram conquistar um novo espago, mas, em contrapartida, por terem o seu tempo ocupado pelas responsabilidades que assumiram, perderam a oportunidade de encher os olhos de magia e transformação como nós, que acompanhamos bem de perto o crescimento dos nossos filhos — disse Margarida, emocionada com a própria observação.

— E', minha amiga, a felicidade existe sim, basta a gente olhar o sorriso iluminado das nossas crianças que estão ali, vivendo o momento presente, aproveitando a infância delas sem medo do amanhã— ressaltou Laura.

— Sabe, Laura, isso que voce falou me faz perguntar a mim mesma: por que sera' que quando a gente cresce perde esse encanto pela vida?

— Ah, eu nunca deixei a minha criança interior morrer por causa das responsabilidades que assumi. Ainda trago na essência da minha alma a magia dos meus sonhos de infância. Todos eles continuam vivos dentro de mim.

Laura nem tinha fechado a boca, quando de repente Margarida gritou apavorada, com o olhar aflito voltado na direção da ponte construida sobre a 'agua.

— Não, menino. Não!!!

Ja' era tarde. Escutaram o barulho na 'agua. Assustada, Laura girou rapidamente para trás e perguntou:

— O que foi, mulher?

— O seu filho saltou da ponte na 'agua.

— E qual e o problema? — indagou Laura.

— Meu Deus, a pedra — balbuciou Margarida, correndo na direção de onde o filho de Laura havia se atirado.

— De que pedra voce esta' falando? — questionou Laura, seguindo-a.

— Laura, ali naquele lugar onde o seu filho se atirou existe uma pedra enorme submersa na 'agua — explicou Margarida.

Desesperada, Laura apressou o passo para verificar se estava tudo bem com o filho. Ao se aproximar, a mãe logo viu uma mancha de sangue subindo na 'agua.

Laura mergulhou no riacho e, para sua infelicidade, quando voltou a superficie com o filho nos braços, constatou que ele estava morto. Muito sangue jorrava pela testa dele, devido ao forte impacto com a pedra citada por Margarida.

Diante do filho morto, Laura sentiu o mundo girando embaixo de seus pés, como se estivesse abrindo uma gigantesca cratera e levando sua vida junto.

Desesperada, a mãe disse para si mesma:

— Meu Deus, isso não pode ter acontecido com o meu anjinho. So' pode ser a continuagao daquele horrivel pesadelo... Assim que eu acordar, encontrarei o meu lindo filho, sem nenhum arranhão, dormindo o sono dos justos ao lado dos irmãos.

Cercada pelos outros filhos, que choravam ao seu redor, apavorados com o acidente, Laura beijou repetidas vezes o rosto de Noam. Aquela triste cena envolveu tanto Margarida, que o seu coração estava partido ao meio, se compadecendo com a dor da amiga. Aquele momento dificil que Laura estava amargando foi se tornando tão intimo de Margarida, que ela podia sentir na própria pele o corte feito pela lâmina da morte destroçando-a por dentro.

Embora Laura tivesse teoricamente total conheci-mento da continuidade da vida após a morte, a mãe deixou o seu instinto materno falar mais alto e, envolvida pela dor insuportável da perda do filho, entrou em estado de profundo desespero.

Levantou-se e, com as mãos na cabeça, caminhou em volta do corpo do filho, inconformada, sem saber o que fazer de sua vida a partir daquele momento, se ainda encontraria forgas para recomeçar ou para viver.

Laura olhou com olhos apagados para a amiga e disse:

— Margarida, pelo amor de Deus, me acorde deste pesadelo e me diga que esta tragédia não aconteceu de verdade.

Margarida procurou uma palavra que pudesse dizer para aliviar o sofrimento da amiga, porém, em sua mente nao veio nada que servisse de consolo para amenizar a dor daquela desesperada mãe. A cena da tragédia estava viva na mente de Margarida, que, ainda muito chocada, se aproximou de Laura e abraçou a amiga, tentando confortá-la.

— Laura, eu sei que esse dia nunca mais sera apagado de sua memória e que nada ocupara o lugar dessa dor terrivel que se instalou no seu peito. Não se sinta culpada por essa desgraça que aconteceu com o seu filho. Isso foi uma fatalidade que poderia ter ocorrido com qualquer pai de familia.

Laura estava tão absorta em sua dor que não ouviu nada do que Margarida Ihe disse. Desconsolada, a mãe não acreditava que o filho havia morrido. Sentou-se ao lado do corpo do garoto e colocou a cabecinha dele em seu colo, na esperança de que ele so' estivesse desmaiado e de que a qualquer instante voltaria a consciência, chorando e Ihe dizendo onde estava doendo, como sempre fazia quando se machucava em suas brincadeiras e corria para os braços da mãe.

— Filho, fala com a mamãe. Filho, a mamãe esta aqui. Oh, meu Deus, traga de volta o meu filho.

O garoto permaneceu imóvel em seus braços, sangrando muito pela testa.

A cabeça de Laura parecia que ia explodir so de imaginar que logo mais teria que devolver o corpo de seu filho a mãe natureza, enterrando os seus restos mortais, e aguardar um possivel retorno de seu espirito, reencarnando para concluir o seu tempo que fora interrompido pela morte tao prematura.

O apego de Laura ao filho era tanto que quase deu um no' em sua cabeça quando pensou que o espirito do filho poderia reencarnar em outra familia e nunca mais se lembrar dela como sua mãe.

EVALDO RIBEIRO