CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6

Alguns meses depois da morte de Viana, Dolores resolveu mudar os rumos de sua vida e pediu a Sebastião que convocasse os colaboradores da fazenda para uma reunião. Após o jantar, todos os agregados da propriedade estavam presentes na sala de estar do casarão da fazenda.

A conversa rolava solta entre os moradores quando Dolores surgiu na sala acompanhada de um casal desconhecido e todos silenciaram para ouvi-la.

— Boa noite, gente — cumprimentou a patroa, esforçando-se para demonstrar alegria.

— Boa noite — responderam os moradores com olhares apreensivos.

O casal de visitantes também cumprimentou as familias. O senhor, mostrando-se um educado cavalheiro, gentilmente puxou uma cadeira para que a sua companheira pudesse se acomodar.

Encantada com a postura elegante do refinado moço, Alzira pensou: "Ai, que romântico! Isso sim e que e' um homem de verdade. Quem me dera ser tratada dessa maneira tambem".

Salomão, analisando a mesma cena, pensou: "Quanta frescura desse pateta!".

— Ja' chegou todo mundo? — cochichou Dolores no ouvido de Sebastião.

— Sim, mamãe — afirmou ele, correndo o olhar sobre os convidados para verificar se ainda faltava alguém.

— Bem, pessoal, eu pedi ao Sebastião que chamasse voces aqui porque quero neste encontro anunciar uma dificil mudança que vou fazer na minha vida — informou Dolores com a voz ja embargada, fazendo uma longa pausa. Então olhou para o casal e continuou a falar: — Quero comunicar a voces que a partir da semana que vem a minha familia não sera' mais a proprietária desta fazenda que, por tantos anos, foi o nosso cantinho. Atendendo a insistentes pedidos dos meus filhos, concordei em vender as nossas terras e me mudar para perto deles la' na cidade.

— E como vai ficar a nossa situação, dona Dolores, se não temos para onde ir? — quis saber Salomão, preocupado.

— Calma, Salomão — disse ela, tranquilizando-o. — Ja' que voce me fez essa pergunta, quero apresentar o seu Otávio Medeiros e a sua esposa, dona Cândida, que serão os novos patrões de voces a partir da próxima semana.

Otávio se levantou e com um sorriso de simpatia acenou com a mão, cumprimentando os convidados. Com a permissão de Dolores, se pronunciou:

— Meus amigos, fiquem despreocupados quanto a mudança de donos da fazenda, pois não havera nenhuma alteração no quadro de moradores e empregados da propriedade, ou seja, todos os agregados irão permanecer exatamente como estão.

Nós estamos chegando aqui para dar continuidade ao trabalho que o seu Viana e sua familia bravamente implantaram e ate' vamos ampliar os projetos que estão dando certo.

Diante da fisionomia triste dos moradores, a esposa de Otávio interveio:

— Por que voces ficaram com essas caras tristes, gente? A dona Dolores não morreu não, pessoal. Animem-se!

— Acho que eles não gostaram dos novos patrões — brincou Otávio.

Todos riram, disfarçando o descontentamento com a noticia.

— Era isso que eu tinha para comunicar a voces. Obrigada por terem vindo — encerrou Dolores, emocionada.

Os moradores so' esperaram o casal se retirar para se aproximarem de Dolores na tentativa de fazê-la desistir da idéia, mas ela deixou claro que a sua decisão tinha sido bem pensada e que não voltaria atrás por nada.

Os agregados deixaram a sede da fazenda inconformados, apreensivos e inseguros sobre o futuro a partir daquela mudança de patrões.

Na semana seguinte, Dolores assinou os documentos de repasse da fazenda no cartório e desocupou a propriedade, mudando-se para a cidade. Antes de partir, despediu-se de Alzira e Ihe deu seu novo endereço:

— Não vamos perder nossa amizade. Vou Ihe escrever sempre que possivel.

— Farei o mesmo, Dolores — tornou Alzira, emocionada. — Jamais perderemos contato.

Laura correu ate Dolores e a abraçou forte:

— Vou sentir muito a sua falta.

— Eu também, minha pequena. Mas saiba que, assim que aprender a escrever direitinho, quero que me escreva cartas, muitas cartas. Promete?

Laura fez que sim com a cabeça e deixou uma lágrima escapar pelo canto do olho. Elas não perceberam, mas da varanda Olivia as olhava de soslaio, com os olhos rancorosos.

Otávio chegou com a familia e tomaram posse do imóvel.

Sete anos depois, Laura ja' era uma adolescente e continuava mantendo contato com os espiritos, embora nem todos fossem bem-intencionados.

Foi nessa 'epoca que Alzira, por sugestão de Dolores em uma de suas cartas, decidiu reunir diariamente os membros da familia para rezarem com o propósito de proteger o lar contra as forças espirituais negativas que os assediavam.

A principio, Salomão relutou em participar, entretanto, devido a insistência da esposa, ele acabou concordando e, semanas depois do inicio das reuniões, Laura apresentou considerável melhora. A garota passou a demonstrar um comportamento equilibrado.

Certo dia, Salomão estava chegando do trabalho quando escutou a filha cantando. Intrigado com a felicidade de Laura, se questionou em pensamento: "Sera' que os demônios desistiram de azucrinar a menina? Sera' que as rezas tern mesmo o poder de afastar as forças do mal?".

Ele entrou em casa e sondou se Olivia sabia de alguma coisa. A caçula, maldosamente com manha no jeito de falar, revelou:

— Olha, paizinho, o senhor sabe que eu não gosto de fofoca. Mas o motivo que deixou a Laura cantando assim e que ela e o Eduardo, o filho de seu Juca que mora la' na cidade, estão apaixonados.

— Que história e' essa, Olivia? — inquiriu Salomão, exaltado.

— E' isso mesmo que o senhor ouviu.

— E a sua mae sabe disso? — quis saber, com os olhos arregalados.

— Sim — respondeu a menina, assustada com a fisionomia enraivecida do pai.

— E quando começou esse namorico deles?

— Quando a Laura foi fazer um tratamento com o seu Juca — disse Olivia, revelando que a mãe e a irmã vinham frequentando, escondidas de Salomão, a casa do famoso médium e curandeiro da região, Juca Morais.

— Que história e' essa de tratamento, Olivia?

— O seu Juca esta' cuidando da cabeça da Laura, papai.

— Quem cuida de desequilibrio mental e' alienista.

— O seu Juca esta' fazendo um trabalho forte de descarrego para afastar os inimigos espirituais que perseguem a Laura — explicou Olivia.

Salomão, bufando de ira por não ter sido avisado pela esposa, disse:

— Agora eu entendi de onde a sua mãe tirou a id

éeia de reunir a familia todo dia para fazer as mesmas orações e os mesmos pedidos, como se Deus se esquecesse de atender as súplicas de Seus filhos. Ela foi orientada pelo macumbeiro intrometido que interferiu na rotina da minha familia, sem o meu consentimento, com seus conceitos milagrosos e suas feitiçarias.

Colocando mais lenha na fogueira, Olivia balançou a cabeça concordando.

— Essas práticas espiritualistas e orientações que esses macumbeiros dão são instrumentos que o diabo usa para colocar as esposas contra os maridos, provocando discórdia no seio das familias — prosseguiu Salomão, exaltado. — Voce participa também das sessões de macumba, Olivia?

— Elas nunca me deixaram ir junto.

— E como voce descobriu que elas estão frequentando a casa do feiticeiro?

— Outro dia eu escutei uma conversa entre as duas sobre o assunto.

— Não acredito que a sua mãe esteja se envolvendo com rituais de magia! Eu deveria era ter ateado fogo naqueles livros malditos — bradou Salomão, ja' saindo em direção a cozinha.

Alzira, que tinha escutado os gritos do marido, levou um susto quando Salomão adentrou a cozinha de supetão e, em torn de acusção, a inquiriu:

— Escuta aqui, mulher! E' verdade que voce esta' oferecendo a própria filha para o filho do macumbeiro, em troca de feitiçaria?

Ela parou de cortar a cebola e, quando girou para responder, percebeu que la' da sala Olivia acompanhava tudo, fingindo limpar a mesa. Então disse a filha:

— Oh lingua grande essa tua, hein, Olivia?

— Ah, então voce confirma que tern mesmo frequentado a casa do macumbeiro sem o meu consentimento, entregando a nossa filha de bandeja como recompensa para o filho dele abusar?

— Vamos esclarecer as coisas, meu bem — disse Alzira, tentando acalmá-lo.

— Pois trate mesmo de me explicar por onde voce tem andado.

— A Laura e o Eduardo ainda são duas crianças e entre eles nunca houve nada além dos olhares inocentes de uma paixão adolescente.

— E ai dele se ousar desonrar a minha filha! Eu arranco as partes intimas daquele moleque desgraçado com um facão — rosnou.

— Mãe Santissima! Que exagero, Salomão!

— Voce não sabe do que eu sou capaz para defender a honra da minha familia das garras de aproveitadores — declarou ele com os dentes cerrados.

— Laura precisava de um tratamento para afastar os espiritos desequilibrados que a assediavam desde pequena, por isso eu resolvi buscar a ajuda de seu Juca, que e o mais respeitado médium de cura que ha' na região — justificou Alzira com mansidão na voz, tentando acalmar o marido.

— Ele e' respeitado por quern, Alzira? — ficou uma pausa e Salomão continuou: — Pessoas de cabeça fraca como voce gastam o que não tem para serem enganadas por esses espertalhões estelionatários que se aproveitam do sofrimento alheio para ganhar dinheiro fácil e fazer fama de milagreiro.

— Concordo com voce que no meio espiritualista existem mesmo muitos charlatões, mas a gente não pode generalizar e julgar todas as pessoas que trabalham com espiritualidade como picaretas e enganadoras — ponderou Alzira.

— Nem perca seu tempo tentando me fazer mudar de opinião dando crédito as baboseiras que esses manipuladores falam para ludibriar gente sem noção. Eu so' acredito nas coisas testadas, apuradas e comprovadas pelo olhar da ciencia. O resto e' tudo conversa fiada e especulação.

— O trabalho de seu Juca e' sério e funciona sim. Basta voce observar que, depois do inicio do tratamento espiritual, Laura não recebeu mais as visitas indesejáveis de espiritos perturbados. Além do mais, a menina se tornou alegre e não acorda mais apavorada no meio da noite por causa daqueles terriveis pesadelos, que interromperam o nosso sono durante anos — justificou Alzira.

— Eu não quero mais ouvir falar nesse assunto, porque o que voce fez escondido de mim e coisa de gente traiçoeira.

— Eu so' não pedi o seu consentimento porque sabia que voce não concordaria em deixar Laura fazer um tratamento espiritual.

— Não deixaria mesmo a minha filha f requentar um terreiro de macumba! Macumba so' traz atraso de vida e perturbação para os seus adeptos. Aliás, me responda: voce ja' conheceu algum macumbeiro bem-sucedido?

— O seu Juca não e' macumbeiro, ele e' médium — explicou ela.

— Não adianta arranjar um nome mais bonitinho para se referir a essas práticas do demônio, porque para mim uma coisa e' bem clara: quem trabalha com magia e feiticeiro sim, e pronto — rebateu Salomão.

Alzira resolveu encerrar a discussão, dizendo:

— Meu bem, eu sei do meu papel como esposa, sei que devo satisfação a voce e reconheço que passei por cima de sua autoridade de chefe da casa. Me perdoe pela minha atitude de fazer o tratamento escondida de voce. Fiz isso apenas com o objetivo de promover o bem de nossa filha. Esta foi a única maneira que encontrei de afastar as perturbações espirituais que atormentavam a Laura e atrapalhavam a vida de todos nós...

— ela suspirou e prosseguiu: — No entanto, voce prefere conviver com o problema em vez de buscar a solução. Então eu vou respeitar a sua decisão de chefe da casa, mas prepare-se para voltarmos a ser atormentados pelos inimigos espirituais que se aproximam de nossa filha.

Dominado pela raiva, Salomão deixou a esposa falando sozinha e saiu a passos largos em direção ao quarto onde a filha estava cantarolando enquanto penteava o cabelo em frente ao espelho. Salomão bateu com a mao fechada na porta do quarto com tanta força que parecia que ia derrubá-la.

Assim que a garota abriu a porta, o pai estupidamente invadiu o recinto, pegou em seu braço, apertando--o fortemente na intenção de intimida-la e, com a voz alterada, perguntou:

— E' verdade o que eu acabei de ficar sabendo?

— O que?

— Que voce, nessa idade, minha filha, ainda cheirando a leite, ja' esta se interessando por macho?

Com medo da fúria do pai, Laura disparou a chorar, e Salomão concluiu que o desespero da filha respondia a sua pergunta. Então, ele soltou o braço da adolescente de supetão, apontou o dedo rispidamente para a sua cara e disse:

— Escute aqui, garota... Preste atenção no que vou falar, menina! Sossega o facho, diacho. Pois se eu te pegar se esfregando com o filho do macumbeiro, não me responsabilizo pelos meus atos. Eu vou dar uma surra em voces dois em praça pública, com um chicote de bater em cavalo.

Dado o aviso, Salomão saiu rumo a casa do pai do garoto, determinado a interromper o relacionamento que nem sequer havia começado.

Depois que ele saiu do quarto, Alzira entrou e acolheu a filha. Soluçando nos braços da mãe, Laura desabafou:

— O meu pai age igual a um cavalo. Aquele bicho bruto me chacoalhou tanto que quase arrebentou o meu braço, mãe. Não aguento mais ser tratada desse jeito. Ele não sabe conversar civilizadamente como gente adulta. Com as pessoas de fora, ele e' sempre muito gentil e compreensivo, mas aqui dentro de casa trata a própria familia com desrespeito e agressividade.

A mãe interveio, colocando panos quentes na situação:

— Filha, eu sei que e' muito dificil para uma pessoa sensivel como voce tolerar o jeitão bruto que o seu pai usa para se impor como chefe da casa. Mas eu, que conheço muito bem o coração do Salomão, sei que infelizmente essa e' a única forma de ele dizer que a ama.

— Pois eu prefiro que ele não me ame tanto, minha mãe.

Alzira pegou nas mãos da filha e propôs:

— Vamos rezar e pedir a ajuda de nossos amigos espirituais para que nos auxiliem com uma boa inspiração.

Ainda em estado de choque, Laura concordou e seguiram em prece.

Salomão chegou a residência do pai do garoto, bateu palmas e chamou:

— Oh de casa, d de casa!

Antes de abrir a porta, Juca olhou pelo buraco da fechadura para saber quem chamava e, quando viu a expressão contraida do rosto de Salomão, percebeu que boa noticia não iria receber.

Nesse instante, o mentor espiritual ao seu lado disse:

— Mantenha a calma e deixe o valentão descarregar o ódio dele.

Juca seguiu a recomendação do guia, abriu a porta e serenamente disse:

— Pois não, Salomão, em que posso servi-lo?

— Voce não pode me servir em nada — respondeu ele, grosseiramente.

— E qual o motivo de sua visita a minha casa?

— Vim so' para avisá-lo: se o tarado do seu filho não parar de assediar a minha filha, eu não responderei pelos meus atos.

— Vamos entrar e conversar com calma — propôs Juca.

— Não tenho mais nada para falar com o senhor — devolveu Salomão raivoso.

— Voce levantou uma acusação seria contra o meu filho e eu preciso saber o que esta acontecendo para tomar a devida providencia — contrapôs Juca.

Zombando do médium, Salomão disse:

— Seu Juca, não e' coerente uma pessoa como o senhor, que se diz capaz de adivinhar o futuro dos outros, não saber o que acontece com o próprio filho...

Juca ficou calado, olhando firmemente nos olhos de Salomão, que, se sentindo desconfortável com a postura equilibrada do médium, retirou-se sem explicar de fato o que estava acontecendo entre os seus filhos. Quando Salomão deixou a residencia dos pais do garoto, Nadir, esposa de Juca, chocada com a ameaça gratuita que aquele homem havia feito para intimidar seu marido, tornou:

— Jesus amado! Quanto machismo da parte desse pobre homem! Sera' que ele acha que a filha permanecera para sempre pura?

Juca deu uma risada de compaixão e disse:

— Vamos entregar esse irmão sofredor nas mãos de Deus e deixar a vida se encarregar de promover o amadurecimento que o espirito dele carece para ele se tornar uma pessoa pacifica e equilibrada na convivência com todos.

Nadir pensou por um instante e, dando razão ao esposo, encerrou:

— Parabéns, meu amor, pela sua postura diante dos desaforos que ouviu.

— Não senti como desaforo, pois sei que Salomão e' um espirito que precisa apanhar muito da vida para despertar a consciência.

— Tudo poderia ser mais fácil, sem dor.

— Sim. Ele poderia escolher o caminho da inteligência, mas preferiu o caminho da dor. Foi so' uma questão de escolha. O caminho e' mais tortuoso, mas o levara' a ampliação de consciencia e a felicidade do mesmo jeito.

Juca falou, beijou Nadir e foi ter uma conversa com o filho, para investigar o que de fato ocorrera entre o rapaz e a filha do vizinho. Pelo brilho no olhar de Eduardo ao falar de Laura, o pai do garoto constatou que, para evitar confusão, o melhor seria levá-lo de volta para a cidade antes de terminar as férias.

Alzira e Laura ainda estavam no quarto rezando quando Salomão chegou e empurrou a porta com força, fazendo um barulho ensurdecedor com o impacto dela contra a parede.

Pegas de surpresa pela ação agressiva do chefe da casa, mãe e filha ficaram apavoradas, e Salomão, com um olhar irado e aos gritos, ordenou:

— Vou falar uma vez so', portanto, ougam e decorem. Voces estão proibidas de frequentar a casa daquele macumbeiro maldito. Eu disse que voces estão proibidas! Entenderam o meu aviso ou eu preciso ser mais claro?

Alzira, usando de inteligencia emocional, buscando contornar a situação conflituosa, expressou obediência e doçura na voz ao responder:

— Entendemos sim, voce e' o chefe da casa e a sua ordem sera' respeitada.

Laura, rangendo os dentes de raiva, pensou: "Vai sonhando, meu paizinho, que eu ficarei presa em seu cabresto, atendendo para sempre as suas vontades e anulando os meus sentimentos".

Salomão desviou a atenção por um instante e foi o suficiente para que Alzira ligeiramente piscasse um olho para a filha, induzindo-a a fingir que acataria as imposições do pai. Laura captou a mensagem da mãe e fez cara de boa menina.

Ainda em tom de ameaça, Salomao continuou a avisar:

— Quero deixar bem claro para voces que, se a minha ordem for desobedecida, eu serei obrigado a tomar providencias drásticas para me fazer ser respeitado.

"Coitado do meu paizinho... Ele acha que e Deus", pensou Laura.

Quando ouviu aquela declaração, Alzira sentiu do' do marido. Desejando encerrar a discussão, não contrariaram a decisão de Salomão, que deixou o quarto achando que estava no comando da situação.

Na manhã seguinte, Juca, evitando entrar em conflito com Salomão, levou o filho de volta para a cidade, onde o garoto morava na casa de um tio. Laura ficou muito triste por não ter se despedido de sua paixão adolescente.

Com raiva de Salomão, Eduardo jurou para si mesmo antes de partir: "Nunca mais colocarei os meus pés neste lugar".

De fato, ele permaneceu por um longo tempo sem retornar a região. E durante o periodo de seu afastamento, Laura sonhava constantemente que Eduardo voltava para os seus braços e Ihe pedia perdão pela sua ausência.

EVALDO RIBEIRO