O AMOR ABRE TODAS AS PORTAS

1 - APRESENTAÇÃO

Minha mediunidade começou a aflorar quando eu tinha sete anos de idade. Sempre que eu relatava alguma experiência sobrenatural, as pessoas de meu convivio achavam que eu estava tendo alucinações.

Meu pai levou-me para estudar e morar na casa de um primo que frequentava um grupo de estudos mediúnicos, e ele, por sua vez, me convidou para participar de uma reunião no centro espirita e foi lá que compreendi que meu caso se tratava de mediunidade.

Mudei-me para São Paulo e, buscando desenvolver e educar minha sensibilidade mediunica, fiz muitos cursos com grandes nomes da espiritualidade.

Meu encontro com o espirito Maruna Martins se deu da seguinte maneira: certo dia, fui escrever o conteúdo de uma palestra motivacional, mas estava sem inspiração para criar a mensagem.

As idéias que me vinham a mente não me convenciam. Insatisfeito, eu apagava tudo o que tinha escrito e reiniciava o trabalho em busca do conteúdo ideal.

Vencido pelo desgaste mental, deixei para escrever o conteúdo da palestra quando minha mente estivesso em sintonia com meu coração.

Desliguei o computador e, enquanto caminhava até a porta do quarto, ouvi o som do aparelho religando. Intrigado, novamente desliguei o computador, esperei-o finalizar a operação e sai.

Ao chegar a porta, percebi a máquina sendo reiniciada. Diante daquilo, sentei-me em frente ao computador, fechei os olhos e fiz uma prece.

De repente, tive a sensação de que havia alguém atrás de mim, com as mãos abertas sobre minha cabeça, dando-me um passe energético. Naquele momento, senti uma emoção muito forte e uma energia maravilhosa tomando conta do ambiente.

Eu, que ate' aquele instante estava sem idéia para criar o texto da palestra, subitamente fui tocado por uma inspiração arrebatadora.

Surgiu em minha mente a frase "o amor abre todas as portas" e, em seguida, o enredo inteiro, inclusive os nomes dos personagens e o cenário que seria usado para compor o romance.

Consciente de que eu estava sendo guiado pela espiritualidade, deixei-me levar pela inspiração que me envolvia intuitivamente e, quando me dei conta, ja' estava escrevendo havia horas.

O meu maior desafio foi controlar a ansiedade e a curiosidade de saber o nome da companhia espiritual que me inspirava, o que so' ocorreu no último capitulo, quando a história foi concluida e assinada por Maruna Martins.

Na infância, Laura comegou a apresentar os sinais de sua mediunidade aflorada, destacando sua capacidade de interagir com o mundo astral e de comunicar-se com os espiritos.

2 - PRÓLOGO

No inicio, por falta de conhecimento do assunto, a maior parte de suas manifestações ocorria com espiritos perturbados, razão pela qual Laura causava muito medo nas pessoas, que a classificavam como louca. Tal rotulo so' se desfez quando ela descobriu, por meio da obra de Allan Kardec, que ser médium não era um problema, e sim um dom divino.

Convém ressaltar que, naquele inicio do século 20, o espiritismo não era tão difundido e tampouco assimilado pela maioria da população. Havia muita falta de informação sobre os assuntos relacionados a espiritualidade de modo geral.

Salomão, pai de Laura, era aquele tipo de pessoa carismática que, fora de casa, se relacionava muito bem com todos, deixando a impressão de que era o amor em pessoa. No entanto, na convivência com os membros de sua famflia, o patriarca mostrava o outro lado de sua personalidade, revelando-se uma pessoa extremamente autoritária e dominadora.

Na verdade, esse comportamento opressor era uma herança cultural machista que recebera como formação. Incrédulo, Salomão não aceitava que Alzira, sua esposa, frequentasse locais onde houvesse práticas espirituais em busca de uma resposta que decifrasse definitivamente o que se passava com a filha. Por isso, a relação do casal era marcada por constantes conflitos.

Contudo, crédula de que o casamento e' uma união que deve perdurar para sempre a qualquer custo, mesmo que o casal seja infeliz, Alzira utilizava uma estratégia comum as mulheres de seu tempo: a de colocar o bem dos filhos como prioridade e fingir-se de submissa para contornar as imposições do marido.

Decidida a resolver o desequilibrio que perturbava a vida da filha, Alzira, as escondidas, vivia estudando os assuntos que o marido tanto rejeitava: a espiritualidade. Salomão acreditava que seguir ideais religiosos e ler obras dessa natureza era perda de tempo.

Como a vida não deixa ninguem estagnado na imaturidade, a convivência com a mediunidade da filha fez com que Salomão passasse por algumas experiências reveladoras que Ihe convidariam, de maneira nada espontânea, a rever os seus conceitos, o seu modo de pensar e, por fim, adotar uma forma de agir ponderada em suas relaçõees, transformando-o em uma nova pessoa.

Alzira era uma mulher forte, de mente aberta, que sempre soube o que queria da vida e que, mesmo tendo atravessado a maior parte de sua existência na extrema pobreza, tinha clara noção de que todo obstáculo no caminho fazia parte de seu crescimento.

Espirito nobre e consciente de seu verdadeiro valor, Alzira não se deixava abater pelas dificuldades que enfrentava no relacionamento com o esposo. Embora a sua convivência com Salomão fosse aparentemente mais uma relação de obediência que uma união afetiva, como se espera de um casal, ela deixou o orgulho de lado, ignorou a falta de companheirismo dele, e usou de cautela e diplomacia para contornar com sapiência as regras impostas pelo autoritarismo do marido. Essa sua postura foi tão bem aplicada que a fez se tornar o ponto de equilibrio dentro da relação.

Além de Laura, o casal tinha mais dois filhos: Oscar e Olivia. A caçula, desde pequena, queria a todo custo ocupar o lugar da irmã mais velha.

EVALDO RIBEIRO

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CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
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CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPITULO 14
CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 17
CAPÍTULO 18
CAPÍTULO 19
CAPÍTULO 20
CAPÍTULO 21
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CAPÍTULO 26
CAPÍTULO 27
EPÍLOGO