RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS OBRAS

SIMEAO - Bordeaux, 1863


"Nem todos os que me dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."

Escutai estas palavras do Mestre, todos vós, que repelis a Doutrina Espírita como obra do demônio! Abri os Vossos ouvidos, pois chegou o momento de ouvir!

Será suficiente trazer a libré do Senhor, para ser um fiel servidor? Será bastante dizer: "Sou cristão", para seguir o Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras.

"Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos." — "Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo." — Eis as palavras do Mestre.

Discípulos do Cristo, compreendei-as bem! Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda nao abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé.

O Cristianismo, como o vem fazendo desde muitos séculos, prega sempre essas divinas virtudes, procurando distribuir os seus frutos. Mas quão poucos os colhem! A árvore é sempre boa, mas os jardineiros são maus. Quiseram moldá-la segundo as suas idéias, modelá-la de acordo com as suas conveniências.

Para isso a cortaram, diminuíram mutilaram. Seus ramos estéreis já não produzem maus frutos, porque nada mais produzem. O viajor sedendo que se acolhe à sua sombra procurando o fruto de esperança, que lhe deve dar força e coragem encontra apenas os ramos adustos, pressagiando mau tempo.

É em vão que busca o fruto de vida na árvore da vida: as folhas tombam secas aos seus pés. As mãos do homem tanto as trabalharam, acabaram por crestá-las! Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem-amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida eterna. Aquele que a plantou vos convida a cuidá-la com amor, que ainda a vereis dar com abundância os seus frutos divinos.

Deixai-a assim como o Cristo vo-la deu: não a mutileis. Sua sombra imensa que estender-se por todo o universo; não lhe corteis a ramagem. Seus frutos generosos caem em abundância, para atentar o viajor cansado que deseja chegar ao seu destino. Não os amontoeis para guardá-los e deixá-los apodrecer, sem servirem a ninguém.

"São muitos os chamados e poucos os escolhidos." É que há os açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não vos coloqueis entre eles; a árvore que dá bons frutos deve distribuí-los para todos.

Ide pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. "Não se colhem uvas dos espinheiros." Meus irmãos, afastai-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui os que conduzem à sombra da árvore da vida.

O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: "Os que me dizem Senhor, Senhor, nem todos entrai no Reino dos Céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai, que está nos céus.

" Que o Senhor das bênçãos vos abençoe que o Deus da luz vos ilumine; que a árvore da vida vos faça com abundância a oferenda dos seus frutos! Crede e orai!

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec, cap. XVIII