USO DA LÍNGUA

 

A palavra dura acorda a cólera.

A resposta branda, porém, em todas as ocasiões frene o furor e induz à reflexão.

Da boca dos insensatos nasce a tolice.

Dos lábios do prudente, contudo, germina a ciência do amor.

A palavra falsa destrói os espíritos.

O verbo que reconforta descortina as oportunidades necessárias para que a criatura se reerga de suas quedas morais.

O maledicente cava com a boca a sua sepultura.

Aquele, contudo, que nas palavras desvenda as qualidades nobres que existem até na última das criaturas, é um obreiro divino.

A palavra melíflua nem sempre deita mel.

Os caluniadores são hábeis em adoçar o verbo para inocular profundamente o veneno que desce de seus lábios, enxovalhando a honra alheia como se fossem defensores do bem e da verdade.

Ai dos fariseus hipócritas! - clamou Jesus.

Eduque a sua língua, para torná-la co-herdeira dos Céus, a fim de que ela não determine as suas reencarnações futuras em companhia do sofrimento reeducativo.

Todo aquele que recolhe as leviandades proferidas pelos levianos, é tão insensato quanto aqueles que as propagam.

Roque Jacintho