O QUE É CARMA?

"KARDEC NUNCA ESCREVEU SOBRE CARMA"
(PARA O KARDECISTA, É A LEI DE CAUSA E EFEITO)

O oriente medita há milênios sobre o sofrimento. Tempo suficiente para surgirem superstições sobre o carma. Muitos espíritas, importando esse termo da Ìndia, incorporaram também equívocos e crendices populares. Conheça a interpretação espírita da justiça divina e das causas do sofrimento.

Pode parecer estranho, mas Allan Kardec jamais mencionou a palavra CARMA em seus livros, nem mesmo nas páginas da Revista Espírita, periódico mensal que editou por dez anos e utilizou para ensaio e pesquisa da Doutrina Espírita. Há algumas décadas, o carma começou a ser utilizado no movimento espírita brasileiro por influência das religiões orientais e de doutrinas esotéricas ocidentais como a Teosofia, criada em 1875 por H. P. Blavatsky.

Há milhares de anos o homem tenta entender a origem do sofrimento e das desigualdades da vida humana. Pobreza, doença, morte prematura e deficiências físicas assustam, geram dúvidas e abrem espaço para meditações filosóficas, científicas e religiosas. Foi inspirado por essas questões que um dos mais antigos povos da Terra, o indiano, criou os conceitos em torno do carma e da reencarnação. Mas a história religiosa da Índia conta milhares de anos, tempo suficiente para surgirem idéias discordantes sobre o tema, e até interpretações equivocadas dos conceitos filosóficos. Alguns indianos evitam auxiliar um faminto que lhe pede um pão para não atrapalhar os compromissos cármicos daquela criatura. Outros se afastam da família, abandonam sua vida social e erram pelas florestas com o objetivo de se livrar do ciclo de reencarnações e dos sofrimentos. Há quem acredite no castigo voluntário para pagar suas dívidas cármicas e mortificam seus corpos, deixam as unhas ou cabelos crescerem até proporções monstruosas, enterram-se por dias.

No Brasil, junto com a apropriação do carma, muitos espíritas incorporaram também conceitos equivocados desse termo decorrentes de interpretações populares e suupersticiosas das filosofias orientais, entrando em contradição com a proposta evolutiva, libertária e fraterna do Espiritismo.

"ENQUANTO NO CONCEITO POPULAR DO CARMA,
A CAUSA DO SOFRIMENTO ESTÁ NAS AÇÕES DO
PASSADO, NA DOUTRINA ESPÍRITA A CAUSA DO
SOFRIMENTO ESTÁ NAS IMPERFEIÇÕES DO ESPÍRITO".

Os conceitos espíritas - como a reencarnação - são antigos como o mundo, e é por isso que os encontramos por toda parte. Isso porque "o espírito encarnado, conservando a intuição do seu estado de Espírito, tem a consciência instintiva do mundo invisível. Mas quase sempre ela é faiscada pelos preconceitos, e a ignorãncia mistura a ela a superstição, explicam os Espíritos no livro homônimo. (...)

Paulo H. Figueiredo - Revista Universo Espírita