O QUE É CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS?

Fundamentado na recomendação de Jesus de "que todos sejam um" (João 17, 2I), o Conselho Mundial de Igrejas é um fórum de discussões e ajuda mútua criado para promover a unidade dos cristãos de todos os povos. Fundada em 1948, com o mundo abalado e dividido pela II Guerra Mundial, a instituição conta hoje com 340 igrejas de todo o planeta, que representam cerca de 400 milhões de cristãos ortodoxos e de várias tradições protestantes, como anglicanos, batistas, luteranos e metodistas.

"O conselho é um espaço de convergência dos protestantes, como se fosse seu Vaticano, com a diferença de não ditar normas nem interferir nas igrejas", afirma o cientista da religião Lauri Wirth, da Universidade Metodista de São Paulo. "O objetivo não é tornar as igrejas uma só, mas unir os seguidores de Cristo respeitando suas diferenças", diz Inamar de Souza, reverenda da Catedral Anglicana do Rio de Janeiro e membro do Comitê Central do Conselho Mundial.

A organização, porém, não conseguiu reunir todos os adeptos do Cristianismo. Maior representante cristã do mundo, a Igreja Católica Romana não é um membro efetivo e participa apenas como observadora. Isso se deve, sobretudo, às históricas divergências teológicas entre católicos e protestantes.

"Mas já houve um grande progresso em direção a uma convivência harmoniosa e frutífera. Durante séculos, eles se combateram oficialmente e, hoje, o clima é muito fraterno", afirma dom Sinésio Bohn, bispo de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, e membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, entidade filiada ao Conselho Mundial. A instituição também busca o diálogo com outras crenças. Judeus, hindus e muçulmanos, por exemplo, participam de comissões inter-religiosas que visam superar conflitos entre os credos.

Segundo alguns estudiosos, porém, o Conselho Mundial ainda tem um longo caminho a percorrer em sua meta de unir os cristãos. "Historicamente, as religiões ali representadas não eram tão divergentes. As ações de integração ainda são tímidas", diz a educadora Dora Incontri, pesquisadora da Universidade de São Paulo. "Há outras maneiras de ser cristão. Um diálogo sincero entre iguais deveria não ficar apenas nos dogmas religiosos, mas também considerar os princípios universais éticos e espirituais do ser humano."

Em busca dessa ação mais efetiva, não apenas no campo religioso, mas também político e social, ao longo de sua história o conselho tem atuado em parceria com outros organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, a Anistia Internacional e a Cruz Vermelha. Por exemplo, opôs-se publicamente à Guerra do Iraque e, durante as ditaduras latino-americanas, acolheu exilados políticos em sua sede em Genebra, na Suíça.

Além disso, financia bolsas de estudo e de pesquisas em vários países, como o Brasil. O país, aliás, vai sediar a próxima assembléia geral do conselho, em 2006. "O encontro será em Porto Alegre, primeira cidade latino-americana a receber os cerca de 500 religiosos que decidem os rumos da instituição", diz dom Sinésio.

O Conselho Mundial de Igrejas, representa hoje 400 milhões de fiéis: http://www.wcc-coe.org

Rita de Cássia Loiola - Revista das Religiões