O QUE É CULTURA RACIONAL?

Não é história, não é doutrina, não é ciência, seita ou religião. É coisa limpa, é coisa pura, para o caminho da eterna salvação."

Isto segundo o cantor Tim Maia, que, entre 1974 e 1975, foi um fervoroso pregador da Cultura Racional. O movimento nasceu em 1935, no Rio de Janeiro, quando uma entidade extraterrena chamada Racional Superior teria ditado uma série de mensagens ao médium Manoel Jacintho Coelho, que se tornou o "profeta" da irmandade.

"O Racional Superior é o mais elevado dos raciocínios, ou, como cremos, é o verdadeiro Deus", diz Porfírio Jesus das Neves, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e adepto da Cultura Racional.

Definido pelos membros como uma forrma de conhecimento que permite ao homem entrar em contato com sua verdadeira essência, a Cultura Racional não tem sistema doutrinário, rituais ou templos.

O objetivo seria a conquista da chamada "imunização racional", estágio de perfeição em que o homem se integra ao Universo. Para tanto, é preciso apenas estudar os textos ditados pelo Racional Superior: a obra Universo em Desencanto (coleção de 21 livros básicos que, ao todo, chega a mil volumes todos escritos por Manoel Jacintho até sua morte, em 1991).

Segundo estudiosos, a Cultura Racional - que conta hoje com 25 mil pessoas cadastradas - é encarada sob dois ângulos.

"Ela pode ser vista como algo sem valor, a ser descartado, ou como uma doutrina com a qual se pode manter um diálogo ecumênico, a partir da busca de Pontos comuns", afirma Alfredo dos Santos Oliva, professor da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina, no Paraná.

"Os teólogos mais conservadores tendem a assumir a primeira posição, enquanto os mais liberais optam pela segunda."

"OS ADEPTOS CRÊEM QUE, POR MEIO DO ESTUDO DOS LIVROS
DA CULTURA RACIONAL, CHEGA-SE À TOTAL INTEGRAÇÃO COM DEUS".

Seja como for, o movimento ainda é poolêmico.

O próprio Tim Maia, que lançou dois discos voltados à propagação da filosofia, abandonou a irmandade após ir à falência (por investir em suas pregações) e renegou as músicas que compôs na época. "Todos nos tornamos adeptos, incentivados pelo Tim, antes de largar essa história toda", diz o músico Serginho Trombone, que tocava na banda de Tim Maia.

Cláudia de Castro Lima - Revista das Religiões