O QUE HOUVE COM O SANTO GRAAL?

Quem leu "A Morte de Artur": de Thomas Malory; ou "Parzival: de Wolfram von Eschenbach, deve se lembrar que o Graal foi finalmente encontrado pelo cavaleiro Percival, da Távola Redonda, depois de uma longa e penosa busca. Mas por que ele saiu numa avenntura arriscada, enfrentando o fracasso e a morte, para encontrar o Graal? Qual era o poder que essa taça continha? E, finalmente, por que, entre todos os cavaleiros fiéis a Artur, foi Percival quem a encontrou?

No mito do Graal, o Rei Artur havia se desintegrado do governo, descuidando dos seus domínios e dos seus súditos. Para a tradição celta, da qual os romances arturianos derivam, quando um soberano negligenciava suas responsabilidades, a terra respondia, tornando-se infértil e improdutiva.

Por isso, quando Artur deixou de se ocupar do seu país e do seu povo, seu reino ficou arruinado. A única forma de trazer a cura para a Terra Devastada era por meio do Graal.

O Graal teria o poder de regenerar o que foi destruído. Ele representaria a força restauradora do feminino - a energia da água. Segundo a tradição cristã, o Graal é o vaso que José de Arimatéa usou para recolher o sangue do Cristo, quando o centurião Longino o feriu mortalmente com uma lança. Seu nome se origina do fato de ser o recipiente que armazenou o Sangue Real, ou, em francês, Sang Royal, termo que se corrompeu em Saint Graal.

O Graal teria o poder de regenerar o que foi destruído.
Ele representaria a força restauradora do feminino - a energia da água

Depois, José de Arimatéa acompanhou Maria Madalena para a Gália, aonde a santa levou o Evangelho, e José prosseguiu até a Inglaterra, levando consigo o Graal.

O Graal-lapidado da grande esmeralda que caíra da coroa de Lúcifer quando ele sofrera a Queda - acabou se perdendo na Inglaterra.

E só ele poderia trazer a recuperação da terra devastada. Por isso, Artur ordenou que seus cavaleiros o resgatassem. Essa procura simboliza o processo humano na busca da evolução da consciência. O Graal só poderia ser recuperado quando um cavaleiro perfeito encontrasse o Castelo do Rei Ferido - ou, de acordo com outras tradições, como na ópera Parzival, de Wagner, o Rei Pescador, símbolo do ser humano ferido pela separação entre o ego e o self - e fizesse a pergunta correta: "a quem serve o Graal?".

Essa pergunta demonstraria a capacidade do buscador de tornar - se consciente do significado real das coisas, dissipando a névoa de ilusão que permeia o mundo. Da primeira vez que encontrou o castelo, Percival não fez a pergunta.

Só muito depois, quando já estava maduro e já tinha desenvolvido a compaixão necessária, ele foi capaz de fazer a pergunta e recuperar o Graal. Apenas Percival tinha pureza e humildade necessárias para achar o castelo do Rei Ferido e fazer a pergunta que curou a Terra Devastada.

Revista das Religiões