QUAL É A IMPORTÂNCIA DO BATUQUE NOS RITUAIS AFRO-BRASILEIROS

Presente em quase todas as cerimônias das doutrinas afro-brasileiras, o som dos batuques é o elemento responsável por chamar à Terra as divindades e os guias espirituais.

Nesse sentido, Candomblé e Umbanda dão continuiidade à tradição das ancestrais tribos africanas, para quem os tambores eram veículos de acesso ao mundo sobrenatural.

Por trás de cada batida repousa um complexo código de comunicação, que difere de um culto para o outro.

Enquanto na Umbanda um único toque chama todos os orixás (só os cantos são diferentes), o Candomblé conta com um toque específico para cada divindade.

A quantidade e o tipo de instrumentos também variam entre as duas religiões, mas uma coisa é idêntica para ambas:

-É preciso um conhecimento profundo dos rituais para alguém pilotar os atabaques.

"A percussão deve ser perfeita, senão a divindade pode ficar contrariada e deixar o culto", diz Pai Armando de Ogum, do terreiro de Candomblé Casa das Águas, em São Paulo.

Os batuques também auxiliam na incorporação de entidades pelos médiuns.

"As vibrações dos tambores e das palmas atingem o corpo e abrem os chacras para receber o espírito.

Sem essa ajuda, o médium precisa de uma concentração muito maior", afirma Pai Joãozinho Sete Pedreiras, presidente do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo.

Mais do que meras ondas sonoras, os batuques seriam, assim, verdadeiras preces nascidas do contato das mãos com as peles dos tambores.

Letícia de Castro - Revista das Religiões