QUEM FOI CAT STEVENS?

PARANÓIA NO AR

Deportação do cantor Cat Stevens revela os exageros da política de segurança norte-americana

Que os Estados Unidos se tornaram um país mais do que paranóico depois dos ataques ao World Trade Center em 2001 isso todo mundo sabe.

O que poucos imaginavam é que o cantor e ex-astro pop britânico Cat Stevens, autor de clássicos como Wild World e Morning Has Broken, pudesse ser alvo dessa paranóia.

Pois bem. O músico, que adotou o nome de Yusuf Islam depois de abandonar a carreira e se converter ao Islamismo no final dos anos 70, foi detido e expulso dos EUA em setembro por ter supostas ligações com atividades terroristas.

Ele viajava de Londres a Washington quando seu vôo foi desviado para um aeroporto no Estado do Maine a pedido de autoridades americanas. Islam foi preso e deportado, acusado de patrocinar organizações muçulmanas ligadas ao terror.

"Estou chocado", disse ele ao desembarcar em Londres.

"A coisa toda é totalmente ridícula." A comunidade muçulmana local também se indignou.

"Este episódio foi um tapa na cara da sanidade", afirmou Mohamed Bari, subsecretário-geral do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha.

Jack Straw, chanceler britânico, declarou que a ação não deveria ter sido tomada. "A deportação foi mais uma amostra da intolerância americana", diz Carlos Frederico Barbosa, cientista da Religião da PUC de Minas Gerais.

Desde sua conversão, Cat Stevens se dedica à caridade e já fez doações para famílias afetadas pela guerra em lugares como Kosovo, Bósnia e Iraque.

Ele também participa de campanhas pacifistas e criticou duramente os atentados terroristas de 11 de setembro e o da escola de Besslan, na Rússia.

Porém, para o secretário de Estado americano Colin Powell, a decisão de barrar o cantor foi acertada, pois ele representa uma ameaça à segurança dos EUA.

Thiago Lotufo - Revista das Religiões