QUEM FORAM OS CÁTAROS?

Considerados hereges pela Igreja Católica na Idade Média, os cátaros eram um grupo de dissidentes cristãos que negava a autoridade do papa e condenava as práticas do clero, que qualificavam de corrompido.

O Catarismo ganhou força na Europa no século 12, em especial no sul da França, mas até hoje não há um quadro preciso do movimento, pois a maioria dos documentos sobre a seita foi escrita por seus adversários.

De qualquer forma, sabe-se que a doutrina cátara se baseava em uma idéia central: o mundo é mau, em oposição ao plano espiritual, identificado com o bem.

Daí nascia a principal crítica à instituição católica: a condenação à usura.

"Eles acusavam a Igreja de estar abandonando o aspecto essencial da fé, que é a elevação espiritual, em nome dos bens materiais", diz Julio Munam, professor de História Eclesiástica da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo.

Como meio de alcançar o paraíso, os cátaros pregavam uma vida ascética, o que incluía uma alimentação frugal, a proibição do casamento e a recusa à posse de bens.

Os que seguiam os preceitos à risca eram chamados de perfeitos, sendo responsáveis por executar o único sacramento da doutrina: o batismo de espírito - espécie de extrema-unção conferida ao fiel pouco antes de sua morte.

O movimento teve um fim trágico.

Duramente perseguido pela Igreja Católica, foi exterminado em meados do século 13, e os poucos cátaros sobreviventes recolheram-se ao anonimato para não sucumbir às fogueiras da Inquisição.

Letícia de Castro - Revista das Religiões