014 - O Espiritismo no Estado de São Paulo

INTRODUÇÃO. Nascemos em berço espírita e tivemos a ventura de acompanhar, desde o início da mocidade, o movimento espírita das cidades onde residimos (Barretos, Casa Branca, São Carlos e Piracicaba). Nos primeiros quatros anos da Faculdade de Medicina, na USP, como os estudos exigiam muito do estudante, apenas líamos obras espíritas, mas não participávamos de qualquer atividade em Centro ou Federação.

Nosso despertar para o Espiritismo se deu em 1937, quando Campos Vergal nos levou para a União da Mocidade Espírita, onde passamos a militar com grande assiduidade e lá ficamos até a idade madura. Aprendemos a estudar com mais método, a analisar as obras lidas e os fenômenos mediúnicos e também a conviver com idéias contrárias às nossas, sem nos perturbarmos.

Conhecemos muitos tipos de pessoas: as tímidas, que frequentam ambientes espíritas durante anos, sem manifestar suas opiniões; as extrovertidas, sempre falantes, com muitas idéias, mas sem realizações práticas; as sonhadoras, com planos mirabolantes e inexequíveis, querendo modificar tudo e criar estruturas e obras faraônicas; as ditadoras, que não admitem qualquer contestação às suas idéias; as irritadas, sempre contra tudo e contra todos; as místicas, que buscam um Espiritismo que se assemelhe às práticas de antes, cheias de rituais, substituindo os santos pelos guias e os deuses pelos espíritos desencarnados; e, finalmente, as egoístas, que não perdem oportunidade para sua auto promoção.

Decepcionamo-nos com as lutas pelo poder, travadas por pessoas que jamais poderiam ter tais falhas morais; com a intransigência de dirigentes, que afastam todos aqueles que lhes podem fazer sombra; com aqueles que se insinuam, querendo trazer para o movimento espírita idéias e práticas incompatíveis com a Codificação. Entretanto, apesar dessas decepções, vivemos uma Doutrina esplendorosa, que tem resposta para todos os problemas humanos, que nos ensina a trabalhar sem descanso, e, acima de tudo, nos orienta a amar verdadeiramente o nosso semelhante.

Doutrina Espírita que combate o mercadejar com as coisas espirituais, que prova a justiça de Deus, a qual não pode ser comprada com promessas ou oferendas, e nos mostra a responsabilidade que temos pelos nossos atos. Desde a infância, convivemos com grandes espíritas da Capital e do Interior, com alguns deles mais estreitamente. Conhecemos os oradores, os evangelizadores e os trabalhadores anônimos, que permitem a realização das obras das Casas Espíritas, mas, melhor que tudo isso, conhecemos muitos espíritas na sua intimidade e aprendemos a apreciá-los mais ainda.

Em conversas com Teodoro Lausi Sacco, Presidente da Federação Espírita do Estado de São Paulo, tivemos oportunidade de narrar muitos fatos presenciados por nós e desconhecidos dos espíritas de hoje. Referimo-nos ao convívio com vários dirigentes, desde 1937. Teodoro, apoiado pela diretora da Área de Ensino, Julia Nezu Oliveira, simplesmente intimou-nos a pôr no papel toda essa nossa convivência. E aqui estamos, procurando nos desincumbir de tal tarefa, dentro de nossas possibilidades. (..)
Sessenta anos de Espiritismo no Estado de São Paulo - Ary Lex - Edições FEESP - 1996.

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