APARIÇÃO

1 - Fenômeno Espírita: "APARIÇÃO": As aparições propriamente ditas se dão quando o vidente se acha em estado de vigília e no gozo da plena e inteira liberdade das suas faculdades. Apresentam-se, em geral, sob uma forma vaporosa e diáfan, às vezes vaga e imprecisa. A princípio é, quase sempre, uma claridade esbranquiçada, cujos contornos pouco a pouco se vão desenhando. Doutras vezes, as formas se mostram nitidamente acentuadas, distinguindo-se os menores traços da fisionomia, a ponto de se tornar possível fazer-se da aparição uma descrição completa. Os ademanes, o aspecto, são semelhantes aos que tinha o Espírito quando vivo.

Aparição Corporal: "Se a aparição corporal é limitada para alguns Espíritos, podemos dizer que, em princípio, ela é variável e pode persistir por tempo mais ou menos longo; que ela pode produzir-se sempre e a qualquer hora (..)

Aparição de Defuntos no Leito de Morte: (..) Geralmente é o moribundo que vê, em torno de si, pessoas já falecidas. O fenômeno também pode ser visto por pessoas presentes ou, concomitantemente, pelos vivos e pelos moribundos. É ele uma das provas patentes da sobrevivência.

Aparição tangível: (..) Em alguns casos, finalmente,e sob o império de certas circunstâncias, a tangibilidade pode se tornar real, isto é, possível se torna ao observador tocar, palpar, sentir, na aparição, a mesma resistência, o mesmo calor que num corpo vivo, o que não impede que a tangibilidade se desvaneça com a rapidez do relâmpago. Nesses casos, já não é somente com o olhar que se nota a presença do Espírito, mas também pelo sentido tátil.

2 - Aparições ; transfigurações ( A GÊNESE): Em seu estado normal, o perispírito é invisível para nós, mas, como está formado com matéria etérea, o Espírito pode, em certas circunstâncias, fazê-lo sofrer por um ato de sua vontade, uma modificação molecular que o torne momentaneamente visível. É assim que se produzem as APARIÇÕES, que, não mais que os outros fenômenos, não estão fora das leis da Natureza. Este não é mais extraordinário do que aquele do vapor, que é invisível quando está muito rarefeito, e que se torna visível, quando está condensado.

Segundo o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição, algumas vezes, é vaga e vaporosa; de outras vezes, ela é mais nitidamente definida; de outras vezes, enfim, tem todas as aparências da matéria tangível; pode mesmo ir até a tangibilidade real, ao ponto de se equivocar sobre a natureza do ser que se tem à frente.

As apariçõe vaporosas são frequentes, e ocorrem, a miúdo, quando os indivíduos se apresentam assim, depois de sua morte, às pessoas que estimam. As aparições tangíveis são mais raras, embora delas se tenham exemplos bastante numerosos, perfeitamente autênticos. Se o Espírito quer se fazer conhecer, dará, ao seu envoltório, todos os sinais exteriores que tinha quando vivo.

É de se notar que as aparições tangíveis não têm senão as aparências da matéria carnal, mas não poderiam dela ter as qualidades; em razão de sua natureza fluidíca, elas não podem ter a mesma coesão, porque, em realidade, não são da carne. Formam-se instantaneamente e desaparecem do mesmo modo, ou se evaporam pela degradação das moléculas fluídicas. Os seres que se apresentam nestas condições não nascem e nem morrem como os outros homens; são vistos e não são mais vistos, sem saber-se de onde vêm, como vieram, nem onde vão; não se poderia matá-los, nem acorrentá-los, nem encarcerá-los, uma vez que não tem corpo carnal; as pancadas que se lhes dessem feririam o vazio.

Tal é o caráter dos agêneres, com os quais se pode conversar sem suspeitar daquilo que são, mas que nunca fazem longas permanências, e não podem se tornar os comensais habituais de uma casa, nem figurar entre os membros de uma família. Há, aliás, em toda a sua pessoa, em seus passos, alguma coisa de estranha e de insólita que resulta da materialidade e da espiritualidade; seu olhar, vaporoso e penetrante ao mesmo tempo, não tem a nitidez do olhar pelos olhos da carne; a sua linguagem breve e quase sempre sentenciosa, nada tem de brilho e da volubilidade da linguagem humana; sua aproximação faz sentir uma sensação particular indefinível de surpresa que inspira uma espécie de medo, e, tomados como indivíduos semelhantes a todos os outros, se diz involuntariamente: Eis um ser singular.

ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES - O LIVRO DOS MÉDIUNS 2ª PARTE - CAP. VI

As manifestações mais comuns de aparições ocorrem durante o sono, pelos sonhos: são as visões. Não podemos examinar aqui todas as particularidades que os sonhos podem apresentar. Resumiremos dizendo que eles podem ser: 1 - uma visão atual de coisas presentes ou distantes; 2 - uma visão retrospectiva, do passado; e, 3 - em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Frequentemente são também quadros alegóricos que os Espíritos nos apresentam como úteis advertências os salutares conselhos, quando são Espíritos bons; ou para nos enganarem e entreterem as nossas paixões, se são Espíritos imperfeitos. A teoria abaixo se aplica aos sonhos, como a todos os outros casos de aparições.


Não ofenderemos o bom senso dos leitores refutando o que há de absurdo e ridículo no que vulgarmente se chama de interpretação dos sonhos. As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, no pleno gozo e completa liberdade das faculdades da pessoa. Apresentam-se geralmente com uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Quase sempre, a princípio, é um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos. De outras vezes as formas são claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto são semelhantes aos do Espírito quando encarnado.


Podendo tomar todas as aparências, o Espírito se apresenta com aquela que melhor o possa identificar, se for esse o seu desejo. Assim, embora não tenha, como Espírito, ne nhum defeito corporal, ele se mostra estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para identificá-lo. Esopo, por exemplo, não é disforme como Espírito mas se o evocarmos como Esopo, por mais existências posteriores que tenha tido, aparecerá feio e corcunda, com seus trajes tradicionais.


Uma particularidade a notar é que, exceto em circunstâncias especiais, as partes menos precisas da aparição são os membros inferiores, enquanto a cabeça, o tronco, os braço; e as mãos aparecem nitidamente. Assim, não os vemos qua se nunca andar, mas deslizar como sombras. Quanto às vestes, ordinariamente se constituem de um planejamento qu termina em longas pregas flutuantes. São essas, em resume acrescentadas por uma cabeleira ondulante e graciosa, as caracteristicas da aparência dos Espíritos que nada conservar da vida terrena. Mas os Espíritos comuns, das pessoas que conhecemos, vestem-se geralmente como o faziam nos últimos dias de sua existência.


Há os que muitas vezes se apresentam com símbolos de sua elevação, como uma auréola ou asas, pelo que são considerados anjos. Outros carregam instrumentos que lembram suas atividades terrenas: assim um guerreiro poderá aparecer com uma armadura, um sábio com seus livros, um assassino com seu punhal, e assim por diante. Os Espíritos superiores apresentam uma figura bela, nobre e serena. Os mais Inferiores tem algo de feroz e bestial e algumas vezes ainda trazem os vestígios dos crimes que cometeram ou dos suplícios que sofreram. O problema das vestes e dos objetos acessório talvez, o mais intrigante.

Dissemos que a aparição tem algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-la à imagem refletida num espelho sem ação, que apesar de nítida deixa ver através dela os objetos detrás. É geralmente assim que os médiuns videntes as distinguem. Eles as vêem ir e vir, entrar num apartamento ou sair, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que se diz. Muitas vezes se aproximam duma pessoa para lhe assoprar idéias, influenciá-la, quando são Espíritos bons; zombar dela, quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiveram. São, em uma palavra, a contraparte do mundo corporal.


É assim esse mundo oculto que nos envolve, no meio do qual vivemos sem o perceber, como vivemos entre as miríades de seres do mundo microscópico. A revelação do mundo, dos infinitamente pequenos, de que não suspeitávamos, foi feita pelo microscópio; o Espiritismo, servindo-se dos médiuns videntes, nos revelou o mundo dos Espíritos, que é também uma das forças ativas da Natureza. Com a ajuda dos médiuns videntes pudemos estudar o mundo invisível, iniciar-nos nos seus hábitos, como um povo de cegos poderia estudar o mundo dos que vêem, com o auxílio de algumas pessoas que gozassem da faculdade da visão.


O Espírito, que deseja ou pode aparecer, reveste algumas vezes uma forma ainda mais nítida com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de dar uma ilusão perfeita e fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Em alguns casos, e dentro de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, o que quer dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor de um corpo vivo, o que não impede a aparição de se esvanecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já não é só pelos olhos que se verifica a presença, mas também pelo tato.


Se poderíamos atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a ocorrência de uma aparição simplesmente visual, a dúvida já não é mais possível quando a podemos pegar, e quando ela mesma nos segura e abraça. As aparições tangíveis são as mais raras. Mas as que tem havido nestes últimos tempos, pela influência de alguns médiuns potentes, inteiramente autenticadas por testemunhos irrecusáveis, provam o explicam os relatos históricos sobre as pessoas que reapareceram após a morte com todas as aparências da realidade. De resto, como já acentuamos, por mais extraordinários que sejam semelhantes fenômenos, perdem todo o caráter de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se compreende que, longe de representarem uma derrogação das leis naturais, apresentam apenas uma nova aplicação dessas leis.


O perispírito, por sua própria natureza, é invisível no estado normal. Isso é comum a uma infinidade de fluidos que sabemos existirem e que jamais vimos. Mas ele pode também, à semelhança de certos fluidos, passar por modificações que o tornem visível, seja por uma espécie de condensação ou por uma mudança em suas disposições moleculares, o é então que nos aparece de maneira vaporosa. A condensação pode chegar ao ponto de dar ao perispírito as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas que pode instantaneamente voltar ao seu estado etéreo e invisível. É necessário não tomar ao pé da letra a palavra condensação, pois só a empregamos por falta de outra e como simples recurso de comparação. Podemos entender esse processo ao compará-lo ao do vapor, que pode passar da invisibilidade a um estado brumoso, depois ao líquido, a seguir ao sólido e vice-versa.


Esses diversos estados do perispírito, entretanto, resultam da vontade do Espírito e não de causas físicas e exteriores, como acontece com os gases. O Espírito nos aparece quando deu ao seu perispírito a condição necessária para se tornar visível. Mas a simples vontade não basta para produzir esse efeito, porque a modificação do perispírito se verifica mediante a sua combinação com o fluido específico do médium. Ora, essa combinação nem sempre é possível, e isso explica por que a visibilidade dos Espíritos não é comum.