Pneumatografia

Fenômeno Espírita: "Pneumatografia": A escrita direta, ou pneumatografia, é a que se produz espontaneamente, sem o concurso, nem da mão do médium, nem do lápis. Basta tomar-se de uma folha de papel branco, o que se pode fazer com todas as precauções necessárias, para se ter a certeza da ausência de qualquer fraude, dobrá-la e depositá-la em qualquer parte, numa gaveta ou simplesmente sobre um móvel. Feito isso, se a pessoa estiver nas devidas condições, ao cabo de mais ou menos longo tempo encontrar-se-ão, traçados no papel letras, sinais diversos, palavras, frases e até dissertações, as mais das vezes com uma substância acinzentada, análoga à plumbagina, doutras vezes com lápis vermelho, tinta comum e, mesmo, tinta de imprimir

PNEUMATOGRAFIA IMEDIATA: Pneumatografia imediata, escrita direta, aparentemente "sine matéria", relacionada sem dúvida com os efeitos de transporte (..)

PENUMATOGRAFIA MEDIATA: Pneumatografia mediata, efeito mecânico, tal a escrita entre duas lousas onde de coloca previamente um fragamento de lápis (..)

O LIVRO DOS MÉDIUNS - ALLAN KARDEC - 2ª PARTE - CAP. XII - PNEUMATOGRAFIA

A pneumatografia é a escrita produzida diretamente pelo Espírito, sem nenhum intermediário. Difere da psicografia, porque esta é a transmissão do pensamento do Espírito pela mão do médium. O fenômeno da escrita direta é indiscutivelmente um dos mais extraordinários do Espiritismo. Por mais estranho que possa parecer à primeira vista, é hoje um fato averiguado e incontestável. Se a teoria é necessária para se compreender a possibilidade dos fenômenos espíritas em geral, mais ainda se torna neste caso, um dos mais chocantes até agora apresentados, mas que deixa de parecer sobrenatural quando compreendemos o princípio em que se funda.


À primeira manifestação desse fenômeno o sentimento dominante foi de desconfiança: a idéia de trapaça ocorreu logo. Porque todos conhecem as tintas chamadas simpáticas, cujos traços invisíveis aparecem algum tempo depois da escrita. Era possível, pois, um abuso da credulidade e não afirmamos que jamais tenha isso acontecido. Estamos mesmo convencidos de que algumas pessoas, por interesse mercenário, por amor próprio ou para impor a crença nos seus poderes, tenham usado subterfúgios. Mas, por se poder imitar alguma coisa, é absurdo concluir que ela não exista. Não se conseguiu, nos últimos tempos, encontrar o meio de imitar a lucidez sonambúlica, a ponto de causar ilusão? E por ter esse processo habilidoso corrido mundo, devemos concluir que não há sonâmbulos verdadeiros? Por que alguns comerciantes vendem vinho alterado, devemos dizer que não existe o vinho puro? Acontece o mesmo com a escrita direta. Entretanto, as precauções pura assegurar a realidade do fato são muito simples e fáceis. Graças a elas, hoje não se pode ter a menor dúvida a respeito.


Desde que a possibilidade de escrever sem intermediário é um dos atributos do Espírito, que os Espíritos sempre existiram e em todos os tempos produziram os diversos fenômenos que conhecemos, devem ter produzido a escrita direta na Antiguidade tão bem como hoje. E é assim que se pode explicar a aparição das três palavras no festim de Baltazar. A Idade Média, tão fecunda em prodígios ocultos que as fogueiras abafavam, deve ter conhecido também a escrita direta. Talvez mesmo se pudesse encontrar na teoria das modificações que os Espíritos produzem na matéria, que desenvolvemos no capítulo VIII, o princípio da crença medieval na transmutação dos metais.


Mas, quaisquer que tenham sido os resultados obtidos nas épocas anteriores, foi somente depois da vulgarização das manifestações espíritas que se tomou a sério o problema da escrita direta. O primeiro que o deu a conhecer em Paris, nos últimos anos, parece que foi o Barão de Guldenstubbe, ao publicar uma obra muito interessante sobre o assunto, com grande número de "fac-símile" de escritas obtidas. O fenômeno já era conhecido na América há algum tempo. A posição social do Sr. Gudenstubbe, sua independência, a consideração que desfrutava no alto mundo afastam incontestavelmente qualquer suspeita de fraude voluntária, pois nenhum motivo interesseiro poderia movê-lo. Poder-se-ia admitir a sua própria ilusão, mas a isso responde decisivamente um fato: a obtenção do mesmo fenômeno por outras pessoas que se cercaram de todas as precauções necessárias para evitar qualquer trapaça ou motivo de engano.


A escrita direta é obtida, como a maioria das manifestações espíritas não espontâneas, pelo recolhimento, a prece e a evocação. Muitas vezes foi obtida nas igrejas, sobre os túmulos, junto a estátuas e imagens de personagens evocadas. Mas é evidente que o local só influi por favorecer o recolhimento e a maior concentração mental, pois está provado que é obtida igualmente sem esses acessórios e nos lugares mais comuns, como sobre um simples móvel caseiro, desde que se esteja nas condições morais exigidas e se disponha da necessária faculdade mediúnica. Achava-se a princípio que era necessário colocar um lápis com o papel. O fato, então, poderia ser mais facilmente explicado. Sabe-se que os Espíritos movem e deslocam objetos, que pegam e atiram à distância, podendo assim pegar o lápis e escrever.

Desde que o fazem por intermédio da mão dos médiuns ou de uma prancheta, poderiam também fazê-lo de maneira direta. Mas logo se verificou que a presença do lápis era desnecessária, que bastava um simples pedaço de papel, dobrado ou não, para em breves minutos aparecerem as letras. Com isso o fenômeno mudou completamente de aspecto e nos lançou em outra ordem de idéias. As letras são escritas com uma certa substância e, desde que não se forneceu ao Espírito nenhuma substância, ele a teve de produzir, de compô-la por si mesmo. De onde a tirou? Esse é o problema. Reportamo-nos às explicações do cap. VIII, n.os 127 e 128, encontraremos a teoria completa desse fenômeno. O Espírito não se serve de substâncias e instrumentos nossos. Ele mesmo os produz, tirando os seus materais do elemento primitivo universal, que submete, por sua vontade, às modificações necessárias para atingir o efeito desejado. Assim, tanto pode produzir a grafita do lápis vermelho, a tinta de impressão tipográfica ou a tinta comum de escrever, como a do lápis preto e até mesmo caracteres tipográficos suficientemente duros para deixarem no papel o rebaixo da impressão, como tivemos de ver.

A filha de um nosso conhecido, menina de 12a 13 anos, obteve páginas inteiras escritas com uma substância semelhante ao pastel. Esse o resultado que nos conduziu o fenômeno do tabaqueira, relatado no cap. VII, n.° 116, sobre o qual nos estendemos bastante, porque percebemos a oportunidade do sondar uma das leis mais importantes do Espiritismo, cujo conhecimento pode esclarecer diversos mistérios do mundo invisível. Ë assim que de um fato aparentemente vulgar pode sair a luz. Basta observar com atenção e é o que todos podem fazer, como nós, quando não se limitarem ver os efeitos sem procurar as causas. Se a nossa fé se firma dia a dia é porque compreendemos; fazei pois compreender, se quereis conquistar adeptos sérios. A compreensão das causas tem ainda outro resultado, que é o de estabelecer uma linha divisória entre a verdade e a superstição.


Se considerarmos a escrita direta quanto às vantagens que pode oferecer, diremos que até o presente a sua principal utilidade consiste na constatação material de um fato importante: a intervenção de um poder oculto que encontra nosse processo um novo meio de se manifestar. Mas as comunicações assim obtidas são raramente de alguma extensão. Em geral são espontâneas e se limitam a palavras, sentenças, frequentemente sinais ininteligíveis. São obtidas em todas as línguas: em grego, em latim, em siríaco, em caracteres hieroglíficos, etc., mas ainda não serviram às conversações contínuas e rápidas que a psicografia ou escrita pela mão do médium permite.