1 - PRINCIPAIS FATORES

Antes de determinar quais os principais fatores que intervêm na difusão do Espiritismo, fazendo-o alcançar todas as ordens da atividade humana e exercer influência no mundo, tanto sob o ponto de vista individual, como coletivo, preciso é que, em homenagem aos leitores que careçam das noções indispensáveis a facilitar-lhes a compreensão da presente obra, façamos uma sucinta exposição sobre o que é o Espiritismo, nos tempos presentes, e sobre a sua significação.

Tem ele a sua base na comunicação dos Espíritos.

De todos os tempos, esta comunicação existiu, pois é tão antiga como o mundo; porém, até aos tempos atuais, não aparecera no mundo como corpo organizado, como um sistema completo, filosófico e religioso, apoiado na ciência e de conseqüências incalculáveis pela doutrina que decorre das relações dos encarnados com os desencarnados, tendo por fim dar a certeza ao homem da existência, preexistência e imortalidade da alma e de seu destino futuro, preenchendo, assim, uma necessidade da época. Em todos os tempos, os Espíritos se revelaram; porém, essas revelações só produziram os frutos de que necessitavam os encarnados nas respectivas épocas. Atualmente, já não podem satisfazer à generalidade dos Espíritos que povoam a Terra as razões que satisfaziam outrora, nem as doutrinas que deram ampla satisfação às almas simples, que então se encontravam, na escala da evolução, alguns graus abaixo das que atualmente povoam o planeta.

A Revelação Espírita, porque o Espiritismo é uma revelação, a mais transcendental que os séculos têm registrado, vem satisfazer às necessidades dos Espíritos analíticos do presente, dos positivistas destes tempos, de todos os que, enamorados da Ciência e de seus métodos de experimentação, não aceitam coisa alguma que não caiba nesse terreno e possa sujeitar-se às condições que a investigação científica impõe. Nesse sentido, o Espiritismo satisfaz aos mais exigentes, desde que não sejam Espíritos refratários por sistema e que cerram os olhos ante a evidência. Destemeroso de qualquer análise a que queiram submeter o legítimo fenômeno espírita, sempre que os investigadores não se empenhem, aberrando de toda lógica, em sujeitar o dito fenômeno aos mesmos processos a que submetem qualquer fenômeno de química ou de física, nos quais não há vontades ocultas que possam burlar todas as previsões, como acontece com os primeiros, ele sempre sairá triunfante de todas as provas, por mais rigorosas e precisas que sejam, dando margem a que novos métodos e processos se descubram, para conhecer o que permanece oculto e decifrar as incógnitas que abundam em tais manifestações.

Na época presente, o fenômeno espírita está suficientemente provado para já constituir uma base indestrutível da nova Escola. Não insistamos nisso, pois que os estudiosos poderão capacitar-se suficientemente da verdade da nossa afirmação recorrendo ao estudo das obras dos eminentes mestres com que já conta o Espiritismo. Allan Kardec deve ser consultado em primeiro lugar, seguindo-se Denis, Delanne, Aksakof, Paul Gibier e outros muitos, entre os quais se encontram não só ilustres homens da ciência, como Lombroso, Carl Du Prel, etc., mas, também, filósofos insignes, como Gonzalez Soriano e o próprio Bezerra de Menezes, nesta terra de Santa Cruz. Consultem-se, pois, esses autores e outros muitos, para um perfeito conhecimento do Espiritismo, em seus aspectos experimental, científico, filosófico e religioso, e dirijamo-nos aos que a tanto não pretendem chegar, iniciando-os, não nos segredos da experimentação, porém nos resultados obtidos dela, resultados que constituem os princípios doutrinários que serviram para formar o corpo de doutrina do Espiritismo Kardequiano.

Pela revelação dos Espíritos, e em concordância com antiqüíssimas doutrinas reveladas na Índia e em outras latitudes do planeta a iniciados que se distinguiram da massa geral, o Espiritismo proclama a existência de um só Deus, causa sem causa de quanto existe, e sua imanência em toda a obra da criação. Os atributos da Divindade, reconhecidos pelo Espiritismo, são os mesmos que lhe reconhecem toda filosofia elevada e a verdadeira teologia, que não é a que à humanidade oferecem certas confissões religiosas, desprestigiadas em conseqüência de sua inamovibilidade, da pretensão de oporem barreira à marcha do progresso.

A existência e a imortalidade da alma acham-se bem demonstradas pela comunicação dos homens com os seres ultraterrenos, mediante a qual se adquire o conhecimento da vida post mortem, que o Espiritismo ensina.

Muito amplo é o conhecimento dessa vida, por serem os próprios moradores do além que a descrevem, apresentando-se, nas reuniões espíritas e de investigações, Espíritos de todas as condições, constituindo uma coleção completa das classes dos habitantes do Espaço. Verifica-se, assim, que essas classes são uma reprodução das que existem na Terra, por serem os mesmos Espíritos que estiveram encarnados os que se manifestam, visto que nenhuma transformação essencial traz ao ser a sua passagem para a vida do Espaço, onde continua com as mesmas virtudes, de que só pouco a pouco se enriquece, e os mesmos vícios, de que só paulatinamente se expunge. Pelos Espíritos que se comunicam tem-se podido adquirir a certeza de que a chamada lei de justiça é uma realidade que se cumpre. E os mesmos Espíritos, por meio dela, é que explicam a felicidade de que gozam no Espaço, ou os sofrimentos por que passam, conforme procederam na Terra, o que demonstra que o ser espiritual é dotado de livre-arbítrio, se bem que relativo, e, também relativamente, responsável por suas ações. Ele goza ou sofre por ser filho de suas obras.

Ainda pela comunicação dos Espíritos, prova o Espiritismo que não existem o inferno, nem as penas eternas, que, conseguintemente, não há pecado que não seja redimível. Proclama, assim, que o progresso é indefinito, que todos os indivíduos acham-se sujeitos à sua lei, que, havendo tido todos uma origem comum, todos, em virtude da lei de progresso, seguindo a natural evolução das coisas, sempre ascendendo, chegarão aos mais altos graus da perfeição, sem que de alcançá-la nenhum fique privado.

Como conseqüência disso, proclama o Espiritismo a pluralidade de existências, doutrina ensinada aos iniciados da antigüidade e pelo próprio Cristo, como se verifica em várias passagens dos Evangelhos, formando o fundo de muitos de seus ensinos. De maneira inequívoca Ele ensinou-a ao afirmar que João, o Batista, era o Espírito do Profeta Elias, reencarnado.

Com a lei de reencarnação, o Espiritismo explica todas as anomalias que se observam na vida dos seres, e deixa patente a justiça de Deus, que, sem essa lei, é impossível de conceber-se, em face da infinidade de discordâncias observadas no modo de ser e manifestar-se dos indivíduos e das sociedades.

Também se acha estabelecida, pela doutrina que os Espíritos revelaram, a existência da solidariedade universal, a comum filiação de todos os Espíritos e o destino idêntico de todos os seres, representando isso o mais firme sustentáculo para o ideal de fraternidade, no mundo, ideal que deixou de ser uma utopia irrealizável, por se haver tornado um princípio racional e uma doutrina necessária, que indefectivelmente terão que praticar um dia todos os Espíritos, pois que, pelo progresso moral que forem realizando, a irão entesourando e desenvolvendo, de tal sorte que, forçosamente, todos chegarão a possuir sentimentos verdadeiramente fraternais tão desenvolvidos que cada um se considerará a personificação mesma da fraternidade. Por isso, o Espiritismo é uma garantia de que o ideal cristão imperará um dia na Terra, em todo o seu esplendor, cumprindo-se as predições do Cristo a esse respeito. Segue-se daí que essa nova Revelação é realmente o Consolador prometido pelo Redentor, e que há de preparar-lhe a segunda vinda e a volta do Cristianismo à sua prístina pureza, desenvolvendo-o, ao mesmo tempo, de maneira a torná-lo compreensível a todos. É, portanto, o Espiritismo o complemento do verdadeiro Cristianismo. Preside ao seu desenvolvimento o próprio Cristo, colaborando nessa obra os mesmos grandes Espíritos que intervieram na sublime epopéia messiânica.

Bastam essas singelas observações para deixar firmados os princípios básicos da Nova Revelação e seu significado, donde se pode deduzir o importante papel que ela terá de desempenhar na transformação social da humanidade terrestre.

Qualquer observador perspicaz, atentando no que deixamos dito, deduzirá quais os principais fatores que intervêm e hão de intervir no problema da influência do Espiritismo no mundo, sendo, uns, visíveis, e, outros, invisíveis. Os visíveis são os Espíritos encarnados na Terra, os invisíveis os Espíritos desencarnados. Os primeiros são, antes, instrumento do que diretores de sua ação. Os verdadeiros diretores de quanto acontece na Terra são os Guias espirituais, que do espaço encaminham a ação dos indivíduos que atuam no plano físico. Tudo quanto acontece mais não é do que o desenvolvimento, no plano físico, do que se gerou e preparou no espaço.

Há fatores, finalmente, de caráter individual e coletivo. Todos os indivíduos, com o aperfeiçoarem suas individualidades, influem no mundo, na medida que lhes corresponde, e, intervindo nos assuntos de natureza coletiva, influenciam também a massa, no grau em que lhes permitem a vontade e o preparo. E fatores da efetiva influência do Espiritismo no mundo não são apenas seus adeptos, mas também seus adversários. Fundando-se ele na Verdade e tendo de ser o principal inspirador do progresso humano e o fator mais importante das futuras reformas de toda espécie, é claro que de igual modo hão de contribuir para lhe firmarem e ampliarem cada vez mais a influência tanto seus profitentes, como seus mais ferrenhos adversários. Por conseguinte, os adeptos da Nova Revelação podem estar satisfeitos de o serem e cantar vitória ante a certeza do triunfo, para o qual todos os elementos existentes no mundo hão de concorrer ainda que inconscientemente, por efeito de iniludível lei. Diante dessa certeza, qual será o espírita que não laborará com fé e não se entregará de corpo e alma ao serviço do seu ideal?

(Guia Esxpiritual de) Angel Aguarod