3 - A HARMONIA COM O INFINITO

A inimitável sinfonia que toda a Criação eleva ao Senhor dos Mundos, ininterruptamente, revela uma harmonia perfeita no Infinito.

O homem, no entanto, conseguiu lançar a nota da desarmonia nesse inefável concerto, quando entrou na posse do perigoso dom do livre-arbítrio. Mas, essa desafinação é transitória, porque a Perfeição existe e nenhum ser pode eximir-se de volver ao ponto de origem, realizado em si mesmo e perfeito.

A conseguir restabelecer o equilíbrio perturbado pelo homem tende toda a sua vida terrestre. Caminhar para a perfeição é a tarefa que a Lei lhe impõe. Poderá ele, por mais ou menos tempo, resistir ao cumprimento da Lei; um dia, porém, se lhe submete e, desde então, segue pelo caminho reto, a passos acelerados, para o cume de seu Destino, que é a Perfeição. Aquela resistência constitui a nota dissonante na eterna sinfonia que todo o criado eleva ao seu inefável Autor.

A inconsciência, primeiro, e depois, os hábitos adquiridos na inconsciência afastam o ser do caminho reto que conduz às supremas alturas espirituais.

Mas, a consciência do dever a cumprir, em todas as ordens da Natureza, o atrai para o caminho que abandonou e, qual filho pródigo que deixou a casa paterna num momento de loucura e que, ao recobrar a razão, apercebendo-se de seu erro, se arrepende e volta compungido ao lar sagrado que o viu nascer, ele torna à senda que o conduzirá ao reino de seu Pai celestial.

Nem outra coisa são, neste atrasado mundo, os que o habitam, senão filhos pródigos. Nenhum, porém, deixará de volver ao lar paterno, pois que a Providência Divina que incessantemente vela sobre todos, se lhes consente certos desvios, unicamente por não coartar a nenhum o livre-arbítrio, não leva sua condescendência ao extremo de permitir que o erro subsista para sempre. Assim, em dado momento, faz que a criatura venha a achar-se numa situação desesperadora, que lhe desperta a consciência mediante a visão clara do seu transviamento, e a deixa entregue a si mesma, imersa nas suas próprias reflexões que acabam induzindo-a ao arrependimento e ao desejo de reparar suas faltas, no propósito de tornar à Casa do Bom Pai, donde loucamente se apartou.

O arrependimento e a reparação voluntária constituem, precisamente, a volta da criatura à casa de seu Pai, o regresso da ovelha ao aprisco do Pastor divino.

A desarmonia entre o homem e o Infinito revela-se nesse desvio do primeiro, nessa sua deserção da casa paterna. O não cumprimento das leis físicas e morais a que se acha submetido é o que o separa do concerto harmônico de toda a Criação em honra do Supremo Ser.

Todo o labor do homem, na Terra, quando compreende que deve aperfeiçoar suas faculdades, desenvolvendo-as gradativa e metodicamente, reduz-se a procurar em si os meios de efetuar esse desenvolvimento, para chegar à perfeição. Essa a obra da evolução humana.

As forças, chamadas cegas, da Natureza, bem como todos os seres que formam os reinos em que ela se apresenta dividida, compreendidas as feras que rugem nas selvas e as canoras aves que alegram as campinas, com as suas plumagens multicores e seus melodiosos gorjeios, tomam parte na eterna sinfonia da Criação ao Criador.

Aquele que já chegou a ter nítida a consciência do seu dever para com Deus, que já se tornou capaz de o reconhecer em sua obra, de lhe ser agradecido e de o adorar, se envergonha, ao verificar que, enquanto tudo canta hinos harmoniosos ao Criador, somente o homem vive excluído desse concerto sagrado.

Será completamente feliz o ser humano, desde que se decida a viver em harmonia com o Infinito, como vive tudo quanto, carecendo de livre-arbítrio, recebeu de Deus a vida. Sua infelicidade provém do seu viver em desarmonia com a Natureza.

Para harmonizar-se com o Infinito, preciso se faz que ele se submeta às leis naturais, de modo absoluto, tanto na ordem física, como na ordem espiritual.

As leis divinas, e todas as da Natureza o são, não foram promulgadas para a infelicidade do homem, senão para o auxiliarem na sua ascensão ao ápice do seu completo desenvolvimento. Quem, desde sempre, mesmo no estado de maior atraso, houvesse obrado, em todas as circunstâncias, de conformidade com as leis naturais, teria vivido em harmonia com o Infinito e a infelicidade jamais o houvera ferido. Ora, se isso acontece a quem nunca desviou os passos do caminho traçado pela Lei, claro é que aquele que, volvendo ao caminho reto, cumpra a Lei, em todas as ordens, conseguirá normalizar a sua marcha na senda da evolução e se porá de harmonia com o plano divino. Conseguido isso, desaparecidas as conseqüências fatais dos desvios anteriores, toda causa,de infelicidade estará destruída para a criatura, que se desenvolverá no futuro, eternamente, em harmonia com o Infinito, colaborando na sublime sinfonia que por toda parte a Criação entoa ao Senhor do Universo.

Homem da Terra, pensa nisto e decide-te, de uma vez por todas, a procurar o teu próprio bem, vivendo como ordenam as leis físicas e morais que o Criador formulou para regular a tua evolução.

Homem da Terra, irmão meu, estuda na Natureza a obra de Deus, desentranha desse estudo o conhecimento da Vontade divina, que não visa senão o cumprimento da Lei pelo ser.

É simples a vida para o Espírito que quer ser virtuoso e, sobretudo, feliz. Vale a pena vivê-la, e vivê-la em todos os estados e em todos os meios, em todos os mundos e em todos os espaços. Em toda parte, está patente a harmonia do Infinito, porque em toda parte se manifesta a obra do Absoluto. Pôr-se de harmonia com a Criação. com o Infinito, é alcançar a felicidade suprema de que se pode gozar.

Aprende, homem da Terra, a pôr-te de acordo contudo o que vive e sente; aprende, homem da Terra, a sentir com os Espíritos superiores que galgaram as alturas da pureza; aprende, homem da Terra, a progredir, sujeitando-te aos ditames da Lei, em todas as suas manifestações; aprende a pôr-te de harmonia com o Infinito, que tudo isso podes fazê-lo, e terás resolvido o magno problema da felicidade integral, que te desejo com toda a força da minha vontade.

Angel Aguarod