4 - DEDUÇÕES E CONCLUSÕES

Das características universalmente reconhecidas ao Espiritismo e que deixamos sintetizadas nos precedentes artigos, deduz-se que ele não parte de nenhuma concepção humana; que não é um sistema ideado pelo homem, nem por poder algum da Terra, religioso, político ou científico, senão que é de origem divina, revelado pelas almas dos chamados mortos, obedecendo a um plano pré-concebido e dirigido por inteligências superiores do mundo oculto; que, destarte, terá de se impor, incontrastável e forçosamente, no mundo, como se impõe, no curso da evolução planetária, tudo aquilo que do mesmo modo se vai desenvolvendo nas ordens várias da Natureza, em todos os seus reinos.

Deduz-se, igualmente, que, tendo o Espiritismo de se impor, nenhum poder humano logrará impedir essa imposição, porque é impossível impedir que a Lei se cumpra, e nos postulados da Lei se encontra que o Espiritismo inspire a civilização nova, que se está desenvolvendo na Terra, e todas as instituições que as necessidades da espécie humana reclamem para seu desenvolvimento e cumprimento de seus destinos terrestres.

Deduz-se, também, das características com que se manifesta, que há de levar às almas a convicção de que todo progresso coletivo deverá assentar nas aquisições individuais, pois impossível é o aperfeiçoamento da massa, sem o aperfeiçoamento prévio das partes que a compõem. Essa convicção lançará por terra muitas suposições mal fundadas e muitos erros sustentados com firmeza pelos que gozam de influência incontrastável nas diferentes escolas militantes, tanto sociais, como políticas, econômicas, filosóficas, ou religiosas, dando forma a equivocadas orientações, que perturbam a marcha regular do progresso e fazem viver o gênero humano em ambiente fictício e, por conseguinte, enganoso. Com essa retificação dos erros em que tantos homens ilustres se mantêm, mal orientando, por isso, sua ação, que repercute na sociedade, prejudicando-a, muito lucrará esta.

Demonstrando, como demonstra, a imprescindível necessidade de se partir do aperfeiçoamento individual para se conseguir o aperfeiçoamento coletivo, o Espiritismo fará que sobre as bases sólidas da Verdade e da Justiça assente a obra reformadora de amanhã.

Das características do Espiritismo ainda se deduz que de feitio completamente novo hão de ser os moldes a empregar-se em todas as reformas, nos diferentes setores em que se acha dividida a organização social da humanidade.

As suas características, ao demais, fazem ver que ele se não especializa em coisa alguma, se bem influa em tudo. Sim, em tudo tem de influir, não por virtude de criações particulares, que o coloquem em frente de outras criações, como para lhes disputar o lugar. Ele é estranho a todo particularismo exclusivista; não pode, nem deve, desprezar a ninguém, nem a coisa alguma que seja aproveitável na marcha da evolução. É de todos, não de um partido, nem de uma seita. Por isso, jamais pode aspirar a formar escola à parte, em oposição a outras escolas, para combatê-las e tirar-lhes a influência que ainda possam exercer nos seres que delas necessitem.

A característica especial do Espiritismo é a universalidade. Ele abrange tudo, não repelindo coisa alguma que se baseie na Verdade e na Justiça, coisa alguma que haja passado pela prova da investigação e recebido desta a necessária comprovação.

Não pode o Espiritismo constituir uma religião, ou uma política especial; não pode criar sistemas sociais, que o distanciem de outros sistemas. Sob esse aspecto, é eclético. De todos toma o que têm de verdadeiro e de bom, e a nenhum repudia, porque sabe que todos satisfazem as necessidades de umas tantas almas. Em nada pode o Espiritismo singularizar-se, a não ser em formar um todo harmônico, que convida todos os seres ao acordo mútuo, ao trabalho solidário, à fraternal convivência, apesar das diferenciações naturais que existem entre uns e outros indivíduos da espécie.

Não há, pois, pretender que o Espiritismo, a menos que o prostituam, se distinga por injustificadas preferências religiosas, políticas e sociais; alheio a todo exclusivismo, a todas as manifestações do Espírito ele auxilia com a seiva de sua virtude unificadora.

Porque, repetimos, o Espiritismo não se destina a influir no mundo, criando partidos, sistemas e escolas que dividam os homens, mas inspirando os que militem nas diversas escolas, ou instituições, para levar-lhes o seu espírito, que é o do amor recíproco, da harmonia, da fraternidade.

Não precisa o Espiritismo criar escolas, facções ou partidos, para fazer sentir sua influência no mundo. Se isso fizesse, seria mais uma facção, mais um partido, mais um sistema, e nada a humanidade lucraria com a entrada de um novo ator na cena das discórdias humanas. O Espiritismo é muito mais do que tudo isso. E, porque o é, poderá ter adeptos em todas as confissões, partidos e escolas em que se divide a humanidade, a fim de realizar nelas a obra benéfica da comunhão das criaturas humanas.

Assim, pois, não devem os adeptos da Nova Revelação sonhar com um porvir em que o Espiritismo, vencedor, dite e imponha, das alturas conquistadas, leis ao mundo. Isso jamais ele fará. Conquistará, sim, os corações dos adeptos de todos os partidos, de todas as facções e de todas as confissões, a fim de que, da posição que ocupem, influam no mundo com o espírito de sabedoria que lhes terá impresso e com esse espírito executem a obra que lhes cumpre realizar.

Desta e não de outra maneira terá o Espiritismo de influir no mundo; de outra forma, amesquinhar-se-ia e não valeria a pena que abrisse passagem por entre as demais idéias e credos que disputam a hegemonia no seio da humanidade.

Deduzido tudo isso das características com que se apresenta o Espiritismo na cena terrestre, chegamos às seguintes conclusões:

1 - O Espiritismo não pode ser um partido político, nem constituir um credo religioso, nem formar um sistema social exclusivo, porque não está em sua natureza singularizar-se de forma especial, nesses sentidos, desde que atrai ao seu seio todas as criaturas humanas, sejam quais forem suas opiniões, ou crenças, cor, nacionalidade e grau de cultura e moralidade.

2 - O Espiritismo, propugnando o aperfeiçoamento individual como base do aperfeiçoamento coletivo, estabelece um método seguro para chegar-se à solução, também segura, e sem lutas, de todos os problemas de qualquer ordem que se desenhem no cenário social.

3 - O Espiritismo, estimulando o cultivo integral do Espírito, faculta às artes, às ciências e a todas as capacidades espirituais desenvolverem-se sem embaraços, satisfazendo a uma necessidade das almas encarnadas.

4 - Não sendo uma religião, porém, sim, a Religião, o Espiritismo ligará um dia todos os homens por um só sentimento de adoração à Causa Suprema, não permitindo que os indivíduos se considerem adversários e, menos, inimigos, por prestarem, de modos diferentes, culto à Divindade.

Levando a todos os seres a convicção de que só pela prática do bem poderão ascender na escala da perfeição, e que deles, somente deles, depende seu próprio progresso, o Espiritismo traçará um novo plano de trabalho aperfeiçoado que, assegurando a todos desenvolverem ação consciente e proveitosa, tornará efetivas a harmonia social e a fraternidade humana.

Demonstrando a necessidade da tolerância e do respeito mútuo, e reconhecendo a legitimidade de todos os credos, suavizará as asperezas ainda existentes e que impedem reconheçam os homens a razão de ser dos diferentes credos, a cada um dos quais negam todos os direitos os adeptos dos outros.

Sendo o depositário de todas as verdades contidas nos diversos credos e confissões ainda atuantes, sendo o elo que a todos há de unir, conseguirá fazer efetiva na Terra a doutrina do Redentor, o que assinalará a era nova do reinado de Jesus-Cristo, permitindo-lhe descer novamente ao mundo.

A isso forçosamente conduzirá o Espiritismo, exercendo no planeta sua influência avassaladora, à qual não poderão subtrair-se os credos, os partidos, as hierarquias, os sábios, os ignorantes, os bons e os maus, porque, quando os homens pudessem resistir a toda sugestão espírita, de maneira alguma poderiam forrar-se à sugestão espiritual das Entidades do Espaço, dos Mensageiros do Pai, que, onde quer que seja preciso, obedientes ao plano divino, exercem sua ação, sem que dela possam livrar-se nem mesmo os mais recalcitrantes adversários da Doutrina dos Espíritos. Influem eles, para tudo encaminhar aos fins previstos pelos Diretores da Evolução, em cujo supremo conselho se acha o Cristo, presidindo-o, sem que a essa influência possam eximir-se nem pontífices, nem monarquias. Todas as jerarquias humanas são influenciadas pelos Espíritos do Senhor; os chefes de todos os governos e de todos os partidos; os altos e os baixos; os de muito destaque e os de pouco; os sábios e os ignorantes. Todos os habitantes da Terra, enfim, recebem a influenciação dos Espíritos, e nada ocorre que não corresponda ao plano divino. Tudo é Espiritismo.

Assim sendo, digam-nos se não está assegurada sua influência no mundo, e se alguma coisa há, ou pode haver, que escape a essa influência.

Ele tem de triunfar indefectivelmente, e tudo concorre para esse triunfo.

Angel Aguarod