7 - FÉ E RESIGNAÇÃO

Viver na Crosta é mais do que um dever. Significa uma oportunidade conferida ao Espírito para o seu progresso. É Justiça divina, plena, completa, absoluta. FÉ é crença, é confiança, é determinação, ter fé no Criador representa confiar plenamente na sua Justiça.

Crendo em Deus, o encarnado está apto a sentir-se integrado ao seu meio e adaptado à sua prova. Mas, não basta, torna-se indispensável que acredite também no plano espiritual, no seu retorno a esse lado da vida e na eternidade do ser. Pode parecer, à primeira vista, contraditório alguém crer em Deus e não na existência imortal ou no seu retorno à pátria dos Espíritos, acontece no entanto.

Unindo fé em Deus e na vida espiritual eterna, não existem razões plausíveis para o ser humano rebelar-se contra qualquer sorte de provas que tenha a vivenciar. O exclusivo motivo para tal revolta fundamenta-se na inexperiência e na pouca evolução do ser. Nesse contexto, ter fé significa, com lógica linear, o indivíduo ser resignado, estar conformado com a situação que há por enfrentar, esgotadas as chances de modificá-la.

Ninguém imporá resignação, ter fé e ser resignado são posturas advindas de sentimentos que brotam do imo da alma e espelham o maior ou menor preparo da pessoa. Comporta gradações esse sentir. Quanto mais desenvolvido o ser, maiores sua fé e resignação, logo maior evolução, conferindo mais confiança em Deus, acarreta maior felicidade, trata-se de uma linha coerente e natural. Para desenvolver a fé e cultivar a resignação, torna-se-lhe preciso amanhar um binômio: EXPERIÊNCIA E REFORMA ÍNTIMA.

Experimentando diversas reencarnações, diferentes situações variadas provas e incontáveis expiações, ao longo dos séculos, ganha o Espírito maturidade, o que lhe fortalece, gradativa e continuamente, a fé. Além disso, para elevar sua possibilidade de sucesso, é necessário empreender a mudança interior. Modificando o seu íntimo, renovando suas esperanças, instrumentalizando seu amor com propriedade, está apto a confiar mais na Justiça Divina, ganha com isso, o círculo consolida-se: experiência-fé-resignação-evolução.

Evoluindo, ganha experiência, com esta fortalece sua fé, resigna-se, após, evolui ainda mais. O inimigo da fé é a desconfiança, o da resignação é a revolta, más posturas como essas fomentam o egoísmo e dão azo ao orgulho. Fé: alicerce fundamental para o encarnado sentir-se e ser feliz. Sofrer inconformação (livre-arbítrio) nada mais é do que não ter fé suficiente, nem resignação inteligente. A dor (determinismo) educa, e eleva, sentí-la, faz crescer, pois ensina, ninguém pode progredir sem conhecimento e este implica experiência, teoria isolada não induz o homem à luta.

O sofrimento da alma é sinal de sua resistência à dor vivenciada. Superá-la provoca elevação; quem ultrapassa uma prova dolorida, mas resignado, engrandece o seu âmago, evolui. Instrumento eficiente para introduzir o seu âmago no cenário da fé é a oração, elevando a Deus o pensamento envolve-se bem o encarnado; protege-se do mal; evita problemas. Quem desconfia, sofre; sofre porque não confia; é o mal daqueles que adiantam, por sua conta, a suposta desventura do amanhã. Antes mesmo de enfrentar um obstáculo, sofrem por sua mera pretensa existência.

Alimento da descrença é a ansiedade exagerada pelas linhas do futuro; viver compassada e metodicamente dia após outro é a jornada racional e natural do ser humano. Inexiste o sofrer por sofrer na trilha cristã; quando se está irresignado mergulha-se no universo complexo do sofrimento. Não busque a dor propositadamente porque estareis depondo contra os desígnios divinos. Investe contra si mesmo e entrega-se, de regra, ao desânimo e ao abandono.

Não se lembrar de agradecer a Deus o pouco que tem - entendido esse pouco no contexto materialista de vida majoritária do planeta - é confeito predileto para o coração irresignado daquele que ainda dorme o sono da ignorância. Se não há céu, também inexiste inferno. O subterrâneo da maldade que prospera no íntimo de cada um é o seu próprio martírio.

Não havendo condenações eternas, tem o Espírito tantas chances quantas necessárias para o seu progresso ser atingido. É o processo da reencarnação que lhe enseja elevar a fé e cultivar a resignação, pois incontestavelmente justo. Cultores do egoísmo e do orgulho são os mais atingidos pelas agruras do sofrimento. Merecem mudar; precisam fazê-lo; sustentem-se na REFORMA ÍNTIMA.

Cairbar Schutel