QUANDO O ESPIRITISMO FALA

APRESENTAÇÃO

A doutrina espírita, com seus princípios básicos, não é apenas uma sugestão para que filosofemos, permanecendo à distância da realidade.

Ela nos oferece a possibilidade de exame dos mais variados temas da vida social, visando a aplicação prática do que revela.

Sem nos colocar a cabeça "nas nuvens", mantendo-se os pés na realidade, esclarecendo sem nada impor, permite que enfoquemos atividades e costumes, para chegarmos a conclusões práticas e lógicas, que nos iluminam o entendimento e direcionam o comportamento.

E o que este livro pretende demonstrar, abordando estes temas: o que é santidade, a obra literária espírita, Como se dá o progresso humano, a evolução do pensamento religioso na humanidade, em que consiste realmente a felicidade, que representa o tempo para nós, espíritos encarnados, por que não à pena de morte e, ainda, como encarar a festa popular do carnaval.

Tudo sem maior pretensão que a de trocar idéias com você que nos lê, buscando, juntos, compreender para viver.

Agradeço sua companhia e convido: Vamos à leitura?

A RESPEITO DE SANTIDADE

QUE É UM SANTO?

Santo é alguém que vive de acordo com a lei divina. E' uma pessoa que tem virtudes, fé e poderes espirituais.

Figura familiar a todas as religiões do mundo, o santo existe entre os budistas, que veneram seus arahants, bo-dhisattvas, e entre os tibetanos, que veneram os lamas.

Reverenciam os hindus uma espantosa coleção de divindades encarnadas e humanas divinizadas, em que Incluem os gurus, seus mestres espirituais.

Os muçulmanos têm seus awiliya Allah, os amigos intimos de Deus, e os veneráveis mestres sufis.

No judaísmo, entre os israelitas, a veneração de seres humanos, vivos ou mortos, não é encorajada, mas tinham seus santos, os que cuidavam das coisas sagradas, os assuntos da fé. Na devoção popular israelita encontramos figuras como Abraão, Moisés, mártires variados e, ainda hoje, rabinos desencarnados e outros tsaddikim (Justos). Com este sentido, talvez, é que encontramos menções a santos nos relatos evangélicos, em que Jesus é chamado de santo e João Batista também. E no livro de Atos e nas epístolas do Evangelho com frequência se fala em santos, que devem ser ouvidos, acatados, atendidos, e ajudados em suas necessidades. Deviam ser aqueles que, como os apóstolos, se entregavam ao trabalho da prática e da difusão da fé cristã.

Serem ajudados em suas necessidades não quer dizer que vivessem à custa de outros, pois, como todo israelita, cada discípulo de Jesus tinha sua profissão, vários dos apóstolos eram pescadores e Paulo era tecelão. A ajuda era no que fosse necessário para a execução de seus abnegados labores na seara.

Todas as religiões têm seus santos, mas no Brasil, se falamos em santos pensamos logo nos da Igreja Católica Apostólica Romana, pela grande influência e predominância dessa Igreja em toda a América Latina e, portanto, também em nosso país. Chega a nos parecer que, santos, só o são aqueles que estão nos altares católicos, em quem os católicos acreditam e aos quais veneram, para quem rezam, fazem pedidos, guardam suas relíquias como tesouros, e põem seus nomes nos filhos e em templos.

Há outras Igrejas, além da católica, ligadas ao Cristianismo, que também têm devoção a santos, como a ortodoxa russa, em que veneram, sobretudo, os primeiros padres e mártires da própria Igreja. Raramente acrescentam novos santos e são, geralmente, monges ou bispos.

No campo da Reforma, os protestantes ou evangélicos cultivam a latria, a adoração devida a Deus e a Cristo, que têm por Deus. Pelos santos têm a doutina, a veneração, e repulsam a "idolatria" de pessoas, por isso o culto dos santos desapareceu na maioria de suas igrejas, mas respeitam e reverenciam os profetas no Velho Testamento e os apóstolos no Novo Testamento. Anglicanos e luteranos ainda mantêm dias santos de guarda e um calendário de santos.

Para um singelo estudo do tema, retiramos muitos informes de alguns livros, que o leitor interessado poderá querer conhecer mais a fundo: A Fábrica de Santos, de Kenneth L. Woodward, Editora Siciliano; Mediunidade dos Santos, de Clóvis Tavares, Editora IDE; e Antônio de Pádua - Sua Vida de Milagres e Prodígios, de Almerindo M. de Castro, FEB.

"A FÁBRICA DE SANTOS"

Nesse livro ficamos conhecendo que só a Igreja Católica tem um processo formal, contínuo e racionalizado de "fazer" santos. Bem, ela não faz os santos, pois somente Deus cria as pessoas e suas qualidades potenciais, mas o povo os reconhece, reverencia, e a Igreja os canoniza, lhes inclui o nome no cânone, na lista de santos.

No Vaticano, a Congregação para a Causa dos Santos é o órgão responsável para avaliar o "candidato a santo". Não é o santo que se candidata, seus devotos é que sugerem seu nome, mas essa congregação estuda a hagiografia, a biografia do santo, os escritos sobre ele, promove Inquéritos de testemunhas, reúne documentos a respeito e toma outras providências necessárias à análise do caso.

Tudo isso é feito após a morte da pessoa, quando, no dizer do apóstolo Paulo, ela já "completou a carreira". Tanto que a comemoração de um santo não é no aniversário de seu nascimento, mas no dia de sua morte, considerado o seu nascimento espiritual.

Manda a tradição só iniciar uma causa de canonização cinco anos depois da morte da pessoa, para evitar algum falso entusiasmo, interesses de grupos ou pressão da mídia.

A indicação de santidade deve surgir espontaneamente entre os fiéis da igreja local e continuar, durante décadas, a motivar suas preces e outras demonstrações de devoção.

Se a congregação opinar favoravelmente, caberá ao papa a decisão final de aprovar ou não a indicação feita.

REQUISITOS PARA A SANTIDADE

Quem será que pode ser santo? Será a santidade uma predestinação? Privilégio de uns poucos "escolhidos"?

Deus é equânime, não cria seres privilegiados, todos temos, basicamente, potencial para a santidade. Se viver esse potencial, qualquer um de nós poderá se tornar um santo.

Mas, para ser um santo católico, terá de se tornar o que eles acham que seja um verdadeiro imitador de Cristo.

COMO SE IDENTIFICAVA UM SANTO POR VOLTA DO SÉCULO V?

Por sua reputação entre o povo, por acharem as pessoas de uma cidade ou local: "ele é um santo" ou "ela é uma santa".

Pelas histórias sobre eles, que faziam da vida deles um exemplo de virtudes heróicas, como as que Jesus teve, e que poderiam ir até ao martírio, o sacrifício perfeito, que implicava perfeição espiritual alcançada.

Quando as perseguições aos cristãos acabaram, passou a servir o "martírio branco", sem sangue, surgindo então os solitários, que "morriam para o mundo por causa do Cristo"; os ascetas, que viviam em práticas de devoção e penitência; os eremitas, que viviam no ermo por penitência; e os que se autoflagelavam, porque queriam sofrer como Jesus, por causa da fé.

Entendem as autoridades da congregação que a virtude e o martírio só valem se forem "por causa da fé". Por isso, no caso da adolescente Maria Goretti, que 0 Papa Pio XII, em 1947, declarou beata e, em 1950, santa, não foi por haver ela defendido até a morte sua virgindade, isso não seria morrer pela fé, mas porque morreu pela virtude cristã da castidade, tornando-se poderoso símbolo de pureza sexual.

Por sua fama de taumaturgo, de que faz milagres, os atuais seriam "sinal de favor divino", sinais que podem ter sido feitos em vida, mas principalmente, depois da morte, pois um santo tem de continuar a intermediar a favor das pessoas, se não, para que cultuá-los? Pedir o que, se nada mais ele pudesse fazer?

Mas se não estão mais neste mundo, como lhes pedir algo? Existem seus santuários, suas relíquias, como corpo, ossos, roupas, pertences, instrumentos de sua tortura, havendo preocupação quanto ao seu traslado, doação e colocação em igrejas, e gerando venda, falsificaçôes e disputas sobre elas.

Entretanto; entendemos nós que a sintonia espiritual não depende de nada material, o pensamento e o sentimento é que estabelecem a comunicação, portanto as relíquias seriam dispensáveis, permanecendo apenas como comprovação histórica ou afetiva.

Para ser declarado santo, nos tempos antigos, bastava que o morto como tal fosse lembrado, venerado e, acima de tudo, invocado.

QUANTOS SANTOS CATÓLICOS HÁ, ASSIM?

No culto já identificado por historiadores da Igreja, cerca de 10 mil!

Outros milhares de nomes de santos se perderam no tempo.

Entre os santos registrados, muitos têm existência duvidosa, como: São Cristóvão, designado como porta¬dor do Cristo, o que todo cristão é ou deve ser; São Jorge, que deixou de ser santo, pois se verificou ser uma lenda, já que teria matado um dragão e dragões não exis¬tem; e São Miguel Arcanjo, por não ser humano, mas um anjo e os anjos, acreditam, teriam sido criados à par¬te da humanidade.

De 1234 para cá, menos de 300 canonizações acon¬teceram. Por quê? O direito de canonizar ficou oficial¬mente reservado à autoridade papal, e as autoridades da Igreja vêm se esforçando por centralizar e controlar a proliferação de santos e de cultos de santos.

Pouco antes, em 1232, o Papa Gregório IX instituíra o Santo Ofício, a Inquisição, para perseguir os hereges.

As manifestações mediúnicas foram proibidas (com base no Velho Testamento; entretanto, no Novo Testamento não se fala nessa proibição) e começou a caça aos magos e bruxas, muitos deles eram apenas os médiuns de então.

Sem a mediunidade, começaram a faltar os milagres, os fenômenos para "sinal de favor divino", ficando só os que ocorressem dentro do âmbito da Igreja.

A quem santificar, então?

- missionários, bispos de excepcional zelo (sobretudo com relação aos pobres);

- apologistas, notáveis por sua defesa intelectual da fé católica ou seu ascetismo pessoal, como São Tomás de Aquino e Santa Teresa;

- fundadores de ordens religiosas;

- soberanos católicos fiéis à Igreja, que demonstrassem solicitude especial para com seus súditos, tal como São Luís, rei da França.

Como vemos, quase que só no sacerdócio católico, lauto que funcionários romanos da Santa Sé há anos Vêm dizendo: "o calendário de santos já está cheio de clérigos, a Igreja precisa é de mais santos leigos".

Continua, porém, a haver interesse e preocupação em identificar e reconhecer novos santos para apresentá-los aos fiéis, na esperança de que lhes sirvam de exemplo e modelo, porque a vida dos santos sempre foi importante meio de transmitir o sentido da fé cristã. O culto dos santos foi que estendeu os limites da cristandade e, mesmo depois da Reforma, continuou a mediar a fé e a moralidade nos países católicos.

QUE ACONTECE QUANDO O SANTO DEIXA DE SER UM IDEAL CULTURAL?

Sim, que acontece, quando a vida dos santos não é mais lembrada nem contada? E os milagres atribuídos à sua mediação já não merecem fé? Nem os modelos de santidade pelos quais os santos eram cultuados - como renunciar ao mundo, flagelar-se, ter vida contemplativa - já não motivam a maior parte dos fiéis?

Em 1988, o Papa João Paulo II canonizou 122 homens e mulheres e beatificou outros 22. Quantos católicos romanos conhecem o nome deles? Quantos se importam com isso, fora da Igreja?

Um teólogo católico dos EUA observa melancolicamente que os processos de canonização formais já não nos dão os santos de que precisamos.

TERÃO OS SANTOS DEIXADO DE EXISTIR?

Não temos mais pessoas de virtudes, fé e poderes espirituais que vivam de acordo com as leis divinas? Existem, sim, e estão no mundo, dentro do Catolicismo ou fora dele, e a vida delas pode, sempre, nos servir de exemplo e estímulo na estrada da santificação.

TRÊS GRANDES SANTOS CATÓLICOS

No mês de junho, três grandes santos são especialmente festejados.
Vamos recordá-los?

SANTO ANTÔNIO

Seu nome era Fernando Martim de Bulhões e nasceu em Lisboa, a 15 de agosto de 1195. Era de tendência religiosa. Assim é todo aquele que já desenvolveu em existências anteriores o sentimento e interesse pelas coisas espirituais.

Como, na época, em Portugal, a única religião possível era a católica, nela é que vai trabalhar.

Em 1211, contando 16 anos, entra para o convento dos frades agostinianos, mas certos males já perturbavam a Igreja, desvios de conduta e jogos de interesses, que não se coadunavam com o feitio moral de Fernando, importunavam-no e o impediam de estudar e concentrar-se.

Em 1212, transferiu-se para o retiro de Coimbra, onde estudou filosofia e teologia, e "adquiriu erudição mediúnica", pois, sendo médium, aprendia com os seus mentores espirituais.

Mas o viver dos monges estava longe de ser um modelo...

Em 1217, frades discípulos de Francisco de Assis Iigaram a Coimbra para pregar e, ali, a rainha portuguesa fundou para eles um retiro em Olivais, onde os frades produziram vários fenômenos, como os cristãos primitivos, ao utilizarem a mediunidade, e Fernando ficou muito impressionado.

Depois, esses frades com outros cerca de 5 mil foram pregar na África, onde acabaram mortos pela fé, pois a mensagem era prematura para aqueles povos.

Sentindo o impacto do martírio desses frades, em 1220, então com 25 anos, Fernando ordenou-se como frade no convento deles, tomando o nome de Antônio, que era o padroeiro daquele eremitério de Olivais, santo que viveu nos séculos III e IV, considerado instituidor da vida monástica, de mosteiros.

Pouco depois de se ordenar, frei Antônio foi para a África pregar o Evangelho mas, franzino, de constituição delicada, adoeceu gravemente e o embarcaram para a Espanha. Ventos fortes desviaram o rumo do navio, que foi ter à costa da Taormina, na Sicília (Itália) e Antônio foi convalescer em Messina.

Em Porciúncula, a primeira casa franciscana, perto de Assis, foi conclamado um Capítulo Geral. Antônio quis ir para conhecer Francisco de Assis. Lá, franzino, humilde, modesto, simples, passou despercebido.

Suas qualidades vieram a ser notadas em Forli, onde o prelado local insistiu com ele para que dissesse palavras evangelizadoras, ao que Antônio, modestamente, se recusava.

"Diz o que o Espírito Santo sugerir", argumentaram. Foi o rastilho para os bons espíritos influenciarem Antônio mediunicamente e ele começou falando do temor de Deus, mas pouco a pouco, subiu, remigiou pelas culminâncias da eloquência, demonstrou profundo conhecimento das Escrituras Sagradas, tocou pontos sutis da doutrina e da prática do Cristianismo e, em síntese admirável, disse coisas que os luminares ali presentes confessaram não terem ainda ouvido a ninguém.

Transformado em pregador eminente, produzia, também, fenômenos admiráveis que deixavam as pessoas estupefatas. Era médium de efeitos físicos, aplicava passes, fazia curas e materializações, desdobrava-se e se transfigurava, apresentava vidência, audição e profecia. Foram 53 os "milagres" que constaram no processo de sua canonização.

Desses fatos, o mais citado costuma ser um de desdobramento.

O pai de Antônio morava em Lisboa, e lá, certo moço de importante família foi assassinado; porque haviam escondido o corpo no quintal da casa dele, o pai de Antônio foi acusado de cúmplice e acabou condenado à morte por decapitação, junto com os assassinos Antônio estava pregando em Pádua, cidade da Itália. Por via mediúnica foi informado do que acontecia. Estava pregando, cessou de falar, seu corpo se imobilizou. Arrimado ao púlpito, parecia dormir, mas em fenômeno de desdobramento e bicorporeidade, apareceu em Lisboa, no adro da Sé, onde tivera sepultura o assassinado e aí deteve o cortejo da Justiça.

Chegou junto à cova do morto, materializou o espírito da vítima, fazendo-o narrar toda a verdade do crime, sem omitir uma peripécia.

Ante o espanto de todos, viram o defunto erguer-se da tumba e, finda a narrativa, cair "morto" outra vez. teria sido mesmo uma materialização? Ou o médium Antônio serviu ao desencarnado para a psicofonia e transfiguração?

Após o episódio, Antônio, em espírito, voltou a Pádua, reassumiu o controle de seu corpo físico e continuou a prédica interrompida, pedindo desculpa pelo demorado intervalo e contando como fora e conseguira salvar seu genitor. Quem duvidou veio a ter a confirmação do caso, quando chegaram de Portugal as informações pedidas. (Nessa cidade, havia uma rua denominada Rua do Milagre de Santo Antônio).

Por causa desse fato é que Santo Antônio é chamado "de Lisboa", enquanto outros o chamam "de Pádua".

Em 1231, frei Antônio desencarnou em Arcela, Itália com 36 anos incompletos, a 13 de junho, quando seu dia é comemorado.

Foi grande pregador, médium, conselheiro moral, exemplo de virtudes e de caridade.

Entretanto, como o relembram? Na distribuição do "Pão dos pobres" de Santo Antônio, ainda vá, mas como "santo casamenteiro", por quê? Teria conseguido abolir a lei pela qual a moça, para se casar, precisaria ter um dote, especialmente a moça pobre, se fosse casar com alguém rico.

SÃO JOÃO BATISTA

Foi o precursor do Cristo, surgindo antes dele, no cenário da Palestina, "preparando-lhe o caminho" nas almas, alertando e orientando as pessoas para a vinda iminente de Jesus.

Pregando às margens do Jordão, conclamava as pessoas ao arrependimento e a quem lhe atendia, mergulhava nas águas do rio, simbolizando que, pelo arrependimento, elas se "lavavam" dos erros cometidos.

Era homem enérgico, corajoso, austero, severo e de caráter rígido, tinha hábitos sóbrios, vestia-se com pele de camelo, cinto de couro ao redor da cintura e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.

Médium de vidência e de audição, via e ouvia coisas do plano espiritual. Por fenômeno de vidência e audição, identificou Jesus como o Messias e o anunciou a todos. Interpelou o rei Herodes e a rainha Herodiades, porque estavam vivendo em adultério.

Foi, então, decapitado, resgatando assim seu erro de encarnação anterior, quase 900 anos antes, quando fora o profeta Elias e procurara combater a idolatria do povo e levá-lo à adoração de um único Deus, mas usou de violência, mandando decapitar 400 sacerdotes de Baal.

Após sua decapitação no corpo, no mundo terreno, retomou no mundo espiritual sua elevada posição e, no episódio da transfiguração de Jesus, aparece em espírito, ao lado de Moisés, de novo como Elias, dialogando com o Mestre sobre os acontecimentos finais de sua missão na Terra.

E como é lembrado? Como uma cabeça degolada apresentada a Herodes num prato, ou como um menino de cabelos encaracolados segurando bandeirinha com uma cruz e tendo junto a si um cordeirinho, alusão a ter sido primo de Jesus, o Cordeiro de Deus.

Mas como era realmente o Batista? Que pensava ele? Como agia?

Que ensinou? "Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira. " Aos publicanos: "Não peçais mais do que o que vos está ordenado". Aos soldados: "A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo".

Disso ninguém lembra, nem medita a respeito, nem o segue.

SÃO PEDRO

Seu nome era Simão bar Jonas (filho de Jonas) e era pescador, em Cafarnaum, cidade da Galileia, à beira do lago de Genezaré.

Conheceu Jesus através de seu irmão André. Ao vê-lo, Jesus lhe deu o nome de pedra (rochedo), porque Si¬mão bar Jonas era médium e, entre os israelitas, pedras eram marco das manifestações espirituais; no Velho Tes¬tamento, vemos Jacó assinalar com uma pedra o local do sonho especial que tivera, de uma escada pela qual os anjos transitavam entre o Céu e a terra.

Simão bar Jonas, com suas várias mediunidades, iria proporcionar inúmeras manifestações espirituais, especialmente a de efeitos físicos, pois Jesus sempre o utilizava, junto com Tiago e João, quando era necessá¬rio o fornecimento de ectoplasma. Por ele ser médium, Jesus o cognominou de "pedra" e, assim, ele passou a ser mencionado: Simão, a Pedra, ou Simão Pedro, ou apenas Pedro.

Foi dos primeiros discípulos e, depois, um dos após¬tolos que Jesus enviou para em seu nome fazerem como ele: pregar, curar, intermediar os espíritos, afastando os maus, e socorrer aos pobres.

Era homem inculto e simples, como a maioria dos apóstolos, muito afeiçoado a Jesus e bastante impulsivo. Temia o sofrimento e a morte, razão por que, apesar de alertado previamente por Jesus, três vezes negou co¬nhecer o Mestre. Depois, arrependeu-se amargamente. Confortado por Jesus e edificado com o ressurgimento dele, nunca mais negou sua fé.

Quanto trabalhou como apóstolo naqueles primei¬ros tempos do Cristianismo! Que ensinava ele? Como exemplificou sua fé? Isso quase não é lembrado. Recor¬dam mais a sua negação.

E o transformaram em papa, por ter Jesus dito'Tu és pedra e sobre essa pedra edificarei a minha igreja". Mas não foi sobre a pessoa de Simão e sim sobre a manifestação mediúnica superior, de que ele se mostrara intermediá¬rio. Fora sobre o intercâmbio entre o Céu e a terra, que Jesus fundamentara o agrupamento de seus seguidores.

Também o chamam de "porteiro do Céu", porque |esus assegurou: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus e tudo (fue ligares na terra, será ligado nos céus", o que se aplica a todos nós, porque ter as chaves do reino, conhecer as leis espirituais, é dado a todos que tiverem interesse sincero por entender e a tanto se devotarem. Havendo enten¬dido as leis divinas, cabe-nos, pelo pensamento e pela vontade, nos ligarmos ou desligarmos de coisas, pessoas | situações, conforme for bom e útil espiritualmente.

Frei Antônio, João Batista e o Apóstolo Pedro foram santos.

Cultivaram virtudes, exemplificaram a fé, sacrificavam-se por amor a Deus e ao próximo e muito contribuiu para a edificação moral da humanidade.

OS SANTOS DE NOSSOS DIAS

Terão os santos deixado de existir? Não há mais pessoas de virtudes, fé e poderes espirituais, que vivam servindo a Deus, de acordo com as leis divinas?

Existem, sim, graças a Deus! Estão aí pelo mundo, os exemplos de virtudes, poderoso estímulo para o bem, sempre servindo a Deus e às criaturas, ocultos por vezes na modéstia e no viver simples de cada dia.

Entre os católicos, quem não sentirá na Irmã Dulce, da Bahia, ou em Madre Teresa, de Calcutá, verdadeiras santas? Não apresentaram fenômenos miraculosos para sinais? E o que foi a capacidade da Irmã Dulce de, sem saúde, ajudar a tantos doentes? E de Madre Teresa, sem nada ter, alimentar e vestir multidões, além de socorrer os pobres e os enfermos?

Na seara dos evangélicos, certamente também há pessoas de vida santificada, que deixam seus lares e vão levar às criaturas, seus irmãos em Cristo, a mensagem do Evangelho e sua ajuda fraterna. Assim fez Albert Schweitzer, que era médico, organista famoso, e como humanista, missionário, fundou um leprosário na África Equatorial Francesa e nele trabalhou longos anos, pelo que conquistou o Prémio Nobel da Paz de 1952.

Entre os espíritas, tivemos no passado admiráveis exemplos de vidas santificadas, como estas:

EURÍPEDES BARSANULFO, em Sacramento, Minas Ge¬rais, era médium receitista e curador, apresentava fenômenos de desdobramento e aparecimento a distância. Pregava com grande sabedoria e inspiração e sua pregação era ouvida a grandes distâncias, retransmitida por auxílios espirituais apenas. Realizou admirável obra assistencial e educacional, com o "Colégio "Allan Kardec", pioneiro na conjugação do ensino espírita ao ensino oficial.

BEZERRA DE MENEZES, médico, o pai dos pobres no Rio de Janeiro, vida digna como homem público e idealista unificador e orientador do trabalho dos espíritas.

CAIRBAR SCHUTEL, que desempenhou cargo equivalente a prefeito, em Matão, interior de São Paulo, e como espírita, idealista e amoroso, acudiu à pobreza, dinamizou a divulgação doutrinária, fundando um jornal e uma revista internacional de Espiritismo, além de seu pioneirismo em levar a doutrina ao rádio.

CHICO XAVIER, médium mineiro. Seu exemplo de desprendimento e trabalho, e os mais de 400 livros que psicografou tornaram-no famoso mundialmente, consagrado no coração do povo por seus testemunhos de amor ao próximo.

ELES, OS SANTOS! QUE PENSÁVAMOS DELES, ATÉ AGORA?

Que eram pessoas predestinadas.

Será a santidade uma predestinação? Privilégio de uns poucos "escolhidos"? Deus é equânime, não cria seres privilegiados, todo ser humano tem potencial para a santidade. Qualquer um que viver esse seu potencial poderá se tornar um santo.

Foram exemplos de completa perfeição.

Nem os apóstolos o eram. Basta lembrar Pedro nefando e Tomé duvidando. Eram humanos, com alguns defeitos, mas qualidades muitas, a tudo superando.

Estavam certos, em tudo e sempre.
Certamente, não. Paulo, por exemplo, pensava que Jesus voltaria imediatamente ao nosso mundo e dizia que, na igreja, a mulher não podia falar. Eram, cada qual, figura de seu tempo e da cultura de seu povo, adequados ao meio e época em que viveram.

Mas que vidas dignas e úteis! Que grandes e admiráveis exemplos!

Que fidelidade às ideias superiores esposadas e que empenho em partilhá-las com os seus irmãos em humanidade! Não deixaram a "luz sob o alqueire", mas a colocaram "no velador" de suas ações cristãs, onde todos as podiam observar.

Assim são, também, os santos de nossos dias, qualquer que seja a sua confissão religiosa. Imitam a Jesus nas virtudes cristãs.

"Heróicas virtudes"! A renúncia de si mesmo, o devotamento ao próximo, a maior perseverança no bem em qualquer situação, procurando sempre fazer o melhor ao seu alcance.

Passam por um batismo, um "mergulho" muito difícil.

Não de água, mas de fogo, que o Batista anunciou seria trazido por Jesus, e o Mestre confirmou, ao dizer: Eu vim para atear fogo à Terra e que mais quero se ele já está aceso? (Lc. 12:49)

Mergulhados na chama divina do ideal cristão, inflamados pelo entusiasmo do bem, os santos de nossos dias superam as próprias limitações e concretizam as obras de Deus, no mundo e nos corações humanos.

Despojados de ambições materiais, enfrentam corajosamente as "provas de fogo": renovar o próprio mundo íntimo, vencer todas as dificuldades externas (até mesmo incompreensão, oposição e zombaria) para realizar o bem.

E triunfam! Saem vitoriosos!

Conseguem viver no mundo sem ser do mundo, mantendo conduta moralizada e fraternidade para com todos.

Muitos já se santificaram assim, e hoje, no Além, estão em glória com o Pai.

Desfrutam posição importante, feliz e destacada, que legitimamente conquistaram por seus méritos, nos Constantes testemunhos de fé e de amor a Deus.

Querendo demonstrar-lhes gratidão e respeito, temos o costume de louvar seus nomes, tecer-lhes os maiores elogios, fazer biografias laudatorias, quem sabe com exageros e acréscimos indevidos. Acaso precisam disso? Ou se agradam de coisas assim? Talvez prefiram que lhes sigamos os exemplos e nos unamos a eles no fazer o bem à humanidade.

Sabendo quanto podem, por serem muito realizadores, os cumulamos de pedidos, os mais variados, em lavor próprio ou de nossos parentes, de amigos ou pessoas necessitadas. Eles certamente se interessam fraternalmente por seus irmãos ainda encarnados, e, no que puderem, estarão prontos a nos ajudar. Mas não podem nem devem fazer por nós o que a cada um compete fazer em sua própria vida, nem querem que os sigamos cegamente, ou que deles nos tornemos dependentes.

Como foram fiéis no cumprimento das leis divinas!

Por isso mesmo, suas tarefas e responsabilidades devem ter sido aumentadas, pois Jesus ensinou na parábola dos talentos: "Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei". Pensemos em ajudá-los, colaborando em suas obras.

Do Além, via mediúnica, mandam mensagens!

E logo pensamos: gostaria de receber uma mensagem especial para mim, de caráter pessoal, algo a ver com a minha vida particular...

Eles, porém, quando nos falam, insistem em nos relembrarem a mensagem do Evangelho. Que nos poderiam dizer de melhor, de mais necessário, oportuno e adequado? Foi essa mensagem que os libertou do erro e os elevou no caminho da evolução! Porque a entenderam e procuraram vivê-la.

Os santos de nossos dias!

Seguindo a Jesus, fizeram do corpo um templo para o Senhor e da vida um culto perene de fé e de amor.

O que nos dizem tem a autoridade do exemplo, o lastro valioso de suas próprias vidas.

Acatemos sua experiência, sigamos seus amigáveis e edificantes conselhos.

Eles, os santos que já se foram e os que por aqui estão, seguem a Jesus.

Sigamo-lo nós, também. Santifiquemo-nos, esforcemo-nos por bem proceder, amando a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Assim Jesus viveu e amou, assim eles viveram e amaram, assim, também, devemos nós, viver e amar.

..EM BUSCA DA FELICIDADE
..O LIVRO ESPÍRITA DESPERTA A ALMA
..O TEMPO E NÓS
..PARA ONDE VAI A HUMANIDADE
..PENA DE VIDA E NÃO PENA DE MORTE
..O PENSAMENTO RELIGIOSO NA HUMANIDADE
..ANALISANDO O CARNAVAL