12 - A FORÇA DA PROVA

12. A força da prova

Como pode ser equacionado o papel das provas e expiações ao longo do tempo e a sua atualidade no nosso momento transitivo?

Disse Jesus: Rogai ao Pai que eu vos possa levar comigo para onde vou. Na Casa do meu Pai há muitas moradas — e se assim não fosse eu não vo-lo teria dito.

Fitando os céus, em clamor à misericórdia das alturas, relembramo-nos do plano material em sua tão grande expansão.

No sentido único da expansão espiritual, eis que surge o amor como uma energia imaculada que permite criemos dentro de nós um templo.

Na Terra, fixados no sistema solar, criamos as religiões e aí nos colocamos sob o patamar da imortalidade, na certeza de que somos eternos perante o Criador, ao qual denominamos Deus. Aí vamos crescendo, compeendendo as leis morais, porque para isto Jesus nos concedeu este planeta, para que, sob o crivo da prova e da expiação, pudéssemos experimentar o chamativo dessa virtude que se chama amor e que para tantos ainda carrega o amargor do fel, assim esbatendo com tão grande força no coração daqueles que não entenderam a grandeza dessa energia e então se apartaram da luz. E, dessa forma, a alma vagarosamente vai experimentando a dor, vai sentindo que não vale a pena se inclinar ao sentimento do ódio ou da maldade, pois isto, verdadeiramente, faz soluçar os corações e derramar lágrimas de sangue.

Tentar compreender a grandeza da Divina Providência está acentuado na alma daquele que está habituado a enxergar um pouco mais além, a escutar as mansas palavras das criaturas sob a oração que se faz para afastar o tormento ou aliviar o sofrimento de um irmão que se encontra estirado no leito da dor.

A sensibilidade nos direciona ao experimento de certas situações para que entendamos a grandeza de que participamos de um vasto sistema de planetas, onde o planeta Terra permite a expansão das individualidades no plano da prova e da expiação. Nesse palco o homem se aprimora lentamente e vai aprendendo que a grandeza maior da vida está em oferecer a cada um a evolução moral.

Dentro das leis universais encontramos as leis de amor vigindo sob várias propriedades que alcançam os corações no sentido de sua própria libertação. Encontraremos na paciência um veículo certo para transitar na rota da esperança, para ser agraciado com a hóstia imaculada que vem do alto; a paciência de entender as enfermidades, aceitar que o sentido real da vida está além de uma filosofia que se tornou a lenda dos imortais, a energia que nos agracia com uma terna canção de amor e faz soluçar o coração. E, com a visão voltada às virtudes dos céus, encontramos a caridade como uma expansão ativa que atinge o universo de cada irmão, mostrando que o trabalho engrandece o homem e que se desejar ele se inclinar na rota da felicidade, há de entender que isto depende unicamente de si próprio. O homem há de olhar para a retaguarda e contemplar ali uma multidão de criaturas que, de uma forma ou de outra, esperam um auxílio dos que vão à frente, implorando o alimento ou requisitando o pão espiritual que lhes promova o equilíbrio do corpo e da alma.

Eis, pois, que em todo sentido encontramos a caridade como uma alavanca celestial que fornece ao homem a condição de se aprimorar moralmente e chegar a Deus.

A benevolência é outra virtude que também deve estar ao lado do homem, este jamais devendo fugir da visão de um pequenino necessitado do conforto material e espiritual.

Eis o valor grandioso da bondade, a expansão ativa do coração unindo no coração todas as sensibilidades que nos elevam até Deus, quer seja numa oração ou não desdobramento de socorro às criaturas necessitadas.

Encontramos, sobretudo, a verdade representada pela própria figura de Jesus aureolada no seio da simplicidade, sob a sublime expressão do amor e do perdão. Para entender a grandiosidade do perdão, basta lançar o olhar há dois mil anos, quando, cravejado numa cruz, o Senhor das Almas elevava uma prece aos céus, implorando: Pai, perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem.

Pouco pôde o homem entender das razões superiores do amor, agente primordial que visa elevar o homem à união universal.

Eis uma criatura abrigada sob o teto de uma religião, elevando as suas palavras até as criaturas sofredoras, pessoas que ali vão em busca de um amparo, de um auxílio que muitas vezes é negado. Aquele pastor de almas deita no seu leito confortável e não tem um pensamento de compaixão para com aqueles necessitados que o procuraram para que exercitasse a virtude do perdão. E neste sentido encontramos tantos irmãos que, no seu conforto, nada se importam com os pobres e enfermos caídos pelas vias do mundo, com aqueles que nem ao menos podem alimentar-se das migalhas de suas fartas mesas.

Neste mundo de provas e expiações encontramos tantas e tantas situações em que o espírito passa por tantas oportunidades que o levam a entender a grandeza do perdão, situações que o levam à frente daqueles que estão à espera de uma palavra amiga.

O espírito vem da simplicidade e da ignorância e acompanha a expansão da vida pelo mundo da diversidade de formas, aprimorando-se pela ação do instinto com a expansão da inteligência. Mil anos, um milhão de anos — fruto expansivo da eternidade... Nascemos para crescer, evoluir, alcançar a luz que chama a cada um de nós. Astros e astros faiscando no Universo, mostrando o poder do Criador, indicando à sensibilidade da alma que ela deve crescer sob as universais leis do amor!

GALILEU GALILEI