IV - ECTOPLASMIA

1 - ECTOPLASMA NA HISTÓRIA CIENTÍFICA

1 - ECTOPLASMA NA HISTÓRIA CIENTÍFICA

Desde muitos séculos existiam vagas referências a uma estranha emanação fluídica por parte de sensitivos, com a propriedade de até assustadoramente se manifestar de modo visível e tangível aos observadores.

A misteriosa grei dos alquimistas, ao longo dos milênios, já a teria descoberto, ou mesmo redescoberto de antíquíssimas tradições secretas, orais e escritas.

Célebre médico e alquimista Paracelso (1493-1541) referir-se-ia com o nome de Misterium Magnum a uma matéria estranha observada no homem.

No século XVII, o alquimista e filósofo inglês Thomas Vaughan (morreu em 1666) seria também um dos primeiros a se referirem ao ectoplasma, ao mencionar uma matéria-prima extraída do corpo humano vivente.

Também já houvera aludido a tal misteriosa matéria o cientista místico e médium sueco Emmanuel Swedenborg (1688-1772), autor de obras contendo descrições pormenorizadas do mundo espiritual, tal como permitiram seus constantes desdobramentos perispiríticos.

Ainda no XVIII século, temos um referencial mais significativo e seguro para fixação histórica do conhecimento do ectoplasma no país de Kardec.

O rei Luís XIV, o Grande, governou a França num de seus mais longos e gloriosos períodos, ou seja, de 1643 a 1715. O Palácio de Versalhes, que ele mandou construir em Paris, é até hoje um monumento de suntuosidade e requinte. Velhos escritos franceses falam de uma histórica sessão de bruxaria (na época ainda não se falava em mediunidade) que esse rei mandou realizar certa feita nesse palácio e de que ele também participou. Isto fora em 1709 e a presença marcante, ali, além do poderoso monarca, era a da marquesa Catherine de Lunis, a qual seria sem dúvida uma médium de efeitos físicos. Nessa sessão observou-se que uma estranhíssima matéria fluídica e cinzenta saiu da orelha esquerda da marquesa. Tal matéria, ante os olhos estupefactos de todos, teria evoluído para a forma nítida de um cavalo.

Ora, para a supersticiosa época, e também para Luís XIV, não seria isso senão uma manifestação diabólica. O rei, incontinenti, fez desaparecer dali a marquesa e até hoje dela nada mais se sabe...

Provável que fatos como esses tenham fartamente acontecido ao longo da história e, mal interpretados aqui, abafados ali, tenham escapado a um exame mais atento da ciência.

Com o advento do Espiritismo científico, a partir de meados do século XIX, é que tais fenômenos encontrariam maior campo de manifestação e de estudo, culminando, o início do século XX, com declarações como a do Prêmio Nobel de fisiologia Prof. Charles Richet que inaugurou este capítulo.

No estudo acurado de tal substância tão misteriosa fica Richet precedido ou acompanhado no tempo por outros grandes cientistas e por grandes médiuns.

Celebérrimas as materializações e fotos do espírito da hindu Katie King obtidas de 1871 a 1874 através da medium inglesa Florence Cook (1856-1904). Este foi ampo vasto de pesquisa ao cientista inglês William Crookes 1832-1910), famoso por, dentre outras coisas, ter descoberto o elemento químico tálio, o quarto estado da matéria (radiante), a lâmpada de raios catódicos que leva seu nome, e implementar estudos sobre a luz, a fotografia, astronomia, etc.

O fato de pertencer Crookes à prestigiosa Sociedade Real de Londres e de ter uma extensa folha de serviços da ciéncia muito contribuiu à fama e aceitação de tais fenômenos. Porém, quantos cientistas de seu estofo não estlveram também às voltas com outros grandes médiuns produzindo também grandes efeitos físicos?

As pesquisas e fotos de Crookes com as materializações de Katie King ainda correm mundo e, com o seu livro Fatos Espíritas, são sem dúvida o maior referencial científico-acadêmico sobre a autenticidade da ectoplasmia, senão os fenômenos espiríticos em geral. Permitiram que ele afirmasse categoricamente: "O espiritismo está cientificamente demonstrado".

A importância do advento de Katie King cresce por ter sido uma materialização de espírito manifestando-se por várias vezes e por tanto tempo, possibilitando ser perfeitamente tocada, vista, ouvida, fotografada, auscultada em seus batimentos cardíacos e pulsações, nos seus pulmões, de modo a poder Crookes até declarar certa ocasião que os pulmões de Katie mostravam-se mais sãos do que os da médium, que nessa ocasião sofria ainda as consequências de uma bronquite.

Quão extraordinário não é o poder do ectoplasma: trazer do Além um espírito e dar-lhe até o alento da vida!

Com tal grande mistério a deslumbrar o conhecimento, tantos outros cientistas do estofo de Crookes estiveram também às voltas com outros grandes médiuns a produzir também grandes efeitos físicos.

Na Inglaterra mesmo, outros expoentes surgiram.

O célebre naturalista Alfred Russel Wallace (1823-1913), descobridor com Darwin das leis do transformismo biológico e autor de "O Moderno Espiritualismo", pesquisou bastante os fenômenos espíritas e relata vários fatos de ectoplasmia em seu livro "Os Milagres do Espiritualismo Moderno".

Outro cientista inglês a quem o estudo do ectoplasma deve muito de empenho é Oliver Lodge, professor de física em várias universidades inglesas, autor de muitas obras em que discute e demonstra a realidade dessa matéria fluídica.

Também William John Crawford (1865-1920), professor de mecânica aplicada da Universidade de Belfast, muito contribuiu nessas pesquisas. Criou o conceito de alavanca psíquica tentando explicar o mecanismo das levitações e ectoplasmias.

Escreveu, sobre espiritismo experimental e as materializações, nada menos de seis obras, das quais a mais divulgada é "A Mecânica Psíquica", com farto documentário fotográfico sobre ectoplasmia obtido com a médium f\. Qoligher.

Também na França, motor mundial das luzes e ciências, vários nomes importantes despontaram nesses específicos estudos.

O Prêmio Nobel de Fisiologia Charles Richet, criador da metapsíquica, estudou cansativamente vários médiuns de efeitos físicos, constatando a veracidade das ectoplasmias, sobre o que largamente dissertou em sua obra capital, "Tratado de Metapsíquica", com clássicas fotos de materializações que ele próprio acompanhou. Sua fama e segurança experimental no trato dos assuntos psíquicos levaram a ectoplasmia às discussões acadêmicas Internacionais, assim como o tinham feito as experiências decisivas de Crookes.

Com Richet firmara-se mais o conceito de materialização ectoplásmica.

O conde Albert de Rochas também participou de estudos sobre ectoplasmia, falando disso em suas inúmeras obras sobre ciências experimentais espiritistas, devendo-se-lhe o conceito de exteriorização da sensibilidade.

O famosíssimo investigador dr. Eugène Osty secundou várias experimentações em torno do ectoplasma, devendo-se-Ihe provas científicas concretas com aparelhos da física, inclusive com a radiação infravermelha, que ele elaborara para detectar óticamente a emergência do ectoplasma mesmo em seus estados de invisibilidade humana. Escreveu as importantes obras "O Conhecimento do Supranormal"e "Os Poderes Desconhecidos do Espírito sobre a Matéria".

Também o naturalista Paul Gibier, autor de vários livros sobre pesquisas espiritistas, entre os quais "Psicologia Experimental", entrou na coorte dos cientistas franceses, tendo declarado peremptoriamente: "Podemos ter provas materiais da existência da aima".

O dr. Gustave Geley foi outro grande cientista parapsíquico, autor de doze livros sobre ciências psíquicas, dentre os quais, no nosso tema, "A Ectoplasmia e a Clarividência".

O cientista e escritor E. Dupouy, autor de uma dezena de livros, contribuiu para vulgarizar o espiritismo experimental, fundamentando com conclusões científico-filosóficas as materializações por ectoplasmia, assim como também o pesquisador orientalista Louis Jocolliot, com seus vários e famosos livros, preparou como que um substrato para avaliação histórico-geográfica dos fenômenos espíritas, fundamentando as experiências ectoplásmicas de Crookes.

O engenheiro Gabriel Delanne também transformou-se num preparadíssimo divulgador espiritista, escrevendo mais de uma dezena de obras importantíssimas, muitas falando do ectoplasma, e das quais citaremos "As Aparições Materializadas e Katie King - História de suas Aparições".

Também o célebre astrônomo Camille Flammarion (1842-1925), colaborador de Kardec na Codificação do espiritismo, dedicou-se ao estudo da materialização, vulgarizando os fenômenos em vários livros.

Na Alemanha, figura notória em torno do estudo do ectoplasma foi o famoso barão Scherenck-Notzing (1862-1929), autor de vários livros sobre o assunto, dentre os quais "Fenômenos de Materialização", "O Combate pelos Fenômenos de Materialização" e "Fenômenos Físicos da Mediunidade". Esse estudioso carreou enormíssima quantidade de cientistas de peso a tais estudos e à aceitação da tese espírita.

Merece ser citado também o famoso astrônomo alemão Johann Carl Friedrich Zòlnner (1834-1882), que dedicou-se a aprofundados estudos sobre os fenômenos parafísicos, escrevento o livro técnico Física Transcendental.

Devem-se-lhe também estudos valiosos em torno do conceito e prova da desmaterialização de objetos inanimados e de médiuns.

Dos italianos poderíamos também nos alongar em farta citação de grandes nomes de pesquisadores das materializações ectoplásmicas, como o criminalista Cesar Lombroso, o dr. Henrique Morselli, o dr. Henrique Imòda, sem nos esquecer do principal, o prof. Ernesto Bozzano, autor de cerca de quarenta obras espiritistas, das quais lembraremos, no nosso tema, "Materializações Minúsculas", importante documentário sobre tal tipo específico de ectoplasmia.

Da Rússia, citemos o mais conhecido, ou seja, o conselheiro Alexandre Aksakoff, cujas obras "Animismo e Espiritismo" e "Um Caso de Desmaterialização" muito contribuíram para a compreensão dos fenômenos ectoplásmicos.

E quanto aos médiuns mais famosos que se prestaram às experiências com ectoplasmia, citemos apenas alguns: Florence Cook, Eusápia Falladino, Linda Qàzzera, Elisabeth D'Espérance, Eva Carrière, Franck Decker, Frank Kluski, Helen Ducan, mme. Salmon, Elisabeth J. Compton, Eleonor Piper, Stephan Ossowiecki, Katleen Qoligher.

No Brasil citemos os conhecidos médiuns Peixotinho, Elvira Goulart, a paraense Ana Prado, com fenomenologia fartamente estudada, e o famoso Carmine Mirabelli, do qual o livro "Prodígios da Metapsíquica", de Eurico Goes, divulga tantos fenômenos.

Célebres ficaram em nosso país, por atingirem uma época de explosão comunicativa, as materializações de uma freira em Uberaba, MG, com a médium Otília Diogo e a participação de Francisco Cândido Xavier, bem assim as materializações ocorrendo há mais de meio século em São Paulo, com manifestações ectoplásmicas do Espírito padre Zabeu Kauffmann.

Dos pesquisadores e autores brasileiros que se preocuparam com a ectoplasmia, citemos o dr. nogueira de Faria, autor de "O Trabalho dos Mortos"; Ettore Bosio, autor de "O que eu vi"; e Rafael A. Ranieri, autor de "Materializações Luminosas".

Mais recentemente temos Carlos de Brito Imbassahy, autor de "As Aparições e os Fantasmas - Experiências Ectoplásmicas", e dr. Hernâni Guimarães Andrade, autor de vários livros científicos sobre espiritismo.

Também grande conhecedor do tema no Brasil é o escritor Jorge Rizzini, autor do livro "Materializações de Uberaba", importantíssimo documentário sobre os fenômenos de ectoplasmia que mais marcaram a história do espiritismo brasileiro e que mereceram inclusive um pequeno opúsculo de defesa por parte do filósofo espírita .J. Herculano Pires.

ISMAEL ALONSO