CAPÍTULO II

1 - Moisés

Não vamos tecer comentários sobre as Eras com seus detalhes, nem sobre os reinos mineral, vegetal e animal, bem como as primeiras reencarnações do Espírito na Terra.

Adiantando-nos no tempo e no espaço, vamos chegar a uma época, há mais ou menos 4.000 anos, aproximadamente, quando a humanidade já havia alcançado um determinado nível de desenvolvimento, e o mundo se preparava para sair do caos das civilízações primitivas. Nessa época, Moisés é escolhido para tornar o nome de Deus conhecido como único e Criador de todas as coisas.

Num campo de conhecimento maior, num grau de mediunidade mais elevada, recebeu no Monte Sinai a Tábua dos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Com isso, lança novos princípios, traçando linhas, diretrizes, para uma Nova Era.

Surge a Bíblia, o Velho Testamento que, embora não tenha sido escrito inteiramente por Moisés, foi ele o motivo central, insuflando novas idéias, afastando a crença dos vários deuses (Politeísmo), trazendo a idéia do Deus único (Monoteísmo) e tirando o povo judeu da escravidão do Egito.

Mas, além de revelar ao mundo a existência de um Deus único (Revelação que lhe foi transmitida pelo Plano Maior), Moísés implantou, por sua conta, a idéia do Deus vingativo, criador do céu, para os bons, e do inferno para os maus; do "olho por olho, dente por dente", e, através desta visão caótica de Deus, conseguiu dobrar e amortecer aqueles corações bárbaros e rudimentares, mantendo-os sob constante obediência.

2 - Dois Mil Anos Depois

Passam-se mais dois milênios, e vamos encontrar a Humanidade arraigada aos ensinamentos de Moisés, principalmente à sua lei complementar, cumprindo, fielmente, o "dente por dente e olho por olho". Nos Templos e nas Sinagogas, os rabis e os doutores da lei discutem as Leis de Deus e as de Moisés, de acordo com suas próprias concepções. O panorama do mundo ainda é contristador. A Humanidade continua com os mesmos hábitos de 20 séculos antes, quando Moisés decretou o fim do Politeísmo, e, embora Monoteísta, o povo continua o sacrifício de animais, em adoração, no Templo de Jerusalém. Escribas e fariseus, aferrados aos dogmas e aos fanatismos da Lei, vivem fielmente o sistema político-religioso da época que se assenta sobre o Sinédrio e o Templo.

Na verdade, o povo hebreu era, ainda, mais preocupado com a Terra de Canaã, prometida por Jeová a Abraão do que com as coisas do Espírito. Segundo o modo de pensar desses homens, a simples prática dos jejuns periódicos, os atos exteriores e a observância de vãs tradições já eram suficientes para os deixarem bem com Deus. Por isso, desprezavam, completamente, a parte Moral da Lei e deixavam de lado a prática de coisas mais importantes, que os levariam à Reforma Intima.

Enquanto isso, nas Esferas Espirituais Superiores, movimentam-se os Seres Angélicos, em Reunião Celeste, preparando o Advento Sublime do Cristo ao mundo. Ele vinha neste clima de contradições e fanatismos ensinar a Humanidade a "buscar primeiro o Reino de Deus e Sua Justiça ... " Entretanto, os judeus aguardavam o Messias como o povo predileto e, portanto, O esperavam não como Homem, mas com toda a Magnificência e detenção de Poderes que Sua Divina condição de Arquiteto do Universo LHE conferia, assumindo o trono de rei e comandando todas as nações. Como tal não ocorreu, não viram n'Ele o Messias esperado, o Filho de Deus, e fizeram o pior, escarnecendo-O e expulsando-O do mundo.

3 - Reuniões Celestes

Mais uma vez é Emmanuel, em "A Caminho da Luz", quem nos fala com detalhes sobre o advento maravilhoso do Cristo à Terra:

"Na direção de todos os fenômenos do nosso Sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.

Essa Comunidade de Seres Angélicos e Perfeitos, da qual Jesus é um dos Membros Divinos, já se reuniu nas proximidades da Terra para a solução de problemas decisivos da organização e direção Planeta, por duas vezes, no curso dos milênios conhecidos.

A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta e, a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal de seu Evangelho de Amor e Redenção.

Às vésperas da vinda de Jesus, as forças do invisível, porém, não descansaram. A lição do Salvador deveria agora resplandecer para os homens, e todas as providências são tomadas. Escolhem-se Instrutores, Precursores e Auxiliares Divinos. Espíritos que novamente vestiram o traje material, direcionando os trilhos abençoados das reencarnações, abriram e desbravaram o explendoroso e imortal caminho para a vinda do Senhor e Salvador da Humanidade".

A cobertura celeste, para que o Cristo pudesse encarnar entre os homens, é obra das mais emocionantes para todos nós, pois, em tudo, vemos a fraternidade e o amor no mais alto grau, unindo estas almas heróicas.

4 - Os Precursores

André Luiz, no livro "Mecanismos da Mediunidade" (cap. XXVI), nos conta:

"Para recepcionar Jesus, o Evangelho nos dá notícias de uma pequena congregação de médiuns, à feição de transformadores elétricos conjugados. Foram eles grandes acumuladores de energias, forças e ensinamentos, para que mais tarde pudessem canalizar os recursos necessários para um mundo melhor e uma Humanidade feliz e regenerada. Todos os medianeiros preparados, cada um em sua tarefa missionária, foram seguros, confiantes e corretos nas diretrizes, sendo alguns mencionados nos apontamentos da Boa Nova.

Zacarias e Isabel, os pais de João Batista (precursor de Jesus), ambos eram justos perante Deus, cumprindo, sem repreensão, todos os mandamentos e preceitos do Senhor. (Lucas, 1 :5)

Maria, a jovem pura de Nazaré, que acolheria o Embaixador Celeste nos braços maternais, achava-se em posição de louvor, diante de Deus. (Lucas, 1 :30)

José, da Galiléia, o varão que tomaria Jesus sob paternal tutela, era justo, honesto e trabalhador. (Mateus, 1: 19)

Simeão, o amigo abnegado, que aguardou o Messias em prece, era justo e obediente a Deus. (Lucas, 2:25)

Ana, a viúva que, por muito tempo, esperou em oração no templo de Jerusalém, vivia servindo a Deus. (Lucas, 2:37)

Nesse grupo de criaturas admiráveis, não apenas pelas percepções elevadas que as situavam em contato com Emissários Celestes, mas também pela conduta irrepreensível de que davam testemunhos surpreendentes, formou-se o Circuito de Forças que se ajustou às Ondas Mentais do Cristo, para expandir-se na renovação do mundo."

Maria T. Compri