CAPÍTULO VII

CONTINUAÇÃO DA BOA NOVA

1 - OS APÓSTOLOS

A Boa Nova, que teve seu início na Manjedoura, estendeu-se à casa de Simão Pedro e, em seguida, às praças públicas; estava agora sendo levada a outras cidades e povos do mundo.

Os Apóstolos, continuando a orientação do CULTO CRISTÃO NO LAR, se reuniam no subsolo das casas, nas catacumbas, enfim, sempre em lugares escondidos, pois era severamente proibida a prática do Ensino de Jesus.

Embora amedrontados, com a morte do Mestre, se reuniram no dia de Pentecostes, quando se deu a descida do Espírito Santo sobre eles. Depois disso, eles perderam o medo e saíram corajosos a pregar o Evangelho, colhendo as primeiras almas para a Igreja primitiva. (Atos dos Apóstolos, cap.2, vers. l a 12.)

Pentecostes era uma festa litúrgica, que durava sete semanas; para os judeus esta era a festa das primícias, isto é, das primeiras colheitas, quando eles doavam, também, as primeiras crias ao Templo. Mais tarde, passaram a comemorar os Dez Mandamentos das Leis de Deus, recebidos por Moisés no Monte Sinai. Neste dia, os Cristãos comemoravam a descida do Espírito Santo de Deus sobre os Apóstolos, e foi uma verdadeira festa de colheita espiritual.

Portanto, estes primeiros continuadores de Jesus mostraram grande valor no campo da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria, a qual faz crescer a responsabilidade moral, segundo o grau de conhecimento de cada um. Mas, apesar de seus firmes propósitos, começaram a sofrer as perseguições e a influência do judaísmo. Isto fez com que eles se dividissem e saíram a pregar a Boa Nova em cidades diferentes, levando, assim, o Evangelho de Jesus, para outros lugares. Somente João, o Evangelista, permaneceu junto de Maria, Mãe de Jesus, até a morte desta.

2 - A Missão de Paulo

Passam-se trinta e seis anos da vinda do Cristo, e o espírito enérgico e luminoso de Saulo de Tarso é chamado ao exercício do seu ministério. Nascido em Tarso, na Cilícia, centro dos intelectuais do Império e berço da Cultura Romana, Saulo era cidadão romano por nascimento. Doutor da lei, membro do Sinédrio e discípulo de Gamaliel. Religioso e defensor das leis judaicas, mas ferrenho perseguidor do Cristianismo.

"Numa viagem a Damasco, à caça de Cristãos, na entrada da cidade, em pleno sol escaldante do meio-dia. Saulo vê uma Luz Clara e Forte, tão convincente, que lhe ofuscou a visão material e, naquela atmosfera, já preparada para aquele raso escolhido, Jesus aparece com a Luminosidade de Espírito Crístico. Dirigindo-lhe a palavra vibrante e humilde, pergunta ao vaidoso moço tarsense:

- Saulo, Saulo, por que me persegues?

E Saulo cai de seu cavalo com o rosto entre as mãos.

Impossível lhe foi evitar aquela visão, pois enxergava agora com os olhos do espírito.

Num lance de segundo, num retrospecto de consciência e memória, articulou: - Quem és tu?

- Sou Jesus, a quem persegues!

- O que queres que eu faça? Perguntou ao Mestre, e Jesus com serenidade disse:

- Levanta-te e entra na cidade, lá será dito o que deverás fazer. ..

Não foi preciso longo sermão: Saulo levantou-se, não titubeou e, com a mesma garra com que defendia as leis judaicas, passou a defender, a partir de então, o Cristianismo, sofrendo dolorosa angústia e o mais completo abandono dos familiares, dos amigos e da sociedade em que vivia.

Maria T. Compri