7 - LXX - COLÔNIA DOS APÓSTOLOS

7 - LXX - COLÔNIA DOS APÓSTOLOS

Adentrando o plano do espírito, Paulo foi . abraçado por Estêvão, depois por Elcênio e todos aqueles que por ele haviam sido executados, sendo então conduzido por eles até a Colônia dos Apóstolos.

Ali logo lhes chegou a notícia de que também o Imperador de Roma havia partido, deixando agora uma abertura de liberdade a todos os cristãos, que não precisavam mais enfrentar o sacrifício, a ferocidade dos leões.

Estêvão disse a Paulo:

— Irmão, a bondade de Deus é soberana e justa. É necessário que erremos e caiamos, que enfrentemos situações adversas.

Disse Paulo, constrangido:

— Não sou digno de estar aqui convosco, meus irmãos!

— Todos nós erramos, senão nesta vida, certamente em outras vidas, e novas vidas virão, novas oportunidades nos serão concedidas para que retornemos à Terra e glorifiquemos o Cristo perante toda a humanidade, até a chegada da Terra Prometida.

De joelhos, Paulo rogou perdão à justiça divina por tudo o que havia feito de errado. Estêvão pediu que ele se reerguesse, afirmando que o propósito dele fora efetivado na Terra.

Elcênio também o abraçou e Paulo, o primeiro cristão apedrejado, lhe agradeceu por ter adotado o seu nome em sua homenagem.

Ali chegou Pedro, mostrando a todos o trabalho que, em nome do Cristo, fora realizado na Terra e dizendo:

— Enfrentamos inúmeras dificuldades, mas a bandeira da paz foi erguida! Uma nova nação despontará na Terra, bem mais justa. É a nação cristã que o Mestre implantou na Terra!

Paulo de Tarso disse:

— Será essa então a Terra Prometida a todos os povos? Não será a própria nação dos irmãos judeus, que, segundo as profecias, predominaria em todo o mundo?

— O mundo é como o velho mundo e um mundo novo sempre virá e sempre novidades advirão. Muitos se alegrarão e muitos chorarão. Será tal como foi no princípio e será pela eternidade. O homem, em seus propósitos de seguir uma crença, segue um determinado Deus e uma certa glória o lança sobre o fogo do sofrimento, até que ele possa entender a razão e a alegria de viver. Jesus desceu à Terra para modificá-la, implantando um amor diferenciado dos demais, mostrando um Deus soberano e justo, capaz de perdoar a todos nós, por mais terríveis tenham sido as nossas falhas. Assim testificou Jesus sobre a Terra ao se colocar em meio às prostitutas, aos ladrões e mendigos, exaltando a grandeza de um Evangelho a ressurgir às vezes à sombra da ignorância daqueles que não poderiam compreender a excelsitude do amor que descia dos Céus para recair sobre todos e provar que todos são iguais perante o Altíssimo.

A Paulo foram mostrados ali os vários patamares de processamento da lei da reencarnação. Paulo entendia que os espíritos, reencarnando, submetiam-se a certas provas e expiações de que haveriam de prestar contas a Deus e ao tribunal da própria consciência, uma vez tendo fugido às vezes das leis de amor e perdão. Paulo se dava conta, mais fortemente, das gravíssimas falhas que havia cometido no transcorrer da sua existência terrena e, vendo-o assim constrangido, Pedro, falando por todos, o confortava:

— Tais foram também os frutos que amargamos, irmão! Tivemos a oportunidade de acertar com o Altíssimo aquilo que fizemos de errado. Outros tiveram a oportunidade de exercitar o amor na Terra, mas, defendendo os meus falhos princípios, contrariei todas as leis e a ignorância foi o crivo certeiro que me levara a me dependurar numa cruz para que eu pagasse os débitos que contraíra anteriormente com os meus irmãos. Os que deixaram que derramassem o seu sangue em defesa de uma grande causa também acertaram as suas dívidas perante a perfeita justiça que vige por sobre todos nós. Foi o que bem nos mostrou Jesus. João Batista também mostrava, através do arrependimento, as forças errôneas em que cada um se sucumbira. Se no passado João Batista cometeu também as suas falhas, fazendo com que os sacerdotes fossem decepados, para provar a existência de um Deus Único, também ele se submeteu à lei. Jesus bem exemplificou para todos nós esses fatores, dizendo que a espada há de permanecer na bainha, porque se ela servir para golpear alguém, tal golpe retornará ao próprio golpeador. Assim, mostrou-nos Jesus que João Batista, quando tolhido nos calabouços do rei Herodes, clamando por justiça, haveria de perder ali a própria cabeça. Ora, estes irmãos que aqui estão e que perderam na Terra a sua vida por apedrejamento, no passado também fizeram com que isto acontecesse com outros irmãos. Tu também, Paulo, serás agraciado pela bondade da justiça divina: retornarás à Terra e lá provarás do mesmo cálice que ofereceste aos teus irmãos. É a lei que atinge a cada um de nós! Mas para isto, nobre irmão, terás suficiente tempo de refletir, trabalhar na alta divulgação do cristianismo, para que este seja espargido por toda parte da Terra.

Eis então que, cumprindo-se a terceira geração desde a descida de Jesus à Terra, uma igreja romana disseminava promissoramente a Boa Nova. Mesmo ainda perseguidos pelos fatores e setores religiosos do povo judeu e de outros povos, os cristãos formavam os seus agrupamentos e tinham em Roma um grande foco aglutinador e disseminador da nova doutrina do amor.

Aquela colônia se deslocou para Roma, todos orando para que aquele Império se tornasse o novo berço do cristianismo. Uma grande energia era despendida para que ele se tornasse a maior religião do planeta, àquela época, tal um farol a iluminar todos os quadrantes. A colônia era um alto potencial a espargir luzes para todos os pontos da Terra, mostrando o surgir de um novo tempo e um novo mundo para uma nova humanidade.

A passagem de Jesus na Terra dividiu o tempo, fixando-se tal um novo e expressivo marco para a evolução do planeta.

O cristianismo cresceu, reformulando a moralidade dos homens, sempre alavancado por aquela colónia e aqueles espíritos diretamente irmanados ao Cristo, até que se transferissem à América do Sul, estabelecendo um equilíbrio em todos os fatores.

Maria, a Excelsa Mãe, deixava brilhar o seu amor em toda a Europa. Mãe de todo o planeta, tomava sobre si a responsabilidade da evangelização de todos os povos, fazendo com que a Boa Nova de Jesus se tornasse tal uma seiva sagrada, uma bênção de evolução moral a todas as nações, promovendo uma grande transformação, uma salutar renovação nas almas. Encantada com as maravilhas do Brasil, a Mãe da Terra teve olhos de afeição para com tal terra e tal povo e continua trabalhando, aqui e em todo o planeta, para a consecução da sua esplendorosa missão.

Os seguidores diretos de Jesus foram reencarnando na Terra, aprimorando-se e esparzindo o cristianismo, de uma forma ou e outra, comprovando a lei de que ninguém chega até Deus se não renascer e renascer.

Na Colônia dos Apóstolos, eis que, em certo momento, numa reunião daqueles tantos irmãos, Paulo de Tarso disse:

— Palmilhei a Terra e nunca tive a chance de ver o rosto de Jesus!

Naquele instante Jesus surgiu à frente de todos, dizendo:

— Sois os pontos luminosos da Terra! Estou constantemente sobre vós!

Jesus os saudou, deixando todos nimbados pelo seu amor. E eles continuaram no seu abençoado mister de esparzir o amor e a luz por todo o planeta.

JOÃO BERBEL