CAPÍTULO 12 - OS SEGUIDORES
DE JESUS

C A P í T U L O 12 - OS SEGUIDORES DE JESUS

Mestre, discípulo e apóstolo

Mestre é aquele que pode ensinar a outros, porque reconhecidamente tem maior sabedoria ou capacidade de ação.

Discípulo é quem aprende com um mestre. Não apenas como um aluno (que ouve e entende), mas que procura agir de acordo com sua "escola", reproduzir sua técnica, estilo, pensamento ou vivência.

Apóstolo (do grego: enviado) é todo aquele que propaga uma idéia ou doutrina.

Através de seus discípulos e apóstolos é que um mestre que realiza, pois somente assim a idéia ou ação, de que ele é expoente, consegue se expandir, concretizar e perpetuar na humanidade.

Jesus, seus discípulos e apóstolos

O Mestre: Jesus não era sacerdote israelita (pois não vinha da tribo de Levi nem da família de Aarão); nem pertencem a à seita dos fariseus, dos quais surgiam aqueles que o povo considerava doutores da lei. Mas seu grande saber e capacidade no campo das coisas espirituais fez com que muitos reconhecessem nele um instrutor espiritual e o chamassem de rabi (Jo 1:38 e 20:16).

Observação:

As escolas judaicas tinham três graus de distinção honrosa para os instrutores espirituais: rab (mestre), grau menor; rabbi (meu mestre), grau médio; e rabboni (meu senhor, meu mestre), que era o mais elevado de todos.

Os discípulos: com seus feitos e ensinos, Jesus atraiu multidões. Nem todos que acorriam a vê-lo e ouvi-lo, porém, eram seus discípulos. Alguns apenas estavam curiosos. Outros, só desejavam benefícios. Havia quem se limitasse como mero ouvinte (podiam até simpatizar com sua doutrina, mas não se comprometiam com ela).

Houve discípulos que a princípio aderiram, mas depois não souberam perseverar, pela dificuldade em aceitar inteiramente sua mensagem (Jo 6:66-69).

Mas também existiram discípulos verdadeiros e bem numerosos, tanto que as tradições citam "os quinhentos da Galiléia".

No Sermão do Monte, Jesus deu a todos os discípulos uma preparação teórica de como deveriam entender, sentir e agir. Aos discípulos verdadeiros, que o seguiam no labor da seara, Jesus, em convivência mais próxima e demorada, podia dar ensinos e fazer demonstrações práticas, que o povo em geral ainda não tinha condições de entender e aceitar.

Foi através dos discípulos verdadeiros que Jesus semeou na humanidade sua divina mensagem de verdade e de amor.

Os apóstolos: quando o serviço junto ao povo se ampliou, Jesus escolheu doze dentre os seus discípulos para serem seus apóstolos (enviados) junto ao povo. A tarefa deles era: pregar por toda a parte o Evangelho, curando enfermos e afastando Espíritos perturbadores, como Jesus fazia.

Serviam como testemunhas de Jesus, porque haviam presenciado os fenómenos que ele produzira e tinham ouvido dele mesmo os ensinos (Lc 1:2 e 24-48; Atos 1:8).

O fato de serem doze parece ser uma representação das doze tribos de Israel (Mt 19:28).

Apesar de escolhidos para o apostolado, basicamente eram discípulos também e, por isso, às vezes são assim chamados no Evangelho.

As mulheres que o seguiam: na comunidade judaica, as mulheres não tinham voz ativa nem representação maior. Mas é inegável que exerciam um papel social importante na sustentação da vida familiar e na formação moral das crianças.

Jesus sempre tratou a mulher com respeito humano, aceitando-lhe a cooperação nos seus labores missionários. Os evangelistas assinalam essa presença feminina auxiliar junto a Jesus, desde o início do seu ministério na Galiléia. Elas proporcionavam a Jesus e seus discípulos: hospedagem, alimentação, vestuário, e o que mais lhes fosse necessário e estivesse ao alcance delas.

Entre essas mulheres estavam: Maria Madalena, Maria (mãe de Tiago Menor e de José), Salomé (mulher de Zebedeu), Joana (mulher de Cusa, procurador de Herodes), Suzana e muitas outras (Mt 27:55-56, Mc 15:40-41, Lc 8:2-3, Jo 19:25).

Os primeiros discípulos de Jesus

Os primeiros discípulos de Jesus saíram dentre os discípulos de João Batista. Depois, Jesus mesmo atraiu outros seguidores. E os discípulos, por sua vez, chamavam outros para conhecerem e seguirem a Jesus.

Os Evangelhos citam nominalmente os primeiros discípulos (que, aliás, depois foram nomeados apóstolos) e dão detalhes sobre como foram chamados.

Vejamos, a seguir.

André e João (Jo 1:35-40)

Quando foi ter com o Batista às margens do Jordão (na Judéia), Jesus ainda não tinha discípulos, pois não fora anunciado como o Messias, não começara a pregar nem realizara nenhum feito especial.

No dia seguinte àquele em que havia identificado Jesus como o Messias, João Batista estava com dois de seus discípulos e, vendo Jesus passar, testemunhou de novo:

"— Eis o Cordeiro de Deus.

Ouvindo-o dizer isso, os dois discípulos seguiram a Jesus."

Natural o fizessem, já que seu próprio mestre o indicava como o Messias e dele já dissera anteriormente: "é maior do que eu".

"André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar e que seguiram a Jesus."

E o outro? Acredita-se fosse João (o evangelista), porque:

— somente ele dos evangelistas narra o acontecimento (teria sido testemunha ocular, por isso podia narrar);

— não costuma mencionar seu próprio nome nas narrativas que faz.

"Voltando-se Jesus e vendo-os a seguido, perguntou-lhes:

— Que buscais? [Que desejam? Que querem de mim?]

— Rabi, onde moras? [Queriam acompanhá-lo, estar perto.]

— Vinde e vereis. [Jesus aceitava a companhia deles.] Foram, pois, e viram onde morava e ficaram aquele dia com ele"

Simão Pedro (Jo 1:41-42)

Deve ter sido no dia seguinte que André encontrou seu irmão Simão, a quem disse: "Achamos o Messias." E o levou a Jesus.

Olhando para o apresentado, Jesus falou:

"Tu és Simão, o filho de Jonas: tu serás chamado Cefas."

Observação:

Cefas, em aramaico, significa pedra e é um substantivo masculino. Ao traduzirem para o grego, como não tinham o masculino de pedra, criaram um neologismo: Petros. Daí veio para o latim: Petrus; e para o português: Pedro.

Por que Jesus diz que Simão passaria a ser chamado "pedra"?

Os israelitas costumavam assinalar com pedras os locais Onde se haviam dado manifestações espirituais. Elas eram marco de presença espiritual.

Pedro iria se revelar excelente médium, servindo muitas vezes como marco de grandes manifestações espirituais.

A partir de então, no agrupamento cristão, Simão bar Jonas (filho de Jonas) passou a ser chamado Simão Pedro (a pedra) ou, simplesmente, Cefas (a Pedra), Pedro.

Tiago

Pode ter sido o quarto discípulo a ser chamado, pois era irmão de João.

A propósito, convém saber que esses quatro discípulos eram da Galiléia, pescadores de profissão e sócios na pescaria.

André e Simão eram filhos de Jonas; Tiago e João, filhos de Zebedeu, trabalhavam com o pai e tinham empregados.

Os quatro sócios tinham dois barcos (provavelmente um de cada família).

Filipe e Natanael (ou Bartolomeu?) (Jo 1:43-50)

"No dia seguinte" aos acontecimentos já narrados, Jesus "resolveu ir à Galiléia" (os quatro discípulos deveriam estar com ele) "e encontrou a Filipe" e lhe disse: "segue-me".

Filipe era de Betsaida, cidade de André e Pedro.

Foi ele que, por sua vez, encontrou Natanael e lhe declarou:

"— Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e os profetas falaram, Jesus, o Nazareno, filho de José.

— De Nazaré pode vir coisa boa?" perguntou Natanael. (Porque Nazaré era uma aldeola sem maiores recursos ou destaque e ficava na Galiléia, que era habitada por muitos gentios; por isso, os israelitas achavam que dela não poderia surgir profeta, ou seja, um porta-voz da espiritualidade superior.)

"— Vem e vê", respondeu Filipe.

Quando Jesus viu Natanael se aproximando, afirmou sobre ele:

"— Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo [má-fé, engano].

— Donde me conheces?" perguntou Natanael.

"— Antes de Filipe chamar-te, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira." Que teria ocorrido debaixo da figueira? O evangelista não registra mas devia ser algo particular e especial, porque a menção do fato foi significativa para Natanael, que exclamou:

"— Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel!

— Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois verás coisas maiores que estas."

De fato, muitos fenômenos como esse e outros mais admiráveis, os discípulos, estando com Jesus, ainda iriam presenciar.

Observação:

O nome Natanael não mais aparece no Novo Testamento, a não ser em Jo 21:2. Por isso, os comentaristas o identificam como Bartolomeu (filho deTolmai) que, nas relações dos apóstolos, é sempre citado ao lado de Filipe.

Mateus (Mt 9:9, Mc 2:13-14, Lc 5:27)

Chamava-se Levi e era filho de Alfeu.

Ele mesmo, porém, em seu Evangelho, se denomina Mateus (Mt 10:3) e é assim relacionado por Lucas, em Atos dos Apóstolos (1:13).

Era um publicano (coletor de impostos) em Cafarnaum; profissão mal vista pelos israelitas, porque traduzia colaboração com os dominadores romanos na opressão ao "povo eleito".

Foi chamado pelo próprio Jesus, certo tempo depois dos já citados, num encontro que é narrado assim:

"Passando diante da coletoria e vendo Levi, Jesus o chamou: — Segue-me.

E ele, levantando-se de pronto, o seguiu."

Por que os chamados atendiam de pronto?

Estudando algumas passagens, percebemos que os discípulos, ao serem chamados por Jesus:

- às vezes já o conheciam de ocasião anterior e nele já confiavam;

- outros haviam recebido sobre ele referências abonadoras e fidedignas. Percebemos, também, que Jesus costumava dar primeiramente uma demonstração de seu saber ou ação espiritual p.ua, então, convidar a pessoa a segui-lo.

No caso de Natanael, Jesus dera uma demonstração de clarividência (visão a distância) e lhe anunciou: "Coisas maiores verás".

Nessa mesma oportunidade, disse aos discípulos (que ainda eram apenas seis):

"Em verdade vos digo, que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." (Comparar com a escada de Jacó)

E, de fato, seguindo a Jesus, eles iriam poder observar o mundo invisível em ação e as manifestações espirituais sobre seu Mestre.

O primeiro grande sinal oferecido por Jesus aos discípulos recém-adquiridos ocorreu logo no dia seguinte, em Caná da Galiléia, numa festa de casamento: Jesus transformou água em vinho (Jo 2:1-11) o que fez os discípulos acreditarem mais nele e foi o início dos muitos fenômenos que assinalariam sua vida missionária.

Lucas (5:1-11) diz que aos quatro primeiros discípulos Jesus dera também um grande sinal, numa pesca milagrosa, depois da qual os convidou:

"Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens."

E eles, imediatamente, deixando tudo, o seguiram.

Mateus (4:18) e Marcos (1:16-20) também dizem que esse convite de Jesus foi feito àqueles discípulos, quando estavam à beira do lago, "lançando as redes" ou "lavando-as", "consertando-as".

Mas não dizem que houve uma pesca milagrosa.

Haveria contradição entre o relato desses três evangelistas e o feito por João?

Talvez João tenha narrado um primeiro contato de Jesus com esses discípulos; e Mateus, Marcos e Lucas tenham contado como, depois, Jesus os chamou para uma atividade maior junto a ele (o apostolado).

O que é preciso para ser discípulo de Jesus?

Quem o quisesse poderia se tornar um discípulo de Jesus. Bastava, em princípio, preencher voluntariamente certas condições.

A primeira delas seria, certamente, a de estar disposto a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Vejamos outras condições, que ficam evidentes na passagem em que Jesus dialoga com três candidatos a discípulo (Lc lb57-62):

"— Seguir-te-ei para onde quer que fores [disse alguém a Jesus].

— As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. [= Não espere que, por me seguir, venha a ter vantagem ou recompensa material.]

— Segue-me [disse Jesus a outro].

— Permite-me ir primeiro sepultar meu pai.

— Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos [insistiu Jesus]." Se o pai já desencarnara, não precisaria mais de assistência material do filho. "Sepultar" talvez quisesse dizer "cuidar do pai idoso até que ele viesse a morrer", mas se já atraído para as tarefas espirituais, o candidato precisava seguir logo a Jesus, que apenas passava por ali e não poderia deter a marcha para esperar por ele. Outros, ainda não despertados para as coisas espirituais - "mortos"- poderiam cuidar dos despojos.

"— Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa [falou um outro a Jesus].

Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olhe para trás, apto para o reino de Deus [foi a resposta de Jesus]." E' preciso estar muito decidido intimamente, para não desistir nem voltar atrás, no propósito de servir ao bem.

Em outra oportunidade, Jesus esclareceu:

"Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai e mãe, e mulher e filhos, e irmãos, irmãs, e ainda à sua própria vida, não pode ser meu discípulo." (Lc 14:26). Kardec examina bem este assunto em
O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XXIII: Não é abandonar os deveres familiares mas, sim, não dar uma importância maior à família consanguínea que à família universal; nem colocar a si mesmo como mais importante do que o ideal cristão.

Foi ainda mais completo e incisivo, ao dizer:

"Se alguém quer vir após mim [não há imposição, a adesão é voluntária], a si mesmo se negue [renuncie a aspirações e interesses pessoais], tome sobre si a sua cruz [aceite e cumpra seus encargos e deveres] e siga-me [só então estará em condições]."

Aos que acreditavam nele, Jesus alertava:

"Se permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (Jo 8:31-32) Deviam atender perseverantemente a sua orientação; só assim iriam evoluindo e poderiam distinguir o certo do errado, para, com esse conhecimento, se libertarem do erro e de suas consequências más.

Antes de retomar ao mundo espiritual (na ceia pascoal), deu-lhes um novo mandamento: "Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei."

E acrescentou:

"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (Jo 13:34-35)

O Cristão, portanto, é reconhecido como seguidor do Cristo não pela religião que professa, por vestes ou títulos, conhecimentos ou aparências, nem por fenômenos que produza.

O que identifica o cristão é o amor com que age para com seus semelhantes, o bem que realiza por amor ao próximo.

Os doze apóstolos

(Mt 9:35-38,10:1-4, Mc 3:13-19 e Lc 6:12-16)

Vendo as multidões aflitas e desorientadas espiritualmente, Jesus se compadeceu muito e comentou com os discípulos: "A seara é grande e poucos os trabalhadores." E recomendou que orassem a Deus para enviar mais trabalhadores para a sua seara.

Demonstrando, porém, que não devemos só pedir e, sim, também fazer o que estiver ao nosso alcance, tomou ele mesmo então uma providência, escolhendo doze dos discípulos para serem seus apóstolos.

Ia repartir com eles o serviço de atender ao povo. Ei-los, em ordem alfabética: André (filho de Jonas), Bartolomeu (Natanael?), Filipe, João (filho de Zebedeu), Judas (Iscariote), Mateus (Levi, filho de Alfeu), Simão Pedro (filho de Jonas), Simão (zelote ou cananeu), Tadeu (Judas), Tiago (filho de Zebedeu; chamado Maior por ter nos relatos evangélicos maior importância), Tiago (filho de Alfeu; chamado Menor para se distinguir do outro) e Tomé (Dídimo = gêmeo).

Observações:

- Matias substituiu Judas Iscariote, que se suicidara (Atos,1 :21 -26) e assim foi mantida a representação das doze tribos e as equipes de dois em dois;

- Paulo não aparece nesta relação, porque somente foi chamado após a crucificação e ressurreição de Jesus. O Mestre lhe apareceu em Espírito, na estrada de Damasco e o chamou, como "vaso escolhido", para levar a mensagem aos estrangeiros. Daí a denominação: "Apóstolo dos Gentios" (= enviado aos estrangeiros).

Não se pense que eram os apóstolos criaturas santas e perfeitas.

Tinham, sem dúvida, boas qualidades (até mesmo mediúnicas), amor ao Mestre e boa vontade para servir. Mas, na maioria, eram galileus, homens do povo, simples e rústicos. E, como toda criatura humana, apresentavam fraquezas e defeitos.

Exemplos: Tomé duvidando, Judas apegado ao dinheiro, Filipe querendo que Jesus lhe mostrasse Deus em pessoa, Pedro querendo defender Jesus com a espada, mas não tendo a coragem de acompanhá-lo no sacrifício.

Para que fizessem a tarefa de pregar o Evangelho, curar enfermos, afastar Espíritos perturbadores, foi preciso que Jesus os habilitasse, passando-lhes conhecimento espiritual e desenvolvendo-os mediunicamente. Foi assim que lhes deu a "autoridade" ou "poder" de que fala o Evangelho.

Embora pudessem ser enviados em pregação a outras cidades, a maior parte do tempo, ao longo de três anos, estiveram com Jesus, acompanhando-o aonde fosse, o que constituía um verdadeiro aprendizado (teórico, prático e de exemplo moral), que os preparou para melhor executarem sua missão apostolar junto ao povo.

Receberam de Jesus:

- orientação quanto ao comportamento moral, fé, oração, união entre o grupo e fraternidade para com todos;

- instrução a respeito de todos os fenômenos que o viam realizar;

- revelação de muitas verdades espirituais, ainda ocultas para a maioria.

Por vezes, Jesus teve de admoestá-los ou esclarecê-los:

- "Quem não é contra vós, é por vós" (Lc 9:49-50);

- "Se alguém quer ser o primeiro entre vós, seja o último e o servidor de todos" (Mc 9:33-35);

- "Não sabeis de que espírito sois" (a Tiago e João que sugeriam destruir pelo fogo uma aldeia de samaritanos que não recebera Jesus - Lc 9:51-56);

- "Deixai vir a mim as criancinhas" (Mt 19:13-15); "Acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus" (Mt 16:6).

Quando enviados por Jesus em missão apostolar:

Iam de 2 em 2, formando uma unidade mínima de serviço, uma equipe, que permitia mais eficiência e segurança no seu trabalho e problemas de viagem; seguiam instruções específicas dadas pelo Mestre: não levarem consigo muitos recursos materiais (para evitar sobrecarga desnecessária e não atrair os mal-intencionados), não se dirigirem aos estrangeiros (gentios) nem entrarem em cidades dos samaritanos (israelitas mesclados com outros povos e costumes) porque eram ambos ambientes espirituais difíceis; procurarem se hospedar com pessoas dignas; não guardar ressentimento dos que não os acolhessem ou não quisessem ouvir. Alertou quanto às dificuldades que encontrariam, mas estimulou com o amparo e proteção espiritual que tem e alentou com as recompensas espirituais que alcançariam (Mt 10:5-42, Mc 6:7-13, Lc 9:1-6).

Após a morte de Jesus

Como qualquer israelita, os discípulos e apóstolos esperavam um Messias que salvaria o seu povo, libertando-o do jugo romano.

Achavam que Jesus era esse Messias. Mas pensavam que ele viesse a ser rei e que tomaria o poder material.

Quando Jesus se deixou aprisionar, ficaram atônitos e fugiram, com medo do que lhes pudesse acontecer também. Com a crucificação e morte de Jesus, acabaram de perder as esperanças e se entristeceram muito.

Mas Jesus ressurgiu (reapareceu) em glória espiritual e consolidou neles a fé na imortalidade e na justiça divina (Atos 2), esclarecendo-os, ainda, quanto ao trabalho real, que deveria prosseguir.

No dia de Pentecostes (Atos 2:1-21), houve a liberação declarada do exercício mediúnico e ficou demonstrada a grande assistência espiritual com que eles iriam contar para o seu apostolado.

Então, começaram, com coragem, dedicação e total desprendimento, o labor para o qual Jesus os havia escolhido e preparado: dar continuidade à divulgação e exemplificação da Boa Nova, arrebanhando e encaminhando criaturas para o reino de Deus.

Foram "testemunhas" fiéis, atestando a excelência dos ensinos, feitos e conduta de Jesus, como o Mestre desejara que viessem a ser.

Como eram denominados?

Entre si, discípulos e apóstolos tratavam-se por irmãos.

Mais tarde, outras pessoas, ao se referirem a eles, diziam: os homens do caminho".

Seria porque viajavam? Então = viajores, peregrinos?

Ou porque seguiam Jesus, que era "o caminho" para o reino dos céus?

O nome cristão, para designar o seguidor do Cristo, surgiu a Antióquia, pelo ano 43 d.C, e foi posto pelos inimigos que davam a essa palavra uma conotação pejorativa, de desprezo. E citado em Atos (26:28 - rei Agripa a Paulo) e na Primeira Carta de Pedro (4:16), quando conforta os fiéis que sofriam perseguições. Glorificada pelos seguidores do Cristo, com seus exemplos, essa denominação lentamente foi pastado a ter um sentido positivo e hoje é conhecida e respeitada universalmente.

"A missão religiosa está sempre adstrita a duas naturezas de obreiros: Profetas e Apóstolos; é assim que ela se manifesta, se difunde, se completa", diz Cairbar Schutel ("Os Apóstolos", 2a Parte de Parábolas e Ensinos de Jesus).

E foi sem dúvida graças ao labor dos discípulos de Jesus, como médiuns ou apóstolos, que o Evangelho persistiu na Terra e se expandiu pelo mundo todo, chegando também a nos beneficiar, nos dias de hoje.

Os cristãos na atualidade

Cada um de nós é convidado por Jesus a ser seu discípulo (quem sabe, até um apóstolo), para que o Cristianismo Venha a se instalar o mais depressa possível em toda a Terra.

Estejamos atentos, pois o convite para isso nos está chegando:

-Através do próprio anseio íntimo pelo bem;

- nas intuições, inspirações e sugestões que nos dão os bons Espíritos;

- através dos encarnados que nos orientam, aconselham, advertem e estimulam às boas obras;

- pelos livros, mensagens, filmes etc. de conteúdo edificante;

- por outras situações e acontecimentos da vida. Aos cristãos de ontem como aos de hoje, Jesus afirma: "Vós sois o sal da Terra e a luz do mundo!" (Mt 5:13-16)

Quer dizer, os cristãos têm grande importância e valor para a comunidade terrena.

Como o sal (que preserva da corrupção e dá sabor especial aos alimentos), o cristão com sua conduta evangelizada preserva o meio em que vive da degeneração moral e dá clima de espiritualidade e idealismo à vida social.

Como a luz (que sendo a do sol, vitaliza e higieniza a tudo e a todos, e que sendo de qualquer outro tipo, ao menos permite perceber e distinguir bem todas as coisas), o cristão, com seu conhecimento e ação espiritualizada fortalece as almas, limpa as mentes, e a tudo esclarece, distinguindo o certo do errado.

Jesus pede aos cristãos:

- que não se tornem "insípidos" (não percam seu valor moral);

- nem ocultem seu conhecimento espiritual "sob o alqueire" (sob a medida dos interesses materiais).

Conclama o Cristo:

"Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus." (Mt 5:14-16)

Atendamos ao nosso Divino Mestre!

Therezinha OLiveira