CAPÍTULO 15 - AS VIAGENS
DE JESUS

CAPÍTULO 15 - AS VIAGENS DE JESUS

Nos mais ou menos três anos de seu ministério, Jesus (narram os evangelistas) fez cerca de 50 viagens. Umas muito curtas. Outras, de muitas léguas, com a duração de semanas e até meses.

Nuns poucos casos, sua rota foi bem indicada. Em outros, não ficou bem claro o caminho que seguiu ou por quais vilas e cidades passou. Também há cidades e lugares mencionados pelo nome cuja situação, hoje, não pode ser mais determinada, infelizmente.

N° 1 do mapa "A" (ver pág. 189)

A primeira das viagens de Jesus foi quando saiu de Nazaré da Galiléia (onde morava) e foi ter com João Batista (às margens do rio Jordão), para ser por ele batizado e reconhecido como o Messias.

Provavelmente, tomou uma das rotas do vale Jordão, passou a vau (lugar pouco fundo do rio ou mar e onde se pode transitar a pé) perto de Adamá e continuou pela bem trafegada estrada que o acompanhava pela margem leste.

Encontrou-se com João em Betânia de Além-Jordão (diz o Evangelho) ou Betabara (cita escritor cristão, dois séculos depois). Deve ter sido um local perto de uma das principais vias de tráfego, para garantir a João um bom auditório para a sua pregação.

Nº 2 do mapa "A"

Depois do batismo, Jesus percorreu toda a extensão do Jordão para o sul e entrou no árido deserto da Judéia, imediatamente a oeste do mar Salgado. Aí teria passado os 40 dias e experimentado a tentação.

N° 3 do mapa "A"

Deixando o deserto, Jesus iniciou a primeira parte do seu ministério. Voltou a Betabara, onde admitiu os primeiros discípulos (que tinham ido lá para ouvir o Batista): os irmãos André e Simão Pedro, João (embora não mencionado nominalmente), Tiago (provavelmente, pois era irmão mais velho de João), Filipe e Bartolomeu.

Nº 4 do mapa "A"

Voltando à Galiléia, Jesus assistiu a uma festa de casamento em Caná (pequena aldeia a duas horas de marcha ao norte de Nazaré), com sua mãe e alguns discípulos, realizando ali seu primeiro fenômeno (transformação da água em vinho).

Nº 5 do mapa "A"

De Caná Jesus foi com os discípulos para Cafarnaum e começou a pregar e a curar. Cafarnaum ia ser a sede da primeira parte do seu ministério. Ficava na curva noroeste do mar da Galiléia.

Centro comercial e industrial e porto de pesca, era a metrópole da região. Seus restos foram descobertos em Tell Hum (a pouco mais de 3km do lugar onde o Jordão se lança no lago). Dela se originaram muitas das viagens registradas e provavelmente outras não descritas.

Nº 6 do mapa "A"

A primeira dessas viagens se deu logo a seguir; saindo de Cafarnaum foi para Jerusalém, a fim de comparecer à Páscoa (ano 27?), descendo o lado leste do Jordão e subindo a longa escalada de 30km desde Jericó.

Chegando a Jerusalém, teria purificado o Templo, expulsando os vendilhões, segundo o evangelista João (2:13-16). Os demais evangelistas, porém, colocam esse acontecimento ao final do ministério de Jesus. Alguns estudiosos aceitam testemunhas as citações, considerando como duas as purificações, tida qual numa oportunidade diferente.

Ainda em Jerusalém, recebeu a visita de Nicodemos, principal dos judeus, e lhe falou de reencarnação ou "nascer de novo" (Jo 3:1-15).

Nº 7 do mapa "A"

Vem, a seguir, a viagem através dos campos da Judéia. Deve ter sido bem extensa, pois não se fala muito a respeito de Deus durante o resto do ano. Os lugares visitados são (atualmente) completamente desconhecidos para nós.

Contudo, aproximou-se do Jordão com os discípulos, os quais ali batizavam, o que enciumou os discípulos do Batista (lo U2-30).

Depois, atravessou com seus discípulos a terra dos samaritanos (que os judeus geralmente evitavam); aí ocorre o encontro com a mulher samaritana, à beira do poço de Jacó e os arredores da aldeia de Sicar (perto da antiga Siquém).

Foi à samaritana que Jesus, pela primeira vez, se revelou como o Messias. (Jo 4:5-26)

Nº 8 do mapa "A"

Chegando à Galiléia, Jesus entrou em Caná e realizou um novo "milagre": a cura do filho de um régulo (oficial do rei), feita a distância porque o moço enfermo estava em Cafarnaum e não em Caná. (Jo 4:46-54)

Nº 9 do mapa "A"

Chegando a Nazaré (cidade de sua infância e mocidade) seus conterrâneos se admiraram da sua pregação ("Que sabedoria é esta que lhe foi dada?"), mas não acreditaram nos feitos que haviam ouvido dizer que ele fizera em outras cidades da Galiléia ("e como se fazem tais maravilhas por suas mãos?"). Por causa da incredulidade deles, Jesus não pôde realizar ali muitos fenômenos. (Mt 13:54-58, Mc 6:1-6)

Então, deixou a aldeia, tomou o caminho que seguia pelos flancos da montanha "Cornos de Hattin" em direção à cidade de Tiberíades, nas margens do lago. A cidade fora construída por Herodes Antipas e denominada assim em homenagem ao César reinante. Jesus a evitou cuidadosamente, pois era intensamente gentia de população e espírito. Jesus dizia "Não fui enviado senão às ovelhas da casa de Israel" e seus esforços se dirigiam aos centros de vida judia, não se interessando pelas regiões helenísticas (cultura grega) de população ou modo de pensar.

Nº 1 do mapa "B"

Dobrando para o Norte, tomou a direção de Cafarnaum, visitando brevemente algumas cidades do leste da Galileia. Multidões se reuniam para ouvi-lo e muitos seguiam atrás dele. Foi nesse tempo que curou um leproso e um paralítico e também admitiu mais um discípulo: Mateus (Levi), um cobrador de impostos. (Mt 9:1-9)

Nº 2 do mapa"B"

Era primavera, quando Jesus e seus seguidores partiram para o sul, a caminho de Jerusalém, a fim de celebrarem a Páscoa. Nos arredores da cidade, junto ao tanque de Betesda, curou um paralítico (Jo 5:1-15).

Nº 3 do mapa"B"

Voltando a Cafarnaum, Jesus constatou que os muitos que o seguiam antes eram agora uma multidão. Para ter alguns dias de tranquilidade, retirou-se da confusão da metrópole para a solidão das colinas. Levou consigo apenas pequeno grupo de discípulos e, nessa ocasião, nomeou doze apóstolos.

A multidão que o procurava (de Cafarnaum e mais os da Judéia, da costa do mar, de Tiro e Sidon) o encontrou nas encostas da montanha (Cornos de Hattin?) e Jesus ali proferiu, então, o Sermão do Monte (Mt 5-7).

Nº 4 do mapa"B"

Depois, Jesus viajou com os discípulos pelo sul da Galiléia, pregando e curando enfermos. Poucos detalhes chegaram até nós; entre eles, a renovação moral de Maria Madalena e a ressurreição do filho da viúva, às portas de Naim (pequena cidade, 8km ao sudeste de Nazaré).

Nº 5 do mapa"B"

Navegou Jesus, então, através do lago para o país dos gergesenos (ou gerasenos, ou gadarenos), Gergesa. Aí Jesus expulsou de um obsidiado os maus Espíritos, que se dirigiram a uma vara de porcos (e estes se lançaram ao mar). Retornou a Cafarnaum atravessando de novo o lago (Mt 5:1-20). Jesus devia estar com cerca de 32 anos.

Nº 6 do mapa"B"

Viajou outra vez para Nazaré, onde de novo pregou na sinagoga, apresentando-se agora como o Messias, o que indignou seus conterrâneos, que quiseram matá-lo. "Mas Jesus, fossando pelo meio deles, retirou-se." (Lc 4:16-30)

Observação:

Alguns acham que foi uma só a visita de Jesus a Nazaré, englobando estes e os acontecimentos anteriores (citados no nº 9 do Mapa "A").

Jesus soube, então, da desencarnação de João Batista, que Heródes Ântipas havia aprisionado e mandara degolar (Mt 14:1-13). E deu instruções aos doze apóstolos e os enviou a pregarem o Evangelho.

Nº 7 do mapa"B"

Quando voltaram, conduziu-os Jesus à solidão duma região deserta a nordeste do mar da Galiléia, perto de Betsaida de Júlia. Mas as multidões o seguiram e, então, realizou a multiplicação de pães e peixes (Mt 14:13-21).

A primeira multiplicação é narrada adiante (Mt 15:32-39), mas talvez sejam uma só, narrada de modo diferente.

Nº 1 do mapa "C" (ver pág. 196)

Retomando a Cafarnaum, onde pregou novamente, Jesus vai começar a última parte do seu ministério. Faz uma excursão à região rural da Fenícia, perto das cidades de Tiro e Sidon onde, comovido pela fé de uma mulher siro-fenícia, cura-lhe a filha endemoninhada (Mt 15:21-28).

Nº 2 do mapa"C"

Dali, viajou através das colinas e campos da Galiléia e atravessou o Jordão logo abaixo do grande lago, a fim de entrar na Decápole (região dominada por cidades helênicas). O povo dessa região, sabendo de sua presença ali, acorreu de todas as partes, levando coxos, cegos, doentes, mudos e aleijados. Sem se negar, Jesus realizou muitas curas e pregava a vinda do reino.

A jornada terminou com a travessia (leste a oeste) da parte norte do lago e um desembarque em Dalmanuta (talvez Magdala ou Magadã?). (Mc 8:10)

Nº 3 e 4 do mapa "C"

Navegando de Dalmanuta até Betsaida de Júlia, Jesus e os apóstolos seguiram para o norte, visitando certas comunida¬des judias perto de Cesaréia de Filipe. Assim denominada em honra do imperador Tibério, esta cidade foi ampliada e embelezada pelo tetrarca Filipe, e era idólatra. Ali, Pedro reconheceu Jesus como "O Cristo, o Filho do Deus Vivo" e Jesus predisse sua morte e ressurreição (Mt 16:13-21). Também ali teria ocorrido a transfiguração, no monte Hermom; outros acham que foi distante dessa região, no monte Tabor (perto de Naim e Nazaré). Em seguida, Jesus retornou a Cafarnaum.

Nº 5 do mapa"C"

Era o último ano de Jesus na Terra. O outono ia avançado quando ele deixou a Galiléia pela última vez e se dirigiu para sul, a caminho de Jerusalém, com a intenção de assistir à festa dos Tabernáculos (que começava no dia quinze de outubro e durava de sete a oito dias).

Nº 6 do mapa"C"

Passou, de novo, pela terra dos samaritanos. Não foi bem recebido porque era, evidentemente, um peregrino judeu a caminho do Templo. Essa rejeição não indispôs Jesus contra eles; mesmo depois disso, contou ainda a parábola do bom samaritano. Nessa região curou dez leprosos.

Nº 7 do mapa "C"

Jesus passou cerca de dois meses em Jerusalém ou nos arredores, indo à cidade para pregar. Grande parte do tempo, ficava na casa de Lázaro, em Betânia (localizada na estrada que, saindo da cidade, fazia uma curva, subindo o monte das Oliveiras, depois descia abruptamente para Jericó).

Pelo fim do ano, Jesus desceu essa estrada para o vale do Jordão, a fim de levar seu ministério à Peréia (região a leste do rio).

Nº 8 do mapa"C"

Estava ali quando recebeu a mensagem urgente de Marta e Maria de que o irmão delas estava doente. Jesus ainda se demorou três dias por lá, depois foi a Betânia e "ressuscitou" Lázaro (considerado morto havia três dias).

O admirável fenômeno atraiu mais a atenção e a fé do povo em torno de Jesus. Mas aumentou, também, nos principais sacerdotes e nos fariseus o desejo de prender e matar Jesus; alegavam que ele desencaminhava o povo e, arregimentando multidões, poderia desagradar aos romanos dominadores, provocando a perda da nação (Jo 11:47-54).

Nº 9 do mapa"C"

Avisado das intenções dos seus adversários, Jesus retirou-se para Efraim, uma aldeia ao norte de Jerusalém e a oeste do Jordão, onde ficou.

Dali foi para a Peréia, mas por um caminho diferente do da primeira visita e deve ter atravessado o rio a boa distância da foz. Já de retorno, passou por Jericó, onde curou um cego e ocorreu a conversão de Zaqueu, um publicano. (Lc 19:1-10)

Nos últimos dias de março, porém, firme em sua fé e propósitos, apesar da perseguição que lhe faziam, Jesus avisa aos discípulos quanto ao que lhe irá acontecer no retorno a Jerusalém mas toma, resoluto, o caminho de volta para lá, numa longa subida que conduzia do vale do Jordão a Betânia.

Chegou a Betânia seis dias antes da sua última Páscoa.

Ali lhe ofereceram uma ceia, na qual Lázaro estava presente e onde Maria ungiu Jesus. (Jo 12:1-11)

Foi de Betânia (situada no monte das Oliveiras) que Jesus saiu para sua entrada triunfal em Jerusalém.

E fez, depois, ainda durante os seis dias, breves viagens de ida e volta a Jerusalém, indo ensinar no Templo.

Embora curtas, essas viagens eram cheias de perigo, pela perseguição que faziam a Jesus. E foi no retorno de uma delas para Betânia que Jesus foi preso (quinta-feira, à noite) pela quarda do Templo, no olival de Getsêmani, onde tinha ido orar.

Estavam concluídas, na Terra, as viagens de Jesus.

Se as medirmos por quilômetros e pelos nossos cômputos atuais, não foram muito grandes as distâncias percorridas.

Mas que outras viagens, em toda a história, influenciaram turno e a tantos, ao longo dos tempos?

Que outras viagens, desde que o mundo começou, tiveram maior significação?

Bibliografia:

De Nelson B. Keyes

História Ilustrada do Mundo Bíblico

Therezinha Oliveira