CAPÍTULO 17 - A PREGAÇÃO
DE JESUS

CAPITULO 17 - A PREGAÇÃO DE JESUS

Não vos disse Jesus tudo o que concerne às virtudes da caridade e do amor? Por que desprezar os seus ensinamentos divinos? Por que fechar o ouvido às suas divinas palavras, o coração a todos os seus bondosos preceitos? Quisera eu que dispensassem mais interesse, mais fé às leituras evangélicas. — São Vicente de Paulo
(Allan Kardec, O Evangelho segundo o Es¬piritismo. FEB. Cap. XIII, item 12)

A PREGAÇÃO DEJESUS

O verbo encarnado

Jesus veio ao mundo para trazer à humanidade a divina mensagem da verdade e do amor. Foi o "verbo" que "se fez ciou' e habitou entre nós", no dizer de João (1:14).

Ele afirmava, com frequência, essa sua condição de ser apenas um porta-voz ou mensageiro:

- o meu ensino (doutrina, palavra) não é meu mas sim de Deus, que me enviou (Jo 7:16); falo do que vi junto de meu Pai (Jo 8:38) ou dele ouvi (Jo 15:15);

A semente é a palavra de Deus (Lc 8:9-15) que lanço, como semeador, a todos quantos ouvem, dependendo a frutificação da idéia do tipo de "solo" em que ela cair. Os próprios judeus testemunhavam que Jesus não podia ter aprendido com ninguém na Terra a doutrina que expunha, quando indagavam: "Como sabe este letras sem ter estudado- (Jo7:15)

Jesus coloca a mensagem que traz como condição indispensável para o progresso espiritual humano: "Eu sou o caminho, da verdade e da vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14:6)

E convida a que todos a entendam e aceitem, nela perseverando (agindo de acordo), para então alcançarem a "salvação", "a vida eterna" (libertação da inércia e do erro para conquistar maior vida espiritual): "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8:32).

O que ele pregava?

O núcleo central de toda a sua pregação era:

- o amor a Deus sobre todas as coisas, adorando-o "em espírito e em verdade" (Jo 4:23);

- o amor ao próximo como a si mesmo, fazendo às criaturas "tudo quanto quereis que elas vos façam" (Mt 7:12);

- a realidade da vida espiritual e sua maior importância que a vida material: "que adianta ao homem ganhar o mundo todo e perder a sua alma?" (Mt 16:26);

- a justiça divina ("a cada um segundo as suas obras") (Mt 16:27) em harmonia com a divina misericórdia (Deus não quer a condenação do pecador, mas a sua reabilitação) (Lc 15:7);

- a fé é fundamental para qualquer realização espiritual (sem verdadeira convicção e desejo do bem não podemos agir com êxito) (Mt 17:20).

Explicando e aplicando essas verdades fundamentais, ensinava:

- a criatura está em comunicação pessoal e direta com o plano espiritual (superior ou inferior). "Deus, que vê em segredo, te recompensará" (Mt 6:6). "Tudo que ligardes na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado no céu" (Mt 18:18);

- é preciso vigiar a própria conduta para não errar ("cair em tentação") e orar sempre (com sinceridade e propósitos elevados), a fim de receber de Deus a ajuda necessária;

- as qualidades que Deus nos concedeu são para serem colocadas em ação no benefício geral ("sal da Terra e luz do mundo") (Mt 5:13-16);

- mansuetude e humildade suavizam as nossas dores e lutas ("jugo suave e fardo leve") (Mt 11:28-30);

- devemos perdoar sempre para também sermos perdoados por Deus, buscando sempre a reconciliação com os adversários (Mt 5:25 e 6:14-15);

- quanto mais generosos formos para com os outros, mais receberemos da bondade divina (dar "medida boa, recalcada, sacudida, transbordante") (Lc 6:38);

- compensações e recompensas aguardam no Além quem cumpre as leis divinas (Lc 6:35).

Jesus nada escreveu embora soubesse escrever (ver Jo 8:6), Jesus nada deixou escrito. Transmitiu toda a sua doutrina oralmente, como, aliás, fizeram todos os grandes mestres do passado.
felizmente, ficaram os registros evangélicos, através dos quais podemos conhecer e estudar a doutrina que Jesus pregava.

Mas, na interpretação das passagens, é preciso lembrar que D Evangelhos foram escritos depois da morte de Jesus (Lc Ml) e, às vezes, como alerta Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XXIII, item 3):

- o fundo do seu pensamento pode não ter sido bem expressado;

- o sentido primitivo pode ter sofrido alguma alteração, no passar de uma língua para outra (há termos que, conforme a língua, o povo e a época, têm um significado peculiar e maior ou menor força);
- o erro de tradução acaso cometido uma vez pode ter sido repetido pelos copiadores.

Onde, como e para quem Jesus pregava?

Jesus viajou por toda a Palestina a fim de divulgar o Evangelho (a boa nova do reino dos céus), porque não havia os atuais meios de comunicação (jornais, rádio, televisão) e se tornava necessário ir aonde o povo estava e falar-lhe diretamente.

Jesus aproveitava todas as oportunidades junto ao povo para ensinar e orientar espiritualmente, pregando tanto nos lares como nas ruas, nas sinagogas como no Templo de Jerusalém, nas estradas, junto ao mar ou nos montes.

Ministrava ensinos, aproveitava apartes, formulava ou respondia perguntas, mantinha diálogos, proferia sermões, contava parábolas.

Ensinava "corno quem tinha autoridade e não como os escribas" (Mt 7:28-29), que se atinham ao que estava nas escrituras.

Às vezes, era escutado por grandes assembléias (como a do sermão do monte), outras vezes por uns poucos (discípulos, apóstolos ou os que o convidassem para alguma refeição, por exemplo) e até mesmo por uma só pessoa (que o procurasse especialmente ou com quem se encontrasse).

Se necessário, produzia fenômenos que evidenciavam suas faculdades espirituais e sua autoridade moral. Os fenômenos, sem dúvida, atraíam o povo, mas era a palavra de Jesus, a sua pregação, que edificava espiritualmente aqueles que o ouviam com interesse, sinceridade e boa vontade.

A maior pregação que Jesus fez, porém, foi a do seu exemplo, na vivência de cada momento de sua vida entre nós, neste mundo terreno, como "o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo" (O Livro dos Espíritos, questão 625).

Jesus espera que os seus seguidores também divulguem sua doutrina ("ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" - Mc 16:15) como ele o fez: ensinando e produzindo fenômenos, quando possível e necessário, mas, principalmente, pelo exemplo de uma vida cristã, dia a dia, em todo o instante, em qualquer lugar, com quem quer que seja.

OS ENSINOS DEJESUS

Denominamos assim as informações e instruções espirituais que Jesus ministrava aos que ouviam, espontaneamente ou a propósito de alguma ocorrência.

Escolhemos alguns, para exemplo:

A seara e os trabalhadores (Ml 9:35-38 e 10:1-4)

"E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas Unagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e errantes como ovelhas que não têm pastor." (Não é essa, ainda hoje a situação do povo?)

"Então disse a seus discípulos:

A seara na verdade é grande, mas poucos os trabalhadores.

Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande trabalhadores para a sua seara"

Depois, chamou doze dos discípulos e os fez apóstolos. (Mt 10:1-4)

Aprendemos assim a orar, mas também a agir no que pudermos.

A esmola da viúva (Mc 12:42, Lc 21:2)

Sentado à frente da caixa de ofertas do Templo, Jesus observava como o povo ia depositando ali as suas moedas.

Quando a pobre viúva depositou duas pequenas moedas de ínfimo valor, Jesus chamou a atenção dos discípulos:

"Essa viúva deu mais do que todos. Porque todos depositaram do que lhes sobrava, enquanto ela, em sua pobreza, deu tudo o que tinha, todo o seu sustento."

Aprendemos com Jesus que o valor da oferenda está na vontade sincera de cooperar, e que esse valor é tanto maior quanto maior for a renúncia para poder doar.

Jesus abençoa as criancinhas

Trouxeram-lhe então algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam. (Mt 19:13)

Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou:

"Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino dos céus." (Lc 18:16)

"Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele.

Então, tomando-as nos braços, e impondo-lhes as mãos, as abençoava." (Mc 10:15-16)

Jesus ensinava que precisamos ser dóceis e de mente receptiva, sem malícia, como uma criança, para podermos adquirir espiritualidade, penetrar em plano superior do espírito, onde o bem reina e há paz e amor.

Therezinha Oliveira