CAPÍTULO 18 - COMO JESUS
DIALOGAVA COM O POVO

CAPITULO 18 - COMO JESUS DIALOGAVA COM O POVO

Jesus sabia valorizar a palavra como instrumento divino de comunicação. Seus diálogos com o povo sempre resultavam em um ensinamento espiritual, quer fosse uma simples pergunta e resposta ou uma conversa mais demorada. Merecem, por isso, ser estudados. Vejamos alguns exemplos.

Apartes e comentários

1 ) "Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram!" (Lc 11:27-28)

Aparte de uma mulher da multidão, enquanto Jesus pregava.

Antes bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!"

Ensino: A verdadeira felicidade não está nos méritos alheios, mas em entender a vontade de Deus e cumpri-la.

1 ) Os galileus que Pilatos mandou matar, quando faziam sacrifícios. (Lc 13:1-5)

Contaram o fato a Jesus, que comentou:

"Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido essas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis."

Ensino: Se não modificarmos nossa conduta moral, a desencarnação nos apanhará tão despreparados espiritualmente quanto os que sofrem morte súbita e inesperada.

3) "Feliz aquele que comer pão no reino dos céus.'"

Assim exclamou um dos comensais numa refeição (Lc 14:15-24) em casa de um dos chefes dos fariseus, porque Jesus acabara de falar da recompensa dos justos na ressurreição.

Talvez israelitas achassem que teriam acesso ao reino de Deus, por serem dos "filhos de Abraão" e seguirem à risca os mandamentos de Moisés e demais ordenações.

Então, Jesus conta a parábola do festim de bodas. (Mt 22:11-12)

Ensino: Há quem tem condições para maior comunhão espiritual, mas a isso não se dispõe (não atende o convite).

Há quem receba essa oportunidade por misericórdia divina e, entretanto, não a valorize, não preparando a necessária "túnica nupcial" (o perispírito).

Pedidos

1) "Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança." (Lc 12:13-15)

Estaria o homem prejudicado em seu direito? Ou apenas estava impaciente para entrar na livre posse de sua parte na herança?

"— Homem, quem me colocou como juiz ou partidor entre vós? Guardai-vos de toda e qualquer avareza, porque a vida de um homem não depende dos bens que ele possui."

Ensino: Não peçamos ao plano espiritual o atendimento de direitos materiais, que se resolvem nos tribunais humanos. Nossa realização como seres espirituais não depende dos bens materiais.

2) "Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada." (Mt 15:21-28)

Clamava desse modo uma mulher cananéia (siro-fenícia) e os discípulos pediam a Jesus que a atendesse, porque os seguia com esse clamor. Jesus disse:

"Não fui enviado senão às ovelhas da casa de Israel." (Fora àquela região buscando interessar os israelitas que ali moravam, presumindo-se que deviam estar espiritualmente mais preparados para receber a sua mensagem.)

A mulher, porém, aproximou-se, reverenciou-o e pediu:

"— Senhor, socorre-me!

— Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.

— Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.

— Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E desde aquele momento sua filha ficou sã."

Ensino: Embora não fosse israelita, a mulher demonstrou estar em condições de receber o benefício que pedia, pela humildade (de reconhecer sua carência espiritual), pela fé (confiança no poder espiritual de Jesus) e pela perseverança (na busca do que precisava).

Nosso modo de pensar, sentir e agir é que nos dá condições e merecimento para sermos atendidos.

3) "Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos." (Mt 6:9-15 e Lc 11:1-13)

Assim pediu um dos discípulos, quando Jesus, certa vez, havia terminado de fazer sua oração. Jesus lhes ensinou:

"Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estais nos céus (...)" Contou, ainda, a parábola do amigo importuno e estimulou à oração.

"Pedi, e dar-se-vos-á (...)"

Comparou: somos maus e, apesar disso, sabemos conceder boas dádivas aos nossos filhos. Deus, que é Pai sábio e bondoso, enviará um bom Espírito para socorrer aos que lhe pedirem.

4) "Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e o outro, à tua esquerda." (Mt, 20:20-28)

Foi o que pediu a mulher de Zebedeu e mãe de Tiago e João.

"— Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber?" (Jesus aludia ao sacrifício-testemunho pelo qual passaria.)

"— Podemos." (Eles nem sabiam ao que Jesus se referia, mas no futuro também teriam de testemunhar.)

"— Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai."

Ensino: O merecimento espiritual decorre do triunfo nas provações e testemunho ante Deus, não é concessão de um Espírito para outro.

Os outros dez apóstolos se indignaram contra os dois irmãos. Jesus chamou-os e ensinou:

"Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tomar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como o filho do homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos."

Perguntas dos apóstolos

1) "Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim e eu lhe perdoarei? Até sete?" (Mt 18:21-22)

Foi Pedro quem perguntou, após Jesus ter falado sobre o perdão e como agir quando um irmão "peca" contra nós. "— Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete." Ensino: Perdoemos quantas vezes for necessário.

2) "Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que primeiro venha Elias?" (Mt 17:9-13)

Interrogam os discípulos a Jesus, após o verem transfigurado e Moisés e Elias conversando com ele.

"— De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram, antes fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer nas mãos deles."

Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista.

Ensino: João Batista era Elias reencarnado.

"Por que não pudemos nós expulsá-lo?" (Mt 17:14-21 . Mc 9:14-29)

Indagam os apóstolos, quando Jesus afasta o mau Espírito que eles não haviam conseguido afastar do menino obsidiado.

"— Por causa da vossa pouca fé. Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível."

"Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum."

Ensino: Para ser respeitado pelos Espíritos inferiores, é preciso ter condições de convicção espiritual; essa fé somente se consegue com conhecimento e vivência das leis divinas.

Respondendo aos adversários

Muitas foram as perguntas que os adversários de Jesus lhe fizeram, procurando apanhá-lo em falha contra a lei dos israelitas ou contra César. Jesus respondia evitando as armadilhas e aproveitando, ainda, para ensinar aos adversários e a todos que o ouviam.

1) "Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?" (Lc 5:29-32 e Mt 9:10-13)

Jesus respondeu pelos discípulos à pergunta dos fariseus: "Os sãos não precisam de médico e, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: 'Misericórdia quero e não holocaustos', pois não vinha chamar justos, e sim, pecadores [ao arrependimento]".

Ensino: Não podemos deixar sem assistência espiritual aos sofredores e perturbados que nos procuram. São os que mais precisam dela.

2) "Moisés mandou que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?" (Jo 8:1-11)

Perguntaram os escribas e fariseus, apresentando-lhe uma mulher adúltera. A pergunta era uma armadilha, pois o Decálogo proibia matar. Queriam ver como Jesus responderia.

"— Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra."

Acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até os últimos, ficando somente Jesus e a mulher.

"— Muíher, onde estão os teus acusadores? ninguém te condenou?

— Ninguém, Senhor.

— Nem eu tampouco te condeno; vai, e não peques mais."

Ensino: Podemos orientar quem está errado, para que corrija suas atitudes, mas não nos cabe condenar quem erra, porque também temos falhas e defeitos.

3) "É lícito ou não pagar o tributo a César?" (Mt 22:15-22)

Pergunta formulada pelos discípulos dos fariseus aliados com os herodianos (partidários de Herodes e amigos de Roma). Antes, simulando deferência e pensando espicaçar orgulho em Jesus, saudaram:

"Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.

Dize-nos, pois, que te parece?" (E então fizeram a pergunta acima.)

"— Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo.

Apresentaram-lhe um denário e Jesus perguntou:

— De quem é esta efígie e inscrição?

— De César.

— Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus."

Ensino: Devemos atender aos deveres materiais sem descurar dos deveres espirituais.

4) "E' lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?" (Mt 19:3-12)

A pergunta foi dos fariseus, "experimentando a Jesus".

"— Não tendes lido que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher e que disse: 'Por esta causa deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?'; de modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.

— Por que mandou então Moisés dar carta de divórcio e repudiar?

— Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; entretanto, não foi assim desde o princípio.

Eu, porém, vos digo: Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de adultério, e casar com outra, comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério].

— Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar [disseram os discípulos].

— Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram assim; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir, admita."

Ensinos: Como instituição divina, o casamento tem propósitos superiores e não deve ser desfeito sem motivo sério. Ainda hoje os Espíritos instrutores "permitem" o divórcio pela dureza dos corações humanos.

Quanto à atividade sexual, alguns a ela renunciam buscando maior realização espiritual, mas nem todos têm condições para essa renúncia.

5) "Na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? porque todos a desposaram." (Mt 22:23-33)

Não acreditando na ressurreição (continuidade da existência espiritual após a morte), os saduceus apresentaram a Jesus uma situação:

"— Mestre, Moisés disse: 'Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido.' Ora, havia entre nós sete irmãos; o primeiro, tendo casado, morreu, e não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até o sétimo; depois de todos eles, morreu também a mulher."

Finalmente, fizeram a pergunta acima, ao que Jesus respondeu:

"— Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu.

Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: 'Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de lsaque e o Deus de Jacó'? Ele não é Deus de mortos e, sim, de vivos."

Ensino: Espiritualmente imortais, para Deus todos sempre somos vivos. Na vida espiritual perdurará o sentimento de amor, mas não as condições físicas do casamento (a não ser para Espíritos ainda muito apegados às sensações terrenas.)

Seguindo a Jesus, valorizemos a palavra empregando-a com justiça e com amor, procurando dizer: "sim, sim; não, não", porque como adverte o Mestre, o que passa disso "procede do maligno" (Mt 5:37).

Therezinha Oliveira