CAPÍTULO2 - OS LIVROS DA BÍBLIA

OS LIVROS DA BÍBLIA

Quantos são?

Para os judeus, como não reconheceram Jesus por Messias, somente são válidos os 39 livros do Velho Testamento.

Seriam 46, se os judeus de Jerusalém houvessem aceitado os sete livros acrescentados na versão dos Setenta, a saber: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, Macabeus (dois livros), além de fragmentos nos livros de Daniel e de Ester, como, também, uma carta do profeta Jeremias (Lamentações).

Para os cristãos, aos livros do VelhoTestamento somam-se os 27 do Novo Testamento, que falam sobre Jesus.

A Igreja Católica, ao se organizar, adotou o Velho Testamento baseando-se na versão dos Setenta.

Mas os protestantes, ao fazerem a Reforma (com Lutero, no século XVI), excluíram da Bíblia esses sete livros.

Portanto, a Bíblia tem: VT NT: Total de Livros

Para os judeus 39 — 39

Para os católicos 46 + 27 = 73

Para os protestantes 39 + 27 = 66

A Igreja Católica denomina:

1) Canônicos aos 73 livros, porque os considera como inspirados por Deus.

Foram oficializados pelas prescrições do Concílio de Trento (1546) e do Concílio Vaticano I (1870), sendo:

Protocanônicos: os livros que sempre foram aceitos como divinamente inspirados.

Deuterocanônicos: os sete livros e fragmentos aceitos posteriormente.

2) Apócrifos aos livros que, embora contemporâneos dos escritos bíblicos, não fazem parte da Bíblia, porque não são considerados como obras inspiradas por Deus, embora exis¬tam neles muitos dados históricos e doutrinários de valor; mas neles há, também, ideias que confinavam com o entendimento da Igreja Católica e até colocações notoriamente exageradas e sem fundamento.

Esses documentos apócrifos também são de interesse para o estudioso do Cristianismo e do Espiritismo.

No Velho Testamento

1) Pentateuco

É o nome grego dado ao conjunto dos cinco livros que abrange a legislação mosaica.

Torah é o seu nome hebraico. Os israelitas também diziam "A Lei", por consubstanciar as regras para governar o procedimento dos homens.

a) Gênese (= origem): história simbólica das origens da humanidade (a criação, de Adão a Noé) e do povo hebreu (dos patriarcas até sua entrada no Egito);

b) Êxodo (= saída): narra as agruras dos hebreus sob domínio, no Egito, sua saída de lá e a aliança com o Senhor, através do Decálogo;

c) Levítico (= referente aos levitas): instrui os levitas sobre o culto (todos os servidores do Templo eram da tribo de Levi e os sacerdotes, especialmente, da família de Aarão); mas também é um núcleo da legislação mosaica, relacionando leis civis e religiosas;

d) Números: seu nome vem das listas de números e nomes sobre as famílias do povo hebreu; repete parte do êxodo (40 anos no deserto) e apresenta outras leis e prescrições;

e) Deuteronômio (= segunda lei): repete e complementa os capítulos 20 a 23 do Êxodo; relata os últimos fatos da vida de Moisés e sua morte (isso exclui seja esse patriarca o autor de todo o Pentateuco).

2) Livros históricos

São doze livros e mais quatro deuterocanônicos.

Registram a conquista de Canaã (Palestina), os feitos de seus chefes guerreiros (Juízes), a instalação do reino de Israel até sua divisão e decadência, terminando com o deportamento para a Babilônia, seguido da restauração do reino por Ciro, o imperador persa.

Narram, também, o jugo sofrido ante a Síria e a libertação por Judas, Macabeu.

São eles: Josué, Juízes, Rute, Samuel I e II, Reis I e II, Crônicas I e II, Esdras, Neemias (também classificado como Esdras II), Tobias e Judite (deuterocanônicos), Ester (fragmentos deuterocanônicos), Macabeus I e II (deuterocanônicos).

3) Livros sapienciais (de sabedoria)

São cinco livros e mais dois deuterocanônicos.

Abrangem obras filosóficas e religiosas: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria (deuterocanônico), Eclesiástico (deuterocanônico).

4) Profetas

Dezoito são os livros (dois deles deuterocanônicos), mas dezessete os profetas (profeta: o que fala por, intermediário, porta-voz).

São mensagens de inspiração mediúnica, intercaladas de passagens históricas.

Os profetas hebreus não são classificados cronologicamente, mas pela extensão de seus escritos, em:

Maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel (fragmentos deuterocanônicos).

Acrescente-se o livro Lamentações (de Jeremias, deuterocanônico).

Menores: Baruc (deuterocanônico), Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

No Novo Testamento (27 livros)

1) Evangelhos (quatro livros)

Evangelho, em grego, significa "boa nova" e esses livros assim se denominam por tratarem das notícias alvissareiras da chegada do Messias Prometido e da nova era que se abre para a humanidade.

Os Evangelhos são resumos da vida, feitos e ensinos de Jesus.

Não foram por ele escritos (ensinava oralmente e nada deixou escrito).

As primeiras narrações sobre Jesus somente apareceram dezenas de anos após a sua morte (anos 50 a 70 d.O).

Classificam-se em:

a) Sinóticos

Três dos Evangelhos que podem ser distribuídos em 3 colunas paralelas e abrangidos de um só olhar (sinopse):

Foram escritos por:

Mateus: antes de ser chamado por Jesus, era coletor de impostos, seu nome era Levi; por ser funcionário, mostra Jesus como "Rei";

Marcos (João): primo de Barnabé; baseou-se em reminiscências de Pedro; mostra Jesus como "servidor incansável";

Lucas: era de origem grega e o mais intelectualizado; investigou por via indireta para escrever; mostra Jesus como "homem" (genealogia etc.)

b) simbólico

Assim é chamado o Evangelho escrito por João (irmão de Tiago, filho de Zebedeu). Foi o último a escrever e o fez na Ásia Menor, entre 90 e 100 d.C.

Mais espiritualizado, mostra Jesus como "entidade celestial".

Evangelhos Apócrifos

Houve muitos outros escritos sobre Jesus e seus ensinos.

Talvez alguns contivessem dados importantes, mas foram considerados apócrifos: sem autenticidade, não inspirados e, pois, sem valor normativo de fé. Lucas alude a outros escritos no primeiro versículo do seu Evangelho.

Orígenes, no século III, dizia existirem muitas dessas narrativas.

Atualmente, sabe-se de 20 deles, sendo os principais: Evangelho segundo os Hebreus, Evangelho dos Doze Apóstolos, Evangelho segundo os Egípcios, Evangelho de Pedro, Proto-Evangelho de Tiago, Atos de João, Atos de Paulo, Atos de Pedro, Atos de Tomé, 3- Epístola aos Coríntios, Epístola aos Laodicenses, Apocalipse de Pedro, Apocalipse de Paulo etc.

Exemplos de histórias apócrifas:

- a das espigas eretas e as vergadas para o solo (quem tem real valor não procura se exibir);

- a dos dentes de um cão morto (saber enxergar o bem em tudo e em todos).

2) Atos dos Apóstolos (um único livro)

É a continuação do Evangelho, após o episódio do Calvário.

Conta os feitos dos seguidores de Jesus, após a ressurreição do Mestre, nos primeiros tempos do Cristianismo, destacando os apóstolos Pedro e Paulo.

Sua autoria é atribuída a Lucas.

3) Epístolas

São as cartas escritas pelos apóstolos e discípulos às igrejas, ou seja, às assembleias, agrupamentos dos primeiros cristãos.

Conservaram-se apenas 21 delas, das quais:

a) Catorze paulinas (escritas por Paulo)

São as únicas com título, conforme os destinatários: Romanos, Coríntios I e II, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses (estas três últimas chamadas de "epístolas do cativeiro" sofrido por Paulo, em Éfeso ou Roma, nos anos 60-62 d.C), Tessalonicenses I e II, Timóteo I e II, Tito (estas três chamadas de "pastorais", porque nelas Paulo visava a organizar as igrejas locais - Éfeso e Creta - e "ordenar a disciplina eclesiástica é função pastoral"), e, ainda, Filemon - Hebreus.

b) Sete católicas (= universais)

Dirigidas a todos os fiéis e escritas por: Tiago Menor (uma); Pedro (duas); João (três); e Judas Tadeu (uma).

4) Apocalipse (= revelação, em grego)

É um livro de origem mediúnica, no qual o evangelista João relata suas visões, profecias e mensagens recebidas.

É como que uma carta destinada às Igrejas da Ásia Menor e foi escrito por João na Ilha de Patmos, onde estava exilado por ordem do Imperador Domiciano.

Fala do futuro (que iria acontecer naquele tempo, ou, então, que ainda vai acontecer à humanidade). Afirma que, apesar da oposição do mal, a vitória final será do bem.

Por ser muito simbólico, é de difícil interpretação.

Observação:

Mais manuscritos bíblicos descobertos.

Duas descobertas ocasionais de manuscritos relacionados, de alguma forma, aos tempos e povo bíblico ocorreram no final da primeira metade do século XX, a saber:

- em 1947, numa caverna nas imediações do Mar Morto, na Judéia, manuscritos que pertenceram a uma comunidade essênia estabelecida na região, no local denominado Qumran, um século antes do nascimento de Jesus. Por meio deles, foi possível reconstituir, com relativa segurança, crenças, rituais, hábitos e costumes daquela comunidade essênia;

- em 1945, nas imediações de NagHammadi, no Alto Egito, manuscritos em linguagem copta, que compunham uma biblioteca gnóstica e datam, materialmente, do século quarto, mas reportam-se a manuscritos originais que recuam, no mínimo, a meados do segundo século e, em alguns aspectos tradicionais, à segunda metade do primeiro século, o que nos leva de volta à época em que ainda viviam os apóstolos diretos do Cristo, a fase formadora das doutrinas cristãs, ao tempo em que estas se cristalizaram cm sacramentos, ritos, dogmas e estruturas administrativas.

Entre esses manuscritos, está um que deve ser cópia do lamoso e perdido Evangelho de Tomé, considerado apócrifo e do qual só se conheciam alguns fragmentos em grego, descobertos em 1890.

Para exata avaliação da importância desses textos, embora não se possa atestar a pureza original, é certo que pelo menos durante quase dezesseis séculos não sofreram manipulações mutiladoras, como aconteceu aos documentos chamados canônicos.

Therezinha Oliveira