CAPÍTULO 20 - PARÁBOLAS
EVANGÉLICAS

CAPITULO 20 - PARÁBOLAS EVANGÉLICAS

Que é uma parábola?

Parábola é uma narração alegórica que encerra doutrina moral. E' uma história simbólica, comparativa, sob a qual se esconde uma verdade importante e que conclui por um preceito moral ou regra de conduta a ser seguida num caso determinado.

Nela, a comparação pode fazer-se por meio de palavras semelhantes ou pela ideia contida na parábola. Geralmente, é mais longa que um símile ou que uma metáfora. Símile é uma analogia.

Metáfora é quando uma palavra é usada fora de sua significação natural, por semelhança subentendida. Vejamos um símile: "Como um cordeiro mudo diante daquele que o tosquia." Agora, uma metáfora: "Vós sois a luz do mundo." E, finalmente, uma parábola: "O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher esconde em três medidas de farinha até que toda ela fique levedada."

Suas vantagens

1) Interessa e impressiona mais e melhor aos ouvintes, por ser uma história.

2) Facilita a compreensão mesmo de assuntos transcendentes, porque a comparação supre as deficiências intelectuais do ouvinte.

3) Mais fácil de reter e transmitir, porque o enredo da história auxilia a associação de idéias (ajuda a fixar o ensino oral).

4) Permite dizer verdades que de outro modo não seriam escutadas nem toleradas, principalmente por pessoas de autoridade, porque é simbólica e o próprio ouvinte é que tira dela uma conclusão.

As parábolas do Velho Testamento

O ensino por parábolas já era conhecido dos hebreus que, como outros povos orientais, a empregavam muito.

No livro de Salmos (49:4), Davi fala: "Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; decifrarei o meu enigma na harpa." "Abrirei a minha boca numa parábola; proporei enigmas da antiguidade" (78:2)

E no livro de Provérbios, Salomão comenta: "e o entendido adquira habilidade para entender provérbios e parábolas, as palavras e enigmas dos sábios." (1:6)

As parábolas do Velho Testamento foram narradas por diversos autores e as principais são: a das árvores escolhendo um rei (Jz 9:8-20), a da ovelhinha (2Sm 12:1-14), a da viúva, da qual um dos filhos matou o outro (2Sm 14:4-20), a do soldado que deixou escapar o prisioneiro (lRs 20:35-42), a do cardo do Líbano que pediu ao Cedro lhe desse a filha em casamento a seu filho (2Rs 14:9-11), a da vinha (Is 5:1-7) e as parábolas de Ezequiel: a das duas águias (17:1-10), a dos leõezinhos e sua mãe (19:1-9), a de Oola e Ooliba (23:1-49) e a da marmita ao fogo (24:1-14).

Jesus ensinava por parábolas

No Novo Testamento, as parábolas que os evangelistas registram são todas de Jesus. Ele com frequência as empregava, pelas vantagens que apresentam como ensino, e o fazia de modo magistral (era um verdadeiro Mestre).

Usando os mais simples elementos do dia-a-dia do povo (situações e coisas comuns, conhecidas), conseguia plasmar imagens de grande poesia ou impacto, para levar a conclusões de elevada moral ou revelar algo da vida espiritual.

Diz Emmanuel que, falando em parábolas, Jesus "evitava ferir fosse a quem fosse". (Religião dos Espíritos, "No Fenômeno Magnético")

Falando em parábolas, Jesus podia também falar as mais Juras verdades sem se expor aos adversários, que o queriam apanhar em falta.

Como são histórias simbólicas, as parábolas não sofreram 18 alterações com que a ignorância ou má-fé de tradutores, copiadores e divulgadores prejudicou o registro de alguns ensinos de Jesus.

Nelas, portanto, a doutrina do Cristo permanece viva e pura, merecendo ser estudadas, como o vêm sendo ainda hoje. E é tão grande sua importância que, quando se fala em parábolas, logo nos vêm à mente aquelas que Jesus semeou.

É preciso saber interpretá-las

Se não entendermos o significado moral ou espiritual da parábola, ela não passa de uma simples história com um conteúdo banal. A letra mata, o espírito vivifica, é o que alertam Jesus (Jo 6:63) e

Paulo (2Cor 3:6). Vinícius compara a parábola com um fruto, do qual é preciso retirar a casca para saborearmos e nos alimentarmos com o sumo ou polpa.

Muitas pessoas não aprenderam a interpretar as parábolas evangélicas. No tempo de Jesus, isso também acontecia, o que levou os discípulos a perguntarem:

"— Mestre, por que lhes falas por parábolas?

— Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado. Porque àquele que tem, se dará e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado" (Mt 13:10-17)

Jesus sabia que a maioria das pessoas o procuravam apenas para ver fenômenos e receber curas, mas não se interessavam pela mensagem espiritual. Falando em parábolas, ele ministrava a todos o ensino mas não o banalizava, pois a pessoa tinha de ouvir com atenção e pensar a respeito para captar o sentido da mensagem e fixá-la na memória. Quem tivesse condições para isso, aprendia e se enriquecia espiritualmente. Quem não quisesse se esforçar, perdia a oportunidade de aprender.

Os discípulos e apóstolos às vezes também não entendiam o significado de alguma parábola. Mas estavam dispostos a aprender, haviam renunciado a muita coisa para seguir a Jesus e precisavam saber para dar continuidade à pregação do Evangelho no mundo. Por isso, Jesus explicava a eles, em particular, o que não houvessem entendido.

A interpretação das parábolas exige um estudo muito cuidadoso das circunstâncias em que foram proferidas e da doutrina, ou argumentos que elas tinham em vista. Feito isso, logo se descobre a sua aplicação universal, adaptada em todas as circunstâncias análogas e em todos os tempos.

Convém, ainda, conhecer um pouco os usos e costumes do povo hebreu para melhor compreender algumas figuras empregadas por Jesus em suas parábolas.

O Espiritismo não somente relembra as parábolas evangé¬licas. Com os novos ensinos espirituais que traz, ajuda-nos a entender o significado delas e a retirar do simbolismo a mensagem cristã, a fim de que por ela pautemos as nossas ações.

Quantas e quais foram as parábolas contadas por Jesus?

As primeiras oito parábolas foram proferidas por Jesus num mesmo dia e à beira do mar da Galiléia, dando as noções iniciais sobre a natureza do "reino dos céus", ou seja, sobre a vida espiritual.

1) Do Semeador (Mt 13:1-23, Mc 4:1-9 e Lc 8:4-8) Sentido:

- Jesus é o semeador da mensagem divina, e cada criatura um tipo de solo que renderá ou não frutos, conforme sua disposição para receber essa semente.

2) Do Trigo e do Joio (Mt 13:24-30 e 36-43) Sentido:

- a ignorância e a maldade poderão semear idéias inferiores, se não formos vigilantes (servos dormindo), sendo necessário algum tempo para que os resultados venham e então, sem nenhuma dúvida, possamos definir, pelos frutos, a qualidade das idéias que foram aceitas.

3 ) Do Grão de Mostarda (Mt 13:31-32, Mc 4:30-32 e Lc I U8-19)

4 ) Do Fermento (Mt 13:33 e Lc 13:20-21)

5) Da Semente (Mc 4:26-29) Sentido: uma idéia parece insignificante (como um grão de mostarda), ou até inexistente (como o fermento na massa), mas tem grande poder germinativo (como a semente) e seu impulso transformador (como o do fermento), se colocado em ação (semeado, lançado na massa), produz extraordinários resultados.

6) Do Tesouro Escondido (Mt 13:44)

7) Da Pérola (Mt 13:45-46) Sentido:

- ainda não nos demos conta da nossa vida espiritual (oculta para nós);

- mas seu valor é muito grande (como tesouro ou pérola excelente);

- quem descobre isso, de bom grado se desfaz dos valores do mundo para adquirir espiritualidade.

8) Da Rede (Mt 13:47-49) Sentido:

- haverá uma seleção das criaturas conforme as idéias e sentimentos que as animem. Essa seleção será feita em época determinada por Deus, pelos Espíritos já evoluídos, após a desencarnação
(Crede" que apanha os "peixes" no "mar" da vida).

- portanto, devemos vigiar nosso campo mental, evitando as idéias más e acolhendo a mensagem cristã, procurando reproduzi-la o mais possível em atos bons, para sermos dignos de habitar planos superiores de vida.

Ao fim desta série de parábolas, Jesus indagou aos discípulos:

"— Entendestes todas estas coisas?

- Sim, responderam.

- Por isso todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas."

Jesus quer dizer que, quem entende da vida espiritual tem armazenadas verdades novas para revelar e verdades antigas para confirmar. Era o que ele acabara de fazer.

RELAÇÃO DAS DEMAIS PARÁBOLAS CONTADAS POR JESUS

Jesus é nosso verdadeiro guia espiritual
(O bom pastor-Jo 10:1-16)

A salvação está na opção pelo bem, pelo cumprimento do dever
(Da porta estreita - Lc 13:22-30)

Deus quer a recuperação dos pecadores
(Da ovelha perdida - Lc 15:3-7 e Mt 18:10-14) (Da dracma perdida - Lc 15:8-10) (Do filho pródigo - Lc 15:11-31)

Quanto ao perdão

1) Perdoar para ser perdoado.
(Do credor incompassivo - Mt 18:23-25)

2) Pecados compensados por muito amar.
(Os dois devedores de um credor - Lc 7:41-42)

Fundamentemos nossa vida no que é duradouro
(A casa sobre a rocha - Mt 7:24-27, Lc 6:47-49)

Limpemos nosso entendimento espiritual
(Cego guiando outro cego caem ambos no abismo - Lc 6:39-42)

Ajudemos a quem necessita
(Do bom samaritano - Lc 10:25-37)

Sejamos humildes
(Dos primeiros lugares - Lc 14:7-14)

Importância da oração; nossa atitude ao orar
(Do amigo importuno - Lc 11:5-13)
(Do juiz iníquo e a viúva insistente - Lc 18:1-8)
(Do fariseu e do publicano - Lc 18:9-14)

O apego às riquezas ou mau uso delas
(Do rico e Lázaro - Lc 16:19-31)
(Do rico louco, ou avarento tolo - Lc 12:16-21)

Sobre os servos de Deus, os cristãos

1) Seu valor e função.

(Da candeia - Mt 5:14-16 e Lc 11:33-36)

(Do sal da terra - Lc 14:34-35, Mt 5:13 e Mc 9:49-50)

2) O chamado para a seara espiritual. (Das bodas, veste nupcial - Mt 22:1-14) (Da grande ceia - Lc 14:15-24)

(Dos dois filhos - Mt 21:28-32)

3) Devem ser prudentes e não afoitos.

(Da edificação da torre e do rei que vai à guerra - Lc 14:25-33)

4) Não podem estar presos a velhos conceitos e costumes. (Vestido velho e vinho novo - Mt 9:16-17, Mc 2:21-22
e Lc 5:36-39)

5) Precisam se manter em ligação espiritual com Jesus. (A videira e os ramos-Jo 15:1-8)

6) Devem trabalhar na seara espiritual.

a) produzindo conforme suas possibilidades; (Dos talentos-Mt 25:14-30)

(Das dez minas - Lc 19:11-27) (Da figueira estéril - Lc 13:6-9)

b) com fidelidade;

(Dos arrendatários ou lavradores maus - Mt 21:33-46, Mc 12:1-2 eLc 20:9-18)

(Do servo bom, vigilante, e do mau - Lc 12:35-48 e Mt 24:45-51)

(Do administrador infiel - Lc 16:1-13)

c) doando-se ao ideal.

(O grão de trigo-Jo 12:24-25)

7) O que ganham?

a) Deus "paga" justa e generosamente;

(Dos trabalhadores da vinha, da última hora - Mt 20:1-16)

b) mas não devem esperar recompensa especial. (Dos servos inúteis - Lc 17:7-10)

Sobre o fim dos tempos e a necessidade de vigilância

(Do grande julgamento - Mt 25:31-46) (Das dez virgens - Mt 25:1-13)

(Da figueira e sinais do verão - Mt 24:32-44, Mc 13:28-37 e 1x 21:29-36)

Observação:

Sobre figueiras, além das suas parábolas citadas nesta relação, ver passagem sobre a figueira sem fruto, que secou (Mt 21:18-22, Mc 11:12-14 e 20-26).

(Do servo prudente; ou do servo bom e o mau - Mt 24:45- 51)

E ainda:

(Dos meninos nas praças, Mt 11:16-19 - Lc 7:31-35)

Bibliografia

De Allan Kardec (FEB):
- O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XXIV. De Cairbar Schutel (O Clarim):
- Parábolas e Ensinos de Jesus.
De Huberto Rohden (Martin Claret):
- Sabedoria das Parábolas.
De John D. Davis (Casa Publicadora Batista):
- Dicionário da Bíblia.
De José de Sousa e Almeida (FEESP): -As Parábolas.
De Paulo Alves Godoy (FEESP):
- As Maravilhosas Parábolas de Jesus. De Rizzardo de Camino (Aurora): -As 63 Parábolas do Divino Mestre Jesus. De Rodolfo Calligaris (FEB):
- Parábolas Evangélicas. De Vinícius (FEB):
- Em Torno do Mestre ("Jesus e suas Parábolas").

Therezinha Oliveira