CAPÍTULO 21 - OS SERMÕES
DE JESUS

CAPITULO 21 - OS SERMÕES DE JESUS

Jesus fez alguns sermões, discursou mais longamente em certas oportunidades, visando sempre à edificação moral e espiritual de seus ouvintes.
Foram eles:

Contra os escribas e os fariseus (Mt 23:1-37)

"Na cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus." (Assumiram lugar como expositores da lei mosaica.)

"Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem" (não os desautoriza perante o povo, pois de fato sabem para ensinar) "mas não procedais em conformidade com suas obras, porque ditem e não praticam." (Alerta, porém, que não lhes acompanhem os maus exemplos.)

"Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens."

Ao ensinar e interpretar a lei para o povo, os escribas e fariseus impunham muitas e difíceis observâncias, e o povo unda ficava na dependência deles, pois não sabia tudo que precisava fazer para estar bem com Deus nem se cumprira tudo o que era necessário para isso.

"Eles, porém, nem com o dedo querem movê-los"

Para si próprios e secretamente, os fariseus passavam por alto dessas observâncias; e, quando convinha aos seus interesses, pretendiam estar isentos delas.

"Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens."

Queriam ostentar sua piedade (religiosidade) para impressionar ao povo e fazê-lo acreditar que eram puros e autorizados espiritualmente e, assim, os reverenciasse.

"Pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas."

Traziam ostensivamente em torno da cabeça e dos pulsos tiras de pergaminho com as ordenanças da lei. Porque a Moisés fora recomendado "também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeira entre os teus olhos." O significado dessa recomendação, porém, era: manter os mandamentos na ação e na mente, e não a ostentação que faziam.

"Amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas e as saudações nas praças."

Queriam tratamento especial e primazia.

"E o serem chamados pelos homens: Rabi, rabi."

Queriam ser reconhecidos como mestres. Mas Jesus recomenda expressamente:

"Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na Terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos Céus.
Nem vos chameis guias, porque um só é o vosso guia, o Cristo"

A nenhuma pessoa devemos dar um título de honra que indique possuir domínio sobre nossa consciência ou nossa fé.

"Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado."

A justiça divina colocará em seu devido lugar o pretensioso e destacará naturalmente aquele que renuncia e serve.

Em seguida, Jesus profere oito "ais" sobre os fariseus. Parecem acusações, mas talvez Jesus mais os lamente que condene:

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas. Não entram no reino dos céus e impedem outros de entrar [ensinam errado].

Devoram as casas das viúvas, a pretexto de fazerem longas orações para o morto.

Esforçamse por fazer prosélitos e depois os orientam mal.

Pretendem que o tesouro e as oferendas sejam mais importan¬tes que o próprio santuário ou o altar.

Pagam o dízimo até de simples ervas e menosprezam a lei, o juízo, a misericórdia, a fé; condutores cegos, coam um mosquito e engolem um camelo.

Limpam exterior de copos e pratos, mas deixam o seu mundo interior cheio de rapina e iniquidade.

São como sepulcros caiados, pois têm dentro hipocrisia e iniquidade.

Dizem reverenciar profetas e justos do passado, mas rejeitam e perseguem os atuais."

De instrução aos discípulos

Foram três importantes sermões:

l) Especialmente aos apóstolos (Mt 10:5-42, Mc 6:7-13 e I c 9:1-6).

Feito quando os escolheu entre os discípulos e começou a prepará-los para as tarefas e os enviou a pregar. Orienta como se comportarem, que cuidados devem tomar, sobre as dificuldades que encontrarão, mas também sobre os estímulos e recompensas.

2) Sermão profético (Mt 24:1-46).

Iam saindo do Templo, quando os discípulos chamaram sua atenção para a imponência do edifício:

"— Olha que pedras e que monumentos!

— Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada" - respondeu Jesus, causando-lhes grande impacto.

Mais tarde, no monte das Oliveiras, os discípulos indagam:

"— Quando sucederão estas coisas? Que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?"
Jesus fala, então, sobre o fim dos tempos e seus sinais: "— Virão falsos profetas dizendo ser o Cristo; que não se enganem.

Haverá guerras e rumores de guerra, mas ainda não será o fim e também fomes e terremotos, porém são apenas os princípios das dores.

Os seguidores de Jesus serão odiados, perseguidos e mortos" (muitos falharão, traindo e odiando uns aos outros).

"— E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará em quase todos. Mas aquele que perseverar até o fim, será salvo."

Quando o Evangelho tiver sido pregado por todo o mundo, "para testemunho a todas as nações", então virá o fim.

A seguir, Jesus fala, ainda, sobre "a grande tribulação" e "a vinda do Filho do Homem", contando em sequência as parábolas da figueira, do bom servo e do mau, das dez virgens, dos talentos (todos exortando à vigilância e fidelidade no servir) e conclui com a do "grande julgamento".

Observação:
Este sermão será abordado de modo mais completo no capítulo sobre "Profecias", na Unidade IV.

3) Do Cenáculo (Jo 13 a 17) - Proferido por Jesus na sala de refeições onde reuniu os apóstolos para a última ceia pascoal, dando-lhes as últimas recomendações, confortando-os, esperançando-os para o futuro.

Observação:

Este sermão será examinado na Unidade V, quando trataremos da perseguição, aprisionamento e crucificação de Jesus.

O Sermão do Monte (Mt 5:1-12 e Lc 6:17-26)

E' o mais famoso dos sermões de Jesus. Assim denominado porque Jesus o proferiu nas encostas de um monte (Cornos de Hattin), perto de Tiberíades (margem oeste do lago de Genesaré).

Embora Jesus dirija a palavra aos seus discípulos, o sermão foi proferido para a enorme multidão que tinha vindo de Cafarnaum, de todas as partes da Judéia, e da costa do mar, e de Tiro e Sidon, procurando encontrá-lo.

Diz Mateus que "vendo Jesus a multidão, subiu ao monte" para falar (é a tradição de Jerusalém), enquanto Lucas (tradição da Antioquia) informa que Jesus "descia do monte" com 08 apóstolos recém-nomeados e, encontrando a multidão, "parou numa planura". A contradição é aparente, pois nos dois casos Jesus falou estando na montanha e, provavelmente, de um lugar plano na encosta.

A importância de seu conteúdo: muitos consideram este sermão de Jesus como a norma da vida cristã. Certamente, bastaria seguir-lhe as recomendações para se alcançar grande evolução espiritual.

Nele, Jesus expõe as bases de sua doutrina moral, abrangendo vários temas, de um modo popular, de fácil entendimento.

Constitui-se de:

Bem-aventuranças (5:1 -12): assim chamadas por causa da palavra inicial usada por Jesus em todas elas (são sete). Fazem a relação das qualidades, virtudes ou disposições necessárias para se entrar no reino dos céus. Quem as exercite sem dúvida será bem-aventurado (feliz) pelos resultados que alcançará. Esses bem-aventurados são:

1) Os pobres de espírito: os que se sabem carentes de maior espiritualidade e a desejam e pedem (alcançarão essa espiritualidade).

2) Os que choram: os que sofrem suportando resignadamente suas provas e expiações, sem fazer outros sofrerem (quitar-se-ão e evoluirão, vendo que valeu a pena tudo superar).

3) Os mansos: os que não agridem nem violentam e, assim, não provocam nem geram novos problemas (poderão reencarnar na Terra regenerada).

4) Os que têm fome e sede de justiça: os que querem a verdade e o bem (essa é a justiça divina e terão com fartura se houverem semeado).

5) Os limpos de coração: os que não têm malícia nem maldade e agem com toda pureza e sinceridade de propósitos e, assim, não pactuam com o mal (limpos na sensibilidade, percebem melhor o que é próprio da espiritualidade superior).

6) Os pacificadores: os que procuram conciliar tudo e todos, favorecendo a harmonia geral (gozarão da paz que viveram e instalaram).

7) Os que forem perseguidos e injuriados por seu anseio de justiça e em nome de Jesus (é sinal de evolução e merecimento espiritual).

Ao final das bem-aventuranças, Jesus exorta os discípulos a empregarem as qualidades que Deus lhes deu em benefício dos semelhantes, sem se deixarem corromper ("sal da Terra") sem ocultarem seus valores espirituais ("luz do Mundo").

Interpretação da lei (5:17-20): "Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim revogar mas cumprir", avisa Jesus, de início, porque sabe que alguns estranharão sua prefação. Em seguida, passa a relembrar ordenações da lei mosaica, confirmando-a basicamente, mas esclarecendo e desenvolvendo o verdadeiro entendimento sobre a vontade de Deus.

As ofensas (5:21-26): reafirma o "não matarás", mas esclarece que qualquer animosidade contra o próximo é prejuízo espiritual; convida à reconciliação com o semelhante, para termos merecimento ante Deus e não nos enlearmos mental e fluidicamente com os adversários.

O adultério (5:27-32): reafirma o "não adulterarás", mas esclarece que o desejo por alguém já comprometido é adultério "no coração", cabendo-nos o esforço por arrancar de nós sentímentos que possam causar falhas morais. Como motivo para separação do casal, coloca apenas a infidelidade.

Os juramentos (5:33-37): reafirma o "não jurarás falso", mas mostra que não se deve usar o nome de Deus para jurar; recomenda o "sim, sim; não, não", pois "tudo que passa disso, procede do mal".

A não-violência (5:38-42): substitui o "olho por olho, dente por dente" pela não-violência, não resistência e cooperação voluntária.

Amor ao próximo (5:43-48): transforma o "amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo" em amor até aos inimigos, Brando por eles e fazendo-lhes o bem possível, para sermos bondosos como
Deus o é, e não maus como os que não conhecem a Deus.

Fazer o bem pelo bem (6:1-4): exibir as boas obras, querendo o reconhecimento das pessoas, tira o merecimento espiritual da ação.

A oração (6:5-15): ao orar, não fazer com exibição de atitudes e palavras. Enfatiza a necessidade de perdoar para ser perdoado. Ensina como orar ("Pai nosso").

O jejum (6:16-18): não fingir nem exibir aspecto compungido no jejum que se faça; como jejum entendamos, qualquer abstinência, renúncia ou sacrifício feitos com objetivo espiritual.

Os tesouros (6:19-24): "Ninguém pode servir a 2 senhores". Dar preferência aos valores espirituais porque eternos. Que analisemos nosso modo de ver as coisas para saber escolher ("a candeia do corpo é o olho").

As preocupações (6:25-34): não se inquietar pelo atendimento das necessidades básicas de sobrevivência, confiando na bondade de Deus que "veste" os lírios e "alimenta" as aves. Buscar primeiro o atendimento da lei divina e tudo o mais teremos por consequência.

Os julgamentos (7:1-5): não julgar para não ser julgado. Primeiro melhorar a própria conduta para depois poder ajudar outros a se melhorarem.

Prudência no oferecer o que é espiritual (7:6): não insistir em oferecer verdades espirituais (santas e valiosas) aos que não as desejam, pois as desprezarão e ainda nos agredirão ("pérolas aos porcos").

Vale a pena o esforço pelo bem (7:7-14): devemos insistir na luta pelo bem espiritual (pedir, procurar, bater), pois Deus nos atenderá. Façamos aos outros tudo quanto quisermos que vos façam.
Cumprir o dever é difícil (como entrar por uma "porta estreita"), mas conduz à "salvação".

Cautela para não ser iludido (7:15-20): falsos orientadores espirituais poderão nos prejudicar. Não nos deixemos encanar. Analisemos suas obras; se forem más, eles também o são.

Não basta conhecer, é preciso viver o ensino (7:21-27): há quem apenas diz "Senhor, Senhor" e em nome de Jesus profetiza (trabalha com a mediunidade), afasta Espíritos e produz fenômenos.
Mas para que nesta atividade não seja como "casa construída sobre a areia", é preciso praticar o ensino de Jesus.

"E aconteceu que, tendo Jesus terminado essas palavras, a multidão estava admirada do ensino dele, porque as ensinava como quem tinha autoridade, e não como os escribas." (Mt 7:28-29)

"Quando Jesus desceu do monte, acompanhavam-no grandes multidões". (Mt 8:1)

Therezinha Oliveira