CAPÍTULO 23 - TELEPATIA,
CLARIVIDÊNCIA E PREDIÇÕES

CAPITULO 23 - TELEPATIA, CLARIVIDÊNCIA E PREDIÇÕES DEJESUS

Muitos dos fenômenos realizados por Jesus podem ser classificados como anímicos, pois ele os produzia com suas próprias possibilidades espirituais. Por isso, hoje, talvez o considerassem um sensitivo ou paranormal. Vejamos alguns desses fenômenos.

Telepatia

Telepatia é a transmissão do pensamento a distância. Esclarece-nos a Doutrina Espírita que o pensamento é a linguaguem dos Espíritos; ele impulsiona os fluidos e os faz vibrar; e o meio fluídico veicula o pensamento como o ar veicula o som.

Espírito muito evoluído e sensível, Jesus captava com facilidade os pensamentos dos que o rodeavam. É o que se vê nestas passagens:

I) Uma pecadora unge os pés de Jesus e "o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta bem saberia quem é e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora." (I. 7:39)

Jesus, demonstrando haver captado esse pensamento do fariseu, lhe responde com uma comparação e um ensinamento.

2) Porque Jesus dissera a um paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados", alguns dos escribas ali assentados "arrazoavam em seus corações":

"— Por que ele fala desse modo? É blasfêmia! Só Deus pode perdoar pecados." (Mc 2:7)

"Jesus, percebendo logo por seu espírito que assim arrazoavam, disse-lhes:

— Por que cogitais o mal nos vossos corações?" (Mt 9:4)

Clarividência

Clarividência é a visão sem o concurso do sentido físico da visão; e, por isso mesmo, permite enxergar a distância e através de corpos opacos.

Jesus demonstrou essa faculdade, em passagens como estas:

1) Jesus vendo Natanael pela primeira vez, lhe afirma:

"Antes de Felipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira" (Jo 1:43-51)

Natanael reconhece nisso um sinal das qualidades espirituais de Jesus.

2) Por duas vezes Jesus indicou a existência de cardumes de peixes onde os discípulos nada viam, apesar de pescadores experientes. Foram as duas pescas "maravilhosas" ou "milagrosas". Uma serviu para fazer que os apóstolos pescadores seguissem Jesus confiantemente (Lc 5:1-11). Outra, para provar que era Jesus mesmo ressurgido ante eles (Jo 21:4-7).

3) Quando Jesus manda Pedro pescar e antecipa que pegará um peixe com um estáter dentro (moeda, peça de prata), com o qual pagará o imposto devido, provavelmente já "vira" o peixe e o que tinha no seu interior (Mt 17:24-27).

Observação:

Esse peixe seria o hemichromis sacra ou pateramilias que guarda os filhotes na boca e os expele quando chegam a certo tamanho. No lugar deles, coloca, então, um seixo (uma moeda poderia servir).

4) No horto das Oliveiras, antes que cheguem os soldados guiados por Judas para o prenderem, Jesus alerta aos discípu¬los: "Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima" (Mt 26:46).

Certamente já os "vira" a distância.

Levitação ou volitação

Levitação é o fenómeno pelo qual um objeto ou pessoa é suspenso no ar, aparentemente contrariando a lei da gravidade. Volitação é o ato de voar, deslocar-se no espaço, por ação da própria vontade.

"Andando sobre o mar", Jesus se aproximou dos discípulos que estavam num barco, "a muitos estádios da terra" (Mt 14:24-26).

Ação sobre os elementos da natureza

Narra o Evangelho que Jesus acalmou uma tempestade no lago de Genesaré; "repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, e emudece!" (Mc 4:35-41)

Provavelmente falava com Espíritos que presidiam àquele fenômeno (porque sabemos que os fenômenos da natureza são presididos por Espíritos que visam à manutenção do equilíbrio e a harmonia das forças físicas, conforme se lê em O Livro dos Espíritos, 2- Parte, Cap. IX, questões 536 a 540). E os Espíritos atenderam a Jesus, vindo em consequência a bonança.

Profecias ou predições

Antes de abordarmos as predições que Jesus fez, examinemos o que elas são e qual o seu processo.

A predição do futuro, ou o anúncio de coisas por acontecerem, nada tem de sobrenatural. O futuro é desconhecido para nós e parece fora do alcance de nossa intervenção, porque resulta de realidades invisíveis e imperceptíveis aos nossos sentidos comuns. Poderemos conhecê-lo se tivermos acesso a essas realidades mais amplas da vida universal. (Ver "Teoria da presciência", no Cap. XVI de A Gênese, de Allan Kardec)

Nos encarnados, o corpo impede ou limita a percepção espiritual.

Havendo expansão ou desdobramento perispiritual (até mesmo pelo sono, êxtase, sonambulismo), é retomada a percepção extra-sensorial (que é global, em todo o perispírito, e mais perfeita que a dos sentidos comuns).

Então, podem ocorrer os fenômenos da vidência, da clarividência e dupla vista, que permitem enxergar:

- no plano material, a distância ou através de obstáculos; e

- no plano espiritual (extrafísico, fluídico), tudo que ali existe e os Espíritos. (Obras Póstumas, Segunda Vista; O Livro dos Médiuns, 2a Parte, Caps. VI e XIV, item 5)

É possível, também, se ter acesso a conhecimentos de outras vidas, que normalmente estão velados pelo providencial esquecimento do passado, que ocorre na reencarnação.

Erros e acertos no relato do que é visto

Do que vê, o vidente fará deduções e interpretações pessoais, podendo anunciar as consequências futuras. Mas, às vezes, se engana ou confunde, porque:

- está vendo fora dos limites do corpo e, nesse estado, tempo e espaço são difíceis de avaliar, dando às vezes a impressão de um só presente;

- nem sempre sabe avaliar e deduzir corretamente daquilo que vê.

O que o vidente anuncia poderá não se confirmar, quando a realização depender do arbítrio e atividade de outros seres e o curso dos acontecimentos for por eles mudado.
Ex.: O profeta Jonas anunciou a destruição de Nínive, que não se concretizou. O objetivo do aviso não era destruir, mas alertar para a necessidade de mudança de comportamento, a fim de se evitarem efeitos prejudiciais e dolorosos. A mudança de conduta daquela população sustou os efeitos anunciados.

A presciência dos Espíritos

Em relação a nós, os Espíritos libertos são como o vidente ao lado de um cego, porque neles a percepção perispiritual é natural e constante, enquanto nos encarnados essa percepção é ocasional, esporádica.

Os Espíritos não enxergam todos igualmente. Os superiores vêem mais do que os inferiores, porque:

- têm perispírito mais depurado, que permite melhores percepções;

- movimentam-se com mais liberdade no Universo, para observar e conhecer;

- do que vêem, sabem tirar melhor entendimento.

Comparados aos Espíritos inferiores, os superiores são como quem tem microscópio e telescópio ante os que só têm olhos.

Há Espíritos que desenvolveram muita experiência nesse campo e podem antever acontecimentos que se desencadeia de séculos a milhares de anos depois.

A revelação do futuro pelos Espíritos (Obras Póstumas, A Segunda Vista; O Livro dos Médiuns, 2a Parte, XXVI)

O que vêem a mais do que nós, os Espíritos poderão nos revelar por meio de visões, audição, incorporação, sonhos, psicografia etc.

Ex.: O sonho de Dom Bosco sobre a América do Sul e o Brasil.

Em certos casos, a revelação do futuro poderia nos prejudicar.

Ex.: Se soubermos que algo já está definido para acontecer, não agiremos como o deveríamos fazer. Não nos esforçaremos por atingir o objetivo. E, se o que vai acontecer for contrário ao que desejaríamos, algo infeliz, poderemos cair no desânimo, deixando de lutar. Entretanto, mesmo sem a vitória, a luta nos é necessária e benéfica.

Por isso, os bons Espíritos:

- geralmente não nos fazem revelações sobre o futuro;

- somente revelam algo do futuro se houver um fim útil, necessário, e for oportuno conhecê-lo.

E nunca o fazem de modo meticuloso, circunstanciado, pois ainda podem ocorrer alterações, já que a execução, muitas vezes, dependerá do livre-arbítrio das criaturas.

Nas ocasiões de perigo, calamidades e perseguições, costuma haver um providencial desenvolvimento da faculdade de ver o futuro ou aumento de revelações à humanidade, para ajudar a entender, enfrentar ou suportar os acontecimentos.

As predições de Jesus

Com sua grande evolução espiritual e pelo relacionamento constante com as equipes de Espíritos Superiores que o assessoravam, Jesus podia antever muitos acontecimentos e, então, fazer predições, profecias.

No Capítulo XVII de A Gênese, Allan Kardec faz um estudo completo sobre as predições de Jesus, do anúncio que o Mestre fez de coisas que ainda iriam acontecer. Algumas delas ocorreram logo depois (como sua morte e ressurgimento espiritual e a perseguição sofrida por seus seguidores). Outras cumprir-se-iam em prazo mais longo (como a destruição do Templo de Jerusalém e a dispersão dos judeus). Recordemos algumas das profecias de Jesus:

1) Que, conforme os profetas anteriores haviam anunciado, ele seria aprisionado em Jerusalém, seria muito maltratado e o matariam, mas ressurgiria ao terceiro dia (Lc 18:31-34, Ml 16:21);

2) Que também seus apóstolos e discípulos seriam perseguidos e deveriam dar bom testemunho, com fé e esperança (Ml 10:17-18; Jo 16:1-4; Lc 21:16-19);

3) A ruína das cidades de Corazim, Betsaida, Cafarnaum e Jerusalém (até mesmo a destruição do Templo), por não terem aceitado seus ensinos. Se o houvessem feito e mudassem de conduta, evitariam ou atenuariam as consequências (Mt 11:20-24; Mt 24:1-12; Lc 13:33-35, 19:41-44 e 21:20-24);

4) Que as idéias falsas não perdurariam ("Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada", Mt 15:12-14), mas sua mensagem permanecerá para sempre ("O Céu e a Terra passarão, mas as minhas palavras não passarão", Mt 24:3 5), porque se fundamenta na verdade espiritual, eterna.

Sobre o fim dos tempos

A expressão "fim dos tempos" tem apavorado muita gente, por ter sido entendida como o fim do mundo ou, até, do Universo inteiro. Entretanto, um estudo sereno do assunto evidencia que se trata, apenas, do fim de um grande ciclo na marcha evolutiva da humanidade terrena.

Nas profecias em que se refere ao "fim dos tempos", Jesus mais do que nunca usa de alegorias, com imagens fortes e bem coloridas. É que os homens que o ouviam, então, eram inteligências ainda rudes, incapazes de compreender abstrações metafísicas e de apanhar a delicadeza das formas. A fim de atingir seus corações, era preciso lhes falar aos olhos (com o auxílio de sinais materiais) e aos ouvidos (por meio da força da linguagem).

Por exemplo: segundo o pensamento dos homens da época, Deus, como Ser Supremo só se manifestava por fenômenos extraordinários ou sobrenaturais; e Jesus, como seu enviado, não poderia deixar de se apresentar com grande majestade, sobre nuvens e cercado de anjos ao som de trombetas. Não aceitariam, os homens da época, a manifestação silenciosa de uma entidade superior, revestida simplesmente de sua elevação moral.

Note-se, ainda, que, anunciando acontecimentos futuros, Jesus às vezes fala aos apóstolos como se eles houvessem de os presenciar; com efeito, poderão estar reencarnados quando as transformações anunciadas se derem, e até colaborarem na sua efetivação. Ora fala Jesus da sorte próxima de Jerusalém, ora toma esse fato por ponto de referência ao que ocorreria no futuro do planeta.

O segundo advento do Cristo

"Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com seus anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.

Digo-vos, em verdade, que alguns daqueles que aqui se encontram não sofrerão a morte, sem que tenham visto vier o Filho do homem no seu reino." (Mt 16:24-28)

"Eu sou [o Cristo] e vereis um dia o Filho do homem assentado à direita da majestade de Deus e vindo sobre as nuvens do céu." (Mc 14:60-63)

Assim anunciou Jesus o seu retorno, futuramente.

Tomando a promessa ao pé da letra, seguidores seus esperaram em vão um retorno em carne e logo em seguida, o que não aconteceu.

Jesus, porém, não disse que voltaria num corpo carnal mas que viria "na glória de seu Pai" e "sobre as nuvens do céu", símbolos evidentes de manifestação espiritual.

E espiritualmente Jesus de fato voltem, pois reapareceu aos seus apóstolos e a muitos discípulos, em situação de grande poder e autoridade espiritual. Neste sentido, muitos dos que o seguiam viram "o Filho do homem no seu reino", antes de desencarnarem.

Ainda hoje há quem espere um retorno de Jesus em carne e para breve. Mas espiritualmente Jesus já está conosco, velando pela humanidade terrena, para que haja progresso, evolução. Um dia, todos entenderão e aceitarão sua orientação, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos. Até as religiões se unificarão em torno das verdades básicas espirituais. Então, haverá finalmente "um só rebanho e um só pastor".

Sinais precursores (desse segundo advento)

Os sinais precursores que assinalarão esse "Fim dos Tempos" são mencionados em Mt 24, Mc 13 e Lc 17:20-37.

Abordaremos apenas alguns deles. O estudo completo a respeito se encontra no Cap. XVII de A Gênese, de Allan Kardec.

Lembremos, desde já, que não se trata de destruições definitivas e, sim, de grandes transformações, pelas quais, aliás, a humanidade e o planeta Terra já vêm passando há algum tempo.

E não esqueçamos que a linguagem de Jesus é forte, mas simbólica.

1) As guerras e flagelos destruidores.

"Também ouvireis falar de guerra e de rumores de guerra; tratai de não vos perturbardes, porquanto é preciso que essas coisas se dêem; mas ainda não será o fim - pois ver-se-á povo levantar-se contra povo e reino contra reino; e haverá pestes, fomes, tremores de terra em diversos lugares - todas essas coisas serão apenas o começo das dores." (Mt 24:6-8)

Guerras: o que leva o homem a fazer guerra é a predominância da natureza animal sobre a espiritual e a busca de satisfação das suas paixões. A medida que o homem progredir, a guerra se tornará menos frequente, porque ele evitará as suas causas. E quando, mesmo assim, a guerra se fizer necessária, ele saberá adicionar-lhe humanidade.

Ao tornar a guerra necessária, o objetivo da Providência é o de levar o homem a conquistar a liberdade e o progresso, pois as situações dos povos se modificam muito após as guerras.

Flagelos destruidores: muitas das calamidades que assolam o mundo não provêm das mãos de Deus, mas da irresponsabilidade e violência do próprio homem.

Quanto aos flagelos destruidores naturais e independentes do homem, seu objetivo providencial é fazer a humanidade avançar mais depressa.

O homem comum chama acontecimentos funestos de flagelos apenas por causa dos prejuízos que lhe causam. Todavia, esses transtornos são frequentemente necessários para as coisas chegarem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.

A peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais à produção da terra não têm servido para que o homem ache na ciência, nos trabalhos de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas os meios de neutralizar ou atenuar tantos desastres? Que não fará o homem, portanto, pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar todos os recursos da sua inteligência e quando, ao cuidado da sua preservação pessoal, souber aliar o sentimento de uma verdadeira caridade para com os semelhantes?

Durante a vida, o homem relaciona tudo ao seu corpo, mas após a morte pensa de outra maneira. A vida do corpo é quase nada, um século do nosso mundo é um relâmpago na eternidade.

Se pudéssemos nos elevar pelo pensamento, de maneira que abrangêssemos toda a humanidade numa visão única, estes flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

2) Modificação dos astros no céu.

"Logo depois desses dias de aflição, o Sol se obscurecerá e a Lua deixará de dar sua luz; as estrelas cairão do céu e as potestades dos céus serão abaladas." (Mt 24:29)

Como realidade física, tais fatos não se poderão dar, pois a Ordem universal não se altera. Simbolizam, possivelmente, os valores e situações da vida terrena que estamos habituados e considerar como imutáveis, mas que, entretanto, sofrerão grandes modificações. Impérios que desmoronam, pessoas poderosas que desencarnam ou perdem o domínio que exerciam, as nações sociais novas que vão surgindo.

3) O grande julgamento.

"Então, o sinal do Filho do homem aparecerá no céu e todos os povos da Terra estarão em prantos e em gemidos e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com grande majestade.

Ele enviará seus anjos, que farão ouvir a voz retumbante de suas trombetas e que reunirão seus eleitos dos quatro cantos do mundo, de uma extremidade a outra do céu." (Mt 24:30-31)

Esta imagem pode ser analisada junto com a do juízo final, que está em Mateus, 25:31-46:

"Ora, quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como um pastor separa dos bodes as ovelhas, e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai (...)"

Devemos entender, dessas predições, que chegará uma época em que, pelo progresso moral dos habitantes da Terra, será preciso fazer uma seleção entre os que acompanharam ou não esse progresso.

Sabemos, à luz do Espiritismo, que o planeta Terra irá ascender, então, na hierarquia dos mundos (de planeta de expiação e de provas para planeta de regeneração).

Os bons (que Jesus representa como ovelhas - criaturas úteis e mansas) terão direito a continuar reencarnando aqui ("os mansos herdarão a Terra" diz o Mestre no Sermão do Monte).

Mas os que não quiseram aproveitar os ensinamentos (bodes - viciosos e agressivos) serão exilados para mundos inferiores, onde expiarão seus erros mas, ao mesmo tempo, terão novas oportunidades de se redimirem progredindo e ajudando a progredirem os Espíritos menos evoluídos de lá.

O "juízo", portanto, não é "final"; mas é "geral", para todos os habitantes da Terra (encarnados ou não).

Cada qual, em seu livre-arbítrio e por seus atos, se classificará como "bode" ou como "ovelha".

4) Os falsos profetas e o desânimo de muitos.

"Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; e, porque abundará a iniquidade, a caridade [amor] de muitos esfriará; mas aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24:11-13)

É preciso estar vigilante para não ser enganado por falsos orientadores (encarnados ou não) com suas doutrinas perniciosas. E nunca devemos desanimar do bem. (Ver Cap. XXI, "Haverá Falsos Cristos e Falsos Profetas", de O Evangelho segundo o Espiritismo.)

5) Com a pregação do Evangelho no mundo todo, virá o fim?

"E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para vrvir de testemunho a todas as nações. E então que o fim chegará."(Mt 24:14)

Não será o mundo físico que terá fim, quando o Evangelho estiver sendo pregado por toda parte, será o velho "mundo moral, porque a luz do Evangelho iluminará as consciências, fará ver a realidade da vida imortal e levará a darem a mais valor às coisas do espírito que às da matéria.

O Espiritismo vem contribuindo muito para que o Evangelho seja restaurado em sua pureza primitiva e divulgado a todas as criaturas.

Ainda assim, não se trata de ver prevalecer a letra evangélica, mas as idéias que condizem com a verdade e a moral tida, mesmo que revestidas de outras formas, científicas, filóficas ou religiosas.

6) Quando sucederão tais coisas?

"Quanto a esse dia e hora ninguém o sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, mas somente o Pai" (Mc 13:32)

Nem mesmo Jesus pode predizer data certa para esses acontecimentos, porque a grande transformação, para se completar, dependerá do livre-arbítrio das criaturas humanas, de que queiram ou não progredir, e que o façam mais depressa ou mais devagar.

Entretanto, será possível ir percebendo o processo da transformação, pelos indícios. Não no sol nem nas estrelas e, sim, no estado social e nos fenômenos mais de ordem moral do que físicos.

Analisemos, pois, o nosso mundo e a nossa época, do ponto de vista intelecto-moral, e perceberemos muitos "sinais dos tempos chegados".

E, percebendo a grande transformação que se deve operar no planeta e na humanidade, sabendo que somos também instrumentos dessa transformação para melhor, cumpramos nossos deveres, confiando na sabedoria, poder e bondade de Deus; enfrentemos as mudanças necessárias ao progresso da Terra com coragem, resignação, esperança e amor.

Therezinha Oliveira