CAPÍTULO 26 - JESUS LIBERA
A MEDIUNIDADE...

CAPITULO 26 - JESUS LIBERA A MEDIUNIDADE DA PROIBIÇÃO DE MOISÉS

A proibição de Moisés

No Velho Testamento, são constantes as manifestações de Espíritos. Os intermediários (os médiuns de então) eram determinados de videntes e, mais tarde, de profetas, pois profeta é o que fala por alguém (I Sam 9:9).

Quando em cativeiro no Egito, o povo hebreu deixou que o intercâmbio mediúnico degenerasse na finalidade (usando-o para fins egoístas, materiais e mesquinhos) e no modo de exercitá-lo (misturando com práticas mágicas e adivinhações).

Por isso, ao retirar o povo do cativeiro e conduzido à Terra prometida, Moisés, o grande médium e legislador hebreu, propunha a prática mediúnica de modo geral (Deut 18:9-13 e Lev 19:31).

A proibição de Moisés não era uma condenação da mediunidade em si mesma, somente visava a reprimir os abusos particularmente, Moisés continuou usando sua mediunidade (assim recebia as instruções do Além). E desejava que todo o povo viesse a fazer o intercâmbio, também, desde que fosse de modo correto e superiormente inspirado (Números 11:26-29).

Fatos mediúnicos, porém, sempre continuaram ocorrendo no meio do povo israelita. Os profetas são exemplo disso. E vale a pena lembrar o episódio em que a mediunidade eclode em Saul, que passa a profetizar (I Sam 10:9-13).

Jesus libera o exercício mediúnico

Ao tempo de Jesus, podemos citar como exemplo de manifestações espirituais o anúncio de um anjo (mensageiro espiritual) a Zacarias (Lc 1:8-20); a orientação que Simeão e Ana receberam sobre Jesus e sua missão (Lc 2:25-38); e a instrução dada a João Batista para reconhecer o Messias (Jo 1:33).

Mas no Novo Testamento não há mais nenhuma menção à antiga proibição do intercâmbio mediúnico. É que já eram outros tempos. Mais de mil anos haviam passado, desde a proibição de Moisés. Certamente, o povo já se encontrava mais disciplinado e preparado para exercer a prática mediunica.

Como mestre espiritual, Jesus não desprezou o recurso valioso da mediunidade em sua tarefa de espiritualização dos seres humanos. Ele não só a utilizou pessoalmente mas também ensinou e orientou os discípulos na sua prática.

1) Informando quanto à influência dos Espíritos (superiores ou inferiores) sobre as pessoas, e a necessidade de vigilância para aceitar ou não essa influência:

"Bem-aventurado és, Simão bar Jonas, porque não foi sangue nem carne que te revelou mas meu Pai que está nos céus." (Mi 16:17)

"Afasta-te de mim, Satanás, porque não sabes das coisas de Deus mas somente das dos homens." (Mt 16:23)

"Eis que Satanás me pediu para cirandar contigo", "mas eu roguei ao Pai para que a tua fé não desfaleça." (Lc 22:32)

2) Praticando ele mesmo o intercâmbio:

• conversa com Moisés e Elias, líderes do povo hebreu, já desencarnados e ali materializados (Mt 17:1-8); dialoga com Espíritos inferiores que influenciavam pes¬soas, como no caso do endemoninhado gadareno (Mc 5:1-20).

3) Ensinando os discípulos a fazerem desobsessão (como Veremos no próximo capítulo: "Obsessão e Desobsessão no Evangelho").

4) Mandando-os trabalhar com a mediunidade: "Curai os fluentes, ressuscitai os mortos [fazer que voltem, reapareçam, intermediando-os mediunicamente], purificai os leprosos, expulsai os demônios" (Mt 10:8).

5) Recomendando o fizessem sem interesse egoísta ou material. "De graça recebestes, de graça dai." (Mt 10:8)

Se Moisés havia proibido anteriormente o intercâmbio com " Além, Jesus o liberou com seu ensino e exemplo, tanto em vida como após a sua morte física, pois ele mesmo reapareceu se comunicou com os discípulos em diversas ocasiões.

A promessa de um consolador

Ao se despedir dos discípulos, antes da crucificação, Jesus os conforta:

" Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora." "Não vos deixarei órfãos." E, então, lhes anuncia:

Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece [por ser espiritual]; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós." (Jo 14:15-17) (Pela mediunidade, estariam em comunhão com os Espíritos bons, que são sinceros e verdadeiros.)

"(...) o Consolador, o Espírito Santo (os bons Espíritos têm moral elevada) a quem o Pai enviará em meu nome, eles vos ensinará todas as coisas, e vos lembrará tudo quanto vos tenho dito." (Jo 14:26) "(...) vos guiará em toda a verdade." (Jo 16:13)

Jesus lhes está prometendo a comunicação espiritual com os bons Espíritos que continuariam a consolar, orientar e apoiar os discípulos.

Que precisa ir, senão o Consolador não virá, mas se for, o enviará. (Enquanto Jesus estivesse com eles, ele mesmo era o Consolador que os instruía. Na sua ausência, os discípulos passariam a receber as instruções espirituais por via mediúnica, que é o canal adequado e comum para isso.)

Jesus avisa que a promessa vai se cumprir

Ressurgido, Jesus recomendou aos discípulos "que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai", que dele tinham ouvido, porque "João, na verdade batizou com água mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias"; "recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas" por toda a parte (Atos 1:4-5 e 8).

Para dar continuidade à divulgação e exemplificação do Evangelho na Terra, os discípulos iriam precisar dessa cobertura espiritual que Jesus lhes anuncia.

No dia de Pentecostes

Jerusalém, por ocasião dessa importante festa religiosa dos judeus, ficava cheia de visitantes vindos de muitas outras localidades e países estrangeiros.

Estavam os discípulos e apóstolos reunidos no cenáculo (sala de refeições), quando, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu a casa em que se encontravam (efeito sonoro); e apareceram, distribuídas entre os apóstolos, línguas como de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles (efeito luminoso); e começaram a falar sobre as grandezas de Deus em outros idiomas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem (xenoglossia).

A liberação é para todas as pessoas

Atraído pela inusitada pregação, o povo se aglomerou mas não sabia o que pensar de tudo aquilo. Pedro tomou a palavra e esclareceu que era o cumprimento da profecia de Joel (Joel .2:28): "nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões, vossos velhos, sonhos."

E' essa promessa de liberação do intercâmbio espiritual estava se cumprindo naquele dia, afirmou Pedro.

Muitos se converteram então, e Pedro lhes assegurou que eles também receberiam o Espírito Santo (pois "a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" - Atos, 2:39).

A mediunidade não seria privilégio apenas dos apóstolos mas, sim, uma faculdade generalizada, já que Deus iria derramar do seu espírito "sobre toda a carne".

De fato, a partir de então os discípulos de Jesus empregaram largamente a mediunidade, realizando grandes prodígios como se vê ao longo de todo o livro "Atos dos Apóstolos". E também desenvolviam a mediunidade nos novos adeptos, impondo as mãos sobre eles e orando para que Deus lhes enviasse o Espírito Santo; mas só faziam isso para os que estivessem realmente convertidos (conscientizados e preparados).

Como israelitas que eram, os apóstolos e discípulos a princípio se equivocaram, pensando que a assistência espiritual via mediúnica era só para o seu povo. Os fatos foram provando a eles que a liberação da mediunidade era mesmo "sobre toda a carne", ou seja, para toda a humanidade.

A mediunidade é fundamental na igreja de Jesus

Em episódio anterior (Mt 16:16-18), quando Pedro afirmou "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo", Jesus o chamou "bem-aventurado", porque o apóstolo não recebera essa informação de ninguém encarnado ("não foi carne nem sangue que te revelou"), mas sim do plano espiritual superior.

Em seguida, Jesus declarou:

"Também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do Hades não prevalecerão contra ela"

Para bem entender essa afirmativa, lembremos:

- Igreja (ecclesia): assembléia, agrupamento de fiéis;

- Hades: lugar dos mortos, plano espiritual inferior;

- Pedra: revelação (pois os israelitas usavam pedra para assinalar algum acontecimento transcendente e o local onde ele ocorrera).

No caso presente, uma verdadeira revelação espiritual acabara de ocorrer e Pedro fora o marco que a assinalara, com sua mediunidade em sintonia com o plano superior.

Sobre a mediunidade, assim bem orientada e veículo de instruções superiores, Jesus formaria o agrupamento dos seus seguidores.

De fato, estes se uniram em torno das instruções divinas que recebiam, em nome de Jesus, da equipe espiritual que lhes prestava assistência por via mediúnica.

E ! até hoje é assim que se mantêm os agrupamentos verdadeiramente cristãos: em torno dos ensinamentos que os bons Espíritos nos trazem, através de médiuns seguros e devotados.

E as manifestações dos planos inferiores ("portas do Hades") jamais conseguem vencer uma "igreja" assim, um grupo sincero e de boa moral, unido para fins elevados, em torno das revelações espirituais em nome de Jesus.

Espiritismo: o consolador de volta

Alguns séculos depois, não respeitando a liberação da mediunidade que Jesus concretizara, grupos religiosos tentaram proibir de novo o intercâmbio mediúnico, dizendo ser obra do demônio e perseguindo os que o praticavam, sob a acusação de serem bruxos, feiticeiros.

Mas Deus já "derramou o seu espírito sobre toda a carne", a sensibilidade já se desenvolveu mais na espécie humana e a mediunidade se generalizou, sendo impossível conter a manifestação dos Espíritos por toda a parte.

O Espiritismo, a Doutrina dos Espíritos, que preenche as condições enunciadas por Jesus quanto ao Consolador, surge agora, utilizando a mediunidade como instrumento valioso de espiritualização da humanidade. Também não concorda em que se faça mau uso dela; esclarece que sua finalidade é superior e ensina métodos e técnicas para segurança e proveito espiritual na sua prática, como se vê em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

Therezinha Oliveira