CAPÍTULO 28 - O MINISTÉRIO
DO CRISTO E A PERSEGUIÇÃO...

CAPÍTULO 28 - O MINISTÉRIO DO CRISTO E A PERSEGUIÇÃO QUE ELE SOFREU

Quando Jesus pronunciou a divina palavra-amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado.

— Lázaro
(Allan Kardec, O Evangelho segundo o Es¬piritismo. FEB. Cap. XI, item 8)

O MINISTÉRIO DO CRISTO E A PERSEGUIÇÃO QUE ELE SOFREU

No trabalho missionário de Jesus aqui na Terra, podemos distinguir quatro fases distintas:

1ª- O ano de obscuridade

Estende-se do batismo até o começo do ministério na Galiléia e abrange os seguintes fatos principais:

a) o batismo;

b) a tentação;

c) os primeiros discípulos;

d) o primeiro fenômeno (ou milagre);

e) a primeira Páscoa;

f) as primeiras conversões.

Nesta fase, Jesus ainda não se manifestou amplamente. Ele estava na Judéia e passa quase despercebido das autoridades israelitas, não sofrendo, portanto, hostilidades maiores ou perseguições.

2ª- O ano do favor popular

Vai da rejeição em Nazaré até a alimentação das cinco mil pessoas, abrangendo, como fatos principais:

a) a rejeição em Nazaré;

b) a mudança para Cafarnaum;

c) a nomeação dos doze apóstolos;

d) o sermão do monte;

e) as viagens na Galiléia;

f) a alimentação das cinco mil pessoas.

Jesus, "no poder do espírito" (assistência da equipe espiritual) "regressou para a Galiléia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos". (Lc 4:14-1 5)

A seguir, dirigiu-se para Nazaré e, na sinagoga, apresentou-se aos seus concidadãos como o Messias. Mas eles não o aceitaram como tal, porque o conheciam anteriormente (sem estudos especiais nem poderes miraculosos), bem como aos seus familiares.

Jesus insiste na afirmativa, dizendo "nenhum profeta é hem recebido em sua terra" e citando que também no passado nem todas as pessoas mereciam receber a revelação divina, nas cidades em que elas aconteceram.

Então, "se encheram de ira. E levantándo-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cume do monte sobre o qual estava edificada, para de lá o precipitarem abaixo" (foi a primeira tentativa de morte).

"Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se." (Lc 4:16-30eMt 13:53-58)

Saindo de Nazaré, Jesus fixou residência em Cafarnaum, nomeou doze apóstolos, viajou várias vezes pela Galiléia e produziu muitos fenômenos, tornando-se famoso. Toda a terra ressoava com os seus louvores e parecia que todo o povo ia reconhecê-lo como o Messias.

No entanto, os chefes dos judeus, invejosos da sua popularidade, enviaram espiões à Galiléia para o espreitarem, a fim de acharem motivo para o prenderem.

A partir daí, começam a ser apontadas quais eram as principais objeções e acusações que os judeus faziam a Jesus e que se repetiram em muitas oportunidades. A hostilidade era sempre pela incompreensão das criaturas quanto aos atos e afirmativas dele e por não o aceitarem como o Messias.

Os irmãos de Jesus, por exemplo, "não acreditavam nele" (Jo 7:5) e certa vez "saíram para o prender", porque achavam que ele estava "fora de si" (Mc 3:21). E os discípulos de João Batista quiseram saber: "Por que jejuamos nós e os fariseus e teus discípulos não jejuam?" Jesus esclareceu que não era hora de estarem tristes, pois estavam "com o noivo" e também não adianta pôr "remendo de pano novo em vestido velho" (Mt 9:14-15).

Mas são os escribas (doutores ou intérpretes da lei) e os fariseus que mais aparecem fazendo as acusações a Jesus, pois neles o povo reconhecia a autoridade do conhecimento em questões da religião hebraica. Agiam eles em acordo com os sacerdotes do Templo, os quais também se sentiam atingidos pela pregação e atividade de Jesus.

Principais acusações dos escribas e fariseus contra Jesus

1) Viola a lei de Moisés, porque não guarda o dia de sábado.

Jesus, no entendimento deles, "violava o sábado" porque curava nesse dia também; e permitia que seus discípulos também trabalhassem nesse dia (colhendo espigas, por exemplo) e um rabi ou mestre respondia por seus discípulos.

Mas o Mestre não tinha vindo para "revogar a lei e os profetas", pelo contrário, dava-lhes o verdadeiro "cumprimento". Exemplo: o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado, procurava explicar; "é lícito fazer o bem, aos sábados" (Mt 12:2, 9-12).

2) Blasfema, fazendo-se igual a Deus.

Defendendo-se da acusação de curar num sábado, Jesus dissera:

"— Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matado porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus." (Jo 5:17-18)

Evidente que Jesus não se dizia Deus nem queria passar por tal. Apenas procurava demonstrar que os seres humanos, filhos de Deus, possuem faculdades espirituais e, com elas, podem e devem produzir boas obras, tal como o seu Criador faz.

Exemplos: ao paralítico, dissera: "Perdoados estão os teus pecados".

Então lhe disseram:

"Blasfema, porque só Deus poderia perdoar pecados." (Mc 2:5-7)

Em outra passagem disseram:

"Não é por obra boa que te apedrejamos e, sim, por causa da blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo." (Jo 10:31-39)

Jesus argumenta: todos somos "deuses", que o julguem por suas obras.

3) Tem contato com pessoas de má vida.

De fato, "Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir". E os fariseus e os escribas murmuravam: "Este recebe pecadores e come com eles". Jesus explica:

- veio "salvar o que estava perdido" (Lc 15:1-2);

- para recuperar os "enfermos" da alma (Mt 9:10-13);

- "a quem muito ama, muito lhe é perdoado" (no caso da mulher pecadora que lhe unge os pés e o fariseu Simão pensa que Jesus faz mal em se deixar tocar por ela - Lc 7:47).

4) É por estar a serviço do príncipe dos demônios que expele os demônios.

Jesus argumenta que, se assim fosse, o reino de Satanás estaria dividido contra si mesmo e logo acabaria. (Mt 9:34)

5) Transgride as tradições (por si mesmo ou pelos seus discípulos) por não se lavarem antes de comer.

Jesus argumenta:

"(...) eles é que transgridem com suas tradições os verdadeiros mandamentos de Deus". (Mt 15:3)

"Limpais o exterior mas o vosso interior está cheio de iniquidades". (Lc 11:37-54)

Os escribas também se sentem ofendidos com essa afirmativa. Ao que Jesus lhes aponta as falhas.

"Saindo Jesus dali, passaram os escribas e fariseus a argui-lo com veemência, procurando confundi-lo a respeito de muitos assuntos, com o intuito de tirar de suas próprias palavras motivos para o acusar."

Queriam apanhá-lo falando contra a lei e os profetas, ou contra o governo romano, mas Jesus se esquivava habilmente:

É lícito pagar o tributo a César? "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus."

Na lei de Moisés, a mulher adúltera deve ser apedrejada. Que dizes? "Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra."

Às vezes, devolvia a pergunta ao seu inquisitor:

"— E lícito ao marido repudiar sua mulher!

— Que vos ordenou Moisés!" (Mt 19:3-12)

"— Mestre, que farei para herdar a vida eterna! (Lc 10:25-37)

— Como está escrito na lei! Como a lês tu!" (Ante a resposta, diz que está certa e basta agir de acordo.)

"— E quem é o meu próximo!" (Volta a indagar o doutor da lei.)

"— Quem te parece que foi o próximo do homem assaltado!" -indaga Jesus após contar a parábola do bom samaritano.

Não atendia ao pedido para que lhes mostrasse "um sinal vindo do céu".

Dizia que não lhes seria dado senão o de Jonas (aludindo à sua ressurreição, depois do terceiro dia) "E deixando-ös retirou-.se" (Mt 12:38-42; 16:14), porque só o estavam "tentando", "experimentando" para ver se fazia algo errado.

Sabia, também, que o queriam condenar de qualquer maneira.

Comenta: veio João (que não comia nem bebia) e dizem: "Tem demônio". Veio Jesus (comendo e bebendo) e dizem: "Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores" (Mt 11:18-19).

A crise no seu ministério

Nesse ano, após a multiplicação dos pães, o povo quis proclamar rei a Jesus, mas ele não aceitou. Houve grande desapontamento do povo, que desejava ardentemente um Messias político, que o chefiasse em vitória gloriosa e depois o beneficiasse com a generosidade de um príncipe rico e indulgente.

Não é de admirar, pois, que um grande número de discípulos começasse a se retirar.

"Quereis vós também retirar-vos!", indagou Jesus aos restantes. Os que perseveraram com ele mais se consolidaram na Fé.

As tentativas de prender e matar Jesus

Enquanto isso, a oposição dos chefes de Jerusalém prosseguia e se acirrava, surgindo as tentativas de aprisionar Jesus e ns planos de lhe tirarem a vida, fazendo prever que, infelizmente, o conseguiriam em futuro não distante. Vejamos algumas passagens:

Subiu à festa dos tabernáculos, mas não publicamente, e sim ocultamente. E "ninguém falava dele abertamente, por ter medo dos judeus"'. (Jo 7:10-13)

"Retirando-se, porém, os fariseus conspiravam contra ele, em como lhe tirariam a vida." (Mt 12:14-16)

Cautelosamente, Jesus procurava evitar a animosidade dos malversados e se ocultava, porque ainda tinha muito que fazer, antes de se deixar aprisionar e sacrificar.

Advertia severamente aos Espíritos impuros que expulsava "que não o expusessem à publicidade". (Mc 1:32-34 e Lc 4:40-•U)

Ordenou àqueles que curava "que a ninguém o dissessem" (contudo, "quanto mais o recomendava, tanto mais eles o divulgavam", certamente por não compreenderem a necessidade do sigilo). (Mc 7:36)

Admirável notar como Jesus conseguia escapar da fúria dos seus adversários:

"Pegaram em pedras para atirarem nele" (porque afirmou existir antes de Abraão) "mas Jesus se ocultou e saiu do Templo". (Jo 8:58-59)

"Nesse ponto procuravam outra vez prendê-lo; mas ele se Iivrou das suas mãos." (Jo 10:30-39)

"Então, procuravam prendê-lo; mas ninguém lhe pôs a mão, porque ainda não era chegada a sua hora." (Jo 7:30)

"(...) e ninguém o prendeu, porque não era ainda chegada a sua hora" (Jo 8:12-20)

Não obstante as perseguições, este ano foi mesmo o ano do favor popular para Jesus, em que ele realizou muitos fenômenos e alcançou muitos frutos na sua pregação por toda a Galiléia, em varias viagens.

3ª - O ano de oposição

Vai desde a alimentação dos cinco mil até a última semana de vida terrena de Jesus, abrangendo, como fatos principais:

a) a confissão de Pedro;

b) as profecias de Jesus sobre sua morte, na transfiguração;

c) a ressurreição de Lázaro.

Na primeira metade deste ano, Jesus se demora em lugares retirados, ao norte de Jerusalém.

Afastado das multidões, o Mestre se dedicava agora quase que exclusivamente à instrução dos seus discípulos, que precisavam ainda de preparo especial: a fim de estarem bem convictos de que Jesus era o Messias; a fim de suportarem a separação de seu Mestre; a fim de saberem dar continuidade à obra de Jesus na Terra.

A confissão de Pedro

Pedro confessa (declara) por revelação: "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" e Jesus, então (Mt 16:20):

- adverte os discípulos para não contarem isso a ninguém;

- começa a mostrar a eles que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais dos sacerdotes e dos escribas, ser morto, e ressuscitado no terceiro dia.

(Mt 16:21) Mas os discípulos não queriam acreditar no que, para eles, seria um acontecimento terrível e doloroso. (Mt 16:22-23) Para eles, Jesus era um Messias que teria de dirigir um grande reino temporal; como poderia fazê-lo, se morresse?

A transfiguração

Nessa crise, quando os discípulos estavam muito perplexos por causa da declaração do Mestre sobre sua breve morte física, este os levou ao alto de um monte e se transfigurou na presença deles. (Mt 17:1-13)

Depois da transfiguração, Jesus ordenou-lhes que não divulgassem o que tinham visto, "até o dia em que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos". Eles guardaram a recomendação, mas se perguntavam uns aos outros "o que seria o ressuscitar dentre os mortos" (Mc 9:9-10), evidenciando que não entendiam que Jesus morreria e voltaria a se manifestar de novo, mas espiritualmente.

Talvez por isso, Jesus voltou a dizer, depois:

"O Fílho do homem esta para ser entregue nas mãos dos ho

mens; e estes o matarão; mas ao terceiro dia, ressuscitará." (Mt 17:22-23)

Os discípulos "não compreendiam isto, e temiam interrogá-lo" (Mc 9:32) e se entristeceram grandemente.

Mas Jesus estava consciente de tudo e, corajoso no seu ideal, prosseguia trabalhando, valorizando o tempo que lhe restava.

Tinha se retirado para a Peréia, onde passou vários meses da segunda metade desse ano de oposição (a fim de não ser logo aprisionado); nessa região, pregava e curava, como sempre, mas continuava tomando o rumo para Jerusalém, na sua caminhada.

Nessa ocasião, vieram alguns fariseus (havia fariseus bons) para dizer-lhe:

"— Retira-te, e vai-te daqui, porque Heródes quer matar-te." (Heródes, o Grande, quisera matar Jesus menino; agora, seu filho também quer matar o Mestre.)

"— Ide dizer a essa raposa que hoje e amanhã eu expulso demônios e curo enfermos, e no terceiro dia terminarei. Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém". (Lc 13:31-35)

Por todo o resto desse ano, a oposição contra Jesus crescia. E os chefes dos judeus estavam desde muito determinados a não aceitar o reino espiritual de Jesus, nem o desejavam como seu chefe.

A ressurreição de Lázaro (Jo 11:47-53)

Quando Jesus "ressuscitou" Lázaro, fortaleceu-se a fé dos discípulos em seu Mestre e também muitas outras pessoas acreditaram nele. Justamente por isso:

"(...) os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram:

— Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação (...)

Desde aquele dia, resolveram matá-lo.

De sorte que Jesus já não andava publicamente entre os judeus, mas retirou-se para uma região vizinha ao deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali permaneceu com os discípulos."

Virá ele à festa?

Estava próxima a Páscoa dos judeus. Era para eles uma festa importante e um dever para todo israelita adulto comparecer.

"(...) muitos daquela região subiram para Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem. Lá procuravam a Jesus e, estando eles no templo, diziam uns aos outros: — Que vos parece? Não virá ele à festa?

Ora, os principais sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que, se alguém soubesse onde ele estava, denunciá-lo, a fim de o prenderem." (Jo 11:55-57)

Por esses dias, Jesus corajosamente se pôs de novo a caminho de Jerusalém, e novamente predisse em detalhes que lá seria preso, o maltratariam e lhe dariam morte, mas ressuscitaria depois de três dias. Subindo para Jerusalém, passou por Jericó, onde curou um cego e converteu um chefe dos publicanos (Zaqueu). (Lc 18:31-43 e 19:1-10)

A unção em Betânia

(Mt 26:6-13, Mc 14:3-7 e Jo 12:1-11)

Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus para a Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. Ali lhe ofereceram uma ceia em casa de Simão, o leproso; Marta servia à mesa e Lázaro era um dos que se achavam à mesa, em companhia de Jesus.

Foi nessa ocasião que Maria (irmã de Lázaro) ungiu a Jesus com perfume caríssimo. Judas a criticou, dizendo que com aquele dinheiro se poderia ajudar aos pobres.

João Evangelista faz uma observação: "isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava".

Jesus disse:

"Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou uma boa ação para comigo. Porque os pobres sempre os tereis convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tereis. Ela fez o que pôde; antecipou-se a ungir-me para a sepultura. Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua."

Ao saberem que Jesus estava em Betânia, uma grande turba de judeus foi até lá, não só por causa de Jesus mas também para verem Lázaro, que ele ressuscitara dos mortos. Por isso, os chefes dos sacerdotes pensavam em matar também a Lázaro, porque muitos, por causa dele, afastavam-se dos judeus e acreditavam em Jesus.

4ª - A semana de sua morte e ressurreição

Esta fase final do ministério de Jesus será estudada nos capítulos seguintes.

Bibliografia

De Charles A. Olivier (Imprensa Metodista, SP): - Preparação de Professores

Therezinha Oliveira