CAPÍTULO 29 - A ENTRADA
TRIUNFAL EM JERUSALÉM...

CAPÍTULO 29 - A ENTRADA TRIUNFAL EM JERUSALÉM, OS ÚLTIMOS DIAS DE ENSINO NO TEMPLO E O PACTO DA TRAIÇÃO

A entrada triunfal

(Mt 21:1-11, Mc 11:1-10, Lc 19:28-40 e Jo 12:12-19)
Os acontecimentos a seguir começaram no domingo (primeiro dia da semana), quando faltavam cinco dias para a Páscoa, e se estenderam até a quarta-feira.

A grande expectativa

Acompanhado dos discípulos e de uma pequena multidão (que lá fora atraída pela ressurreição de Lázaro), Jesus estava em Betânia, que ficava a uns dois quilômetros apenas de Jerusalém.
Desde que ele viera se aproximando da "cidade santa", o povo começara a pensar que "o reino de Deus havia de se manifestar imediatamente". (Lc 19:11)

Por isso, quando Jesus, naquela manhã de domingo, saiu de Betânia e tomou a direção de Jerusalém, mais do que nunca os discípulos e a multidão devem ter pensado:

- Ele vai lá para "instaurar o reino". Jesus, porém, nada falara a respeito.

Betânia ficava a sudoeste de Jerusalém, na encosta oriental do monte das Oliveiras.

Era uma subida de lá até o alto do monte, onde passava a estrada que, depois, descendo pela encosta, levava a Jerusalém.

O cumprimento de uma profecia

Já haviam alcançado a estrada no cimo do monte e passavam frente a Betfagé, quando Jesus disse a dois dos seus discípulos:

"ide à aldeia que está diante de vós, e logo encontrareis presa uma jumenta e um jumentinho com ela. Desatai-a e trazei-os para mim. Se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhes que é o Senhor quem precisa deles, mas logo os mandará de volta."

Talvez Jesus já conhecesse previamente o dono dos animais e tivesse feito com ele um acordo para usá-los. Esse proprietário poderia até ser um discípulo de Jesus, porque eles é que o tratavam por "o Senhor". Também pode ter sido uma demonstração da clarividência de Jesus, quanto a lá estarem os animais e o seu dono ter boa disposição em atender o pedido.

Com isso, Jesus dava cumprimento a uma profecia sobre o Messias como um rei espiritual e pacífico:

"Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu Rei virá a ti, justo e salvador, humilde, manso e assentado sobre um jumentinho, cria de jumenta." (Zacarias 9:9)

Os discípulos, porém, somente mais tarde se lembrariam dessa profecia. Para eles, se Jesus (que sempre andara a pé e nunca aceitara ser aclamado rei) se dispunha a entrar em Jerusalém cavalgando, era sinal de que iria entrar na cidade como um rei de poder material.

Por isso, quando trouxeram os animais, cobriram com seus mantos o jumentinho (fazer isso para alguém montar era sinal de respeito e homenagem), e Jesus o montou.

O cortejo triunfal

Os discípulos e a multidão, cheios de esperança e alegria, começaram a estender seus mantos ou ramos de árvores pelo caminho onde Jesus ia passar.

Peregrinos que iam a Jerusalém para a festa possivelmente também foram se ajuntando a esse acompanhamento.

A notícia de que Jesus estava a caminho da cidade chegou a Jerusalém e, como muitos já sabiam da ressurreição de Lázaro, tomaram ramos de palmeiras e saíram para encontrar Jesus no caminho.

Formou-se, assim, um grande cortejo à frente e atrás de Jesus, em meio a louvores como estes:

"Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! e que é rei de Israel! Hosana nas maiores alturas!"

As pedras clamarão

Pelo modo como o povo saudava a Jesus, era evidente que reconheciam ser ele o Messias. Alguns fariseus ali presentes, porém, achavam aquela aclamação indevida e disseram a Jesus:

"Mestre, repreende os teus discípulos."

Porém, chegara a hora do testemunho para Jesus. E era a última oportunidade para muitos ainda virem a saber que ele era o Messias e pudessem se definir, aceitando-o ou não. Por isso, Jesus respondeu:

"Eu vos digo que, se estes calarem, as próprias pedras clamarão:'

Os fariseus, vendo que não conseguiam conter a multidão nem demover a Jesus, comentavam entre si:

"Vede que nada aproveitais! eis que aí vai o mundo após ele."

Jesus chora sobre Jerusalém (Lc 19:41-44)

Quando ia começar a descida do monte, Jesus avistou a cidade de Jerusalém, chorou, e dizia:

"Ah! Se conheceras por ti mesma ainda hoje o que é devido à paz!

Mas agora isto está oculto aos teus olhos.

Sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco; e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação."

Esta passagem mostra que Jesus não se iludia com o aparente triunfo do momento e sabia a rejeição que iria sofrer por parte do sacerdócio e do Sinédrio.

Lamenta porque não percebem a oportunidade que receberam e não querem aceitar sua mensagem de paz e amor.

Anuncia que, em consequência, viriam a sofrer o domínio estrangeiro e a destruição da cidade, o que de fato se deu no ano 70 d.C, quando os romanos sitiaram e invadiram Jerusalém, matando a muitos judeus e dispersando os restantes.

Jesus entra em Jerusalém

Quando o cortejo triunfal entrou em Jerusalém, toda a ci¬dade se alvoroçou; quem ainda de nada sabia, indagava: "— Quem é este? E a multidão que acompanhava Jesus clamava: — E o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia."
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A purificação do Templo

(Mt 21:12-13, Mc 11:15-18 e Lc 19:45-46)

Tendo entrado na cidade, Jesus dirigiu-se ao Templo. É então que, segundo esses três evangelistas, ocorre a expulsão dos vendilhões. Acham alguns que esta foi uma "segunda purificação do templo", porque no Evangelho de João a expulsão é citada logo no começo do ministério de Jesus. (Jo 2:13-22)

Os sacerdotes e escribas queriam matá-lo, mas temiam o povo, que admirava a sua pregação.

Da boca das crianças (Mt 21:14-17)

No Templo, Jesus curou vários cegos e coxos.

"(...) Vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia, e os meninos clamando 'Hosana ao Filho de Davi', indignaram-se, e lhe perguntaram:

— Ouves o que estes estão dizendo?

— Sim [respondeu Jesus]; nunca lestes: 'Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor'?" (Alude a Salmos 8:2)

De volta a Betânia

Ao anoitecer, Jesus voltou com seus apóstolos para Betânia, que era bem perto, e lá passou a noite.

NA SEGUNDA-FEIRA

A figueira amaldiçoada

(Mt 21:18-19, Mc 11:12-14 e 20-26)

Narram os evangelistas que ao sair de Betânia, de manhã, Jesus sentiu fome. "E, vendo ao longe uma figueira que tinha folhas foi procurar frutos nela"

(Na figueira os frutos surgem antes das folhas; é de supor que, se tem folhas, deve ter frutos.) "Ao chegar perto, nada encontrou senão folhas, porque não era tempo de figos. Disse-lhe então:

— Nunca mais, para sempre, alguém coma fruto de ti!" E que, em consequência, a figueira teria secado.

Esta passagem não parece ter sido um fato real. É mais uma parábola simbolizando a nação judaica, porque alardeava ter muita espiritualidade ("povo eleito"), mas não proporcionou a Jesus frutos de boas obras, pois não o acolheu nem apoiou. Em consequência, perdeu a liderança religiosa e ficou inexpressiva no campo espiritual. Jesus diria: "o reino de Deus vos será tirado e dado a outro povo que produza frutos." (Mt 21:43)

Jesus ensina no Templo nesses últimos dias

Todos os dias Jesus ensinava no Templo; mas, à noite, saindo, ia pousar no monte chamado das Oliveiras. E todo povo madrugava para ir ter com ele no templo, a fim de ouvi-lo. (Lc 21:37-38)

Os gregos que queriam ver a Jesus (Jo 12:20-36)

Narra João que Filipe e André comunicaram a Jesus que uns gregos (que tinham ido para adoração durante a festa) pediam para vê-lo.

Parece que Jesus acha que todos já iriam vê-lo, quando fosse sacrificado, porque responde:

- que chegou a hora de ele ser glorificado e é preciso morrer para dar fruto (como o grão de trigo que, caindo na terra, se não morrer não dá fruto, mas se morrer, produz muito fruto);

- que veio precisamente para essa hora e não é o caso de pedir para ser salvo (quando apela: "Pai, glorifica o teu nome!" uma voz do céu responde que já o glorificou e novamente o glorificará);

- que quando for levantado da Terra, atrairá todos a si (significando isso o gênero da morte que lhe estava destinada: alçado na cruz).

O povo lhe disse:

"Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre, e como dizes tu ser necessário que o filho do homem seja levantado? quem é esse Filho do homem?"

Jesus não responde diretamente (havia adversários por toda parte...):

"Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz"

Depois de dizer estas coisas Jesus se retirou, ocultando-se deles.

NA TERÇA-FEIRA

Com que autoridade?

E' uma situação que já examinamos em capítulo anterior. Quando Jesus chega ao Templo, no dia seguinte, sacerdotes, escribas e anciãos pedem-lhe explicação pelo fato de haver expulsado dali os vendilhões. (Mt 21:23-27, Mc 1 1:27-33 e Lc 20:1-8)

Jesus, por sua vez, pergunta-lhes se o batismo de João é do céu ou dos homens. E, como dizem "Não sabemos" (porque não lhes convinha nenhuma das respostas possíveis), Jesus também não lhes responde com que autoridade agiu assim.

Em seguida, conta as parábolas "dos dois filhos" e "dos lavradores maus" (Mt 21:33-46, Mc 12:1-12 e Lc 20:9-18), mostrando que eles não estão fazendo a vontade de Deus, que estão rejeitando a "pedra angular".

Compreendem que Jesus falou deles e querem prendê-lo, mas temem a reação do povo.

Jesus conta, ainda, a parábola "das bodas". (Mt 22:1-14)

É lícito pagar tributo a César?

Fariseus mandam seus discípulos com os herodianos (partido político dos ligados à família de Herodes e aos romanos) tentar apanhar Jesus em falta, com essa pergunta.

Mas Jesus manda: "dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". (Mt 22:15-22; Mc 12:13-17 e Lc 20:20-26)

Os saduceus e a ressurreição

Por não acreditarem na ressurreição, querem saber de qual dos sete irmãos será a esposa que se casou com todos eles, um após outro, enquanto vivos. Jesus explica que na vida espiritual não há esses vínculos como pensam, pois não há mais corpos e sim Espíritos. (Mt 22:23-33, Mc 12:18-27 e Lc 20:27-40)

O grande mandamento

Fariseus, sabendo que ele tapara a boca aos saduceus, mandam um seu doutor da lei "experimentar" Jesus com a pergunta: "Qual o grande mandamento na lei?" Eram muitíssimos os mandamentos! Jesus responde com perfeita citação da lei: Amar a Deus e ao próximo. (Mt 22:34-40; Mc 12:28-34)

De quem o Cristo é filho?

Jesus toma a iniciativa, então, e faz essa pergunta. Quando dizem: "De Davi", Jesus mostra que Davi, em Espírito, chama ao Cristo de Senhor, evidenciando um ângulo novo para eles: descendência física não é descendência espiritual. (Mt 22:41-46; Mc 12:35-37; Lc 2041-44)

Ai de vós, escribas e fariseus!

Neste ponto é que Jesus expõe as falhas deles. (Mt 23:1-36, Mc 12:38-40, Lc 11:37-54 e 20:45-47)

Jesus lamenta Jerusalém

"Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu reunir os teus filhos como a galinha ajunta os pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes.

Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que desde agora já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!" (Mt 23:37-39 e Lc 13:34-35)

A oferta da viúva pobre

Jesus esclarece que o que valoriza a dádiva é o desejo de doar e o quanto se renuncia para doar. (Mc 12:41-44 e Lc 21:1-4)

A destruição do Templo

Ao sair do Templo, discípulos chamam a atenção de Jesus para a grandiosidade da construção. Jesus anuncia que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada, o que alarma os discípulos e os faz perguntarem quando isso acontecerá.

E o sermão profético

É então que Jesus começa a anunciar os sinais de tudo no futuro e acaba falando, também, do futuro mais distante para toda a humanidade.

Esse sermão profético abrange: Sinais precursores, o fim do Templo de Jerusalém, a vinda do Filho do homem, o fim do mundo, a época do fim de Jerusalém, exortação à vigilância (abrangendo as parábolas: do ladrão noturno, do servo bom e do mau, das dez virgens, dos talentos, do grande julgamento).

Jesus estava exortando à vigilância e perseverança no bem. (Mt 24 e 25, Mc 13 e Lc 21)

NA QUARTA-FEIRA

Jesus anuncia de novo sua morte

Tendo Jesus acabado todos esses ensinamentos, disse a seus discípulos:

"Sabeis que daqui a dois dias celebrar-se-á a Páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado" (Mt 26:1-5; Mc 14:1-2; Lc 22:1-2 ejo 11:45-53)

O plano para tirar a vida de Jesus

Os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reúnem no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás, e deliberam prender Jesus, à traição, e matá-lo. Mas diziam:

"Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo"

O pacto da traição

Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, que era um dos doze apóstolos (Judas cedeu à influência inferior). Foi ter com os principais dos sacerdotes e os capitães (guardas do Templo).

"— Que me quereis dar, e eu vo-lo entregar eu.

Eles se alegraram com a oferta e propuseram dar-lhe trinta moedas de prata.
Judas concordou e, desde então, buscava uma boa ocasião de lhes entregar Jesus, sem causar tumulto." (Mt 26:14-16; Mc 14:10-11; Lc 22:3-6)

Não se sabe ao certo que motivos levaram Judas a fazer isso. Como existe o progresso, através das reencarnações, Judas já deve estar redimido.

Explicação da incredulidade

João comenta (12:37-50) que, se não acreditaram em Jesus, "embora tivesse feito tantos sinais na sua presença", era por causa da dureza de seus corações e cita o profeta Isaías (53:1 e 6:10).

Diz, porém, que "muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas por causa dos fariseus não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens, do que a glória de Deus".

O último discurso de Jesus

Jesus clama:

"Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou [Deus]."

"Não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo; por isso a ninguém julgo "

"Mas quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem seu próprio julgamento nessa palavra [mensagem] não aceita"

Bibliografia:

O Evangelho de Jesus - Paulinas

Therezinha Oliveira