CAPÍTULO 32 - A CRUCIFICAÇÃO
E MORTE DE JESUS

CAPITULO 32 - A CRUCIFICAÇÃO E MORTE DEJESUS

Naquela sexta-feira, após haverem maltratado Jesus e escarnecido dele, os soldados romanos o retiraram do Pretório de Pilatos e o conduziram para fora dos muros da cidade de Jerusalém, a fim de ser crucificado, conforme a ordem do governador. Levavam, também, dois outros condenados (ladrões, malfeitores) para serem executados com ele.

Simão leva a cruz do Senhor

(Mt 27:32; Mc 15:21; Lc 23:26; Jo 19:17)

João diz que Jesus mesmo carregava a sua cruz. Talvez tenha sido assim até a saída da cidade. Mas devia estar muito combalido para continuar carregando, porque os demais evangelistas contam que os soldados, à saída da cidade, ao encontrarem um homem que passava por ali, lhe puseram a cruz sobre os ombros, obrigando-o que a levasse após Jesus.

Esse homem chamava-se Simão Cireneu (por ser originário da cidade de Cirene, embora morando em Jerusalém). Passava ele por ali vindo do campo (seria lavrador?).

Era pai de Alexandre e de Rufo (este último citado por Paulo como um dos discípulos em Rom 16:13).

Observação:

Segundo melhores informações, sabemos agora que apenas o travessão superior da cruz era levado pelo condenado. Lá já estariam os postes.

Também não havia um suporte para os pés na parte inferior do poste em que o condenado pudesse apoiar os pés.

O Calvário

O lugar para onde iam levando Jesus chamava-se Calvário (Gólgota, em hebraico), que quer dizer, lugar de caveira, talvez por haver ali muitos crânios insepultos, ou pela aparência da rocha no local; ou, ainda, como o entendem outros estudiosos, por se tratar de um lugar de execução habitual de condenados.

Ficava perto de Jerusalém, na passagem para a cidade, e devia ser um ponto um tanto elevado.

No caminho do Calvário

(Lc 23:27-31)

"Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse:

— Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos. Porque dias virão em que se dirá:

- Bem-aventuradas as estéreis, que não geraram nem amamentaram.

Nesses dias, dirão aos montes: Caí sobre nós, e aos outeiros: Cobri-nos.

Porque, se em lenho verde fazem isto, que será no lenho seco?"

A crucificação

(Mt 27:33-44; Mc 15:22-32; Lc 23:32-43; Jo 19:18-24)

Aos que padeciam morte na cruz, era permitido ministrar uma poção (vinho com fel, ou mirra) com efeito entorpecente, para amortecer a sensação de dor.

Quando chegaram ao Calvário, "deram-lhe a beber" poção assim. Mas Jesus, provando-a, "não a quis beber".

Era a hora terceira (9 horas) quando o crucificaram, bem como aos malfeitores; Jesus no meio e um deles de cada lado. Cumpriu-se mais uma escritura: "com malfeitores foi contado" (Is 53:12).

Contudo, Jesus dizia:

"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem."

O sorteio da túnica

Os soldados que haviam crucificado a Jesus permaneciam no local, sob o comando de um centurião, guardando-o até que a sentença se cumprisse totalmente.

Antes de crucificar Jesus, tiraram-lhe as vestes e as repartiram entre si. Deviam ser quatro soldados, pois fizeram quatro partes, uma para cada um.

Mas a túnica de Jesus era inconsútil (inteiriça, sem costura), então resolveram não rasgá-la mas sortear entre si. Cumpria-se outra profecia: "Repartiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes." (Salmo 22:18)

I.N.R.I.

Pilatos mandara gravar uma inscrição: "Jesus Nazareno, o rei dos judeus" (lesus Nazarenus Rex ludeorum), por ser essa a acusação feita e pela qual Jesus fora condenado.

Os principais sacerdotes haviam reclamado de Pilatos sobre isso:

"— Não escrevas: Rei dos Judeus e, sim, que ele disse: Sou o rei dos Judeus.

— O que escrevi, escrevi." (Respondeu Pilatos.)

E a inscrição, feita em latim, grego e hebraico, lá ficou colocada na cruz, acima da cabeça de Jesus, e foi vista e lida por muitos judeus que por ali passavam.

Os insultos a Jesus agonizante

O povo estava ali e a tudo observava.

Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:

"Ah, tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas: Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz"

Também as autoridades zombavam e diziam:

"Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é de fato o Cristo de Deus, o escolhido. Desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos."

E igualmente os soldados escarneciam:

"Se tu és o rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo "

O bom ladrão

Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo:

"Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também " O outro o repreendeu:

"Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem: mas este nenhum malfez"

E acrescentou: "Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino, Jesus lhe respondeu:

"Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso " Observação:

Talvez a frase correta seja: "Em verdade te digo hoje: estarás comigo no paraíso."

Ao pé da cruz (Mc 15:40-41; Lc 23:49; Jo 19:25-27)

Ali estavam a mãe de Jesus, a irmã dela, e Maria (a mulher de Cléopas) e Maria Madalena.

Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado (João Evangelista), disse:

"Mulher, eis aio teu filho."

Depois disse ao discípulo:

"Eis aí tua mãe"

Dessa hora em diante, João a considerou como mãe e a levou para morar em sua companhia.

A morte de Jesus

(Mt 27:45-56; Mc 15:33-41; Lc 23:44-49; Jo 19:28-30)

Já era quase a hora sexta (meio-dia), quando o sol escureceu. E houve trevas sobre toda a terra até a hora nona (15 horas), quando Jesus clamou em voz alta:

"Eli, Eli, lema sabachtáni" (Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?).

Observação:

Essa tradução, entretanto, está errada. "Sabachtáni", tanto em aramaico como em hebraico, significa "melhoraste, elogiaste, exaltaste". Não dissera Jesus anteriormente que seria "glorificado" pelo Pai? (Jo 12:24) Era assim, espiritualmente glorificado que ele se sentia naquele momento, ao final de sua missão bem cumprida. A tradução errada deve ter sido por confusão com o versículo 1 do Salmo 22 (ou 21, conforme a tradução) de Davi, em que uma alma crente, sucumbida pela demora do auxílio divino, começa dizendo "EH, Eli, lemaazvatáni" (Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste) e fala de seus sofrimentos, mas acaba expressando sua grande confiança na vitória.

Querendo, talvez, fazer uma relação entre o que Jesus estava sofrendo e o salmo de Davi, como se fosse uma profecia a respeito dos sofrimentos do Messias, deu-se origem a uma tradução errada do que em verdade Jesus exclamou.

E alguns dos que estavam ali, ouvindo isto, diziam: "Ele chama por Elias"

Alguém correu a buscar uma esponja, e, tendo-a embebido de vinagre e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe a beber.

Os outros, porém, diziam: "Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo." Após ter tomado o vinagre, vendo que tudo já estava cumprido, Jesus clamou em alta voz:

"Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito " E, inclinando a cabeça, expirou.

Após a morte de Jesus

E eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas, abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.

Observação:

Este trecho parece ser mais de imagens, de simbolismo, que de fatos reais. Exemplo:

Véu do santuário: velava o lugar mais interior e sagrado do Templo; só o sumo sacerdote ali entrava e apenas uma vez no ano; se o véu se rasgou, pode simbolizar que ali nada mais há de sagrado para ser protegido. Tremor de terra: pode simbolizar o profundo abalo que causou no povo a morte de Jesus.

Ressurgimento dos santos: simbolizaria, talvez, que, a partir de então, a comunicação entre o céu e a terra (plano espiritual e o dos encarnados) vai se fazer diretamente, sem depender mais do Templo ou do sacerdócio judaico.

Um soldado lanceteia o corpo de Jesus (Jo 19:31-37)

Já era o período de preparação do sábado, que era solene por ser Páscoa. Então, para que os corpos não ficassem na cruz no dia de sábado que viria, os judeus pediram a Pilatos que fossem quebradas as pernas dos condenados (para apressar-lhes a morte) e os corpos pudessem ser retirados antes do pôr-do-sol.

Os soldados quebraram as pernas dos outros dois condenados, mas não precisaram fazê-lo com Jesus, pois já estava morto. Cumpria-se mais uma Escritura (diz João): "nenhum dos seus ossos será quebrado". (Êx 12:46, Núm 9:2 e Salmo 34:20)

Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Cumprindo-se (diz João) outra profecia: "Eles verão aquele a quem transpassaram". (Zacarias 12:10)

Finalmente, João dá um testemunho importante de que presenciou a desencarnação de Jesus: "Aquele que viu isto [ele próprio, João] testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais ".

Therezinha Oliveira