CAPÍTULO 33 - JESUS RESSURGE
APARECE AOS DISCÍPULOS...

CAPITULO 33 - JESUS RESSURGE, APARECE AOS DISCÍPULOS E ASCENDE AOS CÉUS

Jesus morrera na sexta-feira, ao redor das 15 horas. Seu corpo foi sepultado ao anoitecer do mesmo dia. Desde então e durante todo o sábado, seu corpo jazeu no túmulo, enquanto todo o povo respeitava o dia do descanso e, também, comemorava solenemente a Páscoa.

No domingo (o terceiro dia) é que se vão dar a sua ressurreição e algumas de suas aparições aos discípulos. Compilamos os fatos e afirmativas mais importantes, contornando algumas divergências entre os evangelistas.

Observação preliminar

À luz do Espiritismo, hoje é muito fácil entender que:

1) O Espírito, que já existia antes de encarnar, não morre com o corpo e pode ressurgir (surgir de novo, reaparecer) aos olhos dos encarnados, dos que ainda vivem neste mundo.

2) Não é o corpo de carne que ressurge, mas o Espírito com seu perispírito (corpo fluídico) e este pode guardar ou não as aparências do físico anterior, conforme o Espírito as mentalize ou não.

3) O reaparecimento do Espírito no plano terreno se dá em diferentes graus, desde a simples visão (vidência) até a aparição (visível, mas intangível) e a materialização (visível e tangível).

Poderíamos acrescentar que o Espírito também ressurge quando se comunica através de um médium ou quando vem a reencarnar.

Ao tempo de Jesus e entre os judeus, as ideias sobre ressurreição eram muito vagas e imprecisas. Homens do povo, os apóstolos também não entendiam bem o assunto; isto se evidencia na passagem em que Jesus anuncia que irá "ressuscitar os mortos" e eles ficam "perguntando uns aos outros o que seria o ressuscitar dentre os mortos" (Mc 9:10). Entretanto, não tinham acabado de ver ali Moisés e Elias espiritualmente ressurgidos? Viram, mas não entenderam nem generalizaram o fato; também não lhes passou pela mente que Jesus desencarnaria brevemente, para então ressurgir espiritualmente.

Já sabiam os apóstolos da existência de anjos (Espíritos mensageiros) e que era possível afastar maus Espíritos. Mas não deviam estar familiarizados com comunicações de desencarnados conhecidos nem com suas aparições ou materializações.

Compreensível, portanto, que, nas passagens da ressurreição de Jesus, os apóstolos e discípulos pareçam ter dificuldade em aceitar, no início, que o Mestre reapareceu, pois nem deviam estar esperando esse retorno, por falta de entendimento espiritual.

A dificuldade para o povo entender isso ainda perduraria mais tarde, pois notamos que Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios, argumenta bastante a esse respeito (vs. 13-14):

"(...) se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou.

E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé.

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem " (vs. 19-20)

A ressurreição, como ressurgimento espiritual (e não do corpo) é ponto básico na doutrina cristã; e, à luz do Espiritismo, fica bem explicada e comprovada.

A ressurreição de Jesus

(Mt 28:1-10; Mc 16:1-8; Lc 24:1-12; Jo 20:1-10)

Na madrugada de domingo (no sábado qualquer trabalho era proibido), as mulheres se dirigiram ao sepulcro, levando aromas (especiarias) que haviam comprado para embalsamar o corpo de Jesus.

Eram as mulheres que colaboravam com Jesus e os apóstolos. O nome de Maria Madalena vem citado em primeiro lugar.

Lá chegando, encontraram já removida a grande pedra que tapava a entrada do túmulo.

Observação:

Mateus narra, antes, que houvera um terremoto e um anjo (mensageiro espiritual) aparecera e afastara a pedra, ficando os guardas paralisados de medo (teriam fugido, depois?). Segundo ele, Marcos e Lucas, um anjo (ou dois) teria aparecido às mulheres, informando que Jesus não estava mais ali, por haver ressuscitado, como predissera em vida; que avisassem disso os discípulos, pois Jesus iria adiante deles para a Galiléia e lá o veriam. Mateus diz, ainda, que em seguida, ali mesmo no sepulcro, as mulheres viram o próprio Jesus e o reverenciaram, abraçando-lhe os pés. Marcos diz que, por medo, elas não chegaram a dizer nada a ninguém. Lucas diz que contaram, sim, mas os apóstolos não acreditaram, porque lhes parecia "um como delírio delas".

Preferimos, porém, dar continuidade à narrativa com o relato mais singelo de João. Vejamos, a seguir.

Maria Madalena foi correndo avisar aos apóstolos. "Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram."

Pedro e João correram para o sepulcro. João chegou primeiro (talvez porque era mais jovem e, portanto, mais rápido), não entrou no sepulcro mas, abaixando-se, olhou lá dentro e viu os "lençóis de linho" (a mortalha que envolvera o corpo de Jesus). Pedro chegou em seguida, entrou no sepulcro, viu também a mortalha e notou que o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus não estava junto da mortalha, mas num lugar à parte. Aí, João entrou também no sepulcro "e viu e creu". Até então, "ainda não tinham compreendido a Escritura que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos".

A aparição a Madalena (Jo 20:10-18; Mc 16:9-11)

Os dois apóstolos haviam voltado para casa, mas Maria Madalena, que os seguira, lá ficou à entrada do túmulo, chorando. Em dado momento, abaixou-se também para olhar o interior do sepulcro e viu, então, dois anjos (seres espirituais), vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés. Eles lhe perguntaram:

"— Mulher, por que choras?

— Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram "

Ao voltar-se para trás, Madalena viu Jesus em pé, mas não o reconheceu.

"Mulher, por que choras? a quem procuras? perguntou-lhe Jesus "

Ela, supondo ser o jardineiro (ou hortelão, pois o sepulcro ficava num jardim ou horto), respondeu:

"— Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.

— Maria! disse-lhe o mestre " Ela, então, o reconheceu:

"— Rabôni!" Em hebraico, quer dizer meu Mestre.

Observação:

Madalena, a princípio, não reconhece Jesus. Seria por estar com os olhos marejados de lágrimas, que lhe distorciam a visão? Talvez. Mas nas aparições de Jesus a outros discípulos, ele também não é logo reconhecido. Sua aparência perispiritual deveria ser diferente da do corpo físico que possuíra anteriormente. E como vinham a reconhecê-lo, então? Pelo modo de falar e agir do Mestre, por sua vibração e magnetismo pessoal, que eles bem conheciam. Maria só o reconheceu quando ele a chamou pelo nome e talvez com a inflexão de que ela bem se recordava.

"Não me toques; porque ainda não subi para meu Pai (...)" Observação:

Por que Jesus diz isso? Talvez quisesse ela prostrar-se ante ele e abraçar-lhe os pés, reverenciando-o (como era costume fazerem em sinal de afeto e respeito). Mas, se sua aparência fosse apenas visível porém ainda não-tangível, Madalena, tentando tocá-lo, poderia sofrer impacto por não abraçar nada materialmente.

Outros traduzem por "não me detenhas". Neste caso, a atitude de Madalena prolongaria o encontro e Jesus não se podia demorar ali, tendo outras providências a tomar.

O importante era a mensagem que, através dela, Jesus queria mandar, para os discípulos.

"(...) mas vai ter com seus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus."

Observação:

Na mensagem, além de se colocar como irmão de todos (meus irmãos), Jesus fala "meu Deus e vosso Deus." Com isso, anula qualquer idéia de que ele seja o próprio Deus.

"Vi o Senhor, correu Madalena a anunciar aos discípulos." E, certamente, deve ter-lhes contado a mensagem que Jesus lhes enviava. Mas eles ainda não acreditavam na ressurreição, no ressurgimento espiritual do Mestre, como veremos na sequência dos acontecimentos.

Os judeus subornam os guardas (Mt 28:11-15)

Enquanto isso, alguns da guarda (soldados da escolta romana; seriam os mesmos que haviam estado de guarda) foram à cidade, contar aos principais sacerdotes que a pedra do sepulcro fora removida e o corpo desaparecera.

Depois de se reunirem em conselho com os anciãos, os sacerdotes deram grande soma de dinheiro aos guardas para dizerem: "Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram, enquanto dormíamos."

Prometeram, também (aos guardas), colocá-los em segurança, se o caso chegasse ao conhecimento do governador.

Recebendo o dinheiro, os guardas fizeram como estavam instruídos.

E a versão do roubo do corpo se divulgou entre os judeus.

Observações:

1) O que mais interessava aos sacerdotes era que o corpo de Jesus não sumisse e pudesse ser apresentado, para comprovar que o líder estava morto e desanimar os seus seguidores. Se se divulgou a versão do roubo, é que de fato o corpo desaparecera e eles não podiam mais apresentá-lo ao povo.

2) Teriam mesmo os discípulos roubado o corpo de Jesus? Muito dificilmente, pois não eram guerrilheiros, mas homens do povo e havia uma escolta guardando o sepulcro. Se realmente tivesse sido roubado, o dever dos guardas era comunicar não aos sacerdotes, mas aos seus superiores militares (os romanos) para a tomada de providências.

3) Como teria desaparecido o corpo carnal de Jesus? Por transporte espiritual para outro lugar; ou por desmaterialização. Por que isso foi feito? Talvez para evitar que os homens dessem demasiada importância aos restos mortais de Jesus e os arrastassem de cá para lá, até hoje, em disputas e vãs exibições, como se fez com as relíquias de alguns dos chamados santos. Não é a carne de Jesus que precisamos reverenciar e amar. É ao seu Espírito, sábio e amoroso, que um dia aceitou nascer entre nós e, durante pouco mais de trinta anos, a todos nos ensinou a viver como Filhos de Deus.

Os discípulos no caminho de Emaús (Lc 24:13-35; Mc 16:12-13)

Voltando ao fio da narrativa, veremos que, na tarde daquele mesmo dia (domingo), dois dos discípulos estavam de caminho para Emaús (aldeia cerca de 1 km de Jerusalém). E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas, quando o próprio Jesus se aproximou e caminhou ao lado deles, sem que o reconhecessem, tendo perguntado:

"Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais?"

Parando, entristecidos, um deles, chamado Cléopas, respondeu:

"— És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?

— Quais?

— O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era homem profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram.

[Obs.: Falam de Jesus como homem e "porta-voz'] Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. E' verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas a ele não nos viram.

— Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! (respondeu Jesus). Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?"

E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.

Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de seguir adiante. Mas eles o constrangeram, dizendo:

"Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina" Jesus acedeu, entrou com eles e, quando estavam à mesa, tomando ele o pão abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu;
então se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles (a materialização se desfez). E disseram um ao outro:

"Porventura não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava, quando nos expunha as Escrituras?"

E, na mesma hora, levantando-se voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os dez (Judas já se suicidara e Tomé não estava) e outros com eles, os quais diziam:

"O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão!" (Ver também I Cor 15:5)

Então os dois contaram o que lhes acontecera no caminho, e como fora por eles reconhecido no partir do pão. "Mas também a estes dois eles não deram crédito " (Mc)

Jesus se materializa ante os discípulos (Mc 16:4-18; Lc 24:36-49 e Jo 20:19-23)

As portas da casa onde os apóstolos se encontravam estavam trancadas, porque eles tinham medo da perseguição dos judeus.

E ainda estavam eles falando dessas coisas, quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: "A paz seja convosco!"

Observação:

Como teria Jesus entrado, se as portas estavam trancadas? Sendo fluídico o corpo com o qual ressurgira, não encontrava nenhum obstáculo nas paredes ou portas trancadas.

Surpresos e atemorizados, os discípulos acreditavam estar vendo um Espírito (que fosse apenas uma visão).

"Por que estais perturbados? e por que sobem dúvidas aos vossos corações? indagou Jesus."

E censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que já o tinham visto ressuscitado.

"Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos , como vedes que eu tenho."

E mostrou-lhes as mãos, os pés e o lado lanceado (materialização completa).

Mas eles, atônitos de alegria, não conseguiam acreditar.

"Tendes aqui alguma coisa que comer?"

Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado (e um favo de mel) e ele comeu na presença dos discípulos. (As substâncias podem ser transformadas e assimiladas de modo diferente que a nutrição comum, ou serem desmaterializadas.)

A seguir, Jesus:

- explicou a eles e os fez entender que tudo fora para que se cumprissem as escrituras;

- pediu que por toda a parte e a toda a criatura pregassem o evangelho, sendo suas testemunhas de todo o ocorrido: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio";

- recomendou que permanecessem na cidade até serem revestidos de poder (assistência espiritual prometida na ceia pascoal e que iria ser concretizada no dia de Pentecostes).

A incredulidade de Tomé e a nova aparição de Jesus (Jo 20:24-29)

Tomé, chamado Dídimo (gêmeo), era um dos apóstolos e muito dedicado a Jesus (ver Jo 11:16), mas não havia estado na reunião anterior. Quando os outros discípulos lhe contaram que haviam visto o Senhor, ele respondeu:

"Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o meu dedo, e não puser a minha mão no seu lado [ferido], de modo algum acreditarei."

Então, oito dias depois (do domingo), estavam outra vez ali reunidos, também de portas trancadas, e Tomé estava com eles, quando Jesus outra vez apareceu e lhes disse:

"— Paz convosco! [E convidou Tomé]: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.

— Senhor meu e Deus meu! exclamou Tomé.

— Por que me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram."

Não dependamos só da observação pessoal de fenômenos para crer na vida espiritual; valem também o raciocínio e a confiança em depoimentos sinceros de pessoas dignas.

Jesus aparece aos discípulos na Galiléia

Atendendo â orientação de Jesus, os apóstolos iriam permanecer em Jerusalém, aguardando o cumprimento da promessa do Consolador (Atos 1:4-5). Mas, antes, devem ter ido à Galiléia, para que o vissem outra vez, como o dissera um anjo às mulheres (Mc 16:7).

Estavam, pois, os discípulos na Galiléia, quando Jesus voltou a se manifestar a eles.

1) A sete discípulos (Jo 21:1-23).

Simão Pedro, Tomé, Natanael, Tiago e João (filhos de Zebedeu) e mais dois outros.

Simão Pedro resolveu pescar e os outros foram com ele. Entraram no barco e, naquela noite, nada apanharam. Ao clarear a madrugada, Jesus apareceu na praia (não estavam distantes de lá); só que eles não o reconheceram.

Jesus perguntou se tinham alguma coisa de comer, disseram que não. Então, mandou lançarem a rede à direita do barco, que achariam. Assim o fizeram e a rede veio cheia de peixes, em grande quantidade.

Aí, João disse a Pedro: "É o Senhor!" (Identificou pelo fenômeno produzido.)

Ouvindo que era o Senhor, Simão Pedro cingiu-se com sua veste (despira em parte a roupa de cima, para trabalhar) e lançou-se ao mar (na direção da praia, onde estava Jesus), enquanto os outros vieram no barco, puxando a rede cheia de peixes.

Na praia, Jesus os convidou a comer de pão e peixe que preparara.

"Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: 'Quem és tu?' porque sabiam que era o Senhor."

Registra João que essa era "a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos [reunidos] depois de ressuscitado dentre os mortos.

Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro:

— Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes outros?

— Sim, Senhor, tu sabes que te amo.

— Apascenta os meus cordeiros " Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: "— Simão, filho de Jonas, tu me amas?

— Sim, Senhor, tu sabes que te amo.

— Pastoreia as minhas ovelhas."

Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: "— Simão, filho de Jonas, tu me amas?" Pedro se entristeceu, por ter Jesus feito essa pergunta pela terceira vez.

Talvez achasse que Jesus duvidava dele, por causa da negação anterior.

Porém, era uma oportunidade de reafirmação que Jesus lhe dava: três vezes negara? três vezes afirmava.

"— Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo.

— Apascenta as minhas ovelhas.

Em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres."

Aludia Jesus (diz João) ao gênero de morte com que Pedro haveria de glorificar a Deus (seria sacrificado pelos adversários do Cristianismo).

"Segue-me!" (Disse, então, Jesus a Pedro.)

E Pedro, voltando-se, viu que João também o ia seguindo e perguntou a Jesus:

"— Senhor, e quanto a este?

— Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me."

Comenta João que por essas palavras do Cristo ("que ele permaneça até que eu venha") tornou-se corrente que João não morreria, mas não foi isso o que Jesus disse.

2) Aos onze apóstolos (e quinhentos discípulos?). (Mt 28:16-20)

Mateus narra que os onze discípulos seguiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara. Mas a tradição diz que lá foram também cerca de quinhentos outros discípulos (os chamados quinhentos da Galiléia), provavelmente avisados pelos apóstolos da conclamação de Jesus.

Quando Jesus ali apareceu, os apóstolos o reverenciaram e, por certo, a maioria dos outros discípulos também, porém Mateus registra que "alguns duvidaram" (v. 17). Por quê? Estaria o evangelista se referindo aos que nem foram lá, por não acreditarem que Jesus pudesse ter ressurgido? Ou aos que não teriam acreditado porque, possivelmente, a aparência de Jesus agora fosse diferente da que eles conheciam? Ou outros porque não tivessem conhecido Jesus em vida e não tinham como comparar?

Nessa oportunidade, Jesus teria dito:

"Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra"

E teria pedido a todos:

"Ide, portanto, fazei discípulos em todas as nações, ensinan-do-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado." Assegurando, ao final:
"E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos."

Outras aparições de Jesus

Jesus apareceu aos seus discípulos não somente nessas oportunidades mas ao longo de quarenta dias (Atos 1:3). Com isso, provavelmente, os estava preparando para terem plena convicção na sobrevivência da alma e para irem se acostumando com sua ausência física sem duvidarem de que, mesmo invisível, ele continuava a assisti-los espiritualmente.

Assim foi, até que se despediu materialmente deles, como vemos no episódio a seguir, com o qual os evangelistas encerram seus relatos.

A ascensão de Jesus

(Lc 24:50-53, Mc 16:20 e Atos 1:6-14)

Ela se deu perto de Jerusalém (em Betânia, Lc 24:50, ou no monte das Oliveiras, segundo o mesmo autor, em Atos 1:12). Jesus, erguendo as mãos, abençoou os discípulos e, enquanto assim o fazia, "ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu", até que "uma nuvem o encobriu de seus olhos" (as materializações sempre se dissolvem em uma nuvem de ectoplasma).

Os discípulos ainda olhavam para o céu, quando dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e perguntaram:

"Homens galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi levado ao céu, assim virá do modo como o vistes subir."

Da mesma maneira como Jesus se desmaterializara, poderia voltar a se materializar muitas vezes. Era a certeza de que haveria outras comunicações.

Então, tomados de grande júbilo, voltaram para Jerusalém; e sempre iam ao templo, louvando a Deus.

E, depois de receberem a manifestação do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, pregaram por toda a parte, "cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam".

Observação:

João e Mateus nada falam sobre a ascensão. Mas João (ou um seu discípulo) diz (20:30-31):

"Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome".

A ressurreição dos santos (Mt 27:52-53)

Quando Jesus morreu, "abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa [Jerusalém], e apareceram a muitos".

Não é que dos sepulcros saíssem os corpos dos mortos, mas houve o reaparecimento espiritual de muitos Espíritos de pessoas boas ("santos"). Foi como se o ressurgimento de Jesus marcasse nova etapa de comunicação entre os dois planos de vida: o espiritual e o terreno.

Jesus visita os "Espíritos encarcerados"

Ressurgido, Jesus, em Espírito, "foi, e pregou aos Espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé (...)" (I Pe 3:18-20)

"Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos , para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus, em espírito" (I Pe 4:6).

Esses trechos da carta de Pedro evidenciam que mesmo os que morreram em erro podem ser ajudados a se arrependerem, aprendendo quanto às leis de Deus e se melhorando intelectual e moralmente. Não há, pois, condenação eterna.

Bibliografia

De Allan Kardec:
- O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. IV, "Ressurreições";
- A Gênese, Cap. XV, "Aparições";
- O Livro dos Médiuns, VI, itens 104-106.
De Eilen G. White (Casa Publicadora Brasileira):
- O Desejado de Todas as Nações, Caps. 81 a 87. De Charles A. Oliver (Imprensa Metodista, SP):
- Preparação de Professores.

Therezinha Oliveira