CAPÍTULO 6 - O TEMPLO
E AS SINAGOGAS

CAPITULO 6 - O TEMPLO E AS SINAGOGAS

No judaísmo (a religião dos judeus):

- a norma de vida moral e religiosa eram a lei de Moisés e os ensinamentos dos profetas;

- as instituições fundamentais eram: o Templo e a sinagoga.

O culto religioso consistia em:

- oferta de sacrifícios (feitos no Templo, único lugar oficial para isso);

- reuniões para leitura, explicação e orações (feitas no Templo, nas sinagogas e onde quer que se encontrassem israelitas).

Historico do Templo e das sinagogas

Ao tempo de Moisés, as Tábuas da Lei eram guardadas na Arca da Aliança (ver ilustração na pág. 86), que ficava numa tenda-santuário (Tabernáculo).

Posteriormente, o rei Davi planejou e o rei Salomão construiu para abrigar a arca, um templo suntuoso, embora não muito grande. Despojado várias vezes em guerras com os povos inimigos, esse templo terminou incendiado e saqueado por ordem do rei da Babilônia (586 a.C.) e a arca foi perdida.

Quando Ciro os libertou do exílio na Babilônia e os israelitas retornaram a Jerusalém, Zorobabel construiu, no mesmo local do anterior, um novo templo, mais modesto. Também profanado por povos inimigos, este templo foi purificado pelos Macabeus (165 a.C.) e nele restaurados os sacrifícios e cultos judaicos.

Quando ainda estavam exilados na Babilônia (sem Templo, nem Tabernáculo, nem Arca), os israelitas, que não haviam perdido a fé no Deus único, criaram um lugar para orações e estudo e transmissão dos ensinos. Surgiram, assim, as sinagogas.

Mais tarde, mesmo tendo o novo templo, em Jerusalém, os israelitas não deixaram de formar sinagogas. E, ao tempo de Jesus, toda cidade ou povoação, por menor que fosse, possuía a sua sinagoga; nas grandes cidades, erguiam-se em número maior (Mc 5:22).

No ano 20 a.C, Heródes, o Grande, começou a restaurar o Templo, aumentando-o e embelezando-o. Sua construção já estava bem adiantada ao tempo de Jesus, mas o projeto total somente ficou concluído no ano 64 d.C

Em 66 d.C. os judeus se rebelaram contra o domínio romano. Os exércitos romanos, mandados para sufocar a revolta, invadiram a Palestina e sitiaram a cidade de Jerusalém, que, depois de prolongado cerco, foi tomada e destruída, no ano 70 d.C. Tito (então general romano) tencionava conservar o Templo, mas os soldados lhe atearam fogo, não ficando "pedra sobre pedra", como Jesus profetizara (Mt 24:1-2). (Cristãos, por sinais que Jesus anunciara, escaparam em tempo para o outro lado do Jordão.)

Mais tarde, o Imperador Juliano Apóstata tentando reconstituí-lo, apenas acabou de destruir o que ainda restava.

Entretanto, as sinagogas mantiveram a identidade judaica até nossos dias, tanto na Judéia como na diáspora, em todo o mundo.

Como era o Templo, na época de Jesus (ver ilustração na pág. 85)

Tinha grandes dimensões para a época, cerca de 178.600m2 (470x380m2 de área total dentro dos muros) e era majestoso.

Amplos pórticos (galerias com cobertura apoiada em colunas de mármore) circundavam todo o recinto, com algumas portas esparsas, por onde qualquer pessoa podia entrar no pátio dos Gentios (estrangeiros), que comportava 140 mil pessoas.

Somente israelitas podiam entrar no pátio dos Israelitas, que vinha a seguir.

As mulheres ficavam na primeira parte desse pátio, chamada de pátio das Mulheres (cinco metros mais elevado que o dos gentios, era um quadrado cercado de três lados por colunas, sobre as quais havia uma galeria, de onde as mulheres podiam assistir às cerimônias litúrgicas).

Somente os homens israelitas, subindo por uma escada no quarto lado (semicircular, com quinze degraus), podiam ir até a segunda parte, chamada Adrio ou pátio dos Homens (quatro metros mais elevado que o das mulheres).

Vinha, depois, o pátio dos Sacerdotes (ou dos levitas, porque ali somente entravam servidores do Templo, todos da tribo de Levi), onde ficavam: o altar dos Holocaustos, o mar de Bronze (tanque de água) e demais objetos necessários às imolações e sacrifícios.

Adiante desse pátio, erguia-se o santuário propriamente dito (45m de largura), todo recoberto de teto precioso e encimado por longas agulhas douradas.

No interior desse santuário, ficava o Santo (local em que o sacerdote oficiava, com o altar dos perfumes, mesa dos pães da proposição e candelabro de sete braços.

Separado do Santo por uma cortina preciosa ("véu do Templo"), estava o Santo dos Santos, no qual somente o sumo sacerdote entrava e, assim mesmo, apenas uma vez por ano (no dia da expiação). O local era escuro e vazio o lugar da arca, que desaparecera.

Citemos, ainda, ao falar do Templo de Jerusalém:

Pináculo: uma torre que ficava no ângulo sudeste da muralha.

Fortaleza Antônia: encravada no ângulo noroeste, ocupada pelos romanos, cujas sentinelas de lá vigiavam, noite e dia, tudo que se passava nos pátios exteriores do Templo.

Em conclusão, o Templo era o centro econômico, político e judiciário da vida do povo, sendo dominado pelos saduceus (a elite sacerdotal é de saduceus).

Quase toda a economia do país converge para o Templo, a ponto de ele se tornar o tesouro nacional.

No campo político, é o centro de onde atua a cúpula governamental judaica, formada pelo Sinédrio.

Ideologicamente, exerce uma grande força de controle da sociedade, pois seus sacerdotes é que determinavam quem estava puro ou impuro (mais próximo ou distante de Deus), estabelecendo a estratificação da sociedade.

A classe sacerdotal

Moisés (em nome de Deus) reservou a tribo de Levi para os serviços religiosos do povo hebreu, a saber:

Sacerdotes: somente os que fossem da família de Aarão (irmão de Moisés). Incumbia-lhes oficiar os cultos. Ao tempo de Jesus, dividiam-se em 24 turmas que se revezavam semanalmente.

Sumo sacerdote: superintendia tudo que se relacionasse com o culto religioso (o primeiro foi Aarão). O cargo era vitalício e transmitia-se de pai para filho. Durante o domínio romano, no entanto, a escolha passou a ser feita pelo poder civil, que, a seu critério, os nomeava e destituía. Não faltaram homens ambiciosos e corruptos que se fizeram elevar por meios indignos. Anás, p.ex., durante nove anos (6 a 15) exercera o sumo sacerdócio e depois conservara tal influência conseguindo seguidamente a nomeação de cinco filhos para o cargo. Seu genro Caifás era o sumo sacerdote, ao tempo da condenação de Jesus.

Levitas: os membros das outras famílias da tribo de Levi. Só eles podiam fazer os demais serviços secundários do Tem¬plo: guardas, tesoureiros, porteiros, músicos etc. Dividiam-se
em grupos.

Juntos, sacerdotes e levitas exerciam grande influência na vida israelita, pelo seu número (chegaram a ser 25 mil homens), pelos seus empregos e funções, pelas quantias que manejavam (ex.: todo comércio do Templo e seus serviços eram tributados pelos sacerdotes; todo judeu com mais de vinte anos, onde quer que estivesse, pagava tributo anual ao Templo).

Ao tempo de Jesus, porém, a classe sacerdotal estava em decadência. Faltava-lhe prestígio intelectual e moral. O clero pobre definhava na penúria. Um pequeno grupo sacerdotal conservava posição de destaque.

A atividade dentro do Templo

Sacrifícios cruentos (de animais) ou incruentos (trigo, pão, vinho, azeite, incenso etc.) eram feitos diariamente no Templo, pelos sacerdotes, que tinham direito a uma parte das ví¬timas oferecidas pelos particulares e tinham, também, o privilégio da venda da carne e do sangue dos cordeiros abatidos todos os dias pelo próprio Templo. De manhã, no altar dos perfumes, um sacerdote queimava o incenso e depois abençoava o povo. A tarde, repetiam-se as cerimônias mas sem a bênção.

As esmolas destinadas aos gastos do Templo eram lançadas no gazofilácio que, por extensão, se diz tesouro. Consistia em "troncos" de gargalo estreito em cima que se alargavam na parte de baixo (donde serem chamados de "trombetas"). Sua parte estreita se exteriorizava em salas do templo e ali as pessoas lançavam suas moedas.

Os exibicionistas chegavam a trocar seu donativo em moedinhas de cobre (chalkón) para serem em grande número e fazerem bastante barulho ao caírem nos gargalos, atraindo assim a atenção de todos para a sua oferta (ver vol. 7, pág. 71 de Sabedoria do Evangelho, de C. Torres Pastorino).

Era às portas do pátio dos Gentios que se desenvolvia o intenso e variado comércio de animais, perfumes, óleos aromáticos, cópias de escrituras, câmbio de moedas estrangeiras etc. Ali se alojavam os mercadores e cambistas que Jesus expulsou.

Nas galerias que davam acesso ao pátio dos gentios, todos podiam conversar sobre os assuntos religiosos; era o que Jesus costumava fazer, pregando ao povo "a palavra de Deus", mesmo sem ser sacerdote.

A atividade nas sinagogas

Era nas sinagogas que o povo se reunia (principalmente aos sábados e em dias de festa), para a oração, ouvir a palavra de Deus e sua explicação.

A frente de cada sinagoga estava um dirigente ou chefe (chamado arquissinagogo ou príncipe da sinagoga). Ele é que presidia à leitura do Torah (a lei).

As explicações podiam ser feitas por qualquer pessoa a quem o dirigente confiasse esse encargo. (Por isso vemos Jesus tomando a palavra nessas reuniões.) O chefe também presidia às orações comunitárias e podia celebrar casamentos e Ofícios fúnebres.

Espalhadas por todo o país, eram centros de educação e organização do povo. Fariseus e escribas as controlavam, propagando suas idéias e exercendo grande influência sobre o povo, adquirindo cada vez maior prestígio.

Profetas

Não podemos falar da religião dos israelitas sem abordar os profetas, que atuam paralelamente ao sacerdócio organizado, em toda a história do povo hebreu, e cujos escritos, conservados junto com os livros da lei, eram lidos e explicados ao povo, também.

Profeta - que fala por alguém, como intérprete ou anunciador; no caso, "em nome de Deus".

Eram médiuns superiormente inspirados, chamados por Deus para transmitir ao povo as instruções divinas, a fim de que entendessem a vontade de Deus e a cumprissem, corrigindo desvios.

Para que o povo tivesse certeza de que Deus os autorizara a falar em seu nome, os profetas não só explanavam os ensinamentos divinos; também produziam sinais (fenômenos de efeitos físicos ou intelectuais, até mesmo predições, anúncio de acontecimentos futuros).

Mesmo assim, muitas vezes foram rejeitados, incompreendidos e, até, perseguidos e mortos.

Mas foi por intermédio deles que a orientação espiritual superior se manteve constante e atuante entre os hebreus, sem cair no domínio e subjugação da organização religiosa do templo ou do governo judaicos.

Em sentido lato, todos os israelitas que receberam de Deus "a palavra" (mensagem a ser transmitida ao povo) foram seus profetas (anunciadores, porta-vozes). Assim, Adão, Abraão e Moisés o teriam sido.

Em sentido restrito, o ministério profético começa com Samuel, passando por Elias, Eliseu e Davi (ver Lello Universal, verbete "profetas").

Entretanto, somente mais tarde as mensagens divinas começaram a ser registradas por escrito.

Classificando, então, esses profetas conforme a extensão dos seus escritos, teremos:

- profetas maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel;

- profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

São, ao todo, dezesseis profetas. Se entre os maiores admitirmos Baruc (que é livro deuterocanônico), serão dezessete.

Vale a pena citar que houve também profetisas, porém sem livros escritos: Maria (irmã de Moisés); Débora; Ana (uma das primeiras pessoas a reconhecerem Jesus como o Messias).

 

As festas - Grandes festas

(De O Evangelho, Pe. Lincoln Ramos, Cap. IV)

Celebravam-se anualmente três grandes festas.

Páscoa - era a principal. Começava no dia catorze do mês de Nisan (fim de março ou princípio de abril) e prolongava-se por sete dias, durante os quais não era permitido o uso de pão fermentado.

Donde também o nome de "dias dos ázimos" (ázimo = sem fermento).

Todos os homens, que não estivessem impedidos por motivo grave, deviam subir em romaria a Jerusalém.

Páscoa quer dizer passagem. A festa foi instituída para comemorar a saída do Egito e a passagem do anjo, que, na véspera, teria exterminado os primogênitos dos egípcios, deixando intactas as casas dos israelitas, marcadas com o sangue de um cordeiro. Por esta razão, celebravam no primeiro dia o banquete pascal, com cerimônias adequadas. Cada família ou grupo de pelo menos dez pessoas fazia imolar no templo um cordeiro ou cabrito de um ano. Assavam-no em casa para a ceia noturna. Iniciava-se esta com a bênção de um primeiro cálice de vinho que todos sorviam ao mesmo tempo. Comiam, em seguida, legumes ensopados em molho. O cordeiro e os pães ázimos eram servidos com o segundo cálice. Ao terceiro, davam-se ações de graças. Podiam seguir-se outros cálices.

Na última ceia pascoal com os seus discípulos, Jesus se coloca como "cordeiro de Deus" sacrificado para dar vida a muitos.

Para os cristãos, a Páscoa é comemorada como a passagem da morte para a vida, ressaltando-se a ressurreição de Jesus.

Pentecostes - pentecostes significa "qúinquagésimo". Tinha esta denominação porque se celebrava 50 dias depois da Páscoa.

Nessa ocasião, geralmente estava terminada a colheita. Era a festa de ação de graças.

Na festa de Pentecostes, que se seguiu à ressurreição de Jesus Cristo, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos que se encontravam reunidos em uma casa (At 2:1-4).

Festa dos Tabernáculos - realizava-se a partir do dia quinze de outubro. Comemorava a longa passagem dos hebreus pelo deserto. Durante sete ou oito dias habitavam em tendas cobertas de folhagem, que se armavam nas praças ou nos tetos das casas.

Outras festas - cinco dias antes da festa dos Tabernáculos celebrava-se o Dia da Expiação, com jejum rigoroso e outras penitências. O sumo sacerdote penetrava no Santo dos Santos e o aspergia com o sangue de um touro imolado. Impunha as mãos sobre a cabeça de um bode (por isto denominado expiatório) como que para lhe transferir os pecados do povo e mandava enxotá-lo para o deserto.

Dedicação do Templo - era comemorada em dezembro e durava oito dias. Foi instituída em memória da restauração do culto por Judas Macabeu, depois da profanação do Templo por Antíoco.

Usos e costumes

(De O Evangelho, Pe. Lincoln Ramos, Cap. V)

Casamento - entre os judeus, o casamento constava de duas cerimônias. Celebravam-se primeiro os esponsais. Os noivos, desde esse momento, eram considerados como legitimamente casados, mas continuavam a residir em casa de seus pais. Celebrava-se mais tarde o matrimônio, que consistia sobretudo em levar solenemente a esposa à casa do esposo. Este ia acompanhado de seus amigos à residência da esposa, que o esperava, cercada de suas amigas. Depois, dirigiam-se todos à morada do noivo ou à casa de seus pais. Realizavam-se ali festas que podiam durar muitos dias.

Maria estava apenas comprometida com José quando o anjo lhe anunciou que seria mãe do Salvador.

Vigorava a lei do levirato que consistia no seguinte: se morresse um homem sem deixar filho, seu irmão estava obrigado a casar com a viúva e o primogênito deste novo casal era considerado pela lei como filho do primeiro marido. Se o segundo marido morresse também, sem descendência, a obrigação de casamento passava para o irmão seguinte. E assim por diante.

Purificações - a lei proibia o uso de certos alimentos, como carne de porco e de camelo, e recomendava diversas medidas higiênicas, que vedavam tocar em determinados objetos como ossos, sepulcros etc. Era também proibido entrar em casa de gentios.

Chamavam-se "imundos" ou "impuros" os objetos ou animais cujo contato devia ser evitado. Além da finalidade higiênica, estas prescrições constituíam um símbolo da pureza moral que devia distinguir os israelitas.

Criou-se uma série de minuciosidades. Quem violasse um destes pontos contraía impureza legal, que só se apagava com purificações. Conforme a impureza, tornava-se necessário lavar as mãos, ou os braços, ou o corpo todo e as vestes, ou mesmo oferecer sacrifícios purificatorios. Fazia-se uso abundante de água para as diversas purificações. Antes de tomar qualquer alimento, deviam purificar (lavar) as mãos. Jesus censurava este excesso de exterioridades, lembrando que o essencial é a pureza do coração.

Publicanos - denominavam-se publícanos os encarregados de receber os impostos públicos que se deviam pagar ao imperador romano. Geralmente, eram odiados porque representavam o poder estrangeiro, e considerados como pecadores, porque muitas vezes abusavam de suas funções, exigindo mais do que de direito. Eram excomungados (expulsos das sinagogas) os judeus que aceitavam o cargo de publicanos.

Bibliografia

-O Evangelho de Jesus (sinopse dos 4) (Paulinas).
- História Ilustrada do Mundo Bíblico (Seleções do Readers Digest).
De Daniel Rops (Livraria Tavares Martins):
- O Povo Bíblico.
De Pe. Lincoln Ramos (Regnum Dei): -O Evangelho (sinopse dos 4).

Therezinha Oliveira