CAPÍTULO 8 - JESUS,
O CRISTO DE DEUS I

CAPÍTULO 8 - JESUS, O CRISTO DE DEUS I

Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.

No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram.

Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam:

" Irmãos! nada perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade." — O Espírito de Verdade (Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo. FEB. Cap. VI, item 5)

JESUS, O CRISTO DE DEUS - I - JESUS EXISTIU REALMENTE?

A falta de comprovação histórica

Há quem duvide da existência real de Jesus, porque não ha dela uma perfeita comprovação histórica. Nem se sabe, com exatidão, quando e onde nasceu, idade que alcançou, quando morreu.

Essa falta de informações históricas sobre Jesus talvez se Explique pelo fato de que:

- a Palestina e o povo israelita não ofereciam, ao tempo de Jesus, importância econômica, militar, cultural ou religiosa que merecesse especial destaque nas páginas dos historiadores;

Jesus não foi para o seu povo uma autoridade oficial, religiosa ou política; e aos seus adversários (estes sim, no poder) interessava diminuir e ocultar o valor da presença e atuação do Cristo.

Nao obstante, algumas alusões a Cristo e seus seguidores são encontradas em:

Flávio Josepho (historiador judaico do século I) que, em sua obra Antiguidades judaicas, item 772, Cap. IV, livro XIX, faz considerações sobre a administração de Pilatos como governador da Judéia e cita, então, a Jesus.

Suetônio, na história dos primeiros Césares, fala do suplício de Christus.

Tácito menciona a existência de cristãos entre os judeus, antes da tomada de Jerusalém por Tito, e diz que o nome lhes vem de Cristo.

O Talmude (compêndio judaico com comentários sobre lei, usos e costumes) fala da morte de Jesus na cruz.

Plínio, o Moço, numa carta dirigida a Trajano, diz: "Todos comigo invocaram os deuses e ofereceram incenso e vinho à tua imagem, maldizendo o Cristo" (Epist. 97, libr. X).

E as pesquisas continuam, na atualidade, denominando-se Cristologia o estudo que se destina a investigar quem foi o Nazareno, seu lugar na História real e os fatos de sua existência.

Para alguns, Jesus seria um mito

Há quem considere Jesus uma figura de ficção, lendária, um mito.

Cita Leon Denis que, para essas pessoas:

"(...) não passaria a história de Jesus de um drama poético, representando o nascimento, a morte, a ressurreição da idéia libertadora no seio do povo hebreu escravizado, ou ainda, uma série de figuras imaginadas para tornar perceptível às massas o lado prático e social do Cristianismo, a associação dos tipos divino e humano em um modelo de perfeição oferecido à admiração dos homens" (em Cristianismo e Espiritismo, Cap. III).

Lisandro de la Torre, por exemplo, em Os Cristãos e as Questões Sociais, acha que seria lendária a existência do Nazareno, porque encontrou semelhança do nome de Jesus Cristo mm um deus redentor dos hindus: Iesus Crisna. (José Jorge, em artigo "O Natal de Jesus", SEl-Rio, L/12/1984).

E os Evangelhos?

É verdade que temos os Evangelhos por fonte sobre a vida de Jesus. Mas foram escritos pelo menos cerca de 30 anos após a morte do Cristo (antes, havia somente tradições orais), e nota-se, neste ou naquele passo, que apresentam discordâncias entre si e sofreram interpolações, acréscimos, deturpações, quanto à figura de Jesus.

Onde a certeza de que Jesus existiu realmente?

Na superioridade da doutrina que ele ensinou e ficou registrada nos Evangelhos.

O mundo judaico era sombrio e exclusivista, nele reinado a agressividade e o egoísmo. A mensagem de Jesus é de amor e fraternidade. Por isso, fica evidente quando houve uma adição feita pelos cristãos-judeus, posteriormente. O contraste é grande entre o que Jesus realmente fez e disse e o que foi acrescentado.

A doutrina de Jesus é um código de moral inatacável, de validez inalterável através dos tempos. Se aceito e aplicado, pode realmente solucionar os maiores problemas da Humanidade, porque combate seus grandes causadores: o materialismo e o egoísmo.

Sendo moralmente superior ao mundo judaico, a doutrina cristã não poderia ter sido criada pelos israelitas. Muito me-11. is pelos apóstolos, homens incultos e incapazes de tais con-. epções. Tanto que até tiveram dificuldade para entendê-la e M eitá-la. Quanto a Paulo, já encontrou a doutrina pronta, i i.u i a elaborou.

E, portanto, a doutrina de Jesus a maior prova de que ele existiu e viveu entre nós. O Cristianismo contém, em sua essência, todas as verdades e conduz à espiritualização e ao amor. "São de origem humana os erros que nele se enraizaram", como lemos em O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5.

Como seria Jesus, fisicamente?

Muitas representações têm sido feitas do rosto e do corpo de Jesus, mas não há nenhum documento válido que as comprove, nenhuma certeza de que esta ou aquela corresponda à realidade.

Os evangelistas não se preocuparam em descrever Jesus fisicamente. As únicas indicações quanto ao corpo do Mestre são dadas por Lucas (3:23): "Ora, tinha Jesus cerca de 30 anos, ao começar o seu ministério" e em João(8:57): "Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?"

Não ha uma carta que descreva o aspecto físico de Jesus? Existe, mas é apócrifa. Teria sido encontrada nos arquivos do Duque de Cesadini, em Roma; é assinada por Públio Lêntulo e dirigida ao imperador Tibério César. Logo, a princípio, se nota que a carta reflete dogmas e pontos de vista católicos, porque fala da mãe de Jesus como uma "donzela", e faz de Jesus uma figura bela e romantizada, um deus, pois "ninguém pode olhar fixo o seu semblante". Estudiosos de documentos históricos ao examinarem a carta, concluíram: o único Públio Lêntulo da história romana morreu no ano 63 antes de Cristo (não poderia ter escrito a carta, depois de Cristo); pelas expressões idiomáticas e estrangeiras do estilo, a carta foi escrita no século onze depois de Cristo.

Observação:

Esta carta apócrifa nada tem a ver com a que consta do livro Há Dois Mil Anos, de Emmanuel, psicografado por Francisco C. Xavier. O Públio Lêntulo do romance seria neto do Públio Lêntulo histórico. A carta que ele escreve, não transcrita no livro, difere da apócrifa, porque não foi dirigida a Tibério César, mas a Flamínio Severus, com vistas ao Senado Romano, e descreve a personalidade de Jesus "sob o estrito ponto de vista humano, sem nenhum arrebatamento sentimental" ao contrário do que é feito na carta apócrifa.

E o sudário de Turim? As pesquisas com o teste carbono 14, feitas em 1988, teriam comprovado que a peça de linho, existente na Catedral de Turim e, desde 1398, venerada como se fosse o "santo sudário" (lençol que envolvera o corpo morto de Jesus), em verdade foi fabricada em plena Idade Média, entre os anos 1260 e 1390.

Qual a verdadeira natureza de Jesus?

Outro ponto sobre o qual existem muitas controvérsias é quanto à sua natureza. Seria Jesus humano ou divino? Um Deus que assumiu forma humana? Ou um homem que atingiu uma perfeição quase divina?

Nos primeiros três séculos de Cristianismo, não se fala de Jesus como Deus. A idéia de divinização de Jesus firma-se sob o século IV, ao tempo do Imperador Constantino, após a célebre controvérsia entre Alexandre e Arrius.

Alexandre, patriarca da Alexandria, pregava um Jesus igual a Deus. Arrius, presbítero de uma das eclésias (igrejas), procurava demonstrar Jesus como filho de Deus, mas não igual a Ele. Entretanto,
Arrius é que foi considerado herético e a divindade de Jesus foi proclamada pela Igreja Católica. No século VII, se aprovaria o dogma da Santíssima Trindade.

Imposta à cristandade, a divinização de Jesus não foi aceita sempre, nem por todos. De vez em quando, aqui e ali, surgem tentativas de reapresentar Jesus como um ser humano. Tentativas que, às vezes, resvalam para o erro de ir ao extremo oposto e querer fazer de Jesus não apenas um ser humano, mas um homem comum demais, com as fraquezas e inferioridades dos humanos pouco evoluídos.

Entretanto, no que se refere à natureza de Jesus, os Evangelhos são absolutamente concordantes e coerentes, não dando lugar a nenhum equívoco.

Kardec examina exaustivamente o assunto em "Um Estudo sobre a Natureza de Jesus" (em Obras Póstumas). Resumamos aqui os principais argumentos e a conclusão:

- nos seus anúncios os profetas não aludem ao Messias como Deus mas como um ser espiritual, que encarnará entre os humanos para "salvá-los";

- Nos seus relatos, os discípulos e apóstolos também não falam de Jesus como Deus (e eles viveram com Jesus, foram testemunhas oculares de seus feitos e ouvintes diretos de suas palavras);

- os "milagres" não provam a divindade de Jesus porque, embora admiráveis, são fenômenos que resultam da ação espiritual sobre os fluidos, pelo pensamento e a vontade; fenômenos que outras pessoas também podem produzir, como esclarece o Espiritismo, e como Jesus já dissera: "vós podeis fazer o que eu faço e coisas ainda maiores", "se tiverdes fé", "porque eu vou para o Pai";

- as palavras do próprio Jesus são o maior argumento contra a pretensa natureza divina, que lhe quiseram atribuir posteriormente; elas evidenciam dualidade e desigualdade entre Jesus e Deus, que não há entre eles nenhuma identidade nem de natureza nem de poder, pois: um é o Criador, outro a criatura; um é o Senhor, outro o seu enviado e submisso executor de sua vontade.

Eis algumas dessas afirmativas:

- "que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17:3);

- "meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu, por mandamento seu, o que devo dizer e como devo falar" (Jo 12:49-50);

- "as obras que meu Pai me deu o poder de fazer (...) dão testemunho de mim" (Jo 5:36);

- "Nada posso fazer de mim mesmo" (Jo 5:30); "Nada faço de mim mesmo; mas digo o que meu pai me ensinou" (Jo 8:28);

- "Não me cabe a mim vo-lo conceder; é porém, para aqueles a quem meu pai o preparou" (Mt 20:23);

- "Se me amásseis, rejubilaríeis, pois que vou para meu Pai, porque meu pai é maior do que eu" (Jo 14:28);

- "Pai, tudo te é possível" (Mc 14:36); "Se queres, afasta de mim este cálice" (Lc 22:42); "Todavia, não seja como eu quero e, sim como tu queres" (Mt 26:39);

- "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23:46).

Mesmo após a sua morte e ressurgimento espiritual, Jesus continua a demonstrar, com suas palavras, que permanece a dualidade e desigualdade entre ele e Deus: "Subo para meu pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus." (Jo 20:17)

Como os espíritas consideram Jesus?

Pelo exame dos textos evangélicos e ante os esclarecimentos do Espiritismo, os espíritas fazem uma perfeita distinção entre Jesus Cristo (criatura) e Deus (o criador). Portanto, não endeusam a Jesus.

Sabem que havia em Jesus um aspecto humano e outro, espiritual, como há em todo Espírito encarnado. E' que sua superioridade era espiritual.

"Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível.

A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria, e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres." (A Génese, Cap. XV, item 2)

Reconhecem em Jesus um Mestre e um Missionário espi¬ritual, "o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo". (O Livro dos Espíritos, questão 625)

Por isso, procuram conhecer seus ensinos e seguir seus exemplos de vida. Lutam contra as próprias imperfeições morais, empenham-se em desenvolver suas virtudes e qualidades em potencial, buscam amar a Deus e aos seus semelhantes, a fim de se aproximarem espiritualmente desse modelo sublime.

Feito este estudo preliminar, vejamos o que consta nos Evangelhos sobre a encarnação de Jesus na Terra.

O NASCIMENTO DE JESUS O Messias prometido

Os israelitas esperavam o nascimento de um Messias, que lhes fora prometido por Deus, através dos profetas.

Seria um salvador, viria redimir o povo de Israel e reinaria sobre ele com sabedoria e justiça, instaurando a paz e o bem-estar geral.

Observação:

Em hebraico, Messias quer dizer "ungido"; o mesmo significa a palavra grega Cristo. No Antigo Testamento, reis e sacerdotes israelitas eram ungidos com óleo e chamados de "ungidos de Deus".

As profecias davam certas informações sobre o Messias. Ex.: Seria descendente de Davi (tribo de Judá) e nasceria em Belém.

Nos relatos evangélicos, nota-se que:

- Jesus procurou cumprir muitas dessas profecias, para que o povo pudesse reconhecê-lo como o Messias;

- os evangelistas também se preocupam, a cada passo, em mostrar que os acontecimentos na vida de Jesus, ou os seus atos e palavras, correspondiam ao que se anunciara sobre o Messias.

No entanto, a maioria dos israelitas não chegou a reconhecer nem a aceitar Jesus como o prometido Messias. É que esperavam um guerreiro violento e conquistador, que lutasse para libertar o povo de Israel do jugo dos romanos e Jesus não se comportou assim; pelo contrário, recomendava brandura e perdão e que se desse "a Cesar o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Era rei, mas não deste mundo (esclareceu ele a Pilatos) e sim do mundo espiritual, como espirituais também seriam a libertação e o bem-estar que traria. Não compreendendo isso, a maioria dos israelitas o rejeitou.

Muitas outras pessoas, porém, israelitas ou não, entendeu a Jesus e se fizeram seus seguidores, divulgando pela palavra e pelo exemplo a sua mensagem de luz e de amor.

Os relatos evangélicos

Sobre o nascimento de Jesus, somente encontramos algumas informações nos evangelhos de Mateus e de Lucas, porque, nos de João e de Marcos, Jesus aparece em cena já adulto, após o batismo, para começar sua tarefa redentora. João apenas alude, de forma simbólica, a que Jesus, como divino verbo encarnado, "veio para o que era seu e os seus não o receberam".

Mateus: comenta aspectos anteriores e posteriores ao nascimento de Jesus. Procura mostrar a genealogia de Jesus (1:1-17), que Maria ficou grávida "pelo Espírito Santo" (1:18-25), narra a visita dos magos ao recém-nascido, a fuga para o Egito, a matança dos inocentes, o retorno à Palestina (2:1-23).

Lucas: inicia pelos anúncios de anjos: a Zacarias e Isabel, sobre o nascimento de João Batista; e a Maria, sobre o nascimento de Jesus; narra também como se deram esses nascimentos. Fala da ida a Belém por causa do recenseamento, do anúncio dos anjos aos pastores e que estes foram a Belém e viram Jesus recém-nascido. Fala, ainda, da apresentação de Jesus no Templo, aos 40 dias de nascido, e, finalmente, do retorno da família a Nazaré da Galiléia (Caps. 1 e 2).

Unindo os relatos de Mateus e de Lucas, podemos obter alguns dados principais em torno do nascimento de Jesus, como veremos a seguir.

Os pais

Foram José e Maria, que, segundo Lucas, moravam em Nazaré da Galiléia.

José era homem de alta linhagem, pois pertencia à tribo de Judá, sendo da "casa e família do rei Davi". Quanto à Maria, os evangelistas não informam de qual tribo ou família ela seria descendente.

Que eram pobres, deduz-se dos relatos evangélicos, e José, como carpinteiro de profissão, pertencia a uma classe humilde.

Ambos eram, porém, de elevado sentimento religioso e conduta exemplar.

Teria sido virginal a concepção de Jesus?

Nem Jesus, nem seus demais apóstolos ou discípulos (à exceção de Mateus), nem Paulo, falam jamais em uma concepção miraculosa e um nascimento virginal.

Diz Mateus que Maria já estava desposada por José (compromisso de casamento) mas não haviam coabitado, quando achou-se grávida pelo Espírito Santo"; que José só não a abandonou, ante a explicação do fato por um anjo; mas que "não a conheceu", senão após o nascimento de Jesus.

Em seguida, tenta-se fazer a relação do fato com uma profecia de Isaías (7:14): "Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emmanuel [que quer dizer: Deus conosco]". Mas se fizermos a pesquisa em Isaías, inclusive no Cap. 8, vs. 3-4, perceberemos que essa profecia nada tem a ver com o Messias, com Jesus; refere-se a uma outra criança, que seria sinal de vitória para Israel, com a destruição de Samaria, fato ocorrido em 722 a.C. Por isso, talvez esse trecho seja uma interpolação no evangelho de Mateus, feita posteriormente, no afã de provar que Jesus era o Messias.

Além disso, esclarece Saintyves que, na versão dos "Setenta", a palavra almah (que aparece na profecia) foi mal traduzida como "virgem", quando, na verdade, significa "mulher jovem".

Se tivesse sido uma concepção virginal, Jesus não seria filho de José, nem descenderia da casa de Davi, como o Messias deveria ser. Nesse caso, não teria sentido o esforço de Mateus em fazer a genealogia de Davi a Jesus, relacionando 42 gerações, desde Abraão até "José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado o Cristo" (Mt 1:16).

Lucas fala que Maria, quando virgem, recebera um aviso espiritual sobre a concepção que nela se faria; e que já estava grávida, quando foi com José a Belém, para o recenseamento.

Este relato de Lucas não apresenta dificuldade para ser interpretado à luz do conhecimento espírita, de um modo lógico e plausível. Primeiramente, foi feita pelo plano espiritual uma aproximação perispiritual entre Jesus e Maria, preparando a concepção física que, depois, se processaria de modo natural. Nisso consistiu a ação do "Espírito Santo" e por isso o anjo pôde anunciar antecipadamente a Maria que, em breve, seria mãe e qual a categoria do Espírito que iria receber como filho. Depois, a concepção física teria ocorrido de forma natural, na coabitação entre Maria e José.

Em conclusão, ficamos com Kardec, quando diz que, em relação a Jesus, "desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias habituais da vida" e que "Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluidico". (A Gênese, Cap. XV, itens 65-66)

Note-se, ainda, que na mitologia e na história dos povos antigos, muitas das grandes figuras (reis, heróis, líderes religiosos) "nasceram de uma virgem". Era para dar um caráter de extraordinário poder e pureza a tais figuras e, também, porque havia os cultos à deusa-mãe (Lua, Terra etc.). Mas Jesus não precisa que o queiram engrandecer assim falsamente.

Bibliografia

Hermínio C. Miranda (O Clarim): - Cristianismo: A Mensagem Esquecida.

Therezinha Oliveira