ESTUDOS ESPÍRITAS DO EVANGELHO

ESPIRITISMO E ESTUDOS BÍBLICOS

A Bíblia

Para os judeus, principais remanescentes dos israelitas, a Bíblia se resume ao conjunto de livros conhecido como Velho Testamento, onde está toda a história de seu povo, na Antiguidade.-Revelações espirituais recebidas, lutas de conquista e defesa da Terra Prometida, obras-primas literárias de seus escritores, costumes e legislação adotados, tudo ali se retrata e registra para a posteridade.

Ao Velho Testamento, os cristãos anexaram outro conjunto de livros, o Novo Testamento, que abrange: os relatos da Vida de Jesus (Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João); os feitos de seus seguidores mais imediatos (Atos dos Apóstolos); as cartas que escreveram Paulo, Tiago, João, Pedro e Judas (Epístolas); e o profético e enigmático livro de João (Apocalipse).

Os israelitas rejeitam essa junção do Novo ao Velho Testamento, pois não reconhecem Jesus de Nazaré como o Cristo, o Messias que lhes fora prometido e que talvez ainda esperem.

O Espiritismo

Surgido em 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, na França, o Espiritismo é a Doutrina que consubstancia os ensinos ministrados à humanidade pelos Espíritos Superiores, através de vários médiuns e em diversas localidades, ensinos que Allan Kardec, com sabedoria e boa didática, coletou, codificou e divulgou.

Doutrina filosófica de fundamentos científicos no estudo da origem, natureza e destinação dos Espíritos e suas relações com o mundo corpóreo, tem o Espiritismo conclusões morais, as mesmas que as do Cristo, cujos ensinos relembra, restaura e desenvolve, fazendo deles melhor exegese, graças às novas revelações espirituais recebidas.

Estudos bíblicos espíritas

Aos espíritas, os adeptos do Espiritismo, interessa o estudo de todas as passagens bíblicas, do Velho como do Novo Testamento, que tragam informações sobre a existência e imortalidade do Espírito e de suas manifestações após a morte, tão bem registradas em numerosas passagens dos antiquíssimos livros da Bíblia. Interessa, também, o conhecimento das leis morais que lá se contêm, evidenciando que, mesmo naquelas recuadas eras, já o Mundo Maior proporcionava elevada orientação moral para a humanidade.

As preferências dos espíritas pelo conteúdo dos Evangelhos e demais livros do Novo Testamento são porque neles se encontra a mensagem do Cristo, mais avançada e perfeita que a de Moisés, embora o Velho Testamento também ajude a entender Jesus na sua época e no seu povo, por esclarecer costumes e usos dos israelitas, suas crenças, leis e fatos históricos, aos quais o Mestre com frequência alude.

Um ponto de contato entre os cristãos

Conhecer o conteúdo bíblico pode representar para o espírita um melhor relacionamento com os profitentes de confissões religiosas que estão muito apegadas às "santas escrituras" e acreditam ter em todos os seus livros e passagens a "palavra de Deus".

Se o espírita souber evidenciar que existe concordância entre idéias básicas da Bíblia e a Doutrina dos Espíritos, concordância que se faz integral quanto à mensagem evangélica, talvez consiga superar as barreiras que o preconceito religioso ergueu.

E, em sendo propícia a oportunidade, até mesmo os pontos de maior divergência no entendimento das teses bíblicas poderão ser objeto de uma fraterna e esclarecedora troca de idéias, em que se ofereçam ao interlocutor os enfoques e explicações espíritas, que ele aceitará se quiser e puder.

A Bíblia citada na Codificação

Kardec soube bem utilizar os estudos da Bíblia à luz do Espiritismo para demonstrar que este confirma, esclarece e desenvolve o que nela se encontra de informação verdadeira sobre a vida espiritual, ao mesmo tempo em que evidencia o absurdo e irrealidade das falsas afirmativas, que nela também existem, como fruto de conceitos particulares e ultrapassados da ignorância de um povo e de uma época.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec já esboça a tendência de fazer a conotação dos ensinos dos Espíritos com os da Bíblia, quando, por exemplo, tece "Considerações e concordâncias bíblicas concernentes à criação" (final do Cap. III da 1ª Parte), quando alude à expulsão de demônios mencionada no Evangelho (questão 480), ou nas respostas dos Espíritos Instrutores a exaltarem Jesus e sua missão divina de revelar aos homens as verdadeiras leis de Deus (questões 625-627).

Em O Livro dos Médiuns, a evocação dos Espíritos, as aparições e manifestações deles, a ação obsessiva que podem exercer sobre os encarnados, fatos em contradições nas páginas da Bíblia, recebem de Kardec as luzes da Doutrina Espírita e são retirados do campo do maravilhoso e do sobrenatural para a realidade da existência de dois mundos, o espiritual e o corpóreo, a mutuamente se influenciarem.

Em A Gênese, os fenômenos tidos por milagres são explicados com lucidez e racionalidade por Kardec, como efeitos da ação dos Espíritos sobre os fluidos. E as predições, como resultado da capacidade de os Espíritos se aperceberem de realidades transcendentes e delas deduzirem o encaminhamento de acontecimentos futuros.

Em O Céu e o Inferno, a situação dos Espíritos no Além-túmulo sai das embrionárias idéias cristãs de céu e inferno para uma melhor compreensão da justiça e misericórdia divinas, pois os próprios desencarnados relatam, através da mediunidade, as condições felizes ou infelizes em que se encontraram no mundo espiritual, em virtude das ações praticadas na vida corpórea, ficando claro que não há condenação eterna e a recuperação dos faltosos se fará através das reencarnações, que os levarão ao progresso intelecto-moral.

Em Obras Póstumas, ainda as apreciações de Kardec relacionadas à Bíblia, quando aborda o "Caráter e consequências religiosas das manifestações dos Espíritos" ou ao fazer seu "Estudo sobre a natureza do Cristo".

Também na Revista Espírita, em todos os volumes, é frequente Kardec colocar o exame de idéias e fatos da atualidade em comparação aos ensinos bíblicos esclarecidos pelo Espiritismo.

É, entretanto, em todos os capítulos de O Evangelho segundo o Espiritismo que o Codificador faz fulgurar a moral cristã, mostrando o modo sublime como os bons Espíritos comentam os temas evangélicos, tornando-os inteligíveis a todas as mentes, aplicáveis às várias situações da vida terrena e extremamente comovedores para todos os corações, dando, ele mesmo, a sua contribuição em comentários oportunos e bem fundamentados, nessa obra em que tantos têm haurido indizível consolo e alento para a alma.

Obras espíritas e estudos bíblicos

Como vemos, os espíritas, a quem o Espírito de Verdade recomendou "Instruí-vos", e que buscam incessantemente o conhecimento que os possa fazer melhores, podem encontrá-lo, também, nos estudos bíblicos à luz do Espiritismo.

Numerosos autores espíritas dão atenção aos textos bíblicos, procurando a sua melhor exegese no enfoque espírita, para seu próprio proveito e para colocá-los ao alcance do entendimento popular.

O objetivo é que maior número de pessoas conheçam e entendam a moral cristã, superior orientação de conduta humana, para onde convergem as conclusões da Doutrina Espírita e sem a qual não alcançaremos instalar, na vida social, o mundo melhor a que todos aspiramos.

É de notar que certos autores espíritas, encarnados ou não, usam às vezes de criatividade em torno dos textos bíblicos, alternando-lhes um tanto a forma, personagens e falas. Ou até elaboram histórias novas, ambientadas no mesmo cenário e tempos dos relatos evangélicos, como se fossem passagens então acontecidas. Felizmente, em todos esses escritos o conteúdo moral cristão permanece.

Mas, em nosso entender procede melhor Allan Kardec que, em todo o estudo bíblico que faz, toma o cuidado de respeitar os textos bíblicos originais, citando-os fielmente, deixando livre apenas a sua interpretação, para fazê-la à luz dos novos conhecimentos espíritas.

Therezinha Oliveira

..CAPÍTULO 1 - A BÍBLIA
..CAPÍTULO 2 - OS LIVROS DA BÍBLIA
..CAPÍTULO 3 - COMO PROCURAR PASSAGENS NA BÍBLIA
..CAPÍTULO 4 - A PALESTINA AO TEMPO DE JESUS
..CAPÍTULO 5 - O POVO HEBREU (RESUMO HISTÓRICO)
..CAPÍTULO 6 - O TEMPLO E AS SINAGOGAS
..CAPÍTULO 7 - AS TRÊS REVELAÇÕES
..CAPÍTULO 8 - JESUS, O CRISTO DE DEUS I
..CAPÍTULO 9 - JESUS, O CRISTO DE DEUS 2
..CAPÍTULO 10 - JOÃO BATISTA: O PRECURSOR DO CRISTO
..CAPÍTULO 11 - OS TRÊS BATISMOS: DE ÁGUA, DE FOGO E DO ESPÍRITO
..CAPÍTULO 12 - OS SEGUIDORES DE JESUS
..CAPÍTULO 13 - A MULTIDÃO E JESUS
..CAPÍTULO 14 - JESUS E O TEMPLO
..CAPÍTULO 15 - AS VIAGENS DE JESUS
..CAPÍTULO 16 - JESUS E AS SINAGOGAS
..CAPÍTULO 17 - A PREGAÇÃO DE JESUS
..CAPÍTULO 18 - COMO JESUS DIALOGAVA COM O POVO
..CAPÍTULO 19 - MEMORÁVEIS DIÁLOGOS DE JESUS
..CAPÍTULO 20 - PARÁBOLAS EVANGÉLICAS
..CAPÍTULO 21 - OS SERMÕES DE JESUS
..CAPÍTULO 22 - OS FEITOS DE JESUS
..CAPÍTULO 23 - TELEPATIA, CLARIVIDÊNCIA E PREDIÇÕES DE JESUS
..CAPÍTULO 24 - CURAS EFETUADAS POR JESUS
..CAPÍTULO 25 - TRANSFIGURAÇÃO, MULTIPLICAÇÃO DE PÃES,...
..CAPÍTULO 26 - JESUS LIBERA A MEDIUNIDADE...
..CAPÍTULO 27 - OBSESSÃO E DESOBSESSÃO NO EVANGELHO
..CAPÍTULO 28 - O MINISTÉRIO DO CRISTO E A PERSEGUIÇÃO...
..CAPÍTULO 29 - A ENTRADA TRIUNFAL EM JERUSALÉM...
..CAPÍTULO 30 - A CEIA PASCOAL E A PRISÃO NO GETSÊMANI
..CAPÍTULO 31 - O JULGAMENTO E A CONDENAÇÃO DE JESUS
..CAPÍTULO 32 - A CRUCIFICAÇÃO E MORTE DE JESUS
..CAPÍTULO 33 - JESUS RESSURGE, APARECE AOS DISCÍPULOS...