V - A GRANDE VISITA

V - A GRANDE VISITA

Teve curso aquela tão almejada viagem. Chegando às imediações da Galiléia, foram encontrando aquela gente empobrecida, muitos erguendo as mãos e pedindo esmolas. Acercaram-se mais e mais da Galiléia.

Lá estava, puxando para o lado de Samaria, a propriedade de Barnabé, enriquecida de muitas ovelhas.

Barnabé viu logo Sinoé, filho de Simeão. Acercou-se dele, dizendo:

— Que belo rebanho tens!

Logo chegaram os familiares de Sinoé. Barnabé lhes presenteou com novas e belas vestes, deixando-os muito felizes. Sinoé lhe disse:

— Tenho cuidado muito bem daquilo que é teu - porque de fato isto aqui não é meu.

— Sim, cuidas de tudo com muito carinho. E teu pai?

— Ele está meio adoentado. Já nem faz as suas pregações.

— Também para ele trago presentes...

Atravessaram o riacho e encontraram Simeão muito doente.

— Barnabé! - exclamou Simeão. — Tiveste sucesso na lua nova lida?

— Sim, irmão! Fui muito feliz mesmo! Tens ido rezar na sinagoga?

— Não. Deixei tudo a cargo de Zacarias. Ele tem demonstrado muita honestidade, tem sido muito amigo.

— Ora, Zacarias é parente do meu primo Osnã, que está ai fora. Entra, Osnã!

Depois de tirar dos pés os calçados, Osnã adentrou ali suavemente e disse:

— Vejo-te na velhice e vejo que realmente seguiste a vocação de pregador...

— Cada homem nasce com um princípio para cumprir na Terra. Os teus princípios e deveres foram diferentes dos meus. Sendo a minha antecedência aquela de pregadores, passei então a minha vida pregando. Mas agora a distância daqui até a sinagoga se tomou muito longa para mim, pelas minhas dificuldades de caminhar. Zacarias vem desenvolvendo o seu trabalho.

— Mas Zacarias é bem jovem...

— E já um homem e prega tal um profeta, mesmo tendo pouco estudo. Para isto eu o preparei e ele ensinará a toda a nossa gente com o mesmo vigor que ensinei.

Indagou Barnabé:

— Disseste a Zacarias o que pregaste lá no templo, a chegada do Messias, a vinda desse novo Rei e desse novo tempo de que tanto falam?

Voz cansada, respondeu o ancião:

— Tenho bem maior idade do que tu, mas também tu sentirás um dia a mesma fadiga. Conservo apenas um profundo sentimento, algo que invade a minha alma com tão grande força: os meus olhos não poderem ver o Messias que virá à Terra.

Porém, tu o verás quando ele chegar, e então entenderás enfim que não estou errado.

— Trouxe presentes para todos, para ti e tua família. Fiquei muito feliz vendo teu filho cuidar tão bem da propriedade.

— Barnabé, observa-me, vê a minha casa, a propriedade que Deus nos deu. Daqui a alguns dias, o que restará de mim? Do que me adiantará ter os meus rebanhos, o tanque para me banhar? Olha aí pela janela. Verás lá adiante a cidade. Pouco mais que andares, encontrarás a Galileia, e lá há tantas criatu¬ras pobres, miseráveis, muitas até mesmo morrendo de fome! E a mim, o que será reservado? Enterrar-me-ão, colocarão sobre o meu corpo as pedras e lá deixarão assinalado que vivi neste mundo. Penso que esse nosso Rei trará bastante alimento a esse povo miserento, promovendo bastante prosperidade para todos. Sim, esse novo Rei fará deste tempo um novo tempo, onde haverá fartura. Não haverá mais crianças famintas implorando às mães o alimento que não têm. Sei que ele ajudará a todos os que forem filhos de Israel. Todos os templos pregam a chegada desse novo Rei de um novo mundo. Porém, que diferença fará? Eu morrerei e eles também morrerão. Talvez Deus tenha piedade da minha alma, porque tive a oportunidade de pregar o Seu nome a todos que por aqui passaram, sempre lendo as Escrituras e levando a boa mensagem a este povo. Mas e quanto àqueles que desconhecem as Escrituras e que nem podem chegar às sinagogas, aos templos, o que será deles? Morrerão e se acabarão. Mas muitos desses ainda verão o novo Rei. 'lerão, nesse novo tempo, muita glória. Já me pre¬paro para partir deste mundo. Deus te guiou até aqui, Barnabé!

Lembro-me de quando ias com teu fdho à sinagoga. E o que é feito de Bcnedites?

— Ele se tornou um jovem maduro. Vai muito à sinagoga c já aprendeu muito. Conversa comigo como se fosse um homem. Acho que a inclinação daquele menino é para isto mesmo. Sc a vida continuar fazendo com que os ventos soprem a nosso favor, pretendo encaminhá-lo a Jerusalém. Quem sabe la ele possa ser um mestre igual a ti? Viajei bastante, irmão, c conheci novos mundos, novas terras. Pude observar que está tudo muito diferenciado. Damasco era uma cidade onde pouco se viam romanos e hoje parece que se estão despertando para dominar também aquela região.

— Ora, Barnabé, também cm Damasco estão os filhos de Israel. Quando Moisés nos guiou para esta terra de Canaã nos mostrou que tudo isto é Israel, que todas estas terras são as terras do povo de Deus.

— Mas não é justo Roma interferir também cm Damasco.

— Esses romanos revirarão toda a terra de Israel, porque isto mesmo consta das profecias: que as forças invasoras virão de terras longínquas e dominarão todo o povo. Porém, quando todos pensarem ter sido dominado inteiramente o povo de Israel, Deus enviará o Seu Filho c ele libertará todo o nosso povo. Tais invasores não terão senão pedras sobre pedras, porque tremularão diante do novo Rei, ajoclhar-se-âo diante dele, e ele dominará a todos. Estou convicto de que tudo está acontecendo de plena conformidade com as profecias. O império que vem de Roma nos alcançará de todos os cantos, mas há de se mover o exército que será guiado por anjos de Deus, pois assim rezam as Escrituras. Descerá dos Céus, como foi com Abraão, com Isaque e Jacó, e também com Elias, que derramou fogo dos Céus, e ainda com Moisés, abrindo o mar e fazendo descer fogo dos Céus. Então estou certo d que os invasores encontrarão nestas terras aquele que há de abrir os braços para que os Céus lhe enviem milhões de anjos que, com suas espadas, encurralarão todo esse exército de Roma. E aqueles que não retornarem para Roma serão destruídos, a exemplo do que fez Moisés.

Barnabé via que brilhavam os olhos de Simeão. Eles se vidravam enquanto aquele pastor pronunciava aquelas palavras de fé e otimismo.

— Tomara que cheguem mesmo esses dias! - disse Barnabé. — Mas estás muito cansado. Procura repousar. Ficaremos por aqui. Iremos ale a sinagoga, pois sabemos que podemos descansar por lá. Talvez lá possamos conversar com Zacarias, que é primo de Osnã.

Os dois chegaram na sinagoga e la encontraram Zacarias e Isabel, que foram afetuosamente saudados por Osnã. Foi uma grande alegria para todos. Pão e vinho foram servidos.

Barnabé indagou a Zacarias:

— Já és um mestre?

— Ora, Barnabé, para ser mestre ainda terei de muito aprender. Simeão me ensinou muita coisa bela nos dias e dias cm que estive ao lado dele, até que me casei com Isabel e aqui estou.

— Que felicidade! Alegra-me bastante estar aqui contigo novamente!

— Ora, Barnabé, não gostaste das nossas terras, não te agraciaste com a carne das nossas ovelhas, não apreciaste o nosso trigo e o nosso pão?

— Não, não é nada disso! O homem nasce, vive e há de crescer. Assim somos todos nós. As vezes temos de deixar a nossa terra natal para irmos em busca dc novas terras, fazer novas amizades, conhecer nova gente, compreender um tanto mais a vida. Estou com o coração tristonho, pois sei que Simeão logo partirá. Vejo-o muito doente, e isto não é tanto pela idade, pois não é assim tão velho.

— A vida daqui tem desgastado bastante os homens. Por aqui as coisas são mais difíceis. Pouco se produz aqui e, do pouco que se produz, há de se pagar tributo a Roma. Com o pouco que se colhe, mal dá para se sustentar o ano inteiro.

— Mas, Zacarias, o pensamento dc Simeão está todo voltado à vinda de um novo Rei. Acho que ele tem sido muito castigado por essa vida difícil.

— Ele vive bem, mora bem e não há do que reclamar, mas é uma pessoa boa e muito se importa com os sofredores. Não suporta ver cheia a sua despensa vendo tanta gente passando fome e necessidades. Quando ainda podia, amealhava tudo e aqui mesmo guardava para ir distribuindo às famílias necessitadas. Foi sempre um bom homem, um bom pregador, um homem de muita fibra, um homem de muito conhecimento. Teve muitas dificuldades na vida, mas certamente tem o aplauso do Eterno.

— Pelo que sei, há muito já estás casado, Zacarias. E onde estão os teus filhos?

— Ora, meus irmãos, minha Isabel é uma mulher estéril. Casei-me na esperança de gerar muitos filhos, para que os visse cuidando dc tudo aqui, pregando ao povo a palavra de Deus, levando avante a tradição do nosso povo de Israel, mas passado algum tempo percebi que ela não pode conceber. Todavia, se Deus me confiou esta missão, hei de enfrentá-la com naturalidade. Pregarei nesta sinagoga pelo resto da minha vida, partilharei com todos aquilo que Deus me concedeu, que é 0 conhecimento. Mas bebei e comei, porque hoje a Casa de Deus lhes está aberta. Banhai-vos no tanque e depois tereis um pouso a vós reservado. Descansareis o quanto tiverdes de descansar.

Barnabé buscou vistosas roupas e com elas presenteou Zacarias, dizendo:

— Deus muito nos tem abençoado! O vento que sopra no nosso rosto tem sido leve brisa. Com isto te agracio, em nome da nossa amizade, em nome dos nossos ancestrais. Amanhã partiremos à Galiléia, onde queremos encontrar Joaquim, irmão de Osnã.

— Joaquim muito nos visita e é uma boa alma. Ele e Ana seguem na sua vida simples, bem modesta, e de nada sentem falta.

Naquela noite os cansados viajores repousaram e, amanhecido o novo dia, voltaram a conversar alegremente com o atencioso Zacarias.

— Há algo aqui no meu coração que não vai bem! - disse Barnabé em certo momento. —Antes de partir, desejo rever Simeão!

Arranjaram as montarias e Zacarias disse:

— Irei convosco até Simeão.

Subiram até a casa daquele amado pregador e logo sentiram o clima de tristeza no seu semblante. Ele estava péssimo. Zacarias se lhe acercou e disse:

— Mestre, tenho cuidado de tudo com a maior responsabilidade que confiaste às minhas mãos. Devo continuar aqui com as pregações, conforme me ensinaste, ou deverei ir aos templos para mais aprender com os sacerdotes?

Fraco, Simeão disse, dificultosamente:

— Todo homem há de sair em busca do conhecimento. O que te ensinei foi pouco, porque também era pouco o que eu sabia.

— Mas o pouco que me passaste significou tanto e tanto que todos ouvem a minha voz e com ela se sentem felizes.

— Isto porque realmente és um pregador, Zacarias. Sim, tens o dom das palavras. Isto não te foi concedido pelos homens, e sim por Deus. Logo vi nos teus olhos que serias aquele que traria para toda esta região a fé e a esperança em dias melhores. Prega ao mundo que está perto a chegada do Messias! Os meus olhos não o verão, mas os teus não deixarão de vê-lo. Enquanto pude, andei muito. Estive em Jerusalém, nos grandes templos, em todas as sinagogas. Conversei com todos os pregadores e sacerdotes, e de todos ouvi a mesma coisa: a bem próxima chegada do nosso Salvador. Continua gritando ao mundo as mesmas coisas que preguei ! Dize ao mundo que já chega um novo Rei para um novo tempo !

Todos entenderão porque é que ele trará os sinais dos Céus. Quando ele falar, voz alguma da Terra será mais forte do que a dele, porque ele tem o fogo do Espírito Santo c este penetrará em todos aqueles que olharem nos olhos dele. Todos que nele tocarem, receberão dos Céus a bênção e serão chamados de filhos de Deus. Ele está chegando! Sinto que ele já chega! Mas a mim Deus não concedeu a permissão de ver os olhos do Messias. Zacarias, quando ele descer à Terra, confia em que muitos íeis irão até ele, e também muitos pastores e pregadores. Sim, crê que certamente Deus vos mostrará a chegada do Messias! Preparo-me agora para partir!

Todos ficaram à volta do já tão enfraquecido pregador. Barnabé instou com Osnã que partisse às visitas, garantindo que depois iria à sua procura, mas Osnã se negou, afirmando que haveria de pennanecer ali ao lado de Zacarias e Barnabé.

Chegou a tarde. O Sol se preparava para esconder. Pediu Simeão:

— Levantai-me um pouco a cabeça, para que eu veja o Sol. Quantos e quantos dias pude contemplar o nascer e o tombar do Sol! Hoje o vejo por esta janela e contemplo quanta beleza Deus nos concedeu neste mundo. Eu posso enxergar! Deus me presenteou com a visão! Sei que não mais verei este magnífico Sol, mas vós continuareis a vê-lo, e vereis a maravilha que Deus vos prepara. Não pude esperar para vê-la, porque os meus tempos chegaram!

Simeão pediu e lhe levaram um pouco de vinho, com que molhou a sua boca.

— Como é maravilhoso e saboroso o fruto da uva! - exclamou Simeão. — Já sinto uma friagem no corpo e me despeço de todos, conclamando a todos vós: sigai em frente pregando a palavra de Deus a todos os povos! Nos braços de Deus coloco o meu espírito!

O velho pregador respirava ainda, mas a sua voz já não saía. Não demorou para que todas as suas forças fossem vencidas, logo permanecendo apenas um cadáver sobre o leito, velado pelos chorosos familiares.

O enterro foi no outro dia, debaixo de muita tristeza, mormente no coração de Barnabé, que retornou à sinagoga, onde se banhou, comeu e bebeu, mas com o coração opresso pela partida do querido amigo.

— O que será agora da família de Simeão? - indagou Barnabé.

— Ela estará bem - respondeu Zacarias. —A esposa administrará a casa e os filhos. Eles têm o seu rebanho e uma ótima casa que poucos daqui têm igual. Simeão se foi, mas Deus deixou aos filhos a força da sobrevivência. Sim, eles soreviverão, porque todos sobrevivem. Dia chegará em que tambem nós morreremos, e nossos filhos igualmente sobreviverão à nossa partida, de uma forma ou de outra. Mas, irmãos, podeis acreditar: Simeão não viveu nem morreu em vão! Tinha esperança marcando a alma, porque lia muito, tinha toda a Escritura gravada no cérebro, conhecia todas as profecias. Sempre nos falava para que não esquecêssemos das suas palavras. Toda a sua vida foi pregar a vinda do Messias. Não sei se acreditais, mas sei que desejais perguntar-me sobre isto. Então vos afirmo: sim. acredito na vinda do Messias! Não, Simeão não se foi inutilmente. Ele cumpriu o seu dever sobre o nosso povo. Respeitava todas as leis, não trabalhava no sábado e não permitia que outros o fizessem, ajudava da melhor forma toda a comunidade. Agia diferentemente de outros sacerdotes que se enriqueciam por conhecerem a palavra. Simeão era desprendido e brando de alma. As suas palavras levavam sempre o incentivo às pessoas, incentivando-as à prática do bem, de todas as leis. Lembra-te, Barnabé, do tanto que cie era rodeado dc amigos e dc gente que chegava até ele cm busca de conhecimento? Pretendo seguir todos os ensinamentos dele e fazer deste templo a Casa de Deus. Juro, perante estas Escrituras, que farei desta minha vida o mesmo que fez Simeão!

Barnabé e Osnã se despediram de Zacarias e rumaram à Galiléia. Pressuroso estava Osnã para encontrar seu irmão Joaquim. De repente ia aparecendo à vistas dos dois, ao pé da montanha, aquele lugarejo. Osnã estava encantado por poder rever tudo. Enfim reviu a antiga casa dos seus pais e lá encontrou seu amado irmão Joaquim. Um forte abraço e logo Osnã viu sua cunhada Ana.

— Onde estão os teus filhos? - indagou Osnã.

— Tive apenas uma filha...

— Mas, meu irmão, tenho cinco filhos, e tu tens apenas uma filha?!

— Entremos e tc contarei a minha história. Entraram e lá viram a pequenina Joana. Relatou Joaquim a Osnã:

— Há muito tempo tive uma doença. Ela não me matou, mas roubou muito e muito do meu corpo. Nossos irmãos, à semelhança de ti, partiram para outras terras e apenas eu permaneci aqui. Lembra-te de nossa irmã Joana'? Quando partiste ela era bem jovem. Ela se aventurou com o filho de Pedro. Lcmbra-te de Pedro, aquele grandalhão?

— Sim! Ele ainda vive?

— Não! Pegou uma peste desconhecida, viveu pouco com ela e morreu. Permaneceu vivo José, filho dele e com quem Joana se casou. Não sei se foi por causa de uns maus ventos soprando sobre aquela família, mas eis que logo José morreu, deixando Joana viúva. E ocorreu também que Joana se viu tomada daquela mesma doença e não resistiu. Ela nos deixou a sua pequenina filha, a quem chamo tambem de Joana, em homenagem à nossa irmã. Rogo a Deus que a pequena Joana não tenha a mesma sina triste da mãe! Disse Barnabé:

— Vejo em Joana uma criança saudável que os céus nos reservou. Ela será de grande proveito à nossa família. Vi muita coisa triste! Há pouco vi morrer meu grande amigo Simeão e sinto um desejo muito grande de contribuir com alguma parte na felicidade dos que estão à nossa volta. Assim, cedo o meu filho menor para que seja o marido de Joana.

Acercando-se, disse Ana a Barnabé:

— Nossa família tem a tradição da beleza. Quero crer que o teu filho tenha os teus traços. Que idade tem ele?

— Um pouco mais do que ela. O nome dele é Camarfeu. Ele e Joana formarão um casal que nos trará felicidade e alegria.

— Embora possas ver-me aparentemente bem - disse Joaquim -, deves saber que ando muito doente. Não tenho a saúde de um homem normal, não sou homem para fazer com que Ana gere mais filhos. Porém, meus olhos se comprazem contemplando os céus, sabendo agora da aliança firmada entre nós, quando a nossa pequena Joana passa a ser prometida ao teu Camarfeu. Isto nos dará muita alegria e grande glória de perpetuar a tradição da nossa família. Maria é uma tão linda criança! Perto daqui há uma sinagoga e para lá tenho levado as duas para que fiquem com as demais crianças. Joana é inteligente, mas Maria parece superá-la. Os olhos de Deus se voltaram à nossa família! Sei que não durarei muito tempo. Somos pobres e, sabendo das dificuldades que poderá enfrentar Maria, prometi-a a José, o filho do carpinteiro.

— Ora, José é bem mais velho do que Maria...

— Não importa a idade dele. Vem ele da descendência de Abraão, de Isaque e Jacó, e dele virão os filhos que seguirão em frente. Mas os meus olhos estão felizes por ver-vos! Por quanto tempo permanecereis por aqui?

— Uma semana. Contemplaremos tudo e depois acertaremos essa aliança. Uma semana se passou em festa, aquela pobre família se encantando com todos aqueles presentes ali distribuídos com muito amor.

Vencido aquele período de muita felicidade, os dois retornaram a Damasco.

JOÃO BERBEL