XXXI - A SEARA DE JOÃO BATISTA

3 - XXXI - A SEARA DE JOÃO BATISTA

Jesus e Levi seguiram às margens do Jordão e lá se sentaram à frente de uma caverna formada pela fenda das pedras e coberta pela vegetação.

Por ali havia muitas plantas comestíveis e Jesus pediu a Levi que andasse pela vizinhança e buscasse todo fruto que lhes pudesse alimentar. Em pouco tempo Levi chegou até Jesus com as mãos cheias de figos e outros frutos.

Jesus tomou de uma folhagem, forrou o chão, ali colocou aqueles frutos e disse:

— João, o Batista, não está muito longe daqui. Vai, Levi, e dize-lhe que aqui o espero. Ele indagará sobre quem o chama aqui e dize-lhe então que é o Senhor que veio dos Céus, e ele entenderá e virá contigo.

— Sim, Jesus! Mas o teu alimento será apenas estes pequenos frutos?!

— Sim, disto me alimentarei, mas, quanto a ti, receberás de João o pão de que necessitas. Ele partirá o pão e dele te dará um pedaço à frente de todos os seus seguidores. Antes que João coma, deves fazê-lo tu, dizendo que comes em minha memória. Ouvindo isto, ele se alegrará e serás bem-visto aos olhos dele.

— Senhor, tão pouco te alimentas! Comes folhas, coisas que outros não comem...

— Em que te importa o meu alimento? Tudo o de que preciso está dentro de mim. Talvez que ainda não o possas entender, mas um dia entenderás porque vivo e como dessa forma. Vai e faze o que te pedi! Em toda a tua caminhada até lá, não deixes de orar, para que não caias em tentação.

Levi caminhou até João. Lá chegando, viu de longe muitas pessoas perto do Batista, que pregava e gesticulava em sua forma característica, dizendo:

— Quem nasce pelo pecado morre pelo pecado, mas aquele que se arrepende do pecado recebe a força do Espírito Santo e viverá na glória de Deus.

Quando João terminou o seu sermão, dizendo essas e outras coisas, a multidão se foi dispersando, ali permanecendo apenas os seus mais diretos seguidores. Foi quando Levi se aproximou dele, meio desconcertado, e disse:

— João, o meu Senhor te chama. Ele quer falar contigo.

João permaneceu em silêncio, fixado nos olhos de Levi. Retirou um pão do seu embornal, partiu-o e deu um pedaço a Levi. Este pegou aquele pão e disse:

— Como em memória do meu Senhor! Levou o pão à boca e ouviu de João:

— Não falas pela carne e pelo sangue! Falas por aquele que está dentro de ti. Iremos agora até o Senhor! Come, porque tens fome e porque ainda não podes comer o que come o Senhor, porque ele se alimenta do fogo do Espírito Santo, do que ainda não podemos alimentar-nos. Come então em memória do Senhor que está na Terra, do Senhor que irá apagar o pecado do mundo, do Senhor que incendiará a Terra com o seu amor!

João e Levi caminharam dali. Os que ali estavam fizeram menção de segui-los, mas João os deteve, dizendo:

— Não deveis acompanhar-me. Permanecei aqui e cuidai-vos uns dos outros até o meu regresso.

Os dois subiram no rumo das montanhas e foram ter com Jesus, que, sentado, orava.

João, com o seu cajado, a sua veste de pele de camelo e o seu cabelo desgrenhado, parou à frente de Jesus e este permaneceu no seu silêncio. Levi se acercou mais de Jesus e foi então que este disse:

— João, tu és forte! Tu és o Filho do Trovão! Os Céus padecem pela falta que tuas forças lhes fazem. Bem sabes, João, da nossa missão sobre a Terra!

— Senhor, os meus olhos se alegram e a minha alma está feliz de servir na Terra ao Senhor de todos os senhores!

— Vem, João!

Jesus pegou um daqueles frutos e entregou a João, dizendo:

— Come em minha memória! Já é quase chegado o meu tempo e sei do que fizeste na Terra, pregando a todos a meu respeito. Porém, agora é necessário que te afastes do Jordão e vás às cidades e às sinagogas, em Canaã, em Israel. Não adentrarás o templo: ficarás em local próximo dele, local brando e amplo. Caminharás pelas aldeias e cidades pregando que o Senhor já está na Terra. Vai, João, e faze-o em minha memória, porque não teremos muito tempo, nem eu nem tu, sobre a Terra. Vem, João!

Jesus abraçou João e lhe indagou:

— Sabes o que te aguarda?

— Senhor dos Céus, sei apenas que vim abrir o caminho à tua passagem.

— João, teu tempo chegará antes do meu. Não temas mal algum, porque eu estarei contigo, assim como estava nos Céus, na condição do Senhor que era e sou para ti. É para dar testemunho à verdade que te enviei à Terra, pelo teu amor em mim e em todos os nossos irmãos que se alegraram com a nossa descida a este mundo. Vai, João, e leve a mensagem afirmando que no mundo já está o seu Príncipe. Porém, dize que vim dar seguimento à verdade e que aqueles que forem filhos da verdade crerão em mim. Vai e prega a todos os povos que é chegado o tempo, e depois retorna ao Jordão e prossegue no teu trabalho perante os tantos que te procuram, porque és tu, de minha glória na Terra, o primeiro, e os meus olhos se alegram quando te vejo. Vai e prega em minha memória! Ainda te verei e a mim verás pela última vez, mas também verás o meu Pai na Sua glória, e verás o anjo repousando sobre o meu ombro. Quanto a ti, Levi, não mais caminharás comigo: estarás com João. Vai com ele e com ele aprende, até a chegada do meu tempo.

Levi tentou contestar, mas Jesus disse:

— Levi, obedece ao que digo e faze tudo em minha memória! Que os anjos dos Céus vos acompanhem!

João disse:

— Senhor, no mundo existe muito ódio e muita raiva!

— Não temerei nem o ódio nem a raiva dos homens da Terra, porque o Filho do Homem derramará o seu sangue na Terra em amor à própria Terra. Vai e faze tudo o que é preciso! Não andarás sozinho!

Jesus abraçou João. Levi disse:

— Mestre, tens tantas surpresas! Por que não nos revelas com antecedência o que tens por fazer?

— Nada temas, Levi! Tudo o que faço tem o consentimento do meu Pai que estás nos Céus!

— E ficarás sozinho?!

— Nesta noite permanecerei por aqui. Deixando Jesus a sós, seguiram então João e Levi.

Chegando à frente dos seus discípulos, disse-lhes João:

— Este é Levi. Ele andará conosco. Um deles objetou:

— Mas, Senhor, ele não é batizado.

— Ele foi batizado pelo meu Senhor! André disse:

— Mas, Senhor, ninguém mais, além de ti, tem o poder do batismo.

— Não teimes, André, com aquilo que digo! O Senhor está na Terra! Ele lavará todos os nossos pecados! Não sirvo nem mesmo para atar as sandálias dele. Vim apenas para fazer a anunciação da chegada do Senhor da Terra. Eu batizo a todos com a água e ele batizará com o fogo do Espírito Santo. Isto eu já disse a todos. Agora abandonaremos as águas do Jordão, mas não por muito tempo. Iremos a todas as praças de todas as localidades. Assim como sucedeu no passado, agora será neste novo princípio da humanidade. Da mesma forma que pregaram nossos ancestrais pregarei agora!

João caminhou com os seus e passaram por uma localidade pouco distante de Betânia. Antes que João chegasse à praça já os seus discípulos se adiantavam, anunciando:

— João está chegando! Ele pregará aqui!

Alertados da chegada do Profeta do Jordão, muitas pessoas se aglomeravam então nas praças. João subia em alguma coisa mais alta, rodava o seu cajado, apontava-o ao céu e vociferava:

— Os Céus já enviaram à Terra o seu Senhor! Todas as nações tremularão diante desse novo Rei! Ele virá para reerguer todos os caídos e oprimidos. Ele resgatará os mortos e os vivos, porque carrega nas mãos a força do fogo do Espírito Santo.

Ele já se faz presente na Terra. Conhecê-lo-eis quando ele estiver levantando os coxos, dando visão aos cegos e assistindo aos pobres e enfermos. Os ricos tremularão diante dele, mas ele não condenará a ninguém e dirá a todos que a condenação vem dos Céus. A todos vós ele estará dizendo que não é pela força da espada que o homem triunfará sobre a Terra, e sim pela força do fogo do Espírito Santo, que queimará todo aquele que tentar impedir a sua glória sobre a Terra.

Todos os olhos que o enxergarem e não o entenderem lamentarão o seu próprio nascimento na Terra. Esse é um novo Rei para um novo mundo, aquele a quem o próprio mundo não está preparado para receber. Ele passará por todos os povos e se proclamará o Filho de Deus, o Príncipe deste mundo!

João assim vociferava e a tantos emocionava. Alguns diziam:

— João, tu és o Salvador! Tu és o Messias!

João rodava nervosamente o seu cajado e discordava com veemência:

— Blasfêmia sai da tua boca! Eu não sirvo nem para atar as sandálias do Messias!

— E podes pronunciar o nome dele e dizer daonde ele virá?

— A mim não foi dada a permissão de revelar o jeito em que ele se apresenta, mas ele já está neste mundo e os meus olhos se alegram sabendo que ele existe e que está entre nós. Esse que virá após mim irá refazer o que faço e muito mais vos adiantará, porque eu batizo com as águas e ele batizará com o fogo do Espírito Santo.

Aquele sermão se repetia em várias localidades, João sempre ressaltando:

— Os tempos estão próximos! É chegado o momento de a luz iluminar a Terra, de apagar da Terra o pecado e a dor, porque o Messias traz dos Céus todo poder sobre a Terra para poder arrancar todos os pecados dos corações!

João berrava e berrava aos quatro ventos, sempre cercado por uma grande multidão. Muitos, assim o vendo e escutando, diziam convictos:

— Este é o Messias! Este é o Grande Profeta! Ele é diferente! Ele tem nas palavras a força que não vemos noutros pregadores!

Mães, pais e filhos retornavam aos lares sob o impacto daquela força de voz de João Batista, e aquilo foi tomando grande vulto nas populações, a cada cidade.

A certa altura, Levi indagou:

— João, por que não dizes então a essa gente que Jesus é o Messias? Ora, é ele mesmo o Messias!

— Não o digo porque ele não quer que eu revele tais coisas, porque afirmou que o tempo dele ainda não chegou. Temos de ser fiéis ao que ele recomendou. És fiel a Jesus?

— Com toda a força do meu coração! João, também eu preguei na Terra do meu pai, mas nunca vi tanta força na palavra quanto vejo em ti! Não, jamais vi tanta fé num só coração!

João colocou a mão no braço de Levi e os dois se distanciaram um pouco da multidão. Disse João a Levi:

— O Senhor quer que preguemos a vinda dele, mas ainda não quer que divulguemos quem ele é.

— Mas por quê?!

— Um dia perguntarás isto a ele e ele mesmo te esclarecerá.

— João, já sabias que Jesus é o Messias?

Os olhos de João brilhavam naquele momento, ele e Levi se fixando fortemente. Respondeu então João:

— Sim! Já o sabia antes de virmos para este mundo!

— Sei que és primo de Jesus, e por que não houve então uma vossa maior aproximação? Por que não pregais juntos?

João pegou na mão de Levi e o puxou para baixo, ajoelhando-se e levando-o tambem a se ajoelhar, e disse:

— Seria a maior glória do mundo andar ao lado do Senhor e servir ao Senhor, dar-lhe o alimento, lavar as suas vestes, cuidá-lo em tudo! Sim, somos primos, nossos pais são parentes, mas o Céu não me concedeu esse direito de estar ao lado dele. Jesus aparece e desaparece rapidamente, ninguém sabendo o seu itinerário, porque ele carrega na alma o fogo do Espírito Santo. A ele foi dado todo poder sobre a Terra. Se ele fitar aquele monte e ordenar que ele se destrua, eis que isto ocorrerá imediatamente. Entre os Céus e a Terra não há outro maior do que ele. Se ele já está neste mundo, o meu trabalho é anunciar a chegada dele. Se me perguntas, então te respondo: se ele determinou assim é porque ele sabe o que faz e devemos apenas obedecê-lo, segui-lo.

— Mas, João, ele disse que o tempo dele está próximo e que não permanecerá muito tempo na Terra. Bem o ouvi dizer que tu vais ainda primeiro do que ele. Pediu que eu seguisse a ti. Ora, isto não mereço, pois sou um servo bem longe da tua grandeza. Porém, encantado e alegre com tudo o que fazes é que teimo em estar ao teu lado!

— Sei que eu e Jesus temos laços familiares, mas não são estes que nos unem, e sim os laços do espírito e que os olhos da Terra não podem compreender.

— João, estivemos hoje com tanta gente! E amanhã estaremos noutro local...

— Levi, serão milhares os que por nós saberão da vinda do Messias. Serei chamado de João do Batismo e o meu tempo chegará. Muitos sacerdotes virão até mim. Todos me considerarão um profeta e o povo me admirará. É esta a minha missão na
Terra, é este o meu trabalho: fazer tudo com exatidão para retirar do caminho do Senhor todos os espinhos e para que assim todos possam vê-lo em sua glória.

João, Levi e os demais continuaram no seu trabalho, visitando várias localidades, onde o mesmo sermão era passado às multidões. Muitos insistiam em querer seguir João.

Chegando numa localidade, João não adentrava templos e sinagogas: pregava nas praças, nos alagados, lá onde multidões se aglomeravam.

Chegaram nas proximidades de Jerusa¬lém e ali uma enormíssima multidão de mi¬lhares e milhares de pessoas se acercou de João. Nos templos, em lugar algum se vira tanta gente reunida em torno de um religioso ou profeta.

E João lançou ali o seu verbo eloquen¬te, anunciando que as profecias sobre a vin¬da do Messias já se cumpriam sobre a Terra.

Todos os sacerdotes foram ter com João no meio da multidão e ele não os recebeu, fazendo por ignorá-los a todos.

A grande multidão acompanhava o novo profeta a dizer que batizava com a força das águas e que o Messias batizaria com o fogo do Espirito Santo.

Num momento em que se aproximou um grupo de sacerdotes, João ergueu o seu caja¬do sobre eles e vociferou:

— Arrependei-vos para que possais entrar na gloria dos Céus, porque sobre vós virá o Messias e ele vos varrerá como se varre o pó do chão! Arrependei-vos dos vossos galardões de ouro, porque do vosso templo não restará pedra sobre pedra e o Messias vos varrerá a todos e muito vos arrependereis nesses dias! Vereis que a força dos Céus e do Altíssimo punirá a todos vós, porque o Messias já está na Terra para fazer aliança com o seu povo, porque assim desejou o Todo-Po-deroso e o enviou sobre a Terra. Se me perguntardes se sou o Messias vos direi que não sou, que eu apenas desci dos Céus para limpar o caminho à vinda do Messias. E ele já está sobre vós! Arrependei-vos para que seja extirpado da vossa alma o pecado, porque ele estenderá as mãos a todos vós, e nesses dias lamentareis, vós que viveis para roubar dos pobres, vós que viveis do dinheiro da miséria dos nossos irmãos! Lamentareis esses dias em que o Messias caminhar sobre vós! Todos os templos estremecerão diante dele! Vim a este mundo para preparar o caminho do reinado dele sobre vós. Ele será o Rei de todos os reis, será um novo Rei para um novo mundo, porque o mundo todo se curvará perante ele! Todos se ajoelharão e orarão em sua memória. Esses dias já estão chegados! As profecias já se cumpriram!

Um daqueles sacerdotes indagou a João:

— De qual linhagem virá o Messias?

— Da tua que não é! Não é da mesa dos poderosos que ele veio, porque ele veio para pregar a justiça na Terra, e a Terra receberá uma nova ordem, uma nova perfeição. Eu não sou o Messias! Já gritei ao mundo que não sou o Senhor! Sou apenas um mensageiro a anunciar a estadia dele sobre a Terra.

Todos os judeus ali se aglomeravam, ouvindo aquelas fortíssimas palavras do Batista. Muitos forçavam caminho na grande multidão, querendo tocar em João.

De repente João foi convidado pelos sacerdotes para entrar no grande templo de Jerusalém, e ele disse:

— Não vim a este mundo para pregar nos templos! Eu clamarei pelo deserto e todos ouvirão a minha voz, com a chegada do Messias! Mas o Senhor, ele sim pregará em todos os templos a palavra do Pai para a redenção da Terra! Eu gritarei pelo deserto, e por onde passar, a chegada do Messias entre vós, porque ele vem após mim!

João saiu dali e, atendendo ao que lhe pedira Jesus, não estacionou demoradamente em lugar algum e seguiu a visitar vastíssima região. João passou por elas com a sua vibrante pregação e com isto conquistou grande número de pessoas, até de fanáticos seguidores, algo jamais presenciado com qualquer outro profeta. Uma fé inabalável de multidões se formava em torno do Batista que do Jordão saíra a pregar a vinda do Messias.

Naquela maratona de pregação, João se avistou com Zacarias, seu pai. Lá encontrou Isabel muito doente e a abençoou. Com a sua energia excepcional, João fez com que sua mãe se restabelecesse um pouco.

Zacarias implorou ao filho que por ali ficasse, pregando na sua sinagoga, sugerindo a construção, ali, de um grande templo, já que inumeráveis eram os seguidores de João. Contudo, João lhe reafirmou que não viera para pregar nos templos, que isto seria assumido por Jesus.

Zacarias, vendo aquela multidão acompanhando João, o abordou, dizendo:

— Meu filho, por que não tens um teto, um abrigo?! Dormes sob o sereno e o frio! Vê: são tantos e tantos os teus seguidores! Precisas ter um local, um abrigo onde melhor possas alimentar-te.

João lhe disse:

— Meu pai, estive com ele!

— Com quem?!

— Com Jesus!

— Ele é o Messias que veio ao mundo ou havemos de esperar outro?

— Sim, ele é o Messias e disse que os meus dias estão próximos, tanto quanto os dele. Ah, meu pai, nunca vi tanta luz quanto vi em Jesus! Ele tem o poder do Espírito Santo! Tem consigo todos os anjos! É um grande exército ao lado dele! Basta que estenda a mão e esses anjos intercederão em nome dele. Não podes imaginar o quanto estou feliz! Ele não me disse, mas os olhos dele me desejaram paz! Eu repousava do meu cansaço e o sono me pegou rapidamente. Agrupamo-nos debaixo de umas árvores. Exausto, recostei ali os meus ombros. Fixei o olhar numa pedra e lá se desenhou o rosto de Jesus, e ele me disse: — João, não percas a tua fé! Nesses dias a força das trevas tentará, por toda forma, apagar a tua fé e o teu amor. Crê em Deus e crê também em mim, pois não estarás sozinho: eu estarei contigo! Dize ao teu pai que os seus olhos muito se alegrarão.

Zacarias estranhou:

— Mas foi o que Jesus mandou que me dissesses: que perderei a ti e que com isto muito devo alegrar-me?!

— Não é a minha vontade, e sim a vontade de Deus e Jesus!

— Mas e a tua mãe?!

— Nada disto deve ser dito a ela!

João já se preparava para retornar ao Jordão. Sua mãe o abraçou fortemente e ele se foi, e ela, depois disto, ficou muito enferma e partiu para Deus.

Com a morte de Isabel, muito se entristeceu Zacarias. Mandou buscar João, mas ele ali não apareceu, porque estava batizando grandes multidões nas águas do Jordão.

Passados alguns dias, João foi ter com Zacarias e este lhe disse:

— João, tua mãe morreu e nem assim vieste!

— Os meus olhos se entristeceram, o meu coração se enlutou, meu pai! Ela foi uma boa mãe! Mesmo idosa me concebeu para que eu pudesse cumprir na Terra a minha missão. Os meus olhos choraram no meu silêncio, porque a minha alma pôde sentir toda a ternura da minha mãe. Pude segurar nas mãos dela e muito pedir a Jesus. Ele enviou dos Céus dois anjos e nos braços deles colocou a minha mãe. Ela está triste por ter partido, mas também se alegra por ter concretizado na Terra a sua missão. Que não se estremeça o teu coração, meu velho pai! Prega em memória de Deus e também em nome do Messias, porque ele já está sobre a Terra!

João foi até o sepulcro de sua mãe, acompanhado de Levi, André e outros mais, e lá orou. Depois se ergueu e, ao caminhar, sentiu uma mão tocar no seu ombro. Olhou e viu que era Jesus.

— Senhor! — exclamou. — Tenho muita honra por poder servir-te! Todos os meus dias serão entregues à tua glória, para que a obra do Pai que está nos Céus seja cumprida!

E Jesus lhe disse:

— Esta não é a vontade do corpo e do sangue, e sim a vontade de Deus, nosso Pai que está nos Céus! Os meus dias já se iniciam!

Os acompanhantes de João, não vendo nem ouvindo Jesus, estranharam o que ocorreu com João, que aparentemente falava com ninguém. Levi indagou:

— Caminhas orando? Ora, sei que isto não é do teu costume.

— Não viste? Eu conversava com o Senhor!

— Não! Estavas sozinho...

— Ainda não compreendeste os mistérios que existem sobre o Céu e sobre a Terra! Retornemos!

João e o seu grupo foram ter ao Jordão e lá foi retomado o batismo das multidões.

JOÃO BERBEL