XXXIII - O MESSIAS SE REVELA

XXXIII - O MESSIAS SE REVELA

Em certo momento, Jesus disse à sua mãe: — É chegada a hora de todos verem o Filho do Homem!

Disse-o e saiu a caminhar. Vestes limpas, chegou em Canaã e adentrou uma sinagoga, lá se sentando. Foram abertas as Escrituras justamente no trecho em que Jeremias anunciava a chegada do Messias à Terra.

Jesus disse:

— Bem-aventurados são os Céus e a Terra, porque acabam de se cumprir as profecias! O Pai se reconciliou com a Terra, enviando a ela este Seu filho!

Os veneráveis do templo se irritaram grandemente ouvindo aquilo. Um deles, discordando firmemente, disse-lhe:

— És o filho de José e Maria. És pobre e o Messias virá da descendência de Abraão para ser o nosso novo Rei. É o que dizem as Escrituras!

Jesus se ergueu e disse:

— Direis então: Médico, cura a ti mesmo! — e vos levantareis com toda a vossa ira, porque vos digo a verdade e não serei compreendido. Porém, feliz será aquele que entender e seguir o meu ensinamento, porque agora um novo testamento surge para a humanidade.

— É blasfêmia! E todo aquele que blasfema contra o Eterno há de ser morto!

Então caíram todos em cima de Jesus e o pegaram para rojá-lo no adjacente desfiladeiro. Arrastado para fora da sinagoga, ele abriu os braços e disse:

— Nenhum de vós nascido de mulher sobre a Terra exerce sobre mim qualquer poder, porque vim a este mundo para dar testemunho à verdade! Nenhum de vós pode tocar em mim, porque o meu poder sobre o Céu e a Terra se estende também a vós!

Juntando-se todos a agarrá-lo, Jesus subitamente desapareceu das suas mãos. Procuraram-no, reviraram todos os cantos e não o acharam.

Um daqueles homens, chamado José, saiu ali à procura do seu filho Lucas, que também estava no encalço de Jesus, e lhe indagou:

— Onde está o galileu? E Lucas respondeu:

— Ouviste o que disse aquele homem?! Ele desapareceu do meio de todo mundo! Somente o Messias poderia fazer uma tal coisa!

Aqueles homens, desconcertados e irados, tendo ouvido o que disse Lucas, disseram entre si:

— Se não achamos Jesus, então peguemos Lucas e o castiguemos em nome dele, para que nenhum outro venha blasfemar dentro da nossa sinagoga.

José, tomando frente em defesa do filho, ponderou:

— Não ouvistes o que aquele homem disse lá em cima, com tanta autoridade? Quereis matar um inocente por ter pronunciado fortes palavras?! Não ouvistes o que disse João Batista? Ele esteve aqui e consigo arrastou milhares, afirmando sempre que o Messias já está na Terra.

Aqueles homens se detiveram, uns discordando, outros murmurando em lamentos.

Jesus caminhou por entre umas árvores e, solitário, rumou ao Jordão. Postou-se numa elevação e viu João, lá embaixo, batizando.

Desceu por entre as pedras e, antes que penetrasse nas águas, João o viu e se encheu de satisfação.

Estando Jesus dentro d'água, João viu um pombo branco chegando e pousando no ombro dele. João se acercou e se ajoelhou aos pés dele, dizendo:

— Senhor, tu é quem hás de me batizar, e não eu a ti!

— João, cumpre aquilo que te foi designado!

Jesus se ajoelhou e baixou a cabeça.

João jogou água sobre ele, assim o batizando à frente de todos.

Jesus se ergueu e disse:

— Agora é chegado o nosso tempo, João!

— Mas deves batizar-me, Senhor!

— João, isto também está escrito e é necessário que se cumpra a Escritura. Doravante farei o meu trabalho e tu deves fazer o teu!

Jesus tocou na cabeça de João, beijou o seu rosto e saiu a caminhar. Poucos metros ele havia rompido e João disse em alta voz, para que todos ouvissem:

— Eis aí o Cordeiro Divino que veio dos Céus! Eis aí o Messias que varrerá da Terra o pecado! Este vos batizará em nome do Espírito Santo!

Levi estava ali presente, ao lado de João, e ouviu deste:

— Levi, este é o teu Mestre! André, este é o teu novo Mestre! A minha missão está cumprida sobre a Terra!

Assim dizendo, João ordenou que os seus discípulos passassem a seguir Jesus.

Caminhando, Jesus encontrou alguns guardas romanos arrecadando impostos. Um deles se acercou de Jesus, que, percebendo tratar-se de Demétrius, lhe disse:

— Quando fores a Roma, dize a Benedites que o Filho do Homem já age sobre a Terra e não partirá aos Céus sem antes ver os olhos dele. Dize-o e ele me entenderá!

Demétrius se ajoelhou aos pés de Jesus, sob os surpresos olhares de alguns judeus, que não entendiam a que podia estar ali acontecendo.

Jesus reergueu Demétrius, tocou o rosto dele e disse:

— Vai em paz, porque em ti edificarei o meu templo! Vai, Demétrius, e, chegando até aquele irmão, dize-lhe que tudo está acontecendo sob a vontade do Pai que está nos Céus!

Jesus caminhou dali e foi ter a umas oliveiras das quais apanhou uns frutos. Viu que três homens estiveram a segui-lo e permaneceu sob as oliveiras, a se alimentar.

Levi se acercou de Jesus e de imediato notou o seu rosto totalmente diferenciado. Jesus já se apresentava ali na figura de um homem mais maduro.

— Mestre!

— Levi, agora é chegado o meu tempo, agora é chegada a minha hora! Verás que muitos me amarão e muitos me odiarão!

— Mas, Mestre, quem poderia odiar ou amar alguém que cura a todos e somente pronuncia palavras de sabedoria?!

— Levi, há na Terra duas vertentes: a luz e a treva. E nós somos a luz, e da luz são aqueles que são simples, que são humildes de coração, que são mansos de alma. Estes me santificarão na Terra e estarão comigo por todo o tempo.

— Mas, Senhor, força alguma da escuridão pode derrubar a luz!

— Levi, pouco conheces das coisas da Terra! Há muitas forças entre o Céu e a Terra! Mas para este princípio, para esta nova ordem, para estabelecer uma nova aliança com o meu povo é que vim a este mundo, porque o Deus todo-poderoso ainda não o estabeleceu por causa da força da treva. Existe entre os homens um certo Príncipe que prega a força da escuridão, a força do dinheiro, a força da vaidade. Assim foi com os ancestrais: tentaram espalhar a luz sob o crivo da materialidade do homem. Assim foi com os grandes reis e com alguns profetas, mas não foi a este princípio que vim servir: vim servir ao Deus da simplicidade. O Senhor da Bondade está sobre os corações, porque aqueles que estão caídos ouvirão a minha voz, e o mundo da prostituição ouvirá a minha voz, e os ladrões ouvirão a minha voz, pois vim para os doentes, e não para os sãos. E serei condenado, porque vim trazer a força de Deus a esses corações!

— Senhor, dizes que andarás com a pobreza?!

— Sim, vim ao mundo com tal propósito.

JOÃO BERBEL