CAPÍTULO 5 - DE ANJOS E DEMÔNIOS

CAPÍTULO 5 - DE ANJOS E DEMÔNIOS

Anjos e demonios, seres espirituais benfazejos e malfazejos, poderosos, superiores ao homem e sobre ele influindo. Sob diferentes nomes os encontramos em todos os povos, nas épocas recuadas ou mais recentes.

Surgem nas teogonias dos povos, na genealogia e filiação dos seus deuses, na literatura, nas fábulas da mitologia, nas crenças populares e também na religião cristã.

Não são idéia nova, mas estão muito em moda. Como há algum tempo só se falava em gnomos e duendes, agora se fala mais em anjos e sua mágica proteção; sobre eles as lojas oferecem quadros e estatuetas, em diferentes formas e cores, e muitos livros se publicam sobre o tema.

A crença popular nos anjos é contrabalançada pela crença nos seus contrários: os demônios, que nunca saíram de moda. Muitos os temem, alguns os adoram e até lhes prestam culto, como no black metal satânico e a missa negra.

Nos capítulos VIII e IX da 1ª Parte do livro O Céu e o Inferno, publicado em agosto de 1865, o codificador examinou o tema dos anjos e demônios, tomando como referência a pastoral, que um ano antes, Monsenhor Gousset, Cardeal Arcebispo de Reims, fizera para a quaresma de 1864. Na época, essa pastoral constituía "a última expressão do dogma da Igreja quanto a anjos e demônios" e estava fundamentada no Concílio de Latrão, do ano de 1215.

Não obstante os mais de 140 anos que se passaram do lançamento de O Céu e o Inferno, o estudo de Kardec sobre anjos e demônios não está ultrapassado, porque o ensino católico não mudou, como vemos pelo livro da Editora Vozes: Os Anjos Existem?, de Antonio Mesquita Galvão.

Antes de comentarmos o que diz a codificação do Espiritismo sobre anjos e demônios, vejamos o que ensina o Catolicismo.

OS ANJOS NA DOUTRINA CATÓLICA

Segundo a doutrina católica, Deus criou duas espécies de criaturas: anjos e homens.

Os anjos são puro espírito, somente espírito, natureza angélica que subsiste por si mesma, sem mistura com a matéria, dissociada dela, por mais vaporosa e sutil que a suponhamos.

Já os seres humanos se constituem de corpo e alma. A alma é igualmente espiritual, mas formando com o corpo uma só pessoa, sendo tal e essencialmente o seu destino.

Morrendo o corpo, o ser humano ficaria incompleto?! Por isso, talvez, a ideia de que seria necessária a ressurreição da carne?

As qualidades especiais que os anjos apresentariam:

Não ocupam lugar no espaço, pois seriam puramente espirituais e, portanto, não físicos;

Movimentam-se mais rápido que o pensamento, sem nada encontrar que os limite ou impeça;

Vêem sempre o que lhes importa saber, numa relação imediata com o objeto de sua atenção;

Conhecem não por indução ou raciocínio, mas por uma intuição clara e profunda, o gênero das coisas e o que delas deriva, os princípios e as consequências que deles decorrem, sem nenhuma confusão em seu conhecimento, quer de épocas, lugares, multiplicidade de objetos;

Sua comunicação também se faz de modo especial, completo, instantâneo, como o seu processo de conhecer.

QUANTOS SERIAM OS ANJOS?

Não em número infinito, mas bem considerável, verdadeiramente prodigioso, muito superior ao dos homens, pois embora estes sejam já mais de seis bilhões de criaturas, somente habitam a superfície da Terra e há muitas regiões desocupadas, enquanto os anjos povoam céus e terra, mares e abismos, sem contar os que ficariam sempre ante o trono de Deus.

POR QUE DEUS OS TERIA CRIADO?

Para lhe comporem a corte celeste e o adorarem no auge de sua glória, é uma das razões. A outra, para serem intermediários entre Deus e os homens: transmitir sua vontade, anunciar acontecimentos futuros, serem órgãos de sua justiça e misericórdia.

Tanto assim que o termo que designava os anjos em hebraico era malãkh, ou seja, mensageiros, enviados com missão especial. Em grego, aggelos, no latim, angelus e, finalmente, anjo, em português.

QUAL A APARÊNCIA DELES?

Sendo puramente espírito, os anjos não teriam forma; ao aparecer aos homens, tomariam algum aspecto de figuras humanas ou mistas.

Costuma-se figurá-los dotados de asas, simbolizando a rapidez com que se deslocariam pelo espaço, na sua função de mensageiros espirituais de Deus.

CADA ANJO TEM UM NOME ESPECIAL?

A princípio, os anjos dos israelitas não tinham nome próprio. Mas, tendo estes vivido cerca de 50 anos cativos na Babilônia (587/536 a.C), cuja cultura apresentava deuses de corte variada e rica, assimilaram muito dos conhecimentos e costumes daquele povo, e talvez tenham "enriquecido" a corte de Jeová, fazendo os anjos de várias classes e com nomes próprios.

Por isso encontramos na cabala hebraica - a ciência oculta dos israelitas, anterior ao Cristianismo -, a idéia de que os anjos de guarda seriam 72, cada um governando 5 dias do ano (360), cada qual oferecendo auxílio para determinadas ocasiões. Por exemplo: Vehuiah, dom artístico, espírito inventivo; Jeliel, manter harmonia no trabalho, entre o casal; Eíemiah, proteção nas viagens, especialmente as marítimas.

E por aí vai, a febre atual pelos anjos de guarda...

Existem anjos, seres espirituais à parte da criação, privilegiados, pois com qualidades que os humanos não têm? Por que não nos fez Deus como eles? Teria sido o Criador injusto para conosco?

Os ANJOS À LUZ DO ESPIRITISMO

Existem anjos, sim. Há muito Deus conta com esses seres espirituais, experimentados e esclarecidos para transmissão de suas ordens e direção do Universo, desde o governo dos mundos até os mais ínfimos detalhes.

Para isso, Deus não precisou criar seres espirituais privilegiados, isentos das obrigações e contingências humanas. Criou dois princípios gerais no Universo: o princípio material (fluido cósmico universal) e o princípio inteligente. Da matéria primitiva, por transformações, surgem mais elementos, as substâncias, as coisas, que se compõem, decompõem e recompõem, incessantemente. Do princípio inteligente se desenvolvem os seres espirituais, que, por evolução, se individualizam e progridem.

Simples e ignorantes, a princípio, os seres inteligentes alcançam, depois, a escala humana e rumam, a seguir, na busca da angelitude.

A humanidade é formada por todos os espíritos, seres inteligentes que Deus criou, está criando e ainda criará, por via da evolução.

Os seres espirituais não se limitam à Terra, habitam os inúmeros orbes que circulam no espaço. Já habitaram mundos que desapareceram e habitarão os que vierem a se formar.

Por mais antiga suponhamos a Terra, antes dela existir havia outros mundos e neles os espíritos percorriam, em vidas corpóreas, as mesmas fases que estão agora sendo percorridas por espíritos como nós, só que somos de formação mais recente.

Antes mesmo que alcançássemos ser indivíduos, seres inteligentes e com a consciência de si mesmos, outros espíritos já haviam atingido grande desenvolvimento intelecto-moral. Muitos! Nem podemos imaginar quantos! E, de fato, não ocupam lugar no espaço, movimentam-se com a rapidez do pensamento, vêem, conhecem e se comunicam de modo especial, e não têm uma forma específica em seu perispírito que é muito plasmável.

São espíritos assim que servem a Deus exercendo, cada qual, funções específicas para as quais já está habilitado, no universo e junto a nós, seres humanos, seus irmãos menores, porque ainda menos evoluídos.

Como as existências corpóreas desses espíritos mais evoluídos se deram num infinito passado, ao vê-los, agora, supusemos que eles sempre tivessem sido assim desde o seu início e que, portanto, fossem diferentes de nós. Mas não é verdade. Os chamados anjos são, como nós, seres espirituais, só que já passaram pelas experiências corporais e atingiram um grau maior de desenvolvimento. Têm, sim, condições superiores de pensamento, sentimento e ação, mas foi com esforço pessoal e atendendo às leis divinas que conseguiram desenvolvê-las a tão alto grau e, se agora as desfrutam, é merecidamente.

Deus, sempre perfeitamente justo e equânime com seus filhos, a todos os espíritos dá potencialidades semelhantes. Também temos, portanto, as potencialidades dos chamados anjos. Neles, já foram trabalhadas, estão muito desenvolvidas; em nós, ainda por desenvolver ou em desenvolvimento, conforme o entendimento e empenho de cada um.

Poderíamos dizer que somos "sementes de anjo".

OS DEMÔNIOS NA DOUTRINA CATÓLICA

Na pastoral em estudo, demônio é gênio do mal que fnocura levar a humanidade à perdição, a perder seu bem estar e felicidade espiritual.

Deus não criou somente anjos e homens? De onde turgiu esse gênio do mal? São anjos. Anjos?! Sim, com todos os atributos deles, mas são anjos caídos. De onde? Do Céu. Deus os lançou "nos abismos do inferno" (2 Pedro, 2:4).

Céu e inferno... Até o Papa João Paulo II explicou que não são locais geográficos determinados, mas estados de alma, exatamente como o apregoa o Espiritismo.

Também podem ser situações no mundo espiritual, representando o céu os planos espirituais felizes, porque habitados por espíritos puros, que sabem criar ambientes bons e felizes, e o inferno (inferus = inferior), os planos, as regiões fluídicas tristes, infelizes, que os espíritos inferiores criam e neles habitam. Não são planos eternos e, sim, formações temporárias, que se modificarão conforme se modificarem os espíritos que as criam.

Mas aceitemos: Deus expulsou esses anjos do Céu e lançou em regiões inferiores. Por quê? Porque pecaram. Não eram anjos, de natureza puramente espiritual e criados com qualidades especiais, destinados a servirem a Deus? Como aconteceu de pecarem, errarem, fazerem o mal?

É que tinham liberdade, livre-arbítrio e passavam por uma prova.

Prova! Para quem já era perfeito? Sim, e só depois dela poderiam ficar definitivamente no Céu, para sempre. Mas pecaram! Em quê? Há teorias, Tomás de Aquino acha que foi por soberba, quiseram ser mais do que Deus, ou igual a Ele.

Quem foram os rebeldes? Um chefe de arcanjos se rebelou contra Deus e arrastou com ele uma terça parte das cortes celestes. Um número imenso!

Ah, mas foram banidos do Céu e condenados para sempre, sem lhes ser concedida jamais a possibilidade de arrependimento. No Juízo Final, serão lançados definitivamente no fogo eterno!

Banidos do Céu e precipitados no Inferno, irremediavelmente condenados, não lhes sendo permitido se arrependerem... Não admira que continuem procurando contrariar a vontade e o poder de Deus. Não poderemos jamais ser felizes? Os homens também não!

E fazem de tudo para que nos percamos espiritualmente. Aproveitam ou excitam em nós a vaidade, orgulho, ambição, sexolatria, ira, gula, inveja... O maior mal que fazem é a sedução mentirosa, através da qual, têm induzido os homens à descrença, a romper com Deus.

Anjos decaídos! Condenados para sempre, sem remissão. Deus não sabia que isso poderia acontecer? Sabia, mas não pôde evitar? Poderia evitar mas não quis?

Não conseguiu mantê-los como servidores seus! E não os recupera, não retoma comando sobre eles! Ainda permite que nos influenciem para o mal! Pobres de nós! Que culpa temos dos erros deles?

Necessário lembrar que daimonion (ou daimon) palavra grega, quer dizer, apenas, génio, divindade, ser espiritual, podendo ser bom ou mau, mas no movimento cristão do século II, esses anjos rebeldes começaram a ser chamados de demônios e agora, na doutrina católica, essa palavra designa um ser espiritual malévolo, rebelde a Deus, ao qual foram atribuindo uma aparência especial: chifres, barba em ponta, pés de cabra, asas de morcego. Enfim, uma aparência que simboliza a inferioridade do ser, mescla de homem e animal.

Também são chamados diabos (do latim diabolu e diabolos, em grego), que a Bíblia de Jerusalém traduz por "acusador', "caluniador", (pelo modo como agem, desunindo, causando desordem) e às vezes, se traduz pelo ibraico satan, que significa adversário.

OS DEMÔNIOS À LUZ DO ESPIRITISMO

Seres demoníacos assim não existem. Demônio, diabo ou satanás são apenas uma alegoria, uma figura personificando o mal, representativa dos espíritos que ainda se manifestam como adversários do bem.

— Há demônios, no sentido que se dá a esta palavra?

— Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus e seria Deus justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, é no mundo inferior em que habitais e em outros semelhantes: são esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo e crêem lhe sejam agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome. (Questão 131 de O Livro dos Espíritos)

A negativa quanto a demônios não invalida a existência real dos espíritos, seres incorpóreos, inteligências individualizadas, a influírem uns sobre os outros, encarnados ou não.

Os pretensos anjos caídos, demônios, diabos, satanases são apenas "as almas dos homens maus", rebeldes ao bem porque ainda pouco evoluídos; estado transitório, já que sendo seres espirituais, como qualquer de nós, são também passíveis de progresso e aperfeiçoamento.

Podem assediar e perturbar as pessoas? Sim, se estas, por seus pensamentos, sentimentos e atos, ou carência de ação no bem, agora ou no passado, oferecerem ligação, sintonia para a influência deles e nenhuma resistência opuserem às sugestões más.

Como evitar que nos influenciem mal? Jesus já nos ensinou:

Vigiai e orai para não cairdes (quando) em tentação.

E se já conseguiram influir maleficamente sobre nós? Poderemos desfazer a situação constrangedora agindo sobre ambos, o encarnado e o desencarnado. Sobre o espírito perturbado ou perturbador, não simplesmente para expulsar, mas esclarecer, encaminhar para o bem. Sobre o encarnado, para explicar o porquê e como daquela influência má, orientar sobre o que fazer para se libertar: não revidar ao mal com o mal, guardar a paciência, a fé; orar, até em favor do obsessor; renovar-se mental e emocionalmente e empenhar-se no bem, na caridade.

No livro O Ceu e o Inferno ou A justiça divina segundo o Espiritismo, aprendemos que não precisamos temer a morte. Existe um futuro para nós, seres humanos, além da vida do corpo.

Nem há por que temer o inferno. Ele não depende do lugar material ou espiritual, pois é decorrência apenas de nosso próprio estado evolutivo.

Ignorância, incúria, inércia, ação viciosa ou má? Ai arretam-nos estados de alma infelizes, situações tristes ao redor de nossos passos.

Atraem para o nosso lado espíritos imperfeitos como nós ou nos conduzem, na vida do Além, a ambientes difíceis e de sofrimento. Quando isso nos acontece, podemos dizer que estamos no inferno ou ele está dentro de nós.

Mas, não é uma situação irreversível, pois não há condenação eterna.

Desde que nos melhoremos, nós mesmos sanearemos nosso "inferno", interior ou exterior.

Purgando, expiando, reajustando-nos, testemunhando a cada passo a nossa renovação moral, pouco a pouco, iremos desfazendo as trevas em nosso íntimo e ao redor.

Agindo assim, conseguiremos estados melhores, "ganhando o céu", que, igualmente, estará em nossa alma, ou o teremos construído ao nosso redor, quer estando encarnados ou na vida do Além.

O enfoque espírita sobre anjos e demônios não é apenas uma teoria. No livro citado, Kardec coloca o testemunho de espíritos, pessoas como nós, após desencarnadas, cada qual contando como se sente, o que lhe acontece e por que, em decorrência do seu modo de pensar, sentir e agir, do que já fez ou do que está fazendo, tanto aqui como no Além. Ali estão os espíritos que se sentem felizes, aqueles que se apresentam em condições medianas, os sofredores e os suicidas, além dos espíritos ainda endurecidos e, também, o dos criminosos arrependidos, que enfrentaram situações difíceis no lado de lá, mas que, melhorando sua disposição íntima, conseguiram sua libertação das chamadas "trevas".

Que livro esclarecedor! Há mais de 140 anos entre nós e pouca gente o leu, menos ainda o estudaram. Os próprios espíritas quase não o conhecem.

Por desconhecerem as informações espirituais que ele contém, muitos continuam sem entender os chamados anjos e demônios. Crêem em demônios e os temem, achando que nos fazem errar e, assim, são a causa de nossas dores e problemas. Crêem em anjos e se alegram, pensando infantilmente que sempre vão nos beneficiar e sua proteção nos isentará de qualquer dificuldade.

Mesmo sem merecermos? Estaria anulada a lei de causa e efeito, o "a cada um segundo suas obras", ensinado por Jesus?

Não pensemos mais assim! Alertados quanto à influência dos espíritos sobre nós, procuremos evitar a dos maus e atrair a dos bons.

Vigiemos melhor os nossos "demónios" exteriores, os espíritos encarnados ou não que possam nos influenciar mal, e os interiores, as tendências más que ainda trazemos.

Policiemos a nossa agressividade, evitemos a violência, que vemos surgir em agressões e espancamentos, até na intimidade da família como nos campos de esporte.

Controlemos a nossa ambição, que pode levar a furtos, assaltos, estelionatos, exploração.

Cultivemos a temperança em nossos hábitos, preservando o equilíbrio físico, e evitemos os vícios, o fumo, as lu-bidas e as drogas que acarretam a perda do controle próprio e o surgimento de doenças.

Tenhamos cuidado com o fanatismo e a intolerância para com os adeptos de outros credos.

SOB A PROTEÇÃO DOS BONS ESPÍRITOS

Chega de falar no mal, falemos o bem. Acaso nos esquecemos dos anjos de Deus, das milícias celestiais, a multidão de espíritos bons, mais evoluídos que a humanidade terrena? São incontáveis! E não estão inativos!

Meu Pai trabalha constantemente, e eu também trabalho, disse Jesus, e também todos os bons espíritos trabalham!

Como vemos em O Livro dos Espíritos, eles se ocupam, continuamente, em cumprir os desígnios divinos. Exercem na vida universal as funções que lhe estiverem ao alcance e se fazem, junto a nós, mensageiros da providência divina. São o Espírito Santo, a coletividade dos bons espíritos.

Artes, ciência, educação, religião, política, indústria, tudo e todos lhes recebem o benéfico influxo.

OS ESPÍRITOS PROTETORES

São aqueles que se ligam particularmente a um indivíduo, para protegê-lo. Não por causa do dia de nascimento, mas pela ligação espiritual e afetiva que com ele tenham. Sua missão é guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida, sendo às vezes, um espírito familiar, se tiver condições necessárias para tanto.

Agem de modo voluntário, como prazer ou como dever, velando pelo seu protegido, desde o nascimento até à morte e, às vezes, mesmo depois; em alguns casos, através de várias existências corpóreas.

Não é preciso sabermos seu nome para que nos ajude. O apelo que fizermos a Deus, a Jesus, aos santos, a qualquer bom espírito que nos inspire simpatia, veneração, servirá de base para que nosso protetor nos atenda e ajude. Nem precisa estar sempre junto do protegido para assisti-lo e ajudá-lo.

Dedica-se mais ao seu protegido, mas também pode ajudar a outros, embora menos exclusivamente.

Nunca abandona o seu protegido, mas se este não o atende, se afasta. Volta se o protegido o chamar. Se precisar se afastar para outras missões e substituído por espírito de igual capacidade.

Não age ostensivamente, para não tirar do seu protegido o direito da livre iniciativa, a oportunidade da experiência. Não vendo quem o ampara, o homem se confia às suas próprias forças. Mas, pelo pensamento, de tempos em tempos, alerta e ajuda. (O Livro dos Espíritos, 501)

Se não intervém na influência de um mau espírito sobre seu protegido, não é porque não possa lutar contra ele, mas porque o protegido precisa do livre-arbítrio na experiência, a fim de progredir; continua aconselhando, enviando bons pensamentos. Os espíritos maus podem se unir querendo neutralizar a ação dos bons, mas se o protegido quiser, dará toda força ao seu protetor. Que empresta força aos maus espíritos? O não lhes opormos resistência (O Livro dos Espíritos, questão 498).

Se consegue que o protegido se encaminhe bem, ganha ele ¦mbém em progresso e em felicidade e por ver o bem o seu protegido. Não é responsável pelo mau resultado de seus esforços, se fez tudo quanto de si dependia. Neste caso, os erros do seu protegido o compungem e ele os lamenta mas sabe que há remédio para o mal e que o que não se faz hoje, amanhã se fará.

Podemos ter mais de um espírito protetor, conforme nossas atividades exijam e mereçam.

E há espíritos que protegem sociedades, cidades, nações, porque as coletividades são como indivíduos. Se caminham para um objetivo comum, precisam de direção superior, a orientação de espíritos mais elevados, mais capazes.

SERES ESPIRITUAIS!

Nem anjos nem demônios, irmãos nossos.

Aos menos evoluídos, prestemos nossa ajuda.

Ante os desequilibrados, perturbadores, resistamos, controlemos, esclareçamos, encaminhemos ao bem.

A coletividade dos bons espíritos, milícias celestes - Espírito Santo, na designação de alguns - uma das potências de que Deus se serve para a execução de seus desígnios providenciais, peçamos ajuda, proteção, e agradeçamos pelo bem que nos fazem, procurando cooperar com eles, no bem que realizam no universo.

Os bons espíritos querem ajudar à humanidade, aos homens, seus irmãos, que estão encarnados na Terra. Inspiram, envolvem em amor, transmitem bons pensamentos.

Mas não têm um corpo material para ajuda mais efetiva no campo do mundo!

Precisam de olhos, para enxergar, em nossos irmãos, necessidades e carências.

De boca, para transmitir as palavras de luz e conforto que desejam dizer.

De pés, para caminhar ao encontro dos que sofrem, dos que precisam de companhia.

De mãos, para amparar aos que cambaleiam e levar o socorro aos que estão à míngua, fazer um afago aos que estão na orfandade e no abandono. Isso compete a nós, os encarnados. Unamo-nos a eles, em pensamento e ação, com eles colaborando em sua sagrada e sublime missão de amor.

Aos ESPÍRITOS CONSOLADORES
(THEREZINHA OLIVEIRA)

LUZES DO CEU, em nossa noite densa!

MÃOS DE PIEDADE, pras chagas humanas!

VOZES DO BEM, que ao Bem Maior conclamam!

VISÕES DE AMOR, que do senhor emanam!

Sois para nós desta jornada o guia MENSAGEIROS DA FÉ E DA ESPERANÇA

ARAUTOS DA VERDADE SOBERANA Que nos dará liberdade e paz

Sede conosco na escalada incessante Ao coração de Deus, origem da vida!

Therezinha Oliveira