CAPÍTULO 7 - FIM DOS TEMPOS,
FIM DO MUNDO?

7 - FIM DOS TEMPOS, FIM DO MUNDO?

"Os tempos são chegados!", "Estamos no fim dos tempos!"

Expressão que tem apavorado muita gente porque é entendida como sendo fim do mundo, a destruição do nosso planeta Terra e de todos os seus habitantes, quem sabe, até a aniquilação do universo inteiro.

Astrônomos e outros cientistas também falam, às vezes, de um possível fim de mundo. Mas em termos assim: Quando houver queimado todo seu estoque de hidrogênio, o Sol começará a inflar desmesuradamente, a temperatura da atmosfera terrestre aumentará de modo terrível, rios e oceanos se evaporarão, todas as formas vida serão extintas. Quando? Dentro de 5 bilhões de anos!

Futuro tão remoto, tão distante assim, mesmo com cataclismos e destruições, não nos impressionam, não nos atemorizam.

O que tem inquietado e apavorado a humanidade é a ideia de um fim de mundo iminente, próximo, para breve, uma "consumação dos séculos" em nossos dias. E' uma idéia que vem do campo religioso, mais especificamente, da Bíblia, que exerce grande influência sobre o pensamento de muitos povos e, dos brasileiros, de modo especial.

Eis alguns exemplos de anúncios bíblicos de fim dos tempos no Velho Testamento:

Daniel (8:17) acabara de ter uma visão. O anjo lhe esclarece: Fica sabendo que a visão se refere ao tempo do fim. Era o fim, apenas, do reinado dos reis da Pérsia e da Média.

Ezequiel (7:2). Deus manda anunciar: O fim chegou! O fim para os quatro cantos da terra. Amós (8:2). Jeová fala ao profeta sobre o fim do povo de Israel. Essas duas profecias somente diziam respeito a certas situações entre os israelitas e povos vizinhos, eram só para aquele tempo e naquelas circunstâncias.

Em 999, na Idade Média, difundia-se a filosofia do "não mais de mil anos". Então, as pessoas faziam romarias gigantescas, se desfaziam de seus bens, do que os espertalhões se aproveitaram, diz o teólogo e frei Mariano Foralosso, secretário geral da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Isto É, 8/5/96).

Houve quem deixasse de plantar, então, porque não iria haver colheita possível, comenta Hélio Pinto, em O Mundo Vai Acabar? (Visão Espírita, abril/98). Por isso, deve ter faltado alimentos e houve fome em algumas regiões.

No dia 31 de dezembro de 999, o frenesi chegou ao seu clímax.

O Papa Silvestre II celebrou a missa de meia-noite na Basílica de São Pedro, em Roma. Após a missa, um silêncio mortal caiu sobre os presentes. Finalmente, quando o relógio deu a primeira batida, os sinos da igreja começaram a tocar.

O mundo não se acabara! Entre lágrimas e risos, os casais se abraçaram. Os inimigos fizeram as pazes, amigos trocaram beijos e logo a vida voltou ao seu ritmo normal. Texto do escritor inglês Frederick Marten, catalogado no Instituto Cristão de Pesquisas (Novamente na Isto E, 8/5/96).

Falando de fim de mundo, não podemos deixar de citar o Apocalipse, talvez, o livro mais famoso, como profecia de fim de mundo. Teria sido escrito pelo evan¬gelista João (há quem conteste a tradição), em seu exílio na ilha de Patmos.

Apocalipse, em grego, quer dizer coisa encoberta, oculta. Traduzem como revelação, porque, nesse livro, João conta o que lhe foi revelado espiritualmente sobre o futuro da humanidade.

Mas o relato de João é extremamente simbólico, com figuras assim: a mulher e o grande dragão vermelho, os quatro cavaleiros, o cavalo branco, o vermelho, o preto e o amarelo, a besta que veio do mar, a grande Babilônia.

Simbolismo tão hermético que tem dado margem às mais variadas interpretações sobre o seu conteúdo, fantasiosas umas, absurdas outras, por vezes contraditórias entre si.

Teriam sido essas revelações dirigidas apenas aos agrupamentos do Cristianismo nascente, às primeiras igrejas cristãs da época? São mencionadas sete: Éfeso, Hsmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodicéia.

Ou aponta o destino futuro da humanidade, o nosso futuro? Nova Jerusalém, por exemplo, seria a Terra regenerada.

Inevitável, também, citarmos as Centúrias de Nostradamus, de Michel de Notredame, médico e astrólogo francês, publicadas em 1555.

Muitos acreditam que nelas se encontram previsões importantes sobre a trajetória da humanidade, algumas das quais até já se teriam concretizado.

São também escritas de tal modo que parecem curiosas charadas.

Exemplos: "O menino nascerá com dois dentes na garganta"; "Antes do conflito, o Grande cairá (...), Nascido imperfeito, ele nadará a maior parte do caminho"; "O fogo se aproximará da grande cidade nova".

Mesmo quem pretende sejam essas profecias verdadeiras, não pode assegurar que tenha encontrado a chave oculta que permita decifrá-las correta e exatamente.

Profecias de fim de mundo alarmantes, como essas, continuam surgindo periodicamente ainda em nossos dias, da boca de religiosos, esoteristas, ou de meros fanáticos. Às vezes levaram grupos de pessoas ao suicídio coletivo, como Jim Jones (na Guiana) e o Portal do Céu (nos EUA).

Datas chegam a ser previstas, mas nunca concretizadas. Assis Valente compôs o jocoso "E o mundo não se acabou", gravado por Carmen Miranda e, mais recentemente, por Adriana Calcanhoto.

JESUS E O FIM DOS TEMPOS

No Novo Testamento, Jesus também, por várias vezes, anunciou um "fim dos tempos".

Quando disse que o Templo de Jerusalém seria destruído, não ficando pedra sobre pedra, os discípulos, alarmados, quiseram saber mais a respeito dessa consumação dos séculos.

E Jesus indicou para eles certos sinais, no seu sermão profético (Mt 24, Mc 13 e Lc 21): (...) perseguição aos seguidores de Jesus; Jerusalém sendo sitiada, muitos morrendo e muitos sendo levados em cativeiro; aqueles dias seriam abreviados, por causa dos eleitos, senão ninguém se salvaria.

Essas coisas aconteceram, mesmo. Houve perseguição aos seguidores de Jesus, começando por Paulo, quando foi a Damasco com cartas do sinédrio.

No ano 70 d.c, reagindo a mais uma tentativa de sublevação dos israelitas, os romanos sitiaram Jerusalém. Os habitantes sofreram fome. Se o cerco demorasse mais tempo, todos teriam perecido à mingua. Finalmente, os romanos invadiram e incendiaram a cidade. Houve muitos mortos e os sobreviventes foram levados cativos para outras regiões, ficando impedidos de voltarem.

Disse ainda Jesus, nesse sermão profético, que os poderes dos céus serão abalados (Mt 24:29), o Sol se obscurecerá, d Lua deixará de dar sua luz; as estrelas cairão do céu (Mt I 1:24/25).

Esses sinais não se cumpriram. A modificação dos astros no céu como realidade física não se poderia mesmo dar, pois a ordem do universo não se altera.

São alegorias com imagens vigorosas e forte colorido, esclarece Allan Kardec, ao estudar o tema, no livro A Gênese (XVII, itens 47/57).

Jesus as empregou, porque os homens que o ouviam, então, eram inteligências ainda rudes, incapazes de compreender abstrações metafísicas e de apanhar a delicadeza das formas. Para atingir o coração deles era preciso lhes falar aos olhos, com o auxílio de sinais materiais, e aos ouvidos, por meio da força da linguagem.

Essas alegorias podem simbolizar valores e situações da vida terrena, que estamos habituados a considerar como imutáveis e, entretanto, sofrerão grandes modificações. Ex. Estrelas que caem, podem representar pessoas poderosas perdendo o poder que exerciam.

Na figura do mar em bramidos e ondas, pessoas em perplexidade e terror, o mar talvez simbolize a multidão, as gentes, as massas, e os bramidos e ondas, os movimentos de reclamações e clamores das populações.

Ouvireis falar de guerra e rumores de guerras, afirmou Jesus.

O mundo sempre tem estado em guerras. Notícias dizem que atualmente há no mundo quase cem pontos de beligerância.

O que leva o homem a fazer guerra é a predominância da natureza animal sobre a espiritual, a busca de satisfação das suas paixões (O Livro dos Espíritos, 742/745).

O homem faz guerra política, na disputa de poder; econômica, para obter riquezas, industrializar, comerciar; racial, por confronto de etnias; religiosa, por fanatismo e intolerância contra os que professam outras crenças.

A providência divina não tolhe o livre-arbítrio do homem, deixa que ele guerreie, objetivando levá-lo a conquistar a liberdade e o progresso, pois, após as guerras, as situações dos povos se modificam. A Revolução Francesa, em 1792, que provocou um dos mais sangrentos episódios da história, abriu caminho para idéias de liberdade, igualdade e fraternidade.

A medida que o homem progredir, a guerra se tornará menos frequente, porque ele saberá evitar tudo que a causa. Se, mesmo assim, a guerra se fizer necessária, ele saberá adicionar-lhe humanidade, como já o faz com a ação da Cruz Vermelha e as disposições da Convenção de Genebra.

Haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares.

Grandes terremotos podem significar, simbolicamente, modificações drásticas nas estruturas sociais.

Quanto a flagelos destruidores, consideremos primeiramente: muitas das calamidades que assolam o mundo não provêm das mãos de Deus; o que as causa é a irresponsabilidade e violência do próprio homem.

Mas há, sim, fenômenos naturais que independem da vontade humana, podendo causar muita destruição e morte: terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, furacões.

São modificações necessárias, providenciais na natureza. Acomodam a crosta terrestre e renovam a atmosfera. Fazem as coisas chegarem mais prontamente a uma ordem melhor, em alguns anos se realiza o que necessitaria de muitos séculos.

Nos primeiros tempos de sua formação, o planeta Terra passou por muitas alterações, amplas, violentas. Atualmente, ainda as sofre, já não tão frequentes, nem tão gerais.

Durante a vida, o homem comum tudo relaciona ao seu corpo e como esses acontecimentos funestos lhe causam prejuízos, os chama, então, de flagelos. Mas após a morte pensa de outra maneira.

A vida do corpo é quase nada, um século do nosso mundo é um relâmpago na eternidade. Se pudéssemos nos elevar pelo pensamento, de maneira que abrangêssemos toda a humanidade numa visão única, esses flagelos terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

Peste, fome, inundações, intempéries fatais à produção da terra.

Têm servido para que o homem procure os meios de neutralizar ou atenuar tantos desastres e os ache na ciência, nos trabaikos de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afogamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, Quando o Homem souber aproveitar todos os recursos da sua inteligência e, ao cuidado pelo seu bem estar materiaf, souber aliar o sentimento de uma verdadeira caridade para com os semelhantes quanto não fará pelo bem-estar material seu e dos outros! (O Livro dos Espíritos, 741).

Diz Jesus ainda no sermão profético: (Mt 24:11/13)

Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas. Os profetas são os porta-vozes do Alto, os médiuns. Falsos profetas são os que fingem ser médiuns mas não são, ou os que supõem erroneamente serem porta-vozes espirituais ou os que o querem ser.

Encarnados ou não, sempre existiram falsos profetas no mundo. Nos dias de hoje, também é preciso estar vigilante, não aceitar suas doutrinas perniciosas.

E, porque abundará a iniquidade, a caridade (o amor) de muitos esfriará. Quando a iniquidade, a injustiça e os desmandos proliferam, muitos vacilam na fé, perdem a confiança no bem.

Rui Barbosa escreveu: De tanto ver triunfarem as nulidades, (...) prosperar a desonra, (...) crescer a injustiça, (...) agigantarem-se os poderes na mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Ante os descalabros sociais da atualidade, em muitos a caridade, o amor vem esfriando...

Mas quem tem conhecimento da imortalidade e da perfeita justiça de Deus, que, ao longo das reencarnações, dá a cada um segundo suas obras, não pode perder a fé. Quem sabe que a marcha do progresso é uma lei divina, irresistível na consolidação do bem e correção do mal, e que fora da caridade não há salvação, não tem como desanimar no amor ao próximo.

Aquele que perseverar até o fim será salvo, concluiu Jesus.

Aquele que persistir, perseverar no bem, até o fim, de cada tarefa, de cada existência, se salvará, sim, da ignorância, dos vícios e dos erros, pois os irá superando, e se libertará rumo à verdade e ao amor, à luz e à paz.

A NOVA VINDA DE JESUS

Jesus também anunciou, várias vezes, uma segunda vinda sua à Terra, no futuro. A esse segundo advento do Cristo, os cristãos denominaram Parúsia (do grego Parousia: presença; visita oficial de um príncipe a um lugar qualquer).

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintainhos debaixo de suas asas, e não o quiseste!

Eis que a vossa casa vos ficará abandonada (deserta), pois eu vos digo: não me vereis, desde agora, até o dia em que direis: Bendito o que vem em nome do Senhor! (Mt 23:37, Lc 13:34).

Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com seus anjos e então dará a cada um segundo as suas obras. Dígo-vos em verdade, que alguns daqueles que aqui se encontram não sofrerão a morte, sem que tenham visto vir o Filho do homem no seu reino (Mt 16:27/28).

Ao sumo sacerdote que indagara: És tu o Cristo? Jesus responde: Eu o sou e vereis um dia o Filho do homem assentado à direita da majestade de Deus e vindo sobre as nuvens do céu (Mc 14:60/63).

Tomando a promessa ao pé da letra, seguidores seus esperaram que ele retornasse logo, em carne. Esperaram em vão, porque não aconteceu.

Jesus, porém, não disse que voltaria num corpo carnal, mas que viria na glória de seu Pai e sobre as nuvens do céu, símbolos evidentes de manifestação espiritual.

E espiritualmente Jesus de fato voltou. Materializando-se, reapareceu aos seus apóstolos e a muitos dos discípulos, em situação de grande poder e autoridade espiritual. Neste sentido, muitos dos que o seguiam viram o Filho do homem no seu reino, mesmo antes de desencarnarem.

Ainda hoje há quem espere um retorno de Jesus em carne e para breve. Não perceberam que, espiritualmente, Jesus já está conosco e, do plano invisível com suas equipes de espíritos benfeitores, vem velando pela humanidade terrena, para que haja continuidade de progresso e evolução moral.

Um dia, todos entenderão melhor o que Jesus quis dizer e aceitarão sua sábia orientação, passando a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos. Até as religiões se unificarão em torno de verdades espirituais básicas, formando, finalmente, um só rebanho e um só pastor.

Ainda sobre sua vinda, disse Jesus, no sermão profético:

Então, o sinal do Filho do homem aparecerá no céu e todos os povos da Terra estarão em prantos e gemidos e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com grande majestade. E ele enviará seus anjos, que farão ouvir a voz retumbante de suas trombetas e que reunirão os seus eleitos dos quatro cantos do mundo, de uma extremidade a outra do céu (Mt 24:30/31).

Esta imagem lembra outra, a do juízo final.

Quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como um pastor separa dos bodes as ovelhas, e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita:

Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos está preparado desde o princípio do mundo (Mt 25:31/46).

Alegóricas predições. Como entendê-las à luz do Espiritismo?

Ao longo do tempo e, mais especialmente, nos últimos dois mil anos de Cristianismo, através de lutas e dores, acertos e erros, inúmeras reencarnações, a humanidade vem evoluindo.

Chegará uma época em que, pelo progresso moral de seus habitantes, o planeta Terra irá ascender na hierarquia dos mundos, passando de planeta de provas e expiações a planeta de regeneração.

Os bons, que Jesus representa como ovelhas, úteis e mansas, terão direito a continuar reencarnando aqui, confirmando o que fora dito no sermão da montanha, os mansos herdarão a terra.

Os que ainda não quiseram aproveitar os ensinamentos, figurados como bodes, viciosos e agressivos, serão exilados para mundos inferiores, mais de acordo com suas inclinações (O Evangelho segundo o Espiritismo, XI, item 14).

Nem todos os retardatários serão expurgados, porque muitos cederão à força das circunstâncias e ao exemplo dos bons. Os exilados para os mundos inferiores neles expiarão seus erros; ao mesmo tempo, terão novas oportunidades de se redimirem, retomando a caminhada do próprio progresso e ajudando os espíritos menos evoluídos de lá a também progredirem.

E' um grande juízo, um grande julgamento. Geral, porque para todos os habitantes da Terra, encarnados ou não. Cada qual, em seu livre-arbítrio e por seus atos, se classificando como bode ou como ovelha.

Mas não é um juízo final, definitivo, no sentido de condenação eterna ou aniquilamento, porque a oportunidade de progresso continuará.

E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para servir de testemunho a todas as nações. E então que o fim chegará (Mt 24:14).

Justamente quando o Evangelho houver sido pregado em todo o mundo é que virá o fim? Terminará tudo? Talvez melhor não pregar o Evangelho, para o mundo não acabar...

Não será o mundo físico que terá fim, o que deixará de existir será o "velho" mundo moral, explica Allan Kardec.

Divulgada amplamente, a mensagem do Evangelho irá sendo assimilada, começará a iluminar as consciências, fará ver a realidade da vida imortal e levará as pessoas a darem mais valor às coisas do espírito que às da matéria.

É o anúncio do final de grande ciclo evolutivo para a humanidade terrena. O Espiritismo vem contribuindo muito para que o Evangelho seja restaurado em sua pureza primitiva, em seu verdadeiro sentido, e divulgado a todas as criaturas. Ainda assim não se trata de fazer prevalecer a letra evangélica, mas as idéias que condizem com a verdade e a moral cristã, mesmo que revestidas de outras formas, científicas, filosóficas ou religiosas. Estudar Kardec para viver Jesus.

QUANDO TAIS COISAS IRÃO SUCEDER?

Jerusalém, Jerusalém, que tão mal me recebeste, a um mil tu chegarás, mas de dois mil não passarás, teria Jesus falado assim? Não consta do Novo nem do Velho Testamento. Estaria na Cabala Judaica, na Pirâmide de Keops, ou em outras fontes do misticismo milenar, que também parecem prever uma época semelhante.

Quanto ao ano dois mil, não importa mais, porque já passou! E sobre o Terceiro Milênio? Os espíritas falam dele com grande esperança.

Nessa época, o planeta Terra já terá passado de mundo de provas e expiações a planeta de regeneração. Haverá nele mais paz, menos doenças, melhor organização social, maior conhecimento intelectual e vivência mais espiritualizada.

Já começou o Terceiro Milênio? Então, agora, tudo vai ficar bem, rapidamente! Não, a vida na Terra não mudará de um ano para outro, nem em dezenas de anos. A natureza não dá saltos. A evolução dos habitantes da Terra, seu maior desenvolvimento intelecto-moral, será feito ao longo de todos os mil anos desse terceiro milênio.

Mas depois desses mil anos mais, certamente a Terra já terá passado por todas as transformações necessárias e será, enfim, um planeta de regeneração?

Quanto a esse dia e hora ninguém o sabe, nem os anjos que estão no céu nem o Filho, mas somente o Pai. (Mc 13:32)

Nem Jesus pôde predizer a data certa! Porque a grande transformação dependerá do livre-arbítrio das criaturas humanas, de que queiram ou não progredir e de que o façam mais depressa ou mais devagar.

Entretanto, por certos indícios será possível ir percebendo o processo de transformação da Terra. Indícios não no Sol nem nas estrelas, mas no estado social e nos fenômenos, mais de ordem moral do que físicos.

SÃO CHEGADOS OS TEMPOS ("SINAIS DOS TEMPOS", A GÉNESE, ALLAN KARDEC, CAP. XVIII)

Analisemos nosso mundo, nossa época, quanto ao progresso intelecto-moral, e perceberemos muitos sinais de que, de fato, são chegados os tempos1. Grandes transformações se operando no planeta e na humanidade.

Alguns só estão vendo males, confusão, prejuízos. Mas há também muito esforço construtivo, compreensão e fraternidade. Há populações famintas e povos dizimados pela fome, sim, mas a tecnologia começa a aumentar a capacidade de produzir para melhor abastecimento geral.

Guerras mundiais, morticínio e destruição em massa afligem o planeta, mas já damos proteção à natalidade e conseguimos melhor qualidade de vida!

Vandalismo inútil e destrutivo acontece, mas também que inacreditáveis conquistas tecnológicas!

Holocaustos, genocídios, racismo redivivo, entretanto, crescem as idéias de fraternidade, como cantam John Lennon no seu "Imagine" e Paul McCartney, em "Ebony and Ivory" (em parceria com Stevie Wonder).

Degradação moral, permissividade, instintos desenfreados, contudo vão sendo abolidos a intolerância cruel e os preconceitos milenares!

AIDS, pragas e pandemias, drogas destruidoras vigem, porém, de outro lado, surgem maravilhosos avanços da medicina, com vacinas, antibióticos, medicamentos milagrosos, biogenética, alertamento preventivo, tratamento, solidariedade!

Egoísmo, orgulho e vaidade, indiferença dos ricos e poderosos, ainda existem, mas não impedem o altruísmo, o idealismo, a abnegação dos homens de boa vontade, as organizações voltadas para o bem comum, como os "Médicos sem fronteiras", ou as 220 mil organizações não governamentais que no Brasil atuam no campo da caridade (Artigo "Os Heróis Anônimos", da revista Veja, citado pelo SEIRJ de 3/10/98).

Tantos problemas a resolver, carências a atender, multidões por esclarecer e educar. E tantas coisas extraordinárias já produzidas e em realização!

Neste "fim dos tempos", nestes "tempos chegados" as grandes transformações desarvoram o geral das populações e geram boatos e interpretações dúbias, mas não afetam as mentes acostumadas ao pensamento crítico-construtivo.

Esclarecidos pela Doutrina Espírita:

- Entendamos os acontecimentos não apenas do ponto de vista material e pessoal, mas espiritual e coletivo;

- Confiemos na providência divina, que traduz a sabedoria de Deus e o seu amor pela sua criação;

- Não esqueçamos: somos todos seres imortais. O que quer que nos aconteça materialmente, não deixaremos de existir e a vida universal continuará, sempre rica de oportunidades, ensejando progresso e felicidade;

- Enfrentemos as mudanças que se fizerem necessárias com serenidade, coragem, resignação, esperança e amor;

- Somos instrumentos divinos dessa transformação para melhor.

Procuremos, em qualquer situação, cumprir bem nossos deveres, fazer o melhor ao nosso alcance, em favor de nós mesmos e dos nossos irmãos em humanidade.

Aperfeiçoemo-nos intelectual e moralmente! Perseveremos na Verdade e no Amor!

O mundo vai acabar... O velho mundo egoísta e materialista que havíamos criado! Abençoado esse fim de mundo!

Trabalhemos por uma humanidade mais espiritualizada e mais fraterna. Para que a Terra, nossa abençoada escola de vida, deixe de ser o mundo de provas e de expiações que ainda é, e se torne, enfim, o nosso tão desejado mundo de regeneração !

Um mundo em que o mal não mais predominará, e o bem crescerá e se expandirá, vitorioso, produzindo, para todos nós e pelos séculos sem fim, a paz geral e merecida felicidade.

Adeus, mundo velho! Bem-vindo, mundo novo!

Therezinha Oliveira