FÁBULAS

1- FÁBULAS DE ESOPO

Fábulas são histórias fictícias que simulam verdades, têm sempre fundo moral ou didático, envolvem freqüentemente animais falantes ou divindades e, muitas vezes, apresentam feição humorística.

A palavra fábula é latina (fabula, ae) e significa relato, conversação, narração alegórica. É dela que provém o verbo fabulare - em português "falar" .

O mais antigo fabulista de que se tem notícia foi Esopo, escravo que viveu na Grécia no século VI antes de Cristo. Tornou-se famoso pelas curtas histórias de animais, cada uma delas com um ensinamento sobre procedimentos inteligentes diante de situações que envolvem moral e ética. A presença dos animais em seus contos deve-se principalmente ao convívio ativo entre os homens e o mundo animal naqueles tempos. Ele teve alguns continuadores, como o romano Fedro (séc. I a.C.), que enriqueceu suas fábulas estilisticamente, e o francês Jean de La Fontaine (séc. XVII), entre outros.

Inspirado em Esopo, La Fontaine reinventou essas histórias, tornou-as mais atuais e, com isso, alcançou enorme popularidade. Elas ganharam um sentido mais moderno, pois, freqüentador que era da corte francesa, ele utilizava seus contos para criticar os relacionamentos sociais e a moralidade da época. É muito conhecida sua frase: "Sirvo-me de animais para instruir os homens".

Reunidas em doze livros publicados entre 1668 e 1694, as fábulas tinham elementos da comédia, do drama, além de episódios que enfocavam a melhor maneira de utilizar as boas qualidades morais. Moralidade essa inquestionável, visto que reafirmava a manutenção do status quo, isto é, a conservação da ordem preestabelecida pela sociedade vigente.

A moral nessas fábulas, apresentada de forma normativa, estabelecia regras perfeitas e condutas irrepreensíveis isentas de falhas, tendo como modelo um comportamento maniqueísta, ou seja: um modo "certo", que necessita ser imitado com a máxima fidelidade; e um modo "errado", que precisa ser completamente banido e evitado.

O maniqueísmo - doutrina que consiste basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal) - foi fundado por Mani (Manes ou Manchaeus) na Pérsia e amplamente difundido no Império Romano nos séculos III e IV.

Essa postura bipartida do mundo, reduz as criaturas a uma visão de "o unicamente correto" e o "unicamente errado", dividindo a existência humana em poderes opostos e incompatíveis e resulta numa forma deficiente de sentir, pensar e agir diante do mundo. Essa visão é uma das possíveis responsáveis pela intolerância e pelo fundamentalismo vigente na sociedade.

O desconhecimento em relação à verdade do outro nos leva a um modo de ver maniqueísta e, por decorrência, aos mais diversos tipos de preconceito: RACISMO, SEXISMO e outros tantos.

Após essas explicações julgadas necessárias, queremos afirmar as idéias aqui contidas não pretendem validar filosofias dualistas ou maniqueístas, nem mesmo definir caminhos únicos para todos e prescrever o que deve ou não ser feito diante da vida que o Criador nos outorgou com a lei do livre-arbítrio.

Ao comentarmos estas fábulas, temos a aspiração de levar a todos uma reflexão dos porquês da diversidade comportamental dos indivíduos, para que possamos nos entender melhor e, ao mesmo tempo, entender os outros em suas peculiares maneiras de agir e reagir ante as diferentes circunstâncias existenciais.

Acreditamos que as fábulas podem ter a mesma função do espelho.

A variedade de imagens e idéias descritas leva o leitor a identificar-se emocionalmente com elas e projetar suas necessidades evolutivas nos contos, moldando seus significados de modo que reflitam conteúdos psicológicos que precisam de ressignificação.

Associando-se a fictícias personagens, o leitor entra em contato com suas próprias memórias e fantasias mais recônditas, faz uma releitura de conflitos dos quais se encontra distanciado e uma interpretação de seus desejos ignorados. Tais atitudes podem tornar-se objeto de um auto trabalho terapêutico.

As fábulas foram escritas originalmente por La Fontaine em forma de versos ou com características poéticas, mas achamos por bem adaptá-las e reorganizá-las sem metrificação e não sujeitas a ritmos regulares, a fim de torná-las mais informais e moldá-las à atualidade.

Narrativas pedagógicas protagonizadas por animais irracionais, cujo comportamento, preservando-se as características próprias, deixa transparecer inúmeros ensinos, via de regra proporcionam um restabelecimento da saúde emocional aos seres humanos. As fábulas podem levar-nos a profundas reflexões.

Francisco do Espírito Santo Neto - ditado por Hammed

FÁBULAS DE ESOPO - POR HAMMED
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