FRANCISCO DE ASSIS
O ALTER CHRISTUS

FRANCISCO, O ALTER EGO DO CRISTO

Adeus - belezas, perfumes e doçuras... Sementes vivas em substituição às flores mortas. A vida imortal desfilará sobre as pétalas mortas.
Huberto Rohden3

Espontaneamente nos apresentamos para traçar algumas linhas a respeito deste empenho literário-espiritual que acompanhamos diligentemente, em espírito, sobre o poeta místico de Assis.

Deleitar-se-ía o ego se, em vida física, o tivéramos realizado por nosso próprio entusiasmo, entretanto, ardia-nos a alma em questionamentos: "poderá nossa pena ineficiente esboçar o metafísico perfil e as ações de uma alma intraduzível, sem maculá-la?" Preferimos, acovardados, calar as grandezas do herói.

Como espectadores incógnitos sentimos o pulsar entusiástico do coração imaterial e proclamamos: encanta-nos o Eu verificar esse anelo em tempo concretizado por outro ânimo. Felicitamo-nos, de igual forma, antigos sabedores de que tudo pertence a Deus - o ego restringe e aprisiona, enquanto o Eu, espírito, exulta e liberta!

3De alma para alma. P. 107.

Magnífica odisseia reconstruir os passos de Francisco de Assis, em verdade e vida; verdade dinamicamente histórica e vida transcendentalmente crística! Que paradoxal jornada; caminhar na rusticidade da terra e, ao mesmo tempo, nas blandícies do céu! Admiramos novamente, em plena liberdade espiritual, a vida desse sopro de Deus no empenho de alforriá-lo dos cárceres analíticos e historiográficos para abstraí-lo pela profusão do sentimento puro em cada caracter grafado nestas laudas.

Vigoroso catalisador de divino magnetismo atraindo poderosamente tudo ao seu redor! Esse foi Francisco! Este é Francisco; o inacabável Poverello e o mais fiel metafísico intérprete de Jesus Cristo!

Os sentimentos em presteza descomunal buscaram e registraram -para os eternos filhos do Pobrezinho de Assis - as ações daquele que podemos chamar "luz humanizada", através da qual e por sua natureza a Divindade se revelou. O leitor ego-pensante buscará delas o alinhamento das sentenças e as concordâncias histórico-biográficas; mas o coração cristianizado empenhar-se-á em capturar a prolação imanente e revitalizadora do Cristo Cósmico, em Francisco.

A experiência mística de Francisco de Assis foi um autotransbordamento do Evangelho de Jesus Cristo, e a sua vida física centrou-se em dois pontos iguais e paradoxais: o arrebatamento espiritual, vivendo em Deus - verteu-O na terra; os martírios físicos, vivendo nas coercitivas tiranias da terra - verteu-os em Deus!

Francisco, o Alter Ego do Cristo, foi o Tau em sua própria íntima personificação; o presente e o inexaurível; o multifacetário e o imutável; o vencido e o vencedor; o que tudo depõe e o que tudo almeja! O inefável!

Deus Creador de vida plena; o Espírito seu homeomorfo, desse modo, o Poverello teve como fecundo solo para a sementeira divina, milhares de almas cujas multigerminações se expandem até os dias atuais. Poderoso e superefluente o Amor
buscando o amado reverberou de Assis e do Monte Subásio atingindo as impressões sensíveis da Espécie Humana ávida desse mesmo Amor.

Cravada no Monte Calvário - a Cruz do Cristo estendeu-se ao infinito como seta incandescente de Deus, em magnificência divina; o patibulum rasgou todas as latitudes da terra, rompendo fronteiras, crenças, doutrinas, raças, oceanos e continentes, para sempre ergastuladando-se nas almas piedosas!

Cravada no Monte Alverne - a Seráfica Cruz, Francisco, projetou-se verticalmente em fulgurante espiritualidade, como estrela de grandeza que transcorreu os espaços; dos braços abertos e das mãos em chagas vivas, flechas de fogo atravessaram horizontalmente a largueza do Orbe terreno, ferindo eternamente de vida verdadeira os espectros, caminhantes das ilusões.

Jesus e Francisco; Cristo e o Alter Christus; uma existência crucificada na outra, por amor, por desmesurado e incandescente amor!

Huberto Rohden

5 'Patibulum" é uma expressão originada do Latim, para designar uma forma de crucificação. Devido aos vários tipos de crucificação 'patibulum' designa a crucificação por viga. Em outras traduções, 'patibulum" também é conhecido como a barra da cruz usada para a crucificação. No texto, no entanto, se refere ao próprio Crucificado, o Cristo.

Poverello (pobrezinho). Francisco de Assis também ficou conhecido como 'Poverello de Assis' por seu despojamento aos bens materiais.

Huberto Rohden foi um dos espíritos que esteve presente enquanto compúnhamos esse trabalho, e dele recebemos surpreendentes e oportunos alvitres, bem como o privilégio da página de abertura do presente livro. Rohden nos foi apresentado por Nathanael, nosso Benfeitor Espiritual e, muito embora, o presente livro não seja mediúnico, não há como um médium viver e realizar - em tudo o que faça - sem a presença e a influência notória dos espíritos. A eles penhoramos toda a nossa gratidão. Helaine Coutinho Sabbadini

..O SANTO DE ASSIS

..IMPAGÁVEL GRATIDÃO ..
..CAP. 1 - O RETORNO DO AMADO
..CAP. 2 - OS PRIMEIROS CÂNTICOS DE ASSIS
..CAP. 3 - CLAMOR DIVINO
..CAP. 4 - DE PERÚGIA A SPOLETO
..CAP. 5 - A DAMA POBREZA
..CAP. 6 - CASA EM RUÍNAS
..CAP. 7 - RECONCILIAR PAI E MÃE
..CAP. 8 - SANTA MARIA DA PORCIÚNCULA
..CAP. 9 - SURGE A ORDEM
..CAP. 10 - CONQUISTAS EM CRISTO
..CAP. 11 - A PERFEITA ALEGRIA
..CAP. 12 - POR QUE TU?
..CAP. 13 - A CONVERSÃO DE CLARA
..CAP. 14 - ORAR OU PREGAR?
..CAP. 15 - NOITE ESCURA DO ESPÍRITO
..CAP. 16 - LONGA AUSÊNCIA
..CAP. 17 - FREI ANTONIO DE PÁDUA
..CAP. 18 - DEUS É, DEUS BASTA !
..CAP. 19 - O ALTER CHRISTUS
..CAP. 20 - ALVERNE, O MONTE ETERNO
..CAP. 21 - ADEUS, ASSIS
..CAP. 22 - RETORNO À MORADA ETERNA
..CAP. 23 - ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO
..CAP. 24 - APÊNDICE