LIÇÕES PARA TODA A VIDA

As autoras de Lições para toda a vida fazem questão de afirmar que tudo aquilo que escrevem nasce de suas próprias experiências no cumprimento da missão que abraçaram: proporcionar às pessoas recursos para que se conheçam cada vez melhor, buscando o equilíbrio emocional e a harmonia entre o corpo, a alma e o espírito.

Assim, neste livro o leitor é convidado a pensar em um novo estilo de vida para que possa

• caminhar mais leve pela vida, com serenidade e confiança;

• interpretar com mais sabedoria os fatos da vida;

• identificar sementes do futuro no próprio presente;

• integrar em sua vida a virtude da paciência;

• olhar o universo de forma diferente;

• descobrir o mestre que existe dentro de si.

É sem dúvida uma narrativa que, em sua simplicidade, provoca z«-sights e conduz ao despertar da consciência.

Maria Salette e Wilma Ruggeri, autoras da série Para que minha vida se transforme, best-sellers que têm encantado leitores por todo o Brasil e no exterior, apresentam agora Lições para toda a vida.

Com a simplicidade e leveza que já são marca registrada de suas obras, propõem, nesta parábola, uma jornada que cada um de nós deve empreender para alcançar uma vida mais plena, verdadeira e sábia. E é no decorrer dessa jornada - a cada passo, a cada desafio, a cada momento - que transformações vão se operando em nosso interior, levando-nos a uma nova maneira de ver a vida e capacitando-noá a enfrentar novos desafios com sabedoria e sucesso.

Se você deseja assumir o controle de sua vida e ser agente de sua história, embarque nessa jornada. Você vai se transformar numa pessoa mais ousada, mais iluminada e mais sábia depois de conhecer os ensinamentos deste livro, depois de aprender e experimentar essas “lições para toda a vida”.

Apresentação

Há momentos na vida em que paramos de olhar o que está ao nosso redor e nos voltamos para o que está dentro de nós. Percebemos, então, que por muito tempo trabalhamos, acumulamos bens, realizamos conquistas, atingimos metas e, quando chega o tempo em que podemos usufruir tudo isso, parece que o significado de tudo se perdeu. É como se durante toda a nossa vida tivéssemos agido como um redemoinho, que só percebe o que sugou para seu interior quando termina sua trajetória.

A estória que você vai ler agora relata a caminhada de uma pessoa que, como muitas outras, cai no redemoinho da vida e não consegue mais ver sentido naquilo que faz. É nesse momento que decide fazer a maior e mais significativa viagem que alguém pode fazer na vida: a viagem para dentro de si.

Se você se sente num redemoinho, chegou a hora de fazer essa viagem.

ntrodução

Era um dia como tantos outros na rotina daquele conceituado executivo. Acordou cedo, leu o jornal como de costume, tomou rapidamente o café da manhã, saiu e dirigiu-se para seu escritório de alto padrão, conquistado após anos de empenho e dedicação. Para ele o dia se assemelhava a todos os outros, porém algo em seu íntimo estava diferente. Uma sensação de vazio tomava conta de seu ser. Um misto de angústia e melancolia invadia sua alma e o acompanhava por todo o tempo. O que estaria acontecendo com ele?

Por mais que procurasse o motivo e uma justificativa para aquele sentimento, nada encontrava. Naquele dia voltou para casa mais hedo. À noite, já deitado, não conseguia dormir: virava-se de um lado para o outro, procurando encontrar uma resposta para o que estava sentindo. Só de madrugada conseguiu adormecer e teve um sonho estranho: estava num lugar muito bonito quando de repente um vento forte passou por ele em alta velocidade e desapareceu ao longo da estrada, sugando tudo o que havia pela frente.

Pela manhã as imagens do sonho não saíam de sua cabeça. Passou o dia pensativo e prosseguiu em sua rotina, como de costume... mas a sensação de vazio aumentava.

No trabalho os amigos notaram seu comportamento introspectivo e o convidaram para sair após o expediente, na tentativa de animá-lo, mas tudo em vão. Sentia necessidade de voltar para casa e pensar mais sobre o que estava lhe acontecendo. Deveria haver uma explicação! Talvez ele não soubesse naquele momento, mas estava disposto a descobrir. Afinal, sempre fora determinado na busca de seus objetivos e considerava-se um homem bem-sucedido na vida.

Naquela noite novamente foi dormir mais cedo, envolvido em seus pensamentos. Em sua mente surgiam perguntas que nunca lhe haviam ocorrido antes. Assim que adormeceu, o sonho da noite anterior voltou a persegui-lo. Encontrava-se no mesmo lugar quando o vento tornou a passar e transformou-se num redemoinho, sugando tudo o que havia pela frente. Dessa vez ele resolveu seguir aquele fenômeno até o final de sua trajetória, quando se transformou numa brisa leve, deixando no chão tudo o que havia arrastado em seu percurso. Por algum tempo ficou perplexo diante da quantidade de material que o redemoinho conseguira tragar e refletiu sobre todo o tempo que ele próprio havia empregado acumulando tantas coisas para, em seguida, desprezá-las.

No dia seguinte o sonho voltou a ocupar seus pensamentos. A imagem do redemoinho o acompanhava em tudo o que fazia. À noite, já em casa, deparou-se novamente pensando no sonho e foi nesse momento que percebeu que nunca havia parado para refletir sobre si mesmo, pois as coisas do lado de fora sugavam tanto sua atenção que não lhe sobrava tempo para olhar o que havia em seu interior. Realmente algo diferente estava acontecendo em sua vida. Toda a força que havia utilizado para alcançar suas metas estava sofrendo uma conversão inexplicável, atraindo-o exatamente para o sentido oposto.

Começou, então, a notar semelhanças entre o conteúdo do sonho e sua vida. A imagem do redemoinho, sugando tudo o que encontrava pela frente, lembrava-lhe sua própria imagem buscando do lado de fora as conquistas que, a seu ver, poderíam contribuir para sua realização na vida. O mais estranho ainda era que, em vez de resistir a essas emoções e continuar na antiga rotina que lhe era tão familiar e que o levava a lançar novamente o olhar no mundo à sua volta, sentia um desejo irresistível de mergulhar em seus pensamentos, emoções, experiências... um impulso de mergulhar em seu interior.

Agora uma outra imagem chamava-lhe a atenção: o momento em que o redemoinho lançava para fora tudo aquilo que havia tragado em seu percurso e se afastava em forma de brisa mansa. Como o redemoinho, ele também se sentia impulsionado a afastar-se de tudo o que havia conquistado para, assim, ter uma experiência de paz.

Nessa noite foi dormir pensativo. Pela manhã acordou disposto a investir num processo de autoconhe-cimento. Em vez de ir para a empresa, dirigiu-se a uma biblioteca a fim de pesquisar mais sobre o assunto. Foi então que descobriu um escritor que parecia falar exatamente o que ele estava sentindo; a partir daí, elegeu-o como seu mestre. Passou a entender tudo o que sentia como um processo de despertar para uma nova fase da sua vida.

E assim, tendo esgotado toda a literatura daquele escritor, brotou em seu coração uma vontade imensa de conhecê-lo. Queria mais; precisava beber da fonte de todos aqueles ensinamentos. Resolveu ir ao seu encontro. Para isso, o primeiro passo era descobrir onde ele morava.

Depois de algumas investigações, conseguiu o endereço dele e ficou surpreso ao constatar que o local se situava num outro continente, não possuía aeroporto e era de difícil acesso; chegar até lá representaria uma verdadeira aventura. Mesmo assim continuou firme em sua decisão, pois a necessidade que tinha de conhecer o mestre compensaria qualquer sacrifício, e ele seria capaz de superar qualquer dificuldade.

Quando comunicou sua decisão à família, aos amigos e aos colegas de trabalho, todos ficaram surpresos, ninguém entendia o que se passava com ele. Uns diziam que era estresse, outros que era depressão ou talvez uma crise existencial. Achavam que ele estava doente e precisava se tratar, e aquele não era o momento adequado para fazer uma viagem tão longa. A reação da família e dos amigos serviu para lhe dar mais convicção de que realmente precisava ir, pois necessitava de alguém que o compreendesse, e aquele escritor, que ele de um dia inteiro de viagem de ônibus, checou a um lugarejo muito simples. A pequena cidade se resumia a uma praça, uma igreja, o comércio ao redor da praça e apenas uma pousada, para onde se dirigiu. Constatou com alegria que o dono daquela pousada conhecia o escritor, pois já tinha feito o caminho até a casa dele. ADepoisnsioso por obter informações sobre o caminho, encheu o homem de perguntas:

— Por favor, o senhor podería fazer um mapa de como chegar à casa do escritor?

- Posso lhe dar algumas orientações - disse o homem -, porém o mapa só você pode fazê-lo.

- Mas o senhor me disse que já havia feito esse caminho! Com certeza sabe como chegar lá.

-Você andará por muito tempo entre as montanhas; saberá que está próximo quando chegar a uma serra que o levará até a praia onde mora o escritor.

— Quanto tempo levarei para encontrá-lo?

- O tempo que você levará para encontrá-lo é muito relativo, vai depender da maneira como você caminhar e de onde colocará o seu olhar.

- Vim de muito longe, e esta viagem significa muito para mim. Preciso me certificar de que realmente vou encontrar o escritor.

Depois de um dia inteiro de viagem de ônibus, chegou a um lugarejo muito simples. A pequena cidade se resumia a uma praça, uma igreja, o comércio ao redor da praça e apenas uma pousada, para onde se dirigiu. Constatou com alegria que o dono daquela pousada conhecia o escritor, pois já tinha feito o caminho até a casa dele. Ansioso por obter informações sobre o caminho, encheu o homem de perguntas:

- Por favor, o senhor poderia fazer um mapa de como chegar à casa do escritor?

- Posso lhe dar algumas orientações - disse o homem -, porém o mapa só você pode fazê-lo.

- Mas o senhor me disse que já havia feito esse caminho! Com certeza sabe como chegar lá.

- Você andará por muito tempo entre as montanhas; saberá que está próximo quando chegar a uma serra que o levará até a praia onde mora o escritor.

- Quanto tempo levarei para encontrá-lo?

- O tempo que você levará para encontrá-lo é muito relativo, vai depender da maneira como você caminhar e de onde colocará o seu olhar.

- Vim de muito longe, e esta viagem significa muito para mim. Preciso me certificar de que realmente vou encontrar o escritor.

Tudo vai depender de sua atenção aos sinais que encontrar pela estrada, eles lhe mostrarão a direção a ser seguida.

Quanto mais o executivo escutava o dono da pousada falar, mais se certificava de que aquela era a viagem mais importante de sua vida.

- Sinto que depois de minha conversa com o escritor voltarei para casa como uma pessoa renovada - continuou, falando ao anfitrião.

- Você já começou a ser uma nova pessoa desde o momento em que decidiu fazer essa viagem.

Após o diálogo, o executivo despediu-se e recolheu-se ao quarto para dormir. Quando os primeiros raios de sol tocaram a janela do pequeno quarto onde estava, levantou-se rapidamente, tomou o café da manhã e diri-giu-se ao dono da pousada a fim de pagar a conta e pedir as últimas orientações antes de partir.

Ao ver o executivo já de mala na mão e pronto para partir, o anfitrião suspirou profundamente, pois lembrou-se do dia em que ele também partira, talvez buscando a mesma coisa que hoje aquele homem buscava. Olhou-o serenamente, colocou a mão em seus ombros e do fundo da alma retirou seus últimos conselhos, dizendo-lhe:

Antes de partir, é importante que você reavalie o .; nteúdo de sua bagagem. Leve apenas o mínimo ne-cessario, pois no decorrer da caminhada o tempo fará ;: m que ela pareça mais pesada do que agora. Duran-:e : percurso você encontrará setas amarelas que lhe in-icaráo a direção a ser seguida. Tenha muita atenção, elas podem estar tanto no tronco de uma árvore como numa pedra no chão. Qualquer distração poderá levá-lo a outros caminhos. Ah! E carregue consigo este cajado - continuou o anfitrião -, pois ele lhe será muito útil na caminhada.

Nesse momento o executivo sentiu-se incomodado com a idéia de andar com “uma muleta” e disse:

- Agradeço-lhe por tudo e levarei comigo seus ensinamentos, mas, quanto ao cajado, creio que não vou precisar dele, pois me sinto em boa forma física.

- Será mais difícil alcançar sua meta sem o cajado. Independentemente do preparo físico ou da idade, há momentos na vida em que precisamos de um apoio. É melhor conservá-lo por perto, pois, nunca sabemos quando vamos precisar dele.

O executivo então fez uma última pergunta:

— Existem outros locais em que eu possa dormir e me alimentar durante o percurso?

Não se preocupe com suas necessidades; a partir do momento em que iniciar a caminhada, procure fazer sua parte da melhor maneira possível, e o resto o próprio caminho proverá - disse o anfitrião. E acrescentou ainda seu último conselho: - Leve consigo uma caderneta para anotar as lições que o caminho lhe ensinará. Elas lhe servirão para toda a vida.

E assim ele partiu com sua bagagem, com sua caderneta e com seu cajado.

LIÇÃO 1 - Aprendendo a caminhar mais leve pela vida

Ainda é manhã quando o executivo inicia sua caminhada. Olha as árvores, os pássaros e as montanhas a seu redor como se estivesse notando a presença de tudo squilo pela primeira vez. O céu está azul, e a luz do sol □arece mais intensa. Lembranças de outras viagens vêm-lhe à mente... lugares que visitou, onde a natureza era exuberante. Sim, ele já havia entrado em contato com a natureza nas inúmeras viagens que fizera, mas só fisicamente, pois na maioria das vezes seu pensamento estava em outro lugar. Entretanto desta vez é diferente.

Caminha por algumas horas, quando se depara com a primeira placa sinalizando uma flecha amarela. Sente-se aliviado, pois é a confirmação de que está no caminho certo. Alguns quilômetros à frente depara-se com a segunda placa indicativa e desse modo, durante todo o dia, segue atentamente as setas amarelas, chegando, à noite, a um pequeno povoado. Ali procura informar-se sobre alguma pousada para o pernoite e logo fica sabendo que o lugar é tão pequeno que as próprias famílias costumam acolher os peregrinos; assim, é convidado para se instalar na casa do homem que lhe deu a informação. A casa é simples, abriga uma família numerosa, e, embora sejam poucos os cômodos em relação ao número de pessoas que nela moram, é cedido um quarto só para ele. Depois de um banho que revitaliza suas forças, é convidado pelo dono da casa para comer um pão caseiro quentinho.

- Sente-se, moço, e não tenha vergonha de se servir - diz o dono da casa. - Coma à vontade. É bom quando temos um peregrino hospedado em nossa casa, sempre aprendemos coisas novas com ele.

- Obrigado pela hospedagem. Vou passar aqui somente esta noite e gostaria de já acertar minhas despesas, pois amanhã partirei bem cedo - disse o executivo.

— Não se preocupe. Nosso costume é acolher a pessoa e deixar que ela contribua com o que puder.

Enquanto come, observa o estilo de vida daquela família. As pessoas possuem poucos bens materiais e, no entanto, parecem felizes com o que têm. Horas depois, já na cama, pensa em tudo o que vivenciou durante o Dia. Que mundo é aquele? Como um escritor tão famoso pode morar num lugar tão distante?

Com esses pensamentos adormece. Ao amanhecer, enquanto se prepara para partir, organizando sua bagagem, surpreende-se com o peso da mesma. Embora não lhe tenha acrescentado mais nada, parece mais pesada do que no dia anterior.

É então que se lembra de um dos conselhos do homem da pousada:

“Antes de partir, é importante que você reavalie o conteúdo de sua bagagem. Leve apenas o mínimo necessário, pois no decorrer da caminhada o tempo fará com que ela pareça mais pesada do que agora”.
O executivo abre novamente a mala a fim de encontrar o que faz com que ela fique tão pesada. Nota, então, que o peso não se deve a só um objeto, mas à soma de tudo o que há nela. Percebe que chega o momento de reavaliar a utilidade de seus pertences e definir o que realmente é o mínimo necessário. Seus conceitos referentes a ter e a ser começam a ser revistos: “Por que trouxe tanta bagagem? Para que acumulei tantas roupas, sapatos e pertences em meu armário? Para que tantos móveis, quadros e utensílios domésticos? Para que tantos bens materiais, imóveis e carros?”.

A imagem do redemoinho volta-lhe à mente como uma resposta de seu inconsciente. Sem dúvida tinha acumulado muito mais do que o necessário. E o que mais o intriga é o fato de ter passado a maior parte de sua vida adquirindo coisas para ser feliz e naquele momento en-contrar-se num lugar onde as pessoas são felizes com tão pouco...

Separa, então, o estritamente necessário para levar consigo, deixando o restante para aquela família que o acolheu. Ao pegar sua bagagem, percebe que já não é apenas ela que pesa menos: ele também se sente mais leve.

Antes de partir, toma a caderneta e anota sua primei-
Há coisas que precisam ser mantidas; outras, recicladas; e há ainda aquelas que devem ser descartadas. É importante exercitarmos o desapego para podermos caminhar com mais leveza.

Reflexão

A primeira lição que o executivo aprende em sua caminhada é a importância do desapego. Ao refazer sua bagagem e ficar apenas com o estritamente necessário, percebe como é mais fácil caminhar. Reflete sobre tudo o que acumulou durante a vida e reconhece que existem coisas que precisam ser mantidas; outras, recicladas; e outras, ainda, descartadas.
E você?

Já observou o que acumulou durante sua vida? Que utilidade isso tem atualmente?

O que deve ser mantido? O que deve ser reciclado? E o que deve ser descartado?

2 - A TEMPESTADE

Aprendendo a caminhar com serenidade e confiança.

O executivo retoma a caminhada com uma nova disposição. Sente-se mais leve e feliz. Levando o cajado em uma das mãos e a mochila nas costas, caminha com a alegria de uma criança. O céu parece o mais azul de toda a sua vida. Caminha por entre as montanhas, sentindo-se convidado a correr ao vento suave que toca sua pele. Ao redor as árvores balançam os galhos, que festejam sua presença e lançam as folhas sobre ele como se o estivessem abençoando. Parece que toda a natureza é cúmplice de sua alegria.

Caminha com essa sensação durante toda a manhã. Próximo ao meio-dia, já se sentindo cansado, senta-se debaixo de uma árvore e, enquanto descansa, seus pensamentos se voltam para o momento em que se encontrará com o escritor. Pensa em como será sua casa... Seu estilo de vida... Sua rotina... Mergulhado nessas idéias, nem percebe que o céu está mudando e que algumas nuvens escuras estão se formando no firmamento. É surpreendido pelo barulho de um trovão, o que o faz levantar-se rapidamente e prosseguir a viagem. A brisa, antes suave e agradável, agora se transforma em vento forte e frio. Sente-se ameaçado pela mesma natureza que há pouco festejava sua presença. Para onde foi a luz do sol? Onde está o azul do céu?

A medida que caminha, é atingido pelas primeiras gotas de chuva. A tempestade se aproxima cada vez mais rápida. Já pode ver os relâmpagos e escutar os trovões no céu escuro. Não sabe exatamente quanto tempo levará para chegar a um abrigo. Fica preocupado com o fato de a situação estar fugindo de seu controle, e a única coisa que pode fazer no momento é andar o mais rápido possível, na confiança de encontrar um local onde possa se proteger. Apressa-se e, logo após a próxima curva do caminho, como num passe de mágica, depara-se com uma cabana que parece estar a sua espera. Respira aliviado e apressa ainda mais o passo. Já diante da casa, anuncia sua presença batendo à porta e espera alguma resposta de lá de dentro. Como ninguém responde, gira o trinco e, percebendo que ela está aberta pois não opõe qualquer resistência, resolve entrar.

É uma cabana simples, com apenas três cômodos: sala, banheiro e cozinha. A mobília consiste em uma cama, um fogão à lenha e uma mesa, onde se encontram alguns utensílios necessários para o preparo de uma refeição. Olha para tudo sem acreditar no que vê. De repente, na parede, um aviso: “Esta cabana, com tudo o que há nela, está a serviço de todo aquele que por aqui passar e necessitar de abrigo. Existe água potável no poço, e algumas raízes plantadas no quintal poderão servir de alimento. Desfrute do que você precisar e deixe-a em condições para servir ao próximo peregrino”.

Agora se sente em casa. Acomoda-se sem cerimônia na cabana, sabendo que está protegido. Enquanto lá fora a tempestade ruge, dentro da cabana o clima é calmo e acolhedor. Após algum tempo, a chuva diminui até cessar totalmente. Já faminto, vai até o quintal, colhe algumas raízes e faz uma suculenta sopa. Satisfeito, encosta-se para descansar à beira do fogão e lembra-se mais uma vez das palavras do dono da pousada:

“Não se preocupe com suas necessidades; a partir do momento em que iniciar a caminhada, procure fazer sua parte da melhor maneira possível, e o resto o próprio caminho proverá”.

A noite chega e encontra-o vagando em seus pensamentos. Quando se dá conta de que já é tarde, toma um banho e acomoda-se na única cama que há no local, continuando a refletir sobre tudo o que lhe aconteceu durante o dia. Pensa em como um dia bonito e claro se transformou numa chuva tão pesada! Ele mal teve tempo de perceber a chegada da tempestade e muito menos de procurar um abrigo para se proteger. No entanto, aquela cabana apareceu no momento exato de sua necessidade.

Nesse dia foi pego de surpresa por aquela tempestade, porém outras “tempestades” haviam passado por sua vida, pegando-o também de surpresa... não exatamente tempestades de água, mas sim de situações que, quando menos esperava, o surpreenderam, causando-lhe angústia, desespero e revolta, a ponto de fazê-lo desistir de seus sonhos. Com certeza também existiram alguns abrigos capazes de apaziguá-las, mas nem sempre ele os havia enxergado.

Hoje ele havia aprendido mais uma lição: que durante uma tempestade inesperada nunca devemos nos desesperar, mas sim fazer nossa parte com tranqüilidade, conservando a confiança de que no momento certo o abrigo surgirá.

Antes de dormir, pega a caderneta e anota sua segunda lição:

Cada necessidade éprovida a seu tempo, mas para isso épreciso que estejamos atentos e façamos a parte que nos cabe.

REFLEXÃO

A segunda lição que o executivo aprende em sua caminhada é a importância de confiar que a cada dia basta o seu cuidado.

Percebe que, a partir do momento em que faz a sua parte, suas necessidades são naturalmente supridas.

E você?

Quando é acometido por situações inesperadas, pensa em desistir ou faz a sua parte, confiando que a qualquer momento a solução vai aparecer?

3 - A LIÇÃO DO CAJADO

APRENDENDO A RECONHECER E A VALORIZAR OS RECURSOS QUE A VIDA OFERECE

Quando amanhece, o executivo deixa a cabana logo cedo e reinicia sua caminhada. Cada dia que passa é um dia a menos que o separa do escritor. Sua ansiedade de conhecê-lo aumenta. Como será seu estilo de vida? Sua casa? Sua rotina? Onde aprendeu toda aquela sabedoria que transmite em seus livros? E por que isso havia mexido tanto com ele? Sente que, à medida que o tempo passa, não é mais a mesma pessoa que iniciou a viagem. Fez muitas viagens na vida, sua profissão o levou a conhecer lugares e culturas diversas, adquiriu muitos conhecimentos com essas viagens... porém em nenhuma delas tinha aprendido tantas lições como nessa caminhada, que lhe estava possibilitando tantas experiências novas.

Olha à sua volta e observa o grande pasto verde que foi revigorado com as chuvas do dia anterior. As folhas da relva balançam ainda molhadas ao sabor do vento, como quem agradece a água com que saciou a sede. No meio desse cenário, segue com passos firmes por um caminho sinuoso e logo se acha subindo uma grande serra. O chão está molhado, e a sola dos sapatos desliza na lama escorregadia, tornando difícil a subida. Se não fosse o cajado, não conseguiría se manter firme no chão. Mais adiante, numa curva da ladeira, encontra-se diante de um despenhadeiro. A encosta da alta montanha não oferece segurança alguma, e uma queda dali pode ser fatal. A princípio sente medo: o coração dispara, a respiração se torna mais ofegante; pensa que seria mais fácil se tivesse alguém a seu lado, uma mão amiga para apoiá-lo, capaz de sustentá-lo em algum deslize. É nesse momento que percebe a presença do cajado em sua mão e se dá conta de que nunca caminhou sozinho. Levanta a cabeça e fixa o olhar no alto da serra, não se voltando mais para os lados nem para trás. Segura firme o cajado, respira fundo e enfrenta o desafio, confiando que mesmo num deslize seu cajado estará ali para apoiá-lo. Procedendo dessa maneira, chega depois de algum tempo ao alto da serra. Lá em cima encontra uma placa com os seguintes dizeres: “Sua determinação o trouxe até aqui; seus medos foram vencidos pelo reconhecimento De suas limitações e pela humildade que o fez aceitar o apoio necessário para superá-los”.

Abre um largo sorriso, como se saboreasse o gosto de uma vitória pessoal. Agora pode compreender as palavras do homem da pousada:

“Será mais difícil alcançar sua meta sem o cajado.

Independentemente do preparo físico ou da idade, há momentos na vida em que precisamos de um apoio. E melhor conservá-lo por perto, pois nunca sabemos quando vamos precisar dele”.

Caminha por mais alguns quilômetros e chega a uma pequena vila, onde encontra uma pousada simples para passar a noite. Já fatigado da viagem, o que mais precisa no momento é de um banho, pois se encontra cheio de lama. Mas, olhando para seu cajado e vendo-o também enlameado, resolve limpá-lo primeiro. Enquanto executa o trabalho, pensa no quanto lhe foi útil nesse dia e constata que sem ele talvez não tivesse vencido aquela etapa da camirhada.

O executivo revê sua história e se lembra de que desde a infância até aquele momento passaram pela sua vida pessoas que se colocaram a seu lado como verdadeiros cajados: parentes, amigos, professores e tantas outras que, na época, o impulsionaram com seus conselhos e incentivos, ajudando-o a superar dificuldades e a vencer desafios. Sim, durante todos esses anos haviam passado por suas mãos alguns cajados, uns tão silenciosos que ele nem se dera conta de seu verdadeiro valor. Agora reconhece que sem eles talvez não chegasse aonde chegou.

Com essas reflexões, termina de limpar o cajado, guardando-o cuidadosamente.

Após o banho, pega a caderneta e anota a terceira lição:

Há sempre um cajado ao nosso lado para nos apoiarmos, mas é necessário reconhecermos sua utilidade e o momento certo de usá-lo.

Reflexão

A terceira lição que o executivo aprende leva-o a perceber que na caminhada da vida ninguém anda sozinho, principalmente nos trechos difíceis da estrada. Reconhece a necessidade de estar atento aos recursos com os quais se pode contar e a importância da humildade para aceitá-los.

E você?

Está atento aos cajados que existem em sua vida, isto é, identifica os recursos que lhe são oferecidos, aceitando-os com humildade e gratidão?

Usa-os no momento certo?

4 - OS SINAIS DA ESTRADA

APRENDENDO A LER OS FATOS DA VIDA

Antes de o dia clarear, o executivo levanta-se, toma o café da manhã, paga ao dono da pousada, coloca a mochila nas costas e, pegando seu cajado, reinicia sua caminhada com as forças revigoradas pela noite tranqüi-la e bem dormida.

Ao colocar-se a caminho, logo se depara com uma majestosa montanha cortada pela estrada que serpenteia todo o vale. Pode sentir o cheiro da terra ainda molhada pelo orvalho da manhã. Os pássaros se alvoroçam nas árvores preparando-se para sair de seus ninhos e desfrutar do novo dia.

Em meio a esse cenário, ele sobe a montanha enquanto respira o ar puro da manhã e se deslumbra com a visão de todo o vale, encoberto pelas pequenas nuvens que rastejam ao pé das montanhas, formando lindas brumas. Os primeiros raios de sol despontam no lado leste da montanha, colorindo a paisagem.

Lá do alto pode vislumbrar todo aquele espetáculo, e uma profunda alegria invade sua alma, dando-lhe a sensação de estar no paraíso.

Sentindo-se leve e de bem com a vida, segue seu caminho, pensando que o escritor fez uma boa opção de vida ao escolher aquele lugar para morar. Não vê a hora de conversar com ele e de lhe falar não apenas sobre sua vida, mas também sobre as lições que está aprendendo durante a viagem.

Já se passaram algumas horas após o início da jornada do dia, a estrada torna-se plana, o sol agora é intenso, levando-o a parar numa fonte onde pode saciar sua sede, lavar o rosto e completar a água de seu cantil, retomando então a caminhada.

Envolvido em seus pensamentos, observa uma trilha que aparece ao lado da estrada, mas não lhe dá muita importância: segue em frente, pela estrada mais larga. Alguns quilômetros adiante, a estrada começa a se afunilar e se torna cada vez mais estreita, até acabar num precipício.

O fato de a estrada acabar repentinamente deixa-o atônito, sem entender o que está acontecendo. Será que ele errou o caminho? Em que ponto se perdeu? Como ele andou tanto tempo sem perceber o equívoco? Lembra-se de ter se mantido sempre na estrada mais larga. A imagem da trilha lhe vem à mente como uma possibilidade de ser o rumo certo. No momento em que passou por ela e a viu tão estreita, não lhe deu tanta importância. Agora o mais indicado é voltar, prestando atenção redobrada aos detalhes do caminho a fim de descobrir onde se perdeu e assim retomar a direção correta.

Depois de voltar alguns quilômetros, o executivo encontra a trilha: justamente ali identifica uma seta indicativa desenhada no tronco de uma árvore, cuja copa já está tão larga que é difícil visualizá-la.

Sim, aquela trilha, embora mais estreita, é o caminho a ser seguido. Se ele tivesse prestado mais atenção aos sinais, não teria se perdido.

Mais uma vez os conselhos do homem da pousada vêm à sua mente:

“Tudo vai depender de sua atenção aos sinais que encontrar pela estrada, eles lhe mostrarão a direção a ser seguida”.

Retoma a caminhada, seguindo agora pela trilha; à proporção que anda, reflete sobre sua desatenção: “Como caminhei tão distraído a ponto de não ver aquela seta? .

Seu pensamento vai mais longe, chegando até os acontecimentos de seu passado. Quanto tempo viveu distraidamente, não percebendo ou até mesmo ignorando a presença dos sinais que lhe mostravam o melhor caminho a ser seguido! Todos os fatos que aconteceram em sua vida, de alguma forma, estavam repletos de sinais, mas ele não tinha tempo para enxergá-los ou não queria aceitá-los por estarem fora de seus planos.

Nesse momento retira a caderneta do bolso e conclui a quarta lição:

A vida está cheia de sinais que nos apontam para vários caminhos. É preciso atenção para escolhermos aqueles que nos levarão para mais perto de nossas metas.

Reflexão

A quarta lição ensina ao executivo que, na caminhada da vida, os fatos que lhe acontecem são sinais indicando os caminhos a serem seguidos. Assim, é preciso atenção para percebê-los e interpretá-los, a fim de não correr o risco de se desviar de suas metas.
E você?

Já aprendeu a interpretar os sinais na caminhada de sua vida? Está atento para onde eles apontam?

Alguma vez já se perdeu no caminho, por falta de atenção?

5 - UM ENCONTRO INESPERADO

APRENDENDO A PERCEBER O FUTURO NO PRESENTE

Depois de ter anotado a quarta lição, o executivo guarda a caderneta e prossegue a viagem pela trilha estreita. A tarde vai chegando, o sol se torna mais ameno.

Caminha mais alguns quilômetros e encontra uma nova placa anunciando a existência de um rio que corta a trilha mais adiante e também a distância que falta para chegar ao lugarejo onde reside o escritor. É a primeira vez que ele vê o nome do local escrito numa placa. Agora tem a certeza de que está no caminho certo. Seu coração bate mais forte e seu pensamento voa, imaginando o encontro com o escritor. Disperso em seus pensamentos, caminha por mais algum tempo em meio a uma vasta campina, chegando à margem do rio, onde se detém, procurando a ponte. Só então percebe a beleza daquele vale, cujo verde do capim chama sua atenção pelas diferentes tonalidades.

Nesse momento, avista a silhueta de um homem descendo o rio numa pequena canoa, impulsionada por um grande cajado, que serve como uma alavanca para impelir a embarcação. Por alguns instantes fica observando os movimentos ritmados do barqueiro, que se encontra envolvido pela luz do sol. Chama-lhe a atenção a maneira como aquele homem emprega sua força naquele movimento, sem perder a serenidade. Para sua surpresa, o barqueiro pára diante dele e pergunta-lhe se deseja fazer um passeio pelo rio, que lhe possibilitará conhecer melhor a beleza da região.

A vontade de aceitar é grande. Pode até imaginar como deve ser bom conhecer o vale navegando pelo rio, porém sua ansiedade de encontrar o escritor é maior do que o desejo de desfrutar daquele passeio. Pensando assim, agradece o convite e se despede do homem do barco, dirigindo-se para a ponte; lá de cima observa a figura do barqueiro desaparecendo com sua canoa numa curva do rio.

A tarde já se finda, e logo o executivo chega a uma pequena pousada no meio do vale, onde se instala para passar a noite. Enquanto toma banho, já pode sentir o cheiro da comida caseira que se espalha por todo o ambiente. Ao dirigir-se para o refeitório, senta-se a uma mesa onde lhe é servida uma sopa de legumes acompanhada de um delicioso pão caseiro. Enquanto saboreia a comida, surpreende-se ao ouvir o nome do escritor na mesa ao lado, o que aguça sua atenção para o teor da conversa e o faz aproximar-se daquelas pessoas. Curioso, pergunta se alguém ali conhece o escritor.

- Sim! É um grande amigo nosso. Há pouco esteve aqui — respondeu uma delas.

Animado com o que escutou, o executivo quer saber mais.

- Ele ainda está aqui? Onde posso encontrá-lo?

— Infelizmente você chegou pouco depois de ele ter saído. Talvez o tenha visto descendo o rio com sua canoa.

O executivo não pode acreditar no que está ouvindo. Naquela tarde esteve com o escritor sem saber e perdeu a oportunidade de usufruir sua presença. Inquieto, continua a perguntar:

— O que ele veio fazer aqui? Quando voltará?

- Ele costuma vir uma vez por semana para buscar os alimentos de que necessita. Mas, se você quiser encontrá-lo, continue caminhando, não está muito longe do local onde ele mora. Esta trilha o levará até ele.

Depois de se despedir do grupo, volta para o quarto onde, já deitado, reflete sobre os acontecimentos daqueIa tarde. Percebe que estava tão envolvido com o futuro que nem cogitou a possibilidade de este já estar acontecendo no presente. Poderia ter usufruído a companhia do escritor antes do que pensava; no entanto havia perdido essa oportunidade por direcionar o olhar mais para o futuro do que para o presente. Agora precisaria esperar mais um pouco para realizar seu sonho.

E, antes de adormecer, vem à sua mente mais um conselho dado pelo dono da primeira pousada onde se hospedou:

“O tempo que você levará para encontrá-lo é muito relativo, vai depender da maneira como você caminhar e de onde colocará o olhar”.

No dia seguinte, acorda ainda se lembrando dos acontecimentos do dia anterior. Percebe que aquela não foi a primeira vez que isso ocorreu e que, durante sua vida, algumas vezes havia perseguido o futuro sem perceber que este já estava acontecendo no presente.

Tendo essa compreensão, faz mais uma anotação em sua caderneta. Esta é a quinta lição:
Devemos olhar o futuro sem nunca perder de vista o momento presente.
Reflexão

A quinta lição que o executivo aprende faz com que ele perceba a importância de caminhar pela vida considerando a possibilidade de que no momento presente está a realização de seus sonhos. Aprende também que o fato de colocar o olhar somente no futuro pode torná-lo cego para o presente.
E você?

Onde está seu olhar?

Com que intensidade se envolve com o futuro?

Seus planos para o futuro já o impediram de perceber o que está se realizando no presente?

6 - A SABEDORIA DE UM JOVEM

APRENDENDO UM NOVO ESTILO DE VIDA

Naquela manhã, o executivo acorda ainda mais cedo do que o costume. O dia ainda não clareou quando ele se levanta e começa a organizar seus pertences. Lava algumas roupas e limpa o cajado e as botas, levando-os para secar na pequena varanda do quarto, de onde avista um antigo monjolo que funciona com a água do rio. Sentindo-se atraído pelo cenário, aproxima-se do local, onde encontra um jovem trabalhando num pequeno celeiro.

- Bom-dia! Você inicia seu trabalho bem cedo! - diz o executivo para o rapaz.

- Bom-dia! - responde o jovem. - Costumo acordar cedo, pois, além de gostar do ar da manhã, meu trabalho rende mais.

Curioso, o executivo pergunta-lhe o que faz.

— Descasco cereais com ajuda do monjolo, ensaco-os e coloco-os à venda. As pessoas da região costumam comprar seus alimentos aqui.

Você nunca pensou em comprar uma máquina elétrica para descascar os grãos? Poderia se esforçar menos e ganhar mais.

Diante da sugestão do executivo, o jovem responde:

-Já me falaram sobre a máquina, porém não me interessei em adquiri-la por saber que ela também prejudica os grãos, tirando-lhes a maior parte dos nutrientes. Aqui na região é costume comermos o alimento o mais natural possível, e é por isso que as pessoas são mais saudáveis. Prefiro ganhar menos e viver mais.

À proporção que ouvia o jovem falar, o executivo ficava cada vez mais intrigado.

- Fora os cereais, o que mais vocês comem?

-Além de grãos, comemos também legumes, verduras e frutas — completa o jovem.

- E carne? Vocês pescam e caçam?

O jovem interrompe o que está fazendo e, fixando os olhos do executivo, responde-lhe:

- Aqui preservamos a vida e convivemos em harmonia com os animais. Um escritor que mora próximo e faz compras aqui nos orienta a não comermos carne de espécie alguma, pois, segundo ele, além de nos dar mais saúde e longevidade, esse hábito também nos tornará pessoas mais pacíficas.

Quanto mais o executivo ouve o jovem falar, mais surpreso fica com o estilo de vida do escritor e mais cresce sua vontade de conversar com ele a fim de aprender lições de vida.

Agora o dia já está claro, e ele precisa ir. Despede-se do rapaz, dirigindo-se ao quarto. E, enquanto organiza seus pertences, pensa em tudo o que escutou daquele jovem. O estilo de vida e a alimentação daquela gente são bem diferentes dos seus. Aquele rapaz, tão novo, tem valores que ele não havia aprendido com toda a sua vivência. Ainda ressoa em seus ouvidos uma das frases do jovem:

“Prefiro ganhar menos e viver mais”.

O executivo reflete sobre todo o tempo em que tem vivido fazendo exatamente o contrário... Vive para ganhar, mesmo que isso lhe custe a própria saúde. Há muitos anos seu ritmo de vida não lhe permite alimentar-se saudavelmente; na maioria das vezes come apressado, preocupando-se muito mais com a praticidade do que com a qualidade. Talvez seja esse o motivo da pressão alta e da gastrite que o acompanham nos últimos anos. Agora percebe que um dos preços da ganância é a doença. Está cada vez mais convencido de que deve mudar.

Antes de reiniciar sua caminhada, anota a sexta lição:

Para vivermos mais, épreciso ciarmos menos atenção aos lucros e mais importância à qualidade de vida.

Reflexão

A sexta lição ensina ao executivo que não é o lucro que vai lhe dar qualidade de vida, mas sim a mudança de seus hábitos e costumes.
E você?

Como está seu estilo de vida?

Onde está colocando mais sua atenção: na qualidade ou na quantidade?

Seu corpo já deu algum sinal de que você precisa reformular seus hábitos e costumes?

7 - DIANTE DA MARÉ ALTA

APRENDENDO O VALOR DA PACIÊNCIA

De volta à trilha, o executivo caminha por mais algum tempo até que, para sua alegria, vê uma placa informando que a dois quilômetros se inicia a descida da serra, que termina na praia onde mora o escritor. Olhar aquela placa é como olhar para um certificado de reconhecimento por todos os esforços empreendidos no caminho. Lembra-se do momento em que decidiu fazer aquela viagem, dos comentários desanimadores dos amigos, da incompreensão da família, mas recorda-se principalmente da força que o motivou a superar tudo isso: a vontade de aprender um pouco mais daquilo que estava escrito nos livros.

Agora que se encontra a poucas horas de atingir sua meta e realizar seu propósito, sente-se recompensado. Seu coração bate ainda mais forte quando inicia a descida da serra e se aproxima de seu destino.

A tarde vem caindo, e o vento do mar envolve seu corpo como se o estivesse abraçando, dando-lhe as boas-vindas.

À medida que desce a serra, deslumbra-se com a beleza do lugar. O intenso azul do mar, em contraste com uma larga faixa de areia branca que se estende sobre aquela extensão de água, dá àquele cabo a impressão de ser uma ilha.

Apressa os passos, com o desejo de alcançar a praia o mais rápido possível. Porém percebe que a maré alta o impede de chegar à outra margem do cabo. O executivo senta-se na areia, pensando no que pode fazer. Depois de analisar a situação, percebe que só lhe resta uma opção: esperar a maré baixar, o que implica numa demora de seis horas. Assim, ele tem que esperar mais algum tempo para encontrar-se com o mestre.

À sua frente está o local onde mora o escritor: tão perto fisicamente, entretanto tão longe pelo tempo que precisa esperar para chegar lá.

Tem o impulso de nadar até lá, mas é logo contido por uma onda que bate em seus pés, mostrando-lhe que a maré está cada vez mais alta e, se agir por impulso, corre o risco de afogar-se nas ondas. Precisa Exercer a paciência, coisa a que não está acostumado. Resolve, então, esperar que a maré baixe.

Enquanto espera, observa o movimento agitado das ondas do mar, e isso o leva a refletir sobre sua agitação interior. Sempre foi ansioso por natureza. Talvez seja por isso que tenha se afogado em algumas ondas do mar da vida, perdendo coisas que julgava ter conquistado para sempre. Lembra-se de seu comportamento na família, no trabalho, com os amigos: sempre foi o de uma pessoa impaciente, agitada; para ele, a maré estava sempre alta. Quantas pessoas se afastaram dele e quantas outras nem mesmo conseguiram se aproximar por causa de sua agitação!

Nesse momento seu maior desejo é que a maré baixe, permitindo que ele chegue à casa do escritor. Quantas pessoas também tiveram esse desejo em relação a ele, almejando que sua maré de agitação baixasse para que pudessem se aproximar dele e tivessem um pouco de sua atenção. Muitos relacionamentos haviam sido prejudicados por esse seu modo de ser.

Sente-se invadido por certo sentimento de culpa e remorso, percebe que havia magoado e até mesmo afastado, sem intenção, muitas pessoas que passaram por sua vida.

Em meio a esses pensamentos, adormece sobre a areia e só acorda no dia seguinte, com os primeiros raios de sol tocando seu rosto. Ao despertar, a maré já está baixa, e uma larga faixa de areia branca se debruça a sua frente, ligando a praia até a ponta do cabo, onde fica a casa do escritor.

Nesse momento dá uma boa espreguiçada, pega a caderneta e anota a sétima lição:

Se tivermos paciência diante das marés altas que aparecem em nosso caminho, o próprio ciclo natural da vida se encarregará de baixá-las e de nos apresentar um novo horizonte.

Reflexão

Ao anotar a sétima lição, o executivo demonstra ter aprendido o valor da paciência, percebendo que ela esteve ausente durante grande parte de sua vida. Sente o quanto sua impaciência prejudicou seus relacionamentos e o desviou de suas metas.

E VOCÊ?Diante das marés altas da vida, sabe esperar?

Em seus relacionamentos, sabe escutar?

Sua ansiedade ou sua agitação já fizeram com que as pessoas se afastassem de você?

8 - A CASA DO ESCRITOR

APRENDENDO A GRANDEZA DA HUMILDADE

Depois que a maré baixa, surge à frente do executivo um caminho claro e brilhante. A faixa de areia que liga a praia à extremidade do cabo, onde mora o escritor, trans-forma-se numa ponte de luz, pois o sol que aparece por detrás da linha do horizonte toca com tanta intensidade a areia que lhe dá um brilho de cristal. Ele também se encontra envolvido por esse brilho que lhe invade a alma, despertando nele uma alegria jamais sentida. Começa, então, a caminhar pela ponte de luz rumo à casa do escritor. Aquele é o dia pelo qual esperou tanto tempo!

Enquanto caminha, observa as gaivotas fazendo seu mergulho matinal. Mais adiante um grupo de golfinhos brinca despreocupadamente na água do mar. Realmente o escritor escolheu bem o lugar onde morar. É muito inspirador, próprio para quem escreve sobre a essência da vida.

Em sua imaginação, começa a visualizar a casa do escritor repleta de cômodos, com várias portas e janelas, uma grande varanda e muitos móveis e empregados. Imagina, também, uma vasta biblioteca, com um escritório bem equipado e informatizado, onde as obras são escritas. Em meio a esses pensamentos, chega à outra ponta do cabo, onde, depois de alguns metros, se depara com uma placa de boas-vindas diante de uma pequena choupana. Supondo tratar-se da casa do caseiro, o executivo aproxima-se da porta, que se encontra aberta, e anuncia sua presença. É surpreendido com a imagem do homem do barco indo a seu encontro, com um sorriso amigo. Sim, é o próprio escritor que está ali, à sua frente, convidando-o gentilmente para entrar, dizendo:

— Seja bem-vindo a esta casa, é sempre uma alegria receber aqui um peregrino.

Meio desconcertado por não esperar que o escritor morasse naquela choupana, o executivo abre um sorriso tímido e tenta retribuir aquele caloroso acolhimento, dizendo:

- Para mim é uma emoção muito grande conhecê-lo. Há algum tempo venho lendo seus livros e fui tão tocado pelo conteúdo deles que empreendí esta viagem para conhecê-lo pessoalmente, pois o tenho como um mestre e quero aprender muitas lições com o senhor.

— Não me tenha como mestre, mas desperte o mestre que existe em você. Fico lisonjeado por saber que o conteúdo de meus livros, de alguma forma, lhe foi útil, porém isso se deve não exatamente ao que eu escrevi, mas à sua disposição interior em aprender.

— Encontrei em seus livros ensinamentos de um verdadeiro mestre - diz o executivo com convicção.

— O fato de meus ensinamentos terem despertado seu interesse a ponto de trazê-lo até aqui é o indício de que você se abriu para um novo aprendizado sobre a essência da vida, o que naturalmente despertou o discípulo que já havia em você. Chegará o momento em que você também será visto como um mestre, quando fmalmente vivenciar as lições que aprendeu.

Quanto mais escuta o escritor falar, mais o executivo se encanta com o que ouve. Para ele não há dúvida alguma de que aquele é um homem de muita sabedoria.

E assim o escritor leva o executivo até um pequeno quarto, muito simples, mas cuidadosamente preparado para todos aqueles que peregrinam em busca de um novo sentido para a vida. Pede-lhe que acomode sua bagagem e sugere que tome um banho, a fim de restaurar suas energias, enquanto ele mesmo prepara o almoço.

Depois de uma noite passada ao relento e dormida na areia da praia, aquele banho é realmente bem-vindo. Debaixo do chuveiro, enquanto suas forças são revigoradas pela água, seu apetite é despertado pelo cheirinho suave da comida ao fogo. Pensa em como a casa do escritor é diferente da imagem que havia formado sobre ela. No lugar de uma casa suntuosa encontrou uma simples choupana, e no lugar de um escritor imponente encontrou um sábio humilde.

Nesse momento pensa em sua casa, na suntuosidade em que transformou seu lar. Quantos móveis e objetos de arte ele havia adquirido, quanta tecnologia espalhada pela casa para seu conforto e de sua família... no entanto nunca havia sentido em seu lar o aconchego que sentia naquele lugar! Reflete, também, sobre sua posição social, sobre sua imagem de executivo bem-sucedido e sobre o ser humano arrogante que havia se tornado, distanciando-se, sobretudo, das pessoas mais simples.

Encontra-se, agora, diante de um homem cuja fama e sabedoria poderíam fazer dele alguém com uma posição social, quem sabe, até mais elevada do que a sua. Com certeza, o prestígio do escritor poderia lhe proporcionar considerável poder econômico e lhe conceder mordomias, como morar numa mansão e usufruir de todo o conforto e tecnologia que o mundo moderno pode oferecer. Mas agora o executivo entende que o escritor adquiriu muito mais do que essas coisas, adquiriu algo que dinheiro algum pode comprar, que só pode ser conquistado através de um despertar interior, e sente que é exatamente isso que ele também deseja. Não quer ser mais como aquele redemoinho do sonho, tragando para si tudo o que o dinheiro pode comprar. Deseja agora se transformar naquela brisa suave em que o redemoinho se transformou ao largar tudo no final de sua trajetória.

Compreende então que a vida é menos complicada do que sempre imaginou, e que a simplicidade é a estrada que leva à verdadeira paz.

Termina seu banho e, antes de sair do quarto para almoçar, anota sua oitava lição:

Nossa verdadeira grandeza não está naquilo que possuímos, mas em nossa capacidade de ser humildes, apesar de tudo o que já conquistamos.

Reflexão

Na oitava lição, o executivo compreende a diferença entre o ter e o ser. Analisa seu estilo de vida e o compara com a maneira de viver do escritor. Conclui que a grandeza da vida não está nas conquistas materiais, mas na coragem de viver com humildade essas conquistas.

E você?

Já percebeu a diferença entre o ter e o ser?

Como está vivendo o que já conquistou? Suas conquistas o tornaram humano arrogante?

9 - A CONCHA DE MADREPÉROLA

APRENDENDO A OLHAR O UNIVERSO DE FORMA DIFERENTE

Sentado numa varanda de frente para o mar, o executivo almoça com o escritor. A casa fica situada na área mais alta do cabo, de onde se pode desfrutar de uma belíssima paisagem.

O escritor conta um pouco de sua história. Fala que um dia foi um importante executivo e viveu numa grande metrópole, e que seus compromissos sociais eram tantos que não lhe permitiam criar raízes afetivas — e esse era um dos motivos pelos quais seus relacionamentos não eram duradouros. Um dia, depois de passar pela UTI de um hospital, vítima de um enfarte, resolveu reavaliar toda a sua vida. Fora como se estivesse correndo em grande velocidade numa auto-estrada, sem o cuidado de observar as placas que lhe indicavam já estar acima da velocidade permitida. Sua vida tinha sido uma verdadeira corrida pela auto-estrada do poder, do sucesso e do dinheiro, até que o estresse lhe causou um enfarte. A princípio achou que isso foi a pior coisa que podia ter-lhe acontecido. Revoltou-se até contra o próprio Deus, pois se sentia injustiçado pelo Criador, que, a seu ver, poderia ter lhe poupado, uma vez que ele era um homem tão caridoso, que ajudava tantas entidades filantrópicas e obras sociais com seu dinheiro. Hoje percebia que essa fora a maior prova de amor que Deus tivera para com ele, pois do contrário jamais mudaria seu estilo de vida. E, levantando-se da mesa, antes de sair, olha para o executivo e conclui a conversa, dizendo-lhe:

- O que acabei de lhe contar foi a forma pela qual fui chamado a mudar de vida. Cada um é chamado de maneira diferente. Talvez o motivo que o trouxe até aqui seja o seu chamado. É preciso escutá-lo para saber discernir o que precisa mudar em sua vida.

O executivo permanece sentado à mesa por mais algum tempo, pensando em tudo o que escutou. Sente uma enorme necessidade de estar só e pensar mais sobre sua vida. Passeia um pouco pela região e recolhe-se mais cedo para seu quarto.

No dia seguinte, levanta-se cedo e vai até a praia, onde encontra o escritor realizando um trabalho que lhe parece muito estranho. A orla marítima estava cheia de conchas e estrelas-do-mar que se moviam sob o calor do sol, e o escritor apanhava uma a uma devolvendo-as ao mar, em gestos contínuos e ritmados.

- Bom-dia, mestre! - diz o executivo aproximando-se. - O que está fazendo? Posso ajudá-lo?

- Estou jogando as criaturas do mar de volta às águas, pois o sol logo estará tão forte que seu calor intenso poderá matá-las - responde o escritor, com um sorriso tranqüilo.

O executivo coloca a mão no bolso, de onde tira uma belíssima concha de madrepérola que havia apanhado na tarde do dia anterior e diz:

-Você realmente é uma pessoa muito especial. Quem tem o privilégio de conhecê-lo aprende muito mais do que está escrito em seus livros. Esta concha, que apanhei ontem à tarde, levarei como lembrança de mais um de seus ensinamentos.

Ao olhar a concha nas mãos do executivo, o escritor aproveita para lhe dar mais uma lição, dizendo-lhe:

- As conchas pertencem ao mar, os pássaros pertencem ao céu, as flores pertencem ao jardim. É preciso admirar a beleza sem se apossar delas.

Olhando para a linha do horizonte, o escritor completa:

— O respeito a todas as obras da criação deve ser maior do que o desejo de possuí-las.

Ao escutar essas palavras, o executivo olha para aquela concha de uma outra maneira; não a vê mais como apenas uma concha, mas a enxerga agora como parte integrante de um universo que ele começa a perceber de uma outra forma. Olha novamente a concha e com firmeza joga-a de volta ao mar.

O escritor, sorrindo, abraça-o com ternura e segue caminhando pela praia, fazendo seu trabalho de jogar conchas e estrelas de volta para o mar.

Diante de tantos ensinamentos, o executivo, mais uma vez, retira a caderneta do bolso e anota sua nona lição:
Quando olharmos para toda a obra da criação como parte integrante de um único universo, no qual também estamos inseridos, perceberemos que nada nos pertence e conseguiremos superar o desejo de nos apossarmos daquilo que não é nosso. Nesse momento teremos despertado para um novo estilo de vida.

Reflexão

Com a nona lição, o escritor aprende a ver o universo de uma nova maneira. Compreende que tudo o que nele existe tem seu lugar para cumprir sua missão e que não deve se apossar das coisas só porque lhe são agradáveis.
E você?

Como se relaciona com o universo à sua volta? Alguma vez já se sentiu dono de algo ou de alguém?

10 - MESTRE E DISCÍPULO

APRENDENDO QUE O MESTRE E O ESTÃO DENTRO DE CADA UM

Depois de anotar sua nona lição, o executivo observa o escritor se afastando. Aquela conversa despertou nele uma nova maneira de olhar as coisas a seu redor.

Senta-se na areia e olha para as conchas, para o mar, para o céu e para as gaivotas como se os estivesse vendo pela primeira vez. Durante muito tempo viveu como se o mundo estivesse a seu serviço, mas agora experimenta uma inexplicável cumplicidade com a natureza a sua volta. Nessa hora, sente um forte impulso que o faz levantar-se e, quando menos espera, depara-se jogando conchas ao mar.

O sol está cada vez mais forte, e ele já andou bastante fazendo esse trabalho, quando percebe o escritor voltando de sua caminhada e vindo a seu encontro.

— Noto que arrumei um aliado - comenta o escritor, sorrindo, ao observar o que ele estava fazendo.

Vim aqui para aprender suas lições e espero ser um bom aluno - diz o executivo, também sorrindo.

- Ser um bom aluno ou um bom professor depende da disposição de cada um. As lições estão disponíveis para todos, entretanto só as aprende quem se dispõe a vivê-las - comenta o escritor.

— Concordo com você - responde o executivo —, mas, mesmo quando nos dispomos a aprender, se não tivermos um bom mestre para nos orientar, de nada adiantará nossa disposição.

— Dentro de cada um de nós existe um aluno e um mestre. Quando sentimos o desejo de aprender algo, o aluno interior é acionado e, logo em seguida, o mestre entra em ação. Mestre e aluno são faces de uma mesma moeda, um não existe sem o outro. Quem o trouxe aré aqui foi seu aluno interior, mas você veio também acompanhado de seu mestre interior, que já o fez compreender muitas coisas mesmo antes de chegar até este lugar - responde o escritor, serenamente.

O executivo escuta atentamente as palavras do escritor, e elas penetram em seu coração como o ar que entra em seus pulmões. Instintivamente coloca a mão no bolso e, retirando sua caderneta, vê o conteúdo, comentando em voz alta:

É verdade! Mesmo antes de chegar até aqui já havia anotado algumas lições que aprendi pelo caminho. Agora entendo que todas elas me foram ensinadas pelo meu mestre interior. Viajei de tão longe à procura de um mestre e agora percebo que ele estava dentro de mim.

- Sim! Ele sempre esteve dentro de você, só precisava ser despertado - explica o escritor.

-Talvez você tenha razão, acho que deve existir dentro de mim algo a ser despertado. Agora começo a compreender o significado de um sonho que tive e que me levou a procurar seus livros - comenta o executivo, cada vez mais envolvido com o diálogo.

- E que sonho foi esse? Fale-me sobre ele - pede o escritor.

- Na primeira noite sonhei que estava num lugar muito bonito, quando de repente apareceu um vento forte que passou por mim em alta velocidade e desapareceu ao longo da estrada, sugando tudo o que havia pela frente. Na segunda noite encontrava-me no mesmo lugar, quando o vento tornou a passar e transformou-se num redemoinho, novamente sugando tudo. Mas dessa vez resolví segui-lo até o final de sua trajetória, quando se transformou numa brisa leve, deixando no chão tudo o que havia arrastado em seu percurso - relata o executivo.

Nada acontece por acaso, e tudo na vida tem um recado. Esse sonho veio mostrar-lhe algo que conscientemente você não estava conseguindo perceber, mas que seu inconsciente já havia percebido. Ele foi a forma que seu mestre interior encontrou para se comunicar com você — completa o escritor.

Agora as coisas vão ficando mais claras para o executivo. O ritmo em que ele esteve vivendo já o havia transformado num verdadeiro redemoinho, e ele só começou a perceber isso através do sonho. Lembra-se de que o mais impressionante foi o fato de o redemoinho ter se transformado numa brisa suave após ter deixado tudo o que havia tragado. Assim como o redemoinho, ele também havia agregado tantas coisas à sua vida que não conseguia mais perceber o que estava atraindo para si.

— As pessoas, em sua grande maioria, vivem em busca de algo que nem sabem o que é - continua o escritor -e por isso tragam tudo o que encontram pela frente, na tentativa de se preencherem. Contudo, só percebem isso quando a vida se torna um verdadeiro redemoinho. Nesse momento é dada a cada uma a chance de se transformar numa brisa suave, mas para isso precisam fazer uma caminhada para dentro de si.

- Então foi isso que aconteceu comigo quando decidi vir até aqui? Será que já iniciei minha caminhada interior? - pergunta o executivo, com ar de quem está prestes a fazer uma grande descoberta.

— Sim, é bem provável que você a tenha iniciado. É a mais importante caminhada de toda a sua vida e a única que o fará transformar-se na brisa mansa que deseja ser.

E, diante do escritor, o executivo pega a caderneta e anota a última lição daquela viagem:

Existe dentro de cada um de nós um discípulo à espera de um mestre.

E é através da caminhada interior que descobrimos que o mestre é a outra face do discípulo.

REFLEXÃO

Após o diálogo com o escritor, o executivo anota sua décima lição. Entende que a caminhada mais importante da vida é aquela que faz parte para dentro de si mesmo, e que só através dessa caminhada ele pode aprender lições para toda a vida.

E VOCÊ?

Já iniciou a caminhada para dentro de si?

Já providenciou sua caderneta para anotar as lições de seu mestre interior?

EPÍLOGO

A intenção deste livro é apresentar ao leitor lições capazes de lhe proporcionar um novo estilo de vida, ensinando-o:

1 ...a caminhar mais leve pela vida.

Há coisas que precisam ser mantidas; outras, recicladas; e há ainda aquelas que devem ser descartadas. É importante exercitarmos o desapego para podermos caminhar com mais leveza.

2 ...a caminhar com serenidade e confiança.

Cada necessidade é provida a seu tempo, mas para isso é preciso que estejamos atentos e façamos a parte que nos cabe.

...a reconhecer e a valorizar os recursos que a vida oferece.

Há sempre um cajado ao nosso lado para nos apoiarmos, mas é necessário reconhecermos sua utilidade e o momento certo de usá-lo.

4 ...a ler os fatos da vida.

A vida está cheia de sinais que nos apontam para vários caminhos. É preciso atenção para escolhermos aqueles que nos levarão para mais perto de nossas metas.

5 ...a perceber o futuro no presente.

Devemos olhar o futuro sem nunca perder de vista o momento presente.

6 ...um novo estilo de vida.

Para vivermos mais, é preciso darmos menos atenção aos lucros e mais importância à qualidade de vida.

7 ...o valor da paciência.

Se tivermos paciência diante das marés altas que aparecem em nosso caminho, o próprio ciclo natural da vida se encarregará de baixá-las e de nos apresentar um novo horizonte.

...a grandeza da humildade.

Nossa verdadeira grandeza não está naquilo que possuímos, mas em nossa capacidade de ser humildes, apesar de tudo o que já conquistamos.

9 ...a olhar o universo de forma diferente.

Quando olharmos para toda a obra da criação como parte integrante de um único universo, no qual também estamos inseridos, perceberemos que nada nos pertence e conseguiremos superar o desejo de nos apossarmos daquilo que não é nosso. Nesse momento teremos despertado para um novo estilo de vida.

10 ...que o mestre e o discípulo estão dentro de cada um.

Existe dentro de cada um de nós um discípulo à espera de um mestre. E é através da caminhada interior que descobrimos que o mestre é a outra face do discípulo.

Leitor, ao terminar de ler este livro, tenha à mão uma caderneta e fique à escuta de seu mestre interior: ele lhe ensinará lições para toda a vida sempre que você se colocar como discípulo.

F I M